É nesse cenário que Apocalipse 21:6 soa como uma palavra
firme, vinda do trono:
“Está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A
quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.” (Apocalipse 21:6)
Esse versículo é curto, mas tem profundidade suficiente para
sustentar uma alma cansada. Ele fala de fim, mas também de começo.
Fala de conclusão, mas também de convite. E, sobretudo, fala de
um Deus que não apenas governa a história — Ele a redime.
1) “Está feito”: o fim não é ameaça, é promessa
Quando Deus declara “Está feito”, Ele não está dizendo
apenas que “um dia tudo vai acabar”. Ele está afirmando que a obra dEle chega
ao destino certo. Não existe risco de a história terminar em caos. Não há
possibilidade de a injustiça ficar para sempre sem resposta. Não há chance de a
dor ser a palavra final.
Essa frase é um antídoto para o desespero. Ela nos lembra
que Deus não está atrasado, nem confuso, nem ausente. Ainda que a nossa visão
seja limitada e o presente pareça pesado, o trono não está vazio.
Para quem vive lutando com inseguranças, a mensagem é
simples e poderosa: o desfecho não depende da sua capacidade de aguentar
tudo, mas da fidelidade de Deus em cumprir o que prometeu.
2) “Alfa e Ômega”: Deus está no começo, no meio e no fim
Deus se apresenta como Alfa e Ômega — a primeira e a
última letra. Ele é o princípio e o fim. Isso significa que a sua vida não é um
acidente fora do controle do Criador, e o seu futuro não está solto ao acaso.
Ele está:
- no
início dos seus caminhos;
- no
meio das suas batalhas;
- no
fim das suas esperas.
Quando o coração diz “eu não sei como isso vai terminar”,
Deus responde com quem Ele é: “Eu sou o princípio e o fim.” A nossa
esperança não está em prever o amanhã; está em conhecer Aquele que sustenta o
amanhã.
3) “A quem tem sede”: Deus começa pelo lugar mais
verdadeiro
O convite de Deus não é para os que “já chegaram lá”. É para
os que têm sede.
Sede é linguagem de necessidade. É reconhecer que existem
vazios que dinheiro, aprovação, distrações ou religiosidade não conseguem
preencher. É admitir: “eu preciso”.
E há algo libertador nisso: para se aproximar de Deus, você
não precisa primeiro fingir força. Você precisa apenas ser sincero. A sede é um
lugar de humildade — e Deus não despreza quem chega com o coração quebrado,
cansado ou confuso. Pelo contrário: Ele chama exatamente esses.
4) “Darei de graça”: vida não se compra, se recebe
Deus promete dar “de graça”. Isso confronta a mentalidade do
mérito, inclusive a mentalidade religiosa. Às vezes a gente tenta “negociar”
com Deus: fazer mais, acertar mais, provar mais, para então se sentir digno de
receber.
Mas graça não funciona assim. Graça é presente. E presente
não é pago; é recebido.
Isso não diminui a transformação — na verdade, é o que a
torna possível. Porque quando deixamos de tentar merecer, finalmente
descansamos. E é nesse descanso que a fé amadurece, o caráter é moldado e o
coração começa a ser curado.
5) “Fonte da água da vida”: Deus não oferece só alívio,
oferece plenitude
Não é “um copo d’água” para dar um gás. É fonte. Ou
seja, não é algo que termina rápido e te deixa dependendo de outras coisas o
tempo todo. É vida que brota do próprio Deus, com continuidade, profundidade e
eternidade.
O mundo oferece “atalhos” para a sede: consumo, status,
controle, prazer, reconhecimento. Mas tudo isso é instável. A sede volta. E
volta mais forte quando depositamos nossa identidade nessas fontes frágeis.
Em Apocalipse 21:6, Deus promete algo diferente: água da
vida, da fonte certa, no tempo certo, pela mão certa.
Uma pergunta para o coração
Se Deus dissesse hoje “a quem tem sede, eu darei de graça”,
você saberia responder com honestidade:
De que eu estou com sede?
Paz? Direção? Perdão? Recomeço? Cura? Sentido?
Nomear a sede é um passo de fé. Porque transforma ansiedade
em oração, vazio em busca, e desorientação em rendição.
