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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Atividade Econômica do Brasil Cai 0,2% em Setembro

Imagem desenvolvida por IA
A economia brasileira apresentou uma retração de 0,2% em setembro, segundo os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O resultado, divulgado pela Agência Brasil, reforça o movimento de perda de ritmo ao longo do terceiro trimestre de 2025, acumulando queda de 0,9% entre julho e setembro.

O IBC-Br funciona como um dos principais indicadores antecedentes do Produto Interno Bruto (PIB), reunindo informações de setores como indústria, comércio, serviços, agropecuária e impostos. Com ajustes sazonais, o índice permite avaliar com maior precisão o comportamento mensal da economia.

Desaceleração Ganha Força

Apesar de parecer uma variação moderada, a queda registrada em setembro vem após uma sequência de oscilações negativas. Analistas apontam que a tendência de desaceleração pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa Selic — atualmente em 15% ao ano.

A leitura predominante é que a perda de fôlego da economia pode sinalizar desafios para o fechamento do ano, caso o ritmo de consumo, produção e investimentos não apresente recuperação nos próximos meses.

Por Que o Indicador Importa?

O IBC-Br serve como termômetro para entender a trajetória da economia antes da divulgação oficial do PIB trimestral. Baixas sucessivas, como as registradas no terceiro trimestre, costumam acender alertas entre governo, mercado e setores produtivos.

Com novos dados previstos até o final do ano, o Banco Central deve oferecer uma visão mais completa sobre o comportamento econômico e suas consequências para 2026.

Referência Bibliográfica

AGÊNCIA BRASIL. Atividade econômica brasileira contraiu 0,2% em setembro. Brasília: Empresa Brasil de Comunicação, 17 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/atividade-economica-brasileira-contraiu-02-em-setembro. Acesso em: 17 nov. 2025.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Inflação em 2025: Mercado Financeiro Reduz Projeção e Aponta Trajetória Mais Controlada

O mercado financeiro revisou para baixo a projeção da inflação oficial do Brasil para 2025, estimando agora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,56% no ano, segundo revelam o Relatório Focus do Banco Central e comunicados de instituições financeiras.

Esse novo valor indica uma trajetória ligeiramente mais controlada para os preços no país, embora o patamar ainda ultrapasse o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — fixada em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (teto de 4,5%).

Perspectivas para a Inflação

A projeção para 2025 caiu de 4,70% para 4,56%, enquanto, para 2026, a expectativa recuou de 4,27% para 4,20%.
Para os anos seguintes, 2027 e 2028, as projeções são de 3,82% e 3,54%, respectivamente.

Após uma desaceleração em agosto, a inflação voltou a subir em setembro, registrando 0,48% no mês, pressionada principalmente pelo aumento no custo da energia elétrica.
No acumulado de 12 meses, a alta de preços atinge 5,17%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Política Monetária e Taxa Selic

Com o objetivo de conter o avanço dos preços, o Banco Central mantém desde setembro a taxa Selic — principal instrumento de política monetária — em 15% ao ano, decisão reiterada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
A ata mais recente do Copom reforça que a Selic deverá permanecer nesse nível por um período prolongado, até que haja convergência da inflação para a meta.

De acordo com analistas de mercado, reduções expressivas da Selic devem ocorrer apenas a partir de 2026, quando a taxa pode recuar para 12,25% ao ano, com projeções de 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

Desempenho do PIB

As projeções para o crescimento da economia brasileira também foram ligeiramente revisadas.
Para 2025, a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 2,17% para 2,16%.
Nos anos seguintes, as estimativas indicam expansão de 1,78% (2026), 1,83% (2027) e 2% (2028).

O segundo trimestre de 2025 registrou crescimento de 0,4%, mantendo a sequência de quatro anos consecutivos de expansão do PIB nacional.

Mercado Cambial

No mercado de câmbio, a cotação do dólar é projetada em R$ 5,41 para o encerramento de 2025 e R$ 5,50 para o fim de 2026, sinalizando estabilidade frente às previsões anteriores e ao atual cenário econômico global.

Conclusão

A combinação de inflação sob controle gradual, juros elevados e expectativas de crescimento moderado define um quadro de ajuste cauteloso para a economia brasileira em 2025.
O comportamento da política monetária e a evolução das reformas estruturais serão determinantes para a consolidação de um ambiente de confiança e estabilidade econômica no médio prazo.

Referências Bibliográficas

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório Focus – 24 de outubro de 2025. Brasília: Banco Central do Brasil, 2025. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/. Acesso em: 27 out. 2025.

AGÊNCIA BRASIL. Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,56% em 2025. Brasília: Empresa Brasil de Comunicação, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/. Acesso em: 27 out. 2025.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Comissão de Finanças da Câmara Aprova Plano para Redução Gradual de Benefícios Fiscais

Proposta, que será formalizada como Projeto de Lei Complementar, prevê um corte linear de 10% nos incentivos até 2027 e estabelece regras mais rígidas para futuras isenções, visando maior controle e transparência nos gastos tributários do país.

Marina Ramos/Agência Câmara
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados deu um passo importante para a revisão da política de incentivos fiscais do Brasil. Foi aprovado, no dia 15 de outubro, o relatório que propõe uma redução linear de 10% nos benefícios tributários concedidos pelo governo federal. A medida, que agora seguirá para ser formalizada em um Projeto de Lei Complementar (PLP), planeja o corte em duas fases: 5% em 2026 e outros 5% em 2027.

O documento é fruto do trabalho da Subcomissão Especial das Isenções Especiais e foi elaborado pelo relator, deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). Segundo ele, a proposta busca alinhar o Brasil às práticas internacionais e trazer mais eficiência ao gasto público. "O Brasil gasta cerca de R$ 800 bilhões por ano com benefícios tributários", afirmou o deputado, destacando que, ao contrário das despesas diretas do orçamento, esses incentivos carecem de mecanismos eficazes de controle e avaliação de resultados.

O relatório aponta que o gasto brasileiro com isenções se aproxima de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), um patamar superior à média de 5% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Além disso, há uma forte concentração: 85% dos valores beneficiam apenas dez setores, com destaque para o Simples Nacional e o agronegócio, e mais de 60% dos recursos se concentram nas regiões Sul e Sudeste.

Proteção aos Pequenos Negócios

Uma das principais diretrizes da proposta é proteger os empreendedores de menor porte. O deputado Mauro Benevides Filho fez questão de esclarecer que as novas regras não afetarão os pequenos negócios. "O MEI, que fatura até R$ 82 mil por ano, está fora; a microempresa, até R$ 360 mil, também; e a empresa de pequeno porte, até R$ 4,8 milhões, igualmente", garantiu o relator.

Regras Mais Rígidas para Novos Incentivos

Além do corte, o texto estabelece um novo marco regulatório para a concessão de benefícios fiscais. Entre as principais medidas estão:

  • Vigência Máxima: Novos incentivos terão um prazo máximo de cinco anos.
  • Teto de Gastos: O valor total de novos benefícios não poderá ultrapassar 0,2% do PIB.
  • Proibição de Prorrogação: Fica proibida a renovação de incentivos existentes e a criação de novos, exceto se houver uma compensação equivalente.
  • Análise Prévia: Qualquer nova concessão exigirá uma análise detalhada com objetivos, metas, estimativa de impacto e mecanismos de transparência.
  • Avaliação de Efetividade: Para uma eventual prorrogação, será necessária uma avaliação de resultados a cada cinco anos.

O deputado Merlong Solano (PT-PI) reforçou a urgência do debate, lembrando que uma emenda constitucional de 2021 já prevê a redução dos incentivos para o limite de 2% do PIB. "Neste momento, nós estamos chegando a 6% do PIB. Então, é um debate urgente", concluiu.

A proposta agora aguarda a apresentação formal como PLP pela comissão nos próximos dias, para então iniciar sua tramitação na Câmara dos Deputados.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Atividade Econômica Aquece em Agosto com Puxada da Indústria, mas Agronegócio Recua

A economia brasileira deu sinais de aquecimento em agosto de 2025, registrando um crescimento de 0,4%, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira (16). O resultado, que utiliza dados dessazonalizados para uma análise mais clara da tendência, foi impulsionado principalmente pelo desempenho positivo dos setores de indústria (0,84%) e serviços (0,21%). Em contrapartida, o setor agropecuário apresentou um recuo de -1,85% no mesmo período.

Os dados, divulgados pelo Banco Central, mostram um cenário de crescimento moderado, mas com nuances setoriais importantes. Enquanto a indústria e os serviços sustentam o avanço, a queda na agropecuária, um dos motores da economia nos últimos trimestres, acende um ponto de atenção para os próximos meses.

Na comparação com agosto de 2024, a atividade econômica geral teve uma variação positiva mais tímida, de 0,1%. No acumulado do ano, o indicador aponta para um crescimento de 2,6%, e, na análise dos últimos 12 meses, a alta é de 3,2%.

Contexto Macroeconômico e Política de Juros

O IBC-Br é um indicador crucial para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. Este índice ajuda a mapear o pulso da economia e a calibrar os instrumentos para o controle da inflação.

Segundo a matéria da Agência Brasil, o cenário de crescimento moderado, combinado com uma inflação ainda pressionada — o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 5,17% em setembro, acima do teto da meta de 4,5% —, justifica a postura do Copom. A ata da última reunião do comitê sinaliza a intenção de manter a Selic em patamares elevados "por período bastante prolongado", visando garantir a convergência da inflação para a meta.

A Selic alta encarece o crédito e estimula a poupança, o que tende a conter a demanda e, consequentemente, a inflação. Por outro lado, pode dificultar uma expansão econômica mais robusta.

Diferença entre IBC-Br e PIB

É importante ressaltar que, embora sirva como um termômetro mensal, o IBC-Br possui metodologia distinta do Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia, divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país.

Dados do IBGE mostram que, no segundo trimestre de 2025, o PIB brasileiro cresceu 0,4%, impulsionado também pela indústria e pelos serviços, corroborando a tendência setorial observada no IBC-Br de agosto.

Referências Bibliográficas

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Mercado Vê Leve Alívio na Inflação, Mas Cenário Exige Juros Altos e Modera Crescimento

Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que a projeção do IPCA para este ano caiu para 4,81%, mas o indicador permanece acima do teto da meta. Expectativa é de que a taxa Selic se mantenha em 15% para conter os preços.

Brasília – O mercado financeiro ajustou levemente para baixo sua projeção para a inflação oficial do país em 2025, mas o otimismo é contido. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (29), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,83% para 4,81%. Apesar da melhora, o número segue acima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Essa persistência da inflação em patamar elevado justifica a postura rígida do Banco Central em sua política monetária. Para convergir a inflação à meta, a principal ferramenta, a taxa básica de juros (Selic), está ancorada em 15% ao ano. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza a intenção de manter a taxa "por período bastante prolongado", uma estratégia para conter a demanda aquecida e estabilizar os preços.

As projeções dos analistas corroboram essa visão, estimando que a Selic encerre 2025 no mesmo patamar de 15%. Apenas para os anos seguintes o mercado prevê um relaxamento, com a taxa caindo para 12,25% ao fim de 2026 e chegando a 10% em 2028.

O Custo do Controle: Impacto no Crescimento Econômico

A manutenção de juros altos, embora necessária para o controle inflacionário, impõe um freio à atividade econômica ao encarecer o crédito e desestimular investimentos e consumo. Esse efeito se reflete nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia foi mantida em 2,16%. No entanto, para os próximos anos, o ritmo esperado é mais modesto: o mercado projeta uma expansão de 1,8% em 2026, seguida por 1,9% em 2027 e 2% em 2028. Esses números indicam que o combate à inflação continuará a ser a prioridade, mesmo que isso signifique um crescimento econômico menos robusto.

Projeções de Longo Prazo e Câmbio

Olhando para o futuro, as instituições financeiras demonstram uma confiança gradual na convergência da inflação para o centro da meta. A projeção para o IPCA em 2026 também teve uma leve queda, para 4,28%, e as estimativas para 2027 e 2028 são de 3,9% e 3,7%, respectivamente, já dentro do intervalo de tolerância.

No que tange ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar ao final deste ano é de R$ 5,48. Para o fim de 2026, a expectativa é que a moeda norte-americana se valorize um pouco mais, atingindo R$ 5,58. O cenário traçado, portanto, é de um equilíbrio delicado entre controle de preços, juros elevados e um crescimento econômico que avança de forma contida.

Fonte: Agência Brasil

Crédito Ampliado no Brasil Atinge R$19,7 Trilhões em Agosto, Impulsionado pela Dívida Pública

Indicador, que corresponde a 159% do PIB, reflete expansão dos títulos governamentais. Banco Central também anuncia novas séries estatísticas para monitoramento de fluxos financeiros internacionais.

Brasília, 29/09/2025 – O volume total de crédito na economia brasileira continua em trajetória ascendente. Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira revelam que o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu a marca de R$19,7 trilhões em agosto. Este montante representa 159,0% do Produto Interno Bruto (PIB) e sinaliza um aumento de 1,1% em comparação com o mês de julho.

O crédito ampliado é uma medida abrangente que inclui não apenas os empréstimos e financiamentos concedidos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas também a dívida externa e, crucialmente, o estoque de títulos de dívida emitidos por empresas e pelo governo que estão em circulação no mercado. A análise mensal indica que o principal motor por trás do crescimento recente foi, de fato, o aumento de 2,8% no volume de títulos públicos em poder de agentes econômicos, um reflexo da dinâmica de financiamento do Estado e da demanda do mercado por esses ativos.

Analisando a perspectiva de longo prazo, o crescimento é ainda mais notável. Nos últimos doze meses, o indicador de crédito ampliado registrou uma expansão de 11,7%. Novamente, o destaque fica por conta dos títulos da dívida pública, cujo estoque em poder do mercado cresceu 17,0% no mesmo período. Este movimento ocorreu em paralelo à evolução dos empréstimos tradicionais do SFN, demonstrando que a expansão do crédito na economia nacional possui múltiplas frentes.

Este cenário evidencia a crescente importância da dívida pública não apenas como instrumento de política fiscal para o governo, mas também como um componente central para a liquidez e o financiamento da economia como um todo. A absorção desses títulos pelo setor não financeiro (famílias, empresas e investidores institucionais) é um fator determinante para a composição do crédito total.

Aprimoramento da Transparência Estatística

Juntamente com os dados de crédito, a autoridade monetária anunciou uma iniciativa para aumentar a granularidade e a transparência das estatísticas financeiras. Foram disponibilizadas oito novas séries de dados que detalham as posições internacionais dos bancos que operam no país.

Essas novas séries permitem um acompanhamento mais preciso de fluxos financeiros específicos, tais como:

  • Ativos sobre o Reino Unido: Monitoramento dos ativos que bancos locais possuem relacionados à economia britânica.
  • Passivos Internacionais: Detalhamento das obrigações de bancos locais com credores estrangeiros, incluindo títulos e operações em dólar americano.
  • Operações Intragrupo: Análise das transações financeiras realizadas entre matrizes e filiais de conglomerados bancários internacionais.
  • Exposição a Jurisdições Específicas: Pela primeira vez, dados específicos sobre passivos relacionados às Ilhas Cayman (código 29388) serão publicados, oferecendo uma visão mais clara sobre as operações em um dos principais centros financeiros offshore do mundo.

A introdução dessas métricas representa um avanço para analistas de mercado, reguladores e pesquisadores, que agora dispõem de ferramentas mais robustas para avaliar a saúde financeira do sistema bancário, sua exposição a riscos externos e os padrões de movimentação de capital internacional.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis

Expectativa para expansão da economia este ano é 1,97%

REUTERS/Adriano Machado
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos em 2025 – a expansão da economia e o índice de inflação - ficaram estáveis na edição desta segunda-feira (7) do Boletim Focus. A pesquisa realizada com economistas é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC).

Para este ano, a expectativa para o crescimento da economia está em 1,97%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país - também foi mantida em 1,6%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,90 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,99.

Inflação

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – para 2025 foi mantida em 5,65% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção da inflação ficou em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,78%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro a inflação oficial ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022 quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do preço dos alimentos e da energia  e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em um ponto percentual na última reunião, em março, o quinto aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação na expansão. Segundo o colegiado, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços permaneça alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso. Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em um ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Até dezembro próximo, a estimativa do mercado financeiro é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 24 de março de 2025

Após nova alta de juros, mercado reduz previsão para o PIB e inflação

Expectativa para a expansão da economia cai de 1,99% para 1,98%

Pixabay
Após a taxa básica de juros ser elevada para 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para a expansão da economia e o índice de inflação em 2025 foram reduzidas, de acordo com dados do Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira (24), em Brasília. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para este ano, a estimativa para o crescimento da economia caiu de 1,99% para 1,98%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país - foi mantida em 1,6%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,9% e 2%, respectivamente.

Expansão da economia

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,95 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 6.

Inflação

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – caiu de 5,66% para 5,65% este ano. Para 2026, a projeção da inflação subiu de 4,48% para 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,78%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro a inflação oficial ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022 quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em um ponto percentual na reunião da semana passada, o quinto aumento seguido da Selic, em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento. Segundo o colegiado, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

Próximas reuniões

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.

Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Até o fim deste ano, a estimativa do mercado financeiro é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 10 de março de 2025

Mercado financeiro projeta inflação de 5,68% em 2025

Boletim Focus manteve projeção de crescimento do PIB em 2,01%

Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,68%, ante 5,65% na semana passada.

A pesquisa Focus é realizada com economistas do mercado financeiro e é divulgada semanalmente pelo BC. Para 2026, o Focus projeta um índice inflacionário de 4,4%, o mesmo da semana passada. Para 2027, o mercado financeiro prevê IPCA em 4% e para 2028, 3,75%.

No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%, acima do teto da meta, que era de 4,5%.

PIB

O boletim manteve a projeção de crescimento de 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país, para este ano. Para 2026, os agentes do mercado financeiro projetam um crescimento de 1,7% , a mesma da semana anterior.

Já para 2027, a projeção é de que o PIB fique em 2%, a mesma para 2028.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Focus manteve a projeção da semana passada (15%) para 2025. A mesma das últimas nove semanas. 

Para 2026, a projeção do mercado financeiro é de que a Selic fique em 12,5%, também a mesma projetada na semana passada. Para 2027 e 2028, as projeções são de que a taxa fique em 10,5% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final de janeiro, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual, com a justificativa de que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o centro da meta. 

O Copom destacou que os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa, em função, dentre outros fatores, da estiagem observada ao longo do ano passado e da alta de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.

Com relação aos bens industrializados, o comitê apontou que o movimento recente de aumento do dólar pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses, o que tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política econômica contracionista.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação para o centro da meta (3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%) pode demandar um novo aumento de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião do comitê nos dias 18 e 19 de março.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 5,99 para 2025. Nesta segunda-feira a cotação da moeda está em R$ 5,78. No fim de 2026, a previsão é de que a moeda norte-americana fique em R$ 6. Para 2027, o câmbio também deve ficar, segundo o Focus, em R$ 5,90, a mesma para 2028.

Fonte: Agência Brasil 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Crédito no Brasil deve crescer 8,5% em 2025, aponta Febraban

Pesquisa indica revisão para baixo nas expectativas de crescimento, refletindo maior cautela econômica

PixaBay
O crédito no Brasil deverá crescer 8,5% em 2025, com a carteira de recursos livres tendo expansão de 8,1% e a carteira direcionada de 9,0%, revela a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O levantamento, realizado com 21 bancos entre os dias 5 e 10 de fevereiro, indica uma acomodação das expectativas em relação ao crescimento registrado em 2024, quando a expansão da carteira de crédito foi de 10,9%, segundo o Banco Central. Em dezembro, a projeção era de 9% para 2025, demonstrando uma leve revisão para baixo.

A redução das expectativas se deve a um contexto econômico mais desafiador, com previsão de juros mais altos e inflação pressionada. A carteira de crédito com recursos livres teve sua projeção reduzida de 8,3% para 8,1%, refletindo maior cautela dos bancos na concessão de empréstimos. Já a carteira de crédito direcionado teve queda de 0,7 ponto percentual na projeção de expansão, passando de 9,7% para 9,0%. O crédito direcionado às famílias caiu de 9,8% para 8,9%, enquanto o crédito para empresas teve revisão mínima, de 9,1% para 9,0%.

No geral, a projeção de crédito para empresas recuou de 7,8% para 7,1%, enquanto para as famílias, a expectativa de crescimento passou de 9,1% para 8,6%. A pesquisa da Febraban é realizada a cada 45 dias após a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), coletando projeções sobre diversas variáveis econômicas.

"Cenário fiscal e política monetária influenciarão crescimento do crédito", diz Febraban

Segundo Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, a revisão já era esperada devido à piora do cenário econômico. "Os números evoluem conforme a dinâmica da economia. O desempenho efetivo do crédito dependerá do cenário fiscal e de outras variáveis relevantes que podem alterar a perspectiva atual", explicou.

Para 2026, a pesquisa indica que o movimento de desaceleração do crédito deve continuar, com expansão projetada de 7,7%. O crédito com recursos livres deve crescer 7,1%, enquanto as linhas direcionadas devem apresentar alta de 8,6%. A inadimplência com recursos livres deve se manter estável em 4,6%.

Inadimplência e juros elevados impactam mercado

A projeção para a taxa de inadimplência da carteira livre caiu de 4,7% para 4,6%, ainda que permaneça acima do índice registrado no final de 2024 (4,1%). A tendência de estabilidade pode ser atribuída à maior seletividade na concessão de crédito.

Em relação à taxa Selic, 76,2% dos entrevistados esperam que os juros permaneçam elevados, acima de 14,25% ao ano em 2025, sem previsão de cortes. Na pesquisa anterior, apenas 47,4% tinham essa expectativa. A mediana das projeções aponta para uma Selic de 15,25% ao ano em junho, mantida neste patamar pelo menos até setembro.

Dólar e inflação também preocupam

A expectativa para a taxa de câmbio é de ligeira depreciação ao longo de 2025, com o dólar atingindo R$ 5,95 até setembro. Anteriormente, esperava-se que o câmbio ficasse próximo de R$ 6,00.

Com relação à inflação, 47,6% dos entrevistados acreditam que o índice ficará próximo de 5,5%, enquanto um terço espera que ultrapasse 6%.

PIB e projeções econômicas

A pesquisa aponta que 52,4% dos entrevistados projetam crescimento do PIB de 2,0% em 2025, um leve aumento em relação à pesquisa anterior (50%). Contudo, o viés é de baixa, com crescimento da parcela de analistas que preveem desaceleração maior, passando de 27,8% para 33,3%.

Expectativas para a política monetária nos EUA

No cenário internacional, 71,4% dos entrevistados acreditam que o Federal Reserve (Fed) fará cortes modestos nas taxas de juros em 2025, de 0,25 ponto percentual em uma ou duas oportunidades. Já 28,6% esperam que os juros permaneçam no patamar atual, sem descartar possíveis elevações ao longo do ano.

A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban segue sendo uma das principais referências sobre as perspectivas econômicas do setor bancário, refletindo as expectativas para o crédito e outros indicadores fundamentais da economia brasileira.

A íntegra da pesquisa pode ser acessada neste link

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

IBC-Br recua 0,7%, mas fecha 2024 com alta de 3,8%

Em 12 meses, índice teve um avanço de 3,8%

A atividade da economia brasileira em dezembro de 2024 apresentou recuo de 0,7% na comparação com novembro, segundo o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) divulgado hoje (17), em Brasília, pelo Banco Central.

O IBC-Br é considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com a desaceleração, o indicador anota um crescimento de 3,8% da economia do país no ano passado.

O resultado de dezembro veio após uma alta de 0,10% em novembro. Ainda de acordo com o BC, na comparação com dezembro de 2023, os dados mostram que o IBC-Br cresceu 2,4%. No acumulado em 12 meses o índice também teve um avanço de 3,8%. 

Comparação

Já no trimestre encerrado em dezembro, o IBC-Br acusou alta de 4,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

O IBC-Br é visto como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), calculado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice acompanha mês a mês a atividade econômica e antecipa possíveis pressões inflacionárias.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Atividade econômica do país recua 0,1% no terceiro trimestre

 O Produto Interno Bruto foi estimado em R$ 6,338 trilhões

A atividade econômica no país recuou 0,1% no terceiro trimestre, em relação ao período anterior, mas em setembro teve alta de 0,3%, se comparado a agosto. Frente ao terceiro trimestre do ano passado, a economia brasileira cresceu 4,1%, e 2,4% em setembro, comparado ao mesmo mês em 2020. Em termos monetários, no acumulado do ano até setembro, o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos no país) foi estimado, em valores correntes, em R$ 6,338 trilhões.

Os dados são do Monitor do Produto Interno Bruto, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (Monitor do PIB-FGV), divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação (Ibre/FGV).

Na publicação, a FGV destacou a revisão para baixo de 1,4% para 1,2% na taxa de crescimento do PIB de 2019 feita pelo IBGE. Pelos cálculos do monitor, na próxima divulgação das Contas Nacionais Trimestrais (CNT) o IBGE vai fazer a revisão da taxa de crescimento do PIB em 2020 da queda de 4,1% para 4,2%.

Para o coordenador do Monitor do PIB-FGV, Cláudio Considera, a economia brasileira reverteu a trajetória de recuperação que havia sido observada no terceiro e quarto trimestre de 2020 e no primeiro trimestre deste ano, comparativamente aos trimestres imediatamente anteriores.

“No segundo e terceiro trimestres deste ano ocorreram duas taxas negativas de 0,1% em comparação aos trimestres imediatamente anteriores. Por sua vez, a taxa acumulada em 12 meses, até setembro, foi de apenas 3,7%. A exceção da extrativa mineral e a administração pública, todas as demais taxas acumuladas em 12 meses, foram positivas”, explicou.

Nesta comparação, o economista destacou a taxa do setor de serviços, que havia sofrido quedas mensais contínuas e elevadas desde abril do ano passado até maio deste ano. Agora, registra taxas acumuladas em 12 meses positivas e crescentes desde junho, com a taxa até setembro sendo de 3%.

“No setor de serviços tem relevância a atividade de outros serviços, que representa cerca de 15% do PIB, que chegou a ter taxa mensal negativa de 22,7% e que apresentou taxas positivas elevadas a partir de abril deste ano”, disse, acrescentando que o desempenho se deve à maior abrangência da vacinação.

“Possibilitou a maior interação entre as pessoas com idas a hotéis, bares, restaurantes, viagens etc. Isso é compatível com o consumo de serviços por parte das famílias que neste trimestre cresceu 8,9%, enquanto o de bens, à exceção de semiduráveis (vestuário e calçados), reduziu-se”, disse.

Por causa da influência da pandemia da covid-19 nos fatores sazonais de 2020, que podem não estar realmente relacionados à sazonalidade, a edição do Monitor do PIB-FGV relativo a setembro incluiu um exercício adicional com relação a série com ajuste sazonal.

Conforme a FGV, esses impactos estão sendo analisados por alguns institutos de estatística internacionais e, por isso, além do ajuste sazonal habitual, que compreende o período de janeiro de 2000 a setembro de 2021, adicionalmente foi feito "o ajuste sazonal para 2020 e 2021, considerando os fatores sazonais referentes a 2019 e o fator calendário corrente”.

O Monitor do PIB informa que se forem utilizados os fatores sazonais da série do PIB do período de 2000 até 2019, os resultados apontam para a taxa de variação no terceiro trimestre de 2021 de 2,2%, superior à queda de 0,1%, caso seja considerado todo período de 2000 até setembro de 2021.

“A taxa de variação de setembro de 2021 seria de 1,2% superior à de 0,3% observada considerando todo o período de 2000 até setembro de 2021. Esses resultados sugerem que as taxas ajustadas sazonalmente devem ser analisadas com cautela pois a pandemia pode ter influenciado os fatores sazonais por razões econômicas e estatísticas”, alertou.

Famílias

O consumo das famílias subiu 4,4% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano passado. O crescimento de serviços (8,9%) influenciou o resultado. Mas, o componente de produtos duráveis teve a primeira queda em doze meses (1,7%). Já na série com ajuste sazonal, o consumo das famílias cresceu 0,7% em comparação ao trimestre anterior.

Investimentos

A FBCF, que representa os investimentos, avançou 11,8% entre julho e setembro de 2021, se comparado ao mesmo período do ano passado. Todos os componentes continuaram com a trajetória de crescimento, embora o de máquinas e equipamentos tenha reduzido o crescimento, cujo pico foi registrado em maio deste ano. “Na série ajustada sazonalmente a formação bruta de capital fixo apresentou retração (4,9%) no 3º trimestre em comparação ao 2º trimestre”, aponta o relatório.

Exportação

A exportação teve alta de 0,8% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento elevado do setor de serviços (32,5%) foi destaque, mas em movimento contrário houve queda relevante dos produtos agropecuários (15,6%) e da extrativa mineral (7,2%). Na série dessazonalizada a exportação registrou recuo de 13% entre julho e setembro em comparação ao trimestre anterior.

Importação

A importação também anotou evolução. O crescimento no terceiro trimestre ficou em 28,5%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Todos os componentes da importação registraram crescimento, com destaque para bens intermediários (32,4%) e extrativa mineral (71,4%).

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


sexta-feira, 12 de novembro de 2021

IBGE: PIB de 22 estados tem aumento em 2019

13 estados tiveram crescimento acima da média nacional

Entre as 27 unidades da federação, 13 tiveram aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 acima da média nacional, que foi de 1,2%, alcançando R$7,4 trilhões. Ao todo, 22 estados tiveram crescimento naquele ano. Os dados são das Contas Regionais 2019, divulgadas nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A maior alta no ano foi do Tocantins, que cresceu 5,2%, seguido por Mato Grosso (4,1%), Roraima (3,8%), Santa Catarina (3,8%) e Sergipe (3,6%). Pelo lado das quedas, a maior retração ocorreu no Espírito Santo (-3,8%). Pará (-2,3%), Piauí (-0,6%) e Mato Grosso do Sul (-0,5%) completam a lista das reduções e Minas Gerais ficou estável. As demais altas foram abaixo do índice nacional.

De acordo com a gerente de Contas Regionais do IBGE, Alessandra Poça, no Tocantins, que tem 0,5% de participação no PIB nacional, o crescimento foi puxado pela silvicultura. “No Tocantins, o crescimento é atrelado à elevação em volume de 278,2% na produção florestal, pesca e aquicultura, principalmente na silvicultura, impulsionada em grande medida pela extração de madeira em tora de eucalipto. Além disso, houve um crescimento do comércio no período”.

A gerente destaca que o comércio contribuiu para o crescimento do PIB em seis unidades da federação em 2019. “Dentre essas 13 unidades [que tiveram alta acima da média nacional], o comércio tem um peso considerável na economia, é uma atividade que consta em seis unidades da federação entre as duas maiores contribuições: Tocantins, Mato Grosso, Roraima, Santa Catarina, Amapá e Amazonas. Atividades imobiliárias [é quesito que] aparece em cinco [AP, GO, CE, AL e RN] e a Agricultura em quatro: Mato Grosso, Sergipe, Ceará e Alagoas”.

No Mato Grosso, o crescimento da agricultura foi amparado nos cultivos de algodão herbáceo e de soja na série histórica, segundo Poça. “Na análise de desempenho ao longo da série 2002-2019, o Mato Grosso continua se destacando com a maior variação em volume acumulada entre os entes federativos, um crescimento de 130,4% no período. O desempenho do estado esteve bastante vinculado à agropecuária, devido ao cultivo de algodão e à pecuária no período”.

Quedas

Entre os estados que apresentaram queda no PIB em 2019, no Espírito Santo e no Pará a retração da economia foi vinculada às indústrias extrativas, com redução na extração de minério de ferro. O Piauí apresentou queda na agricultura e no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas. Já no Mato Grosso do Sul, houve decréscimo na cadeia de produção da celulose, além do cultivo de soja e criação de bovinos e suínos.

Em Minas Gerais, Poça explica que a estabilidade se deveu à retração da extração de minério de ferro e da agropecuária, com a bienalidade negativa do café.

“A produção mineral teve queda de 45,6% em 2019 no estado, ocasionada pelo rompimento da barragem em Brumadinho e pela paralisação temporária na operação de várias minas por motivos de monitoramento e segurança. Isso foi determinante para a inflexão do volume desse grupo de atividades, visto que os demais agregados industriais apresentaram expansão no nível de atividade”.

Concentração regional

O Sudeste, que tem a maior participação no PIB nacional, diminuiu de 53,1% para 53%, com a desaceleração das economias fluminense e capixaba. Na passagem de 2018 para 2019, as regiões Norte (0,2 p.p.) e Sul (0,1 p.p.) elevaram suas participações, alcançando 5,7% e 17,2%, respectivamente.

Nordeste teve redução de 0,1 ponto percentual, respondendo em 2019 por 14,2% das riquezas produzidas no país. O Centro-Oeste se manteve no mesmo patamar de contribuição para a economia brasileira, com 9,9% do total.

O estado de São Paulo concentra cerca de um terço do PIB nacional, com R$2,35 trilhões. Na série histórica, SP passou de 34,9% da economia brasileira em 2002 para 31,8% em 2019. A gerente da pesquisa destaca que o estado teve crescimento de 1,7% de 2018 para 2019.

“Os maiores acréscimos na economia paulista foram no grupo de atividades de serviços (2%), entre elas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas e atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares”.

O Rio de Janeiro vem em segundo, com R$779,9 bilhões, e em terceiro está Minas Gerais, com PIB de R$ 651,87 bilhões. RJ, MG, RS e PR respondem juntos por outro terço do PIB, passando de 33,3% em 2002 para 32,2% em 2019. Os outros 22 estados somados passaram de 31,9% do PIB nacional em 2002 para 36% em 2019.

PIB Per Capta

Na análise de PIB per capta, o Distrito Federal se manteve na frente em 2019, com o valor de R$ 90.742,75, o que representa cerca de 2,6 vezes o valor médio do país, que é R$ 35.161,70.

Entre as unidades da federação, todos os estados das regiões Norte e Nordeste têm o PIB per capta menor do que o nacional, enquanto no Sul todos os estados estão acima.

No Centro-Oeste, apenas Goiás está abaixo da média nacional e, no Sudeste, Espírito Santo e Minas Gerais ficam abaixo.

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Juros consomem quase 12% da renda das famílias, diz pesquisa

Empresas usam R$ 90,2 bilhões para quitar juros em 2021

Cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) semestral e 11,79% da renda das famílias ficaram comprometidos com pagamento de juros no primeiro semestre de 2021, aponta estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Foram R$ 233,5 bilhões no período. Em termos comparativos, o montante é equivalente a 73% do recurso injetado via auxílio emergencial no ano passado.

Altamiro Carvalho, assessor econômico da federação, disse nesta quarta-feira (10) que, depois do aluguel, o gasto com juros é o segundo item entre as maiores despesas dos brasileiros. “O juro é disseminado nas despesas de uma forma que as pessoas não têm consciência do volume que esse recurso representa no orçamento doméstico”, afirmou. O gasto com juros ultrapassa, por exemplo, os custos totais, por ano, com educação, serviços e vestuário.

A análise aponta, ainda, que “o auxílio distribuído pelo governo federal, que poderia incentivar ainda mais o consumo das famílias, beneficiando de maneira homogênea outros setores da economia, foi bastante comprometido com a quitação destas taxas, canalizadas pelo sistema financeiro”. O estudo quantifica o volume destinado ao pagamento de juros dos empréstimos obtidos em operações de crédito livre nos seis primeiros meses de 2019, 2020 e 2021.

“Se metade disso [montante de juros] não tivesse sido pago, você injetaria na economia recursos para consumo das famílias, daria condições de consumo, de uma forma muito impactante que poderia, obviamente, estimular a produção, iria para a indústria, iria girar o nível da atividade econômica como um todo”, destacou Carvalho. Ele disse que o pagamento de juros, por sua vez, vai para as instituições financeiras e volta para o mercado também na forma de juros.

Quitação

No item pessoa jurídica, o estudo indica que as empresas utilizaram R$ 90,2 bilhões para quitação de juros. O valor é 8,2% acima do registrado em 2020. A soma representa 2% do PIB semestral. O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), por exemplo, liberou R$ 37,5 bilhões em recursos para mais de 500 mil negócios em 2020. Nesse sentido, o montante de juros pagos pelas pessoas jurídicas, no primeiro semestre deste ano, é quase 2,5 vezes maior que o volume destinado pelo programa.

A FecomercioSP aponta, também, que a inadimplência entre as famílias está controlada. O valor dos empréstimos atrasados há mais de 90 dias teve queda de 14,4% no primeiro semestre de 2021, ficando em R$ 54,4 bilhões. A taxa de inadimplência era de 4,8% nos primeiros seis meses de 2019, 5,3% em 2020 e ficou em 4,1% de janeiro a junho de 2021.

Em relação ao crédito neste ano, considerando o período analisado, “tanto as concessões quanto o saldo das operações de crédito para pessoa jurídica avançaram, no comparativo anual, 1,2% e 5,1%, respectivamente”, aponta em nota a federação.

Para ela, “o crédito no Brasil impõe um custo elevado tanto para os lares como para as empresas, retirando da sociedade quase 8% do PIB semestral, a título de pagamento de juros”. A entidade acredita que o desequilíbrio nas contas públicas é o principal fator que explica os juros elevados.


Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil