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O cacique Serigy e a resistência no litoral
De acordo com os registros históricos preservados pelo IBGE
(plataforma Cidades@), com base na obra Álbum de Sergipe de Clodomir
Silva, o território onde hoje fica Aracaju era o centro do domínio do cacique
Serigy:
"O local onde hoje se encontra o município de Aracaju
era a residência oficial do cacique Serigy, que [...] dominava desde as margens
do rio Sergipe até as margens do rio Vaza-Barris."
As documentações históricas indicam que Serigy contava com a
aliança de seu irmão, o cacique Siriri. Juntos, lideraram a resistência
indígena em meio às disputas territoriais que envolviam portugueses e também
corsários franceses presentes na costa nordestina no século XVI.
A conquista de 1590 e o nascimento da capitania
A resistência sofreu um golpe definitivo no início de 1590,
quando a expedição do militar português Cristóvão de Barros atacou os
domínios de Serigy e Siriri. Conforme retrata o histórico do IBGE:
"Em 1590, Cristóvão de Barros atacou as tribos do
cacique Serigy e de seu irmão Siriri, matando e derrotando os índios. Assim, no
dia 1º de janeiro de 1590, Cristóvão Barros fundou a cidade de São Cristóvão
[...] e definiu a Capitania de Sergipe."
Surgia assim a Capitania de Sergipe Del Rey,
vinculada administrativamente à Bahia por quase 250 anos. Essa tutela só
terminou com a emancipação política em 8 de julho de 1820, decretada por Carta
Régia de Dom João VI.
De Ciriji a Sergipe: as metamorfoses do nome
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de
Sergipe (UFS) revela que a grafia do nome do estado levou décadas para se
estabilizar no português escrito. Segundo reportagem do Portal UFS Ciência
sobre a dissertação de mestrado do pesquisador Cezar Alexandre Neri Santos
(orientada pela professora Lêda Pires Corrêa no PPGEL/UFS):
"A palavra Sergipe [...] já foi escrita de diferentes
formas desde a colonização do território, na década de 1590. Ciriji, Sirigype,
Serzipe e até mesmo Serygipe, as variações gráficas do termo refletem as
múltiplas nomeações do nosso estado durante o período colonial."
O estudo deu origem ao artigo científico "Os Nomes
da Terra Serigy: os Topônimos de Sergipe Del Rey nas Cartas de Sesmarias
(1594-1623)", publicado na revista Linguagem: Estudos e Pesquisas.
Nele, os pesquisadores analisaram cartas de sesmarias da época para entender
como os termos de origem indígena foram gradualmente assimilados e adaptados
pela burocracia colonial. A investigação tornou-se referência nos estudos
toponímicos regionais, cruzando linguística, cartografia e história.
Os marcos da formação territorial
Segundo a síntese histórica do IBGE, a evolução
institucional de Sergipe seguiu estes marcos principais:
- 1820
(8 de julho): Elevação a Capitania Independente por Carta Régia de Dom
João VI, conquistando autonomia em relação à Bahia.
- 1824:
Elevação à condição de Província do Império do Brasil.
- 1855:
Transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, articulada pelo
então presidente da província, Inácio Barbosa, para facilitar o escoamento
do açúcar produzido no Vale do Cotinguiba pelo novo porto.
- 1889:
Com a Proclamação da República, a província passa a figurar oficialmente
como estado da federação.
Hoje, distribuído em 75 municípios e com cerca de 21.918
km², Sergipe mantém a marca de menor estado brasileiro em área territorial —
mas preserva, em seu próprio nome, uma das memórias nativas mais antigas e
expressivas da história do país.
Referências Bibliográficas
IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística. Cidades@ | Sergipe | Histórico. Disponível em:
cidades.ibge.gov.br/brasil/se/historico
IBGE — Cidades@ | Aracaju | Histórico.
Disponível em: cidades.ibge.gov.br/brasil/se/aracaju/historico
UFS — Universidade Federal de Sergipe. De Cirigype
a Sergipe Del Rey: estudo resgata origens de nomeações geográficas do estado.
Portal UFS Ciência, 2017/2019. Disponível em: ufs.br
NERI SANTOS, Cezar Alexandre; CORRÊA, Lêda. Os
Nomes da Terra Serigy: os Topônimos de Sergipe Del Rey nas Cartas de Sesmarias
(1594-1623). Revista Linguagem: Estudos e Pesquisas, v. 18, n. 2, 2016.
SILVA, Clodomir. Álbum de Sergipe, 1920/1922
(referenciado pelo IBGE).
