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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Atividade Econômica do Brasil Cai 0,2% em Setembro

Imagem desenvolvida por IA
A economia brasileira apresentou uma retração de 0,2% em setembro, segundo os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O resultado, divulgado pela Agência Brasil, reforça o movimento de perda de ritmo ao longo do terceiro trimestre de 2025, acumulando queda de 0,9% entre julho e setembro.

O IBC-Br funciona como um dos principais indicadores antecedentes do Produto Interno Bruto (PIB), reunindo informações de setores como indústria, comércio, serviços, agropecuária e impostos. Com ajustes sazonais, o índice permite avaliar com maior precisão o comportamento mensal da economia.

Desaceleração Ganha Força

Apesar de parecer uma variação moderada, a queda registrada em setembro vem após uma sequência de oscilações negativas. Analistas apontam que a tendência de desaceleração pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa Selic — atualmente em 15% ao ano.

A leitura predominante é que a perda de fôlego da economia pode sinalizar desafios para o fechamento do ano, caso o ritmo de consumo, produção e investimentos não apresente recuperação nos próximos meses.

Por Que o Indicador Importa?

O IBC-Br serve como termômetro para entender a trajetória da economia antes da divulgação oficial do PIB trimestral. Baixas sucessivas, como as registradas no terceiro trimestre, costumam acender alertas entre governo, mercado e setores produtivos.

Com novos dados previstos até o final do ano, o Banco Central deve oferecer uma visão mais completa sobre o comportamento econômico e suas consequências para 2026.

Referência Bibliográfica

AGÊNCIA BRASIL. Atividade econômica brasileira contraiu 0,2% em setembro. Brasília: Empresa Brasil de Comunicação, 17 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/atividade-economica-brasileira-contraiu-02-em-setembro. Acesso em: 17 nov. 2025.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Banco Central regulamenta o mercado de ativos virtuais e define regras para novas instituições financeiras digitais

Imagem desenvolvida por IA
O Banco Central do Brasil (BCB) publicou nesta segunda-feira (10) três resoluções que marcam uma nova etapa da regulação do mercado de ativos virtuais no país. As normas — Resoluções BCB nº 519, 520 e 521 — estabelecem parâmetros para autorização de prestadores de serviços, funcionamento de instituições específicas do setor e integração das transações virtuais ao sistema de câmbio e capitais internacionais.

As medidas resultam de consultas públicas realizadas entre 2023 e 2024, que reuniram contribuições de empresas do mercado de criptoativos, associações, escritórios jurídicos e entidades estrangeiras. O objetivo é trazer segurança jurídica, transparência e alinhamento às melhores práticas internacionais na negociação e custódia de ativos digitais.

Estrutura e funcionamento das SPSAVs

A Resolução BCB nº 519 define a criação das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), que poderão atuar em três categorias: intermediárias, custodiante e corretoras. Essas instituições estarão sujeitas às regras já aplicáveis a outras entidades supervisionadas pelo Banco Central, abrangendo temas como governança corporativa, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança cibernética e transparência nas relações com clientes.

A norma também determina que apenas instituições financeiras autorizadas ou SPSAVs especialmente constituídas poderão oferecer tais serviços no país. A Resolução entra em vigor em 2 de fevereiro de 2026.

Regras de autorização e transição

A Resolução BCB nº 520 regulamenta o processo de autorização de funcionamento das SPSAVs, além de atualizar procedimentos para segmentos já supervisionados, como corretoras de câmbio e distribuidoras de títulos. O texto prevê regras gerais para o credenciamento, assegurando uma transição gradual e controlada para o novo modelo regulatório, além de prazos específicos para que empresas que já operam com ativos virtuais se adequem às novas exigências.

Assim como a Resolução anterior, esta também passa a valer a partir de 2 de fevereiro de 2026.

Ativos virtuais no câmbio e capitais internacionais

A Resolução BCB nº 521 amplia o enquadramento regulatório dos ativos virtuais em operações de câmbio e capitais estrangeiros, introduzindo regras inéditas para transações internacionais com criptoativos. Entre as atividades que passam a ser consideradas operações de câmbio estão: pagamentos e transferências internacionais com ativos virtuais, trocas em moeda fiduciária e movimentações envolvendo carteiras autocustodiadas.

As SPSAVs e demais instituições autorizadas poderão atuar nesse mercado, desde que observem limites financeiros compatíveis com as regras de câmbio tradicionais. As transações internacionais realizadas com ativos virtuais ficam limitadas a US$ 100 mil quando envolverem contraparte não autorizada a operar no mercado cambial.

Além disso, o Banco Central incluiu normas para o uso de ativos virtuais em operações de crédito externo e investimento estrangeiro direto, com foco em aumentar a eficiência operacional e evitar arbitragens regulatórias. A obrigatoriedade de prestação de informações sobre essas operações passa a vigorar em 4 de maio de 2026.

Com esse novo arcabouço normativo, o Banco Central dá um passo significativo na consolidação do ecossistema financeiro digital brasileiro, buscando equilibrar inovação tecnológica, integridade do sistema e proteção do consumidor.

Boletim Focus Mantém Estabilidade nas Projeções Econômicas e Reforça Cautela do Mercado

Foto: Agência Brasil
O mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10), manteve estáveis as expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira. As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), inflação e taxa Selic não sofreram alterações, refletindo um cenário de cautela diante das incertezas externas e da política monetária dos Estados Unidos.

PIB Deve Crescer 2,16% em 2025

De acordo com o levantamento, o mercado prevê crescimento de 2,16% para o PIB em 2025, mesma taxa estimada nas últimas semanas. Para os anos seguintes, as projeções indicam leve desaceleração: 1,78% em 2026, 1,88% em 2027 e 2% em 2028.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, impulsionada pelos setores de serviços e indústria. No acumulado dos quatro trimestres anteriores, o avanço foi de 3,2%.
O governo federal, por sua vez, trabalha com uma estimativa um pouco mais otimista, projetando alta de 2,5% para o PIB deste ano.

Inflação Segue Acima do Teto da Meta

A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — a inflação oficial — permaneceu em 4,55% em 2025, acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. A meta central, de 3%, permite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 5,17%, influenciada principalmente pelo aumento da energia elétrica em setembro, quando o índice avançou 0,48%. Para os próximos anos, o mercado espera desaceleração gradual da inflação: 4,2% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028.

Selic Deve Permanecer em 15% Até o Fim do Ano

Com o objetivo de conter as pressões inflacionárias, o Banco Central mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano — patamar que deve ser preservado até o final de 2025.
Os analistas esperam que o ciclo de redução dos juros comece a partir de 2026, quando a Selic deve cair para 12,25%, seguida por 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

O BC justifica o nível elevado dos juros pela persistência da inflação acima do centro da meta, apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica.

Dólar e Ambiente Externo Mantêm Pressão

A expectativa para o câmbio também se manteve estável. O mercado projeta o dólar a R$ 5,41 no final de 2025 e R$ 5,50 em 2026.
O Banco Central reforça que as decisões de política monetária nos Estados Unidos continuam influenciando o cenário brasileiro, especialmente por meio do impacto sobre as condições financeiras globais e o fluxo de capitais.

Mercado Reage com Cautela e Foco no Controle da Inflação

O panorama apresentado pelo Focus indica que o Banco Central deve adotar uma postura conservadora nos próximos meses, mantendo juros altos por mais tempo para garantir o controle da inflação.
Essa política, no entanto, preocupa o setor produtivo, que teme desaceleração da economia e encarecimento do crédito — fatores que podem desestimular investimentos e consumo.

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis. Brasília, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/estimativas-do-mercado-para-inflacao-e-pib-permanecem-estaveis. Acesso em: 10 nov. 2025.

CNN BRASIL. Focus: Mercado mantém projeções para taxa Selic e inflação. São Paulo, 2025. Disponível em: https://cnnbrasil.com.br/economia/focus-mercado-mantem-projecoes-para-taxa-selic-e-inflacao/. Acesso em: 10 nov. 2025.

CORREIO BRAZILIENSE. Mercado mantém expectativa de inflação para acima do teto da meta em 2025. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2025/11/7289122-mercado-mantem-expectativa-de-inflacao-para-acima-do-teto-da-meta-em-2025.html. Acesso em: 10 nov. 2025.

EXAME. Boletim Focus: Mercado mantém expectativa do IPCA em 2025, 2026, 2027 e 2028. São Paulo, 2025. Disponível em: https://exame.com/economia/boletim-focus-mercado-mantem-expectativa-do-ipca-em-2025-2026-2027-e-2028/. Acesso em: 10 nov. 2025.

IBGE. PIB varia 0,4% no segundo trimestre de 2025. Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/economia/pib-varia-04-no-segundo-trimestre-de-2025. Acesso em: 10 nov. 2025.

INFOMONEY. Boletim Focus: inflação esperada para 2025 para de cair e fica em 4,55%. São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/boletim-focus-inflacao-esperada-para-2025-para-de-cair-e-fica-em-455/. Acesso em: 10 nov. 2025.

VEJA. Mercado mantém projeção de inflação acima do teto da meta. São Paulo, 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/mercado-mantem-projecao-de-inflacao-acima-do-teto-da-meta. Acesso em: 10 nov. 2025.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Inflação em 2025: Mercado Financeiro Reduz Projeção e Aponta Trajetória Mais Controlada

O mercado financeiro revisou para baixo a projeção da inflação oficial do Brasil para 2025, estimando agora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,56% no ano, segundo revelam o Relatório Focus do Banco Central e comunicados de instituições financeiras.

Esse novo valor indica uma trajetória ligeiramente mais controlada para os preços no país, embora o patamar ainda ultrapasse o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — fixada em 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (teto de 4,5%).

Perspectivas para a Inflação

A projeção para 2025 caiu de 4,70% para 4,56%, enquanto, para 2026, a expectativa recuou de 4,27% para 4,20%.
Para os anos seguintes, 2027 e 2028, as projeções são de 3,82% e 3,54%, respectivamente.

Após uma desaceleração em agosto, a inflação voltou a subir em setembro, registrando 0,48% no mês, pressionada principalmente pelo aumento no custo da energia elétrica.
No acumulado de 12 meses, a alta de preços atinge 5,17%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Política Monetária e Taxa Selic

Com o objetivo de conter o avanço dos preços, o Banco Central mantém desde setembro a taxa Selic — principal instrumento de política monetária — em 15% ao ano, decisão reiterada pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
A ata mais recente do Copom reforça que a Selic deverá permanecer nesse nível por um período prolongado, até que haja convergência da inflação para a meta.

De acordo com analistas de mercado, reduções expressivas da Selic devem ocorrer apenas a partir de 2026, quando a taxa pode recuar para 12,25% ao ano, com projeções de 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

Desempenho do PIB

As projeções para o crescimento da economia brasileira também foram ligeiramente revisadas.
Para 2025, a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 2,17% para 2,16%.
Nos anos seguintes, as estimativas indicam expansão de 1,78% (2026), 1,83% (2027) e 2% (2028).

O segundo trimestre de 2025 registrou crescimento de 0,4%, mantendo a sequência de quatro anos consecutivos de expansão do PIB nacional.

Mercado Cambial

No mercado de câmbio, a cotação do dólar é projetada em R$ 5,41 para o encerramento de 2025 e R$ 5,50 para o fim de 2026, sinalizando estabilidade frente às previsões anteriores e ao atual cenário econômico global.

Conclusão

A combinação de inflação sob controle gradual, juros elevados e expectativas de crescimento moderado define um quadro de ajuste cauteloso para a economia brasileira em 2025.
O comportamento da política monetária e a evolução das reformas estruturais serão determinantes para a consolidação de um ambiente de confiança e estabilidade econômica no médio prazo.

Referências Bibliográficas

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório Focus – 24 de outubro de 2025. Brasília: Banco Central do Brasil, 2025. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/. Acesso em: 27 out. 2025.

AGÊNCIA BRASIL. Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,56% em 2025. Brasília: Empresa Brasil de Comunicação, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/. Acesso em: 27 out. 2025.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Atividade Econômica Aquece em Agosto com Puxada da Indústria, mas Agronegócio Recua

A economia brasileira deu sinais de aquecimento em agosto de 2025, registrando um crescimento de 0,4%, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira (16). O resultado, que utiliza dados dessazonalizados para uma análise mais clara da tendência, foi impulsionado principalmente pelo desempenho positivo dos setores de indústria (0,84%) e serviços (0,21%). Em contrapartida, o setor agropecuário apresentou um recuo de -1,85% no mesmo período.

Os dados, divulgados pelo Banco Central, mostram um cenário de crescimento moderado, mas com nuances setoriais importantes. Enquanto a indústria e os serviços sustentam o avanço, a queda na agropecuária, um dos motores da economia nos últimos trimestres, acende um ponto de atenção para os próximos meses.

Na comparação com agosto de 2024, a atividade econômica geral teve uma variação positiva mais tímida, de 0,1%. No acumulado do ano, o indicador aponta para um crescimento de 2,6%, e, na análise dos últimos 12 meses, a alta é de 3,2%.

Contexto Macroeconômico e Política de Juros

O IBC-Br é um indicador crucial para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano. Este índice ajuda a mapear o pulso da economia e a calibrar os instrumentos para o controle da inflação.

Segundo a matéria da Agência Brasil, o cenário de crescimento moderado, combinado com uma inflação ainda pressionada — o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 5,17% em setembro, acima do teto da meta de 4,5% —, justifica a postura do Copom. A ata da última reunião do comitê sinaliza a intenção de manter a Selic em patamares elevados "por período bastante prolongado", visando garantir a convergência da inflação para a meta.

A Selic alta encarece o crédito e estimula a poupança, o que tende a conter a demanda e, consequentemente, a inflação. Por outro lado, pode dificultar uma expansão econômica mais robusta.

Diferença entre IBC-Br e PIB

É importante ressaltar que, embora sirva como um termômetro mensal, o IBC-Br possui metodologia distinta do Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia, divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país.

Dados do IBGE mostram que, no segundo trimestre de 2025, o PIB brasileiro cresceu 0,4%, impulsionado também pela indústria e pelos serviços, corroborando a tendência setorial observada no IBC-Br de agosto.

Referências Bibliográficas

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Pix Ganha "Botão de Contestação" para Combater Fraudes de Forma Mais Ágil e Digital

Brasília – A partir desta quarta-feira, 1º de novembro, os usuários do Pix contam com uma nova ferramenta para contestar transações e reaver valores perdidos em casos de fraude, golpe ou coerção. O "botão de contestação", formalmente conhecido como autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), promete agilizar o processo de ressarcimento diretamente pelo aplicativo da instituição financeira.

A medida, anunciada pelo Banco Central em agosto, representa um avanço significativo na segurança do Pix, tornando o MED – criado em 2021 para facilitar a devolução de valores – totalmente digital, eliminando a necessidade de contato com as centrais de atendimento.

Agilidade no Bloqueio e Devolução

Ao acionar o botão de contestação, a informação é imediatamente repassada ao banco do suposto golpista. Este, por sua vez, deve bloquear os recursos presentes na conta, mesmo que parcialmente. Após o bloqueio, ambas as instituições financeiras têm até sete dias para analisar a contestação. Se for confirmada a fraude, a devolução é efetuada para a conta da vítima em até onze dias após a contestação.

O Banco Central enfatiza que essa agilidade no processo de autoatendimento do MED é crucial para aumentar as chances de encontrar recursos ainda na conta do fraudador, viabilizando a devolução.

Escopo do MED e Novas Funcionalidades

É fundamental destacar que o MED e seu novo botão de contestação são específicos para casos de fraude, golpe e coerção, não se aplicando a desacordos comerciais, arrependimento de compra, erros de digitação na chave Pix ou situações que envolvam terceiros de boa-fé.

Além do botão, outra importante atualização no MED visa rastrear os "caminhos do dinheiro". A partir de 23 de novembro (de forma facultativa, tornando-se obrigatória em fevereiro do próximo ano), será possível solicitar a devolução de valores que foram transferidos para outras contas, não apenas daquela que recebeu a fraude inicialmente.

Até então, os fraudadores costumavam movimentar rapidamente o dinheiro para outras contas, esvaziando a conta original e dificultando o ressarcimento às vítimas. Com os aprimoramentos, o MED será capaz de identificar essas movimentações, compartilhando as informações entre as instituições financeiras envolvidas, o que deve aumentar a taxa de recuperação dos valores e desincentivar novas fraudes. O BC espera que essa funcionalidade também contribua para a identificação e o bloqueio de contas utilizadas para atividades ilícitas.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Mercado Vê Leve Alívio na Inflação, Mas Cenário Exige Juros Altos e Modera Crescimento

Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que a projeção do IPCA para este ano caiu para 4,81%, mas o indicador permanece acima do teto da meta. Expectativa é de que a taxa Selic se mantenha em 15% para conter os preços.

Brasília – O mercado financeiro ajustou levemente para baixo sua projeção para a inflação oficial do país em 2025, mas o otimismo é contido. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (29), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,83% para 4,81%. Apesar da melhora, o número segue acima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Essa persistência da inflação em patamar elevado justifica a postura rígida do Banco Central em sua política monetária. Para convergir a inflação à meta, a principal ferramenta, a taxa básica de juros (Selic), está ancorada em 15% ao ano. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza a intenção de manter a taxa "por período bastante prolongado", uma estratégia para conter a demanda aquecida e estabilizar os preços.

As projeções dos analistas corroboram essa visão, estimando que a Selic encerre 2025 no mesmo patamar de 15%. Apenas para os anos seguintes o mercado prevê um relaxamento, com a taxa caindo para 12,25% ao fim de 2026 e chegando a 10% em 2028.

O Custo do Controle: Impacto no Crescimento Econômico

A manutenção de juros altos, embora necessária para o controle inflacionário, impõe um freio à atividade econômica ao encarecer o crédito e desestimular investimentos e consumo. Esse efeito se reflete nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia foi mantida em 2,16%. No entanto, para os próximos anos, o ritmo esperado é mais modesto: o mercado projeta uma expansão de 1,8% em 2026, seguida por 1,9% em 2027 e 2% em 2028. Esses números indicam que o combate à inflação continuará a ser a prioridade, mesmo que isso signifique um crescimento econômico menos robusto.

Projeções de Longo Prazo e Câmbio

Olhando para o futuro, as instituições financeiras demonstram uma confiança gradual na convergência da inflação para o centro da meta. A projeção para o IPCA em 2026 também teve uma leve queda, para 4,28%, e as estimativas para 2027 e 2028 são de 3,9% e 3,7%, respectivamente, já dentro do intervalo de tolerância.

No que tange ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar ao final deste ano é de R$ 5,48. Para o fim de 2026, a expectativa é que a moeda norte-americana se valorize um pouco mais, atingindo R$ 5,58. O cenário traçado, portanto, é de um equilíbrio delicado entre controle de preços, juros elevados e um crescimento econômico que avança de forma contida.

Fonte: Agência Brasil

Crédito Ampliado no Brasil Atinge R$19,7 Trilhões em Agosto, Impulsionado pela Dívida Pública

Indicador, que corresponde a 159% do PIB, reflete expansão dos títulos governamentais. Banco Central também anuncia novas séries estatísticas para monitoramento de fluxos financeiros internacionais.

Brasília, 29/09/2025 – O volume total de crédito na economia brasileira continua em trajetória ascendente. Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira revelam que o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu a marca de R$19,7 trilhões em agosto. Este montante representa 159,0% do Produto Interno Bruto (PIB) e sinaliza um aumento de 1,1% em comparação com o mês de julho.

O crédito ampliado é uma medida abrangente que inclui não apenas os empréstimos e financiamentos concedidos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas também a dívida externa e, crucialmente, o estoque de títulos de dívida emitidos por empresas e pelo governo que estão em circulação no mercado. A análise mensal indica que o principal motor por trás do crescimento recente foi, de fato, o aumento de 2,8% no volume de títulos públicos em poder de agentes econômicos, um reflexo da dinâmica de financiamento do Estado e da demanda do mercado por esses ativos.

Analisando a perspectiva de longo prazo, o crescimento é ainda mais notável. Nos últimos doze meses, o indicador de crédito ampliado registrou uma expansão de 11,7%. Novamente, o destaque fica por conta dos títulos da dívida pública, cujo estoque em poder do mercado cresceu 17,0% no mesmo período. Este movimento ocorreu em paralelo à evolução dos empréstimos tradicionais do SFN, demonstrando que a expansão do crédito na economia nacional possui múltiplas frentes.

Este cenário evidencia a crescente importância da dívida pública não apenas como instrumento de política fiscal para o governo, mas também como um componente central para a liquidez e o financiamento da economia como um todo. A absorção desses títulos pelo setor não financeiro (famílias, empresas e investidores institucionais) é um fator determinante para a composição do crédito total.

Aprimoramento da Transparência Estatística

Juntamente com os dados de crédito, a autoridade monetária anunciou uma iniciativa para aumentar a granularidade e a transparência das estatísticas financeiras. Foram disponibilizadas oito novas séries de dados que detalham as posições internacionais dos bancos que operam no país.

Essas novas séries permitem um acompanhamento mais preciso de fluxos financeiros específicos, tais como:

  • Ativos sobre o Reino Unido: Monitoramento dos ativos que bancos locais possuem relacionados à economia britânica.
  • Passivos Internacionais: Detalhamento das obrigações de bancos locais com credores estrangeiros, incluindo títulos e operações em dólar americano.
  • Operações Intragrupo: Análise das transações financeiras realizadas entre matrizes e filiais de conglomerados bancários internacionais.
  • Exposição a Jurisdições Específicas: Pela primeira vez, dados específicos sobre passivos relacionados às Ilhas Cayman (código 29388) serão publicados, oferecendo uma visão mais clara sobre as operações em um dos principais centros financeiros offshore do mundo.

A introdução dessas métricas representa um avanço para analistas de mercado, reguladores e pesquisadores, que agora dispõem de ferramentas mais robustas para avaliar a saúde financeira do sistema bancário, sua exposição a riscos externos e os padrões de movimentação de capital internacional.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

IBC-Br sobe 0,4% em fevereiro e reforça sinais de resiliência econômica

Dados são do Banco Central e reportagem da Agência Brasil

PixaBay
Pelo segundo mês consecutivo, a atividade econômica brasileira apresentou crescimento, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta sexta-feira (11) pela própria autoridade monetária. O índice, que serve como um dos principais termômetros da economia nacional, registrou alta de 0,4% em fevereiro na comparação com janeiro, considerando os dados dessazonalizados.

No mês, o IBC-Br atingiu 108,8 pontos, sinalizando uma trajetória de recuperação moderada. Em relação a fevereiro de 2024, o crescimento foi de 4,1%, e no acumulado de 12 meses, a variação positiva foi de 3,8%. Os números fazem parte da base pública de dados do Banco Central, que também disponibiliza o histórico completo dos componentes setoriais como agropecuária, indústria, serviços e impostos.

De acordo com matéria publicada pela Agência Brasil, o índice é acompanhado de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) por refletir o nível de atividade econômica e contribuir nas decisões sobre a taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano. A elevação dos juros, segundo o BC, tem como objetivo controlar a inflação, embora impacte negativamente o ritmo de crescimento.

O cenário atual é marcado por inflação em desaceleração. Em março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,56%, abaixo dos 1,31% registrados em fevereiro. Ainda assim, no acumulado em 12 meses, a inflação oficial chegou a 5,48%, superando o teto da meta definida para o período.

O Banco Central alertou para os riscos persistentes de inflação de serviços e indicou que poderá realizar novos ajustes na Selic, ainda que em menor intensidade nas próximas reuniões do Copom. A política monetária restritiva tem dificultado uma expansão mais robusta da economia, mas os dados recentes mostram sinais de resiliência.

O IBC-Br, apesar de não ser uma prévia exata do Produto Interno Bruto (PIB), é utilizado internamente pelo BC como instrumento de acompanhamento da atividade. Em 2024, o PIB brasileiro cresceu 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de avanço.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Crédito sobe e alcança R$18,8 trilhões em fevereiro, impulsionado por títulos públicos e empréstimos às empresas

Expansão de 1,7% no mês reforça crescimento do crédito ampliado, enquanto taxa média de juros atinge 30,5% ao ano; endividamento das famílias atinge maior nível desde junho de 2023

SFPMIS.org.br
O crédito ampliado ao setor não financeiro no Brasil registrou um crescimento de 1,7% em fevereiro, totalizando R$18,8 trilhões — o equivalente a 158,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento foi puxado, principalmente, pela alta de 3,6% nos títulos públicos de dívida, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 14,9%.

Empresas lideram expansão

O crédito às empresas somou R$6,6 trilhões (56,1% do PIB), com alta de 1,9% em fevereiro. Destaque para o avanço de 3,8% nos empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e de 1,5% nos empréstimos externos. Em relação a fevereiro de 2024, houve um crescimento expressivo de 19,2%, influenciado por títulos de dívida (+27,5%) e crédito externo (+18,6%).

Famílias com crédito mais estável

Já o crédito às famílias atingiu R$4,3 trilhões (36,5% do PIB), com crescimento mais modesto: 0,4% no mês e 12,5% em doze meses, sustentado especialmente pelos empréstimos do SFN.

Sistema Financeiro Nacional (SFN) movimenta R$6,5 trilhões

O estoque de crédito do SFN chegou a R$6,5 trilhões em fevereiro, com crescimento mensal de 0,4%. O crédito às empresas totalizou R$2,5 trilhões (+0,5%) e às famílias R$4,0 trilhões (+0,4%). No acumulado de 12 meses, a alta foi de 11,8%.

  • Crédito com recursos livres: R$3,7 trilhões (estável no mês, +11,3% em 12 meses)
  • Crédito direcionado: R$2,7 trilhões (+0,9% no mês, +12,5% em 12 meses)

Juros e inadimplência em alta

A taxa média de juros das novas concessões chegou a 30,5% ao ano, com avanço de 0,7 ponto percentual no mês. A inadimplência, por sua vez, atingiu 3,3% da carteira total do SFN, mantendo-se estável em 12 meses.

  • Juros para famílias: 35,0% a.a. (+1,2 p.p. no mês)
  • Juros para empresas: 21,0% a.a. (-0,4 p.p. no mês)
  • Spread bancário: 19,4 p.p.

No crédito livre às famílias, a taxa de juros chegou a 56,3% a.a., impulsionada pelo aumento no rotativo do cartão de crédito (+9,6 p.p.) e no crédito pessoal não consignado (+6,1 p.p.).

Endividamento e comprometimento de renda

O endividamento das famílias subiu para 48,7% da renda em janeiro, o maior nível desde junho de 2023. Já o comprometimento da renda com dívidas subiu para 27,3%.

Agregados monetários crescem

A base monetária chegou a R$440,9 bilhões (+0,2% no mês). Os agregados M1, M2, M3 e M4 também apresentaram expansão:

  • M1: R$627,8 bilhões (+0,4%)
  • M2: R$6,6 trilhões (+0,9%)
  • M3: R$12,1 trilhões (+0,7%)
  • M4: R$13,6 trilhões (+1,4% no mês e +12,2% em 12 meses)

Limite para juros em cartões entra em vigor

Desde janeiro, está em vigor a Lei nº 14.690/2023, que limita a cobrança de juros e encargos em cartões de crédito rotativo e parcelado. O total cobrado não pode ultrapassar o valor original da dívida. O Banco Central criou uma página específica para acompanhar os efeitos da nova legislação: Acesse aqui.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis

Expectativa para expansão da economia este ano é 1,97%

REUTERS/Adriano Machado
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos em 2025 – a expansão da economia e o índice de inflação - ficaram estáveis na edição desta segunda-feira (7) do Boletim Focus. A pesquisa realizada com economistas é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC).

Para este ano, a expectativa para o crescimento da economia está em 1,97%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país - também foi mantida em 1,6%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,90 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,99.

Inflação

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – para 2025 foi mantida em 5,65% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção da inflação ficou em 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,78%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro a inflação oficial ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022 quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do preço dos alimentos e da energia  e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em um ponto percentual na última reunião, em março, o quinto aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação na expansão. Segundo o colegiado, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços permaneça alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso. Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em um ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Até dezembro próximo, a estimativa do mercado financeiro é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 17 de março de 2025

Atividade econômica brasileira cresce 0,9% em janeiro

Em 12 meses, indicador é positivo em 3,8%

PicaBay
Após recuo em dezembro de 2024, a atividade econômica brasileira cresceu no primeiro mês de 2025, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,9% em janeiro em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período).

No mês, o IBC-Br atingiu 154,6 pontos. Na comparação com janeiro de 2024, houve crescimento de 3,6% (sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais). No acumulado em 12 meses, o indicador também ficou positivo em 3,8%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 13,25% ao ano. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos.

A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Inflação

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro, a inflação oficial - medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado em 12 meses, o IPCA soma 5,06%, acima do teto da meta de 3%, que tem tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A alta do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros na reunião de janeiro, o quarto aumento seguido da Selic, que consolida um ciclo de contração na política monetária.

Em relação às próximas reuniões, o Copom já confirmou que elevará a Selic em um ponto percentual, para 14,25% ao ano, na reunião que ocorre esta semana, mas não informou se as altas continuarão na reunião de maio, apenas que observará a inflação.

Produto Interno Bruto

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega uma metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo IBGE. Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

Fonte: Agência Brasil

Mercado financeiro reduz projeções para economia e inflação em 2025

Boletim Focus aponta menor crescimento do PIB e expectativa de inflação acima da meta do Banco Central

PixaBay
As previsões do mercado financeiro para a expansão da economia e o índice de inflação em 2025 foram reduzidas, de acordo com a edição desta segunda-feira (17) do Boletim Focus. A pesquisa, divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), reúne a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia caiu de 2,01% para 1,99%. Para 2026, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) – soma dos bens e serviços produzidos no país – recuou de 1,7% para 1,6%. Já para 2027 e 2028, o mercado financeiro mantém a previsão de crescimento de 2% ao ano.

Em 2024, a economia brasileira registrou um avanço de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento. Esse resultado foi o melhor desde 2021, quando o PIB cresceu 4,8%.

A previsão para a cotação do dólar segue em R$ 5,98 para o fim deste ano, enquanto para 2026 estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 6.

Inflação e meta do Banco Central

A expectativa para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou ligeiramente de 5,68% para 5,66% em 2025. Essa é a primeira redução na projeção após mais de 20 revisões para cima.

Para 2026, no entanto, a projeção da inflação subiu de 4,4% para 4,48%. Para os anos seguintes, as previsões são de 4% para 2027 e 3,78% para 2028.

A estimativa para 2025 segue acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior da meta é de 4,5%.

Em fevereiro, a inflação oficial avançou 1,31%, impulsionada pelo aumento na conta de energia elétrica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior resultado desde março de 2022 e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003. No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Taxa de juros e impacto na economia

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 13,25% ao ano, é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a inflação. Em janeiro, diante da alta do dólar e das incertezas sobre a economia global, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar a taxa pela quarta vez consecutiva, consolidando um ciclo de aperto monetário.

Para a reunião desta semana, o Copom já confirmou que elevará a Selic para 14,25% ao ano, mas não informou se novas altas ocorrerão em maio. Até o final de 2025, o mercado financeiro estima que a taxa suba para 15% ao ano. Para os anos seguintes, a previsão é de redução gradual: 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

O aumento da taxa básica de juros visa frear a demanda aquecida, tornando o crédito mais caro e estimulando a poupança. No entanto, taxas elevadas podem dificultar o crescimento econômico ao encarecer o financiamento para empresas e consumidores.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito se torna mais acessível, incentivando o consumo e a produção. Esse movimento, porém, pode reduzir o controle sobre a inflação e gerar maior pressão sobre os preços.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 13 de março de 2025

Banco Central: Crédito ampliado ao setor não financeiro registra queda em janeiro

Saldo total atinge R$18,5 trilhões, impactado pela valorização do real e retração nas captações externas

PixaBay
O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$18,5 trilhões em janeiro, correspondendo a 155,6% do PIB. O resultado reflete uma queda de 0,8% no mês, impulsionada principalmente pela retração de 4,8% nas captações externas, em razão da apreciação cambial de 5,9% no período. No acumulado de doze meses, houve um crescimento de 14,4%, com destaque para a alta de 16,5% nos títulos de dívida e de 11,4% nos empréstimos locais.

O crédito ampliado destinado a empresas somou R$6,6 trilhões (55,2% do PIB), registrando uma queda mensal de 1,9%. O recuo foi puxado pela retração de 4,4% nos empréstimos externos e de 2,0% nos créditos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na comparação anual, porém, o crescimento de 17,8% foi impulsionado pelo aumento de 30,1% nos títulos de dívida e de 16,8% nos empréstimos externos.

O crédito ampliado às famílias chegou a R$4,3 trilhões (36,3% do PIB), apresentando uma expansão de 1,1% no mês e de 12,6% em doze meses, com forte impacto do crescimento dos empréstimos do SFN.

Operações de crédito do SFN mantêm estabilidade

O saldo das operações de crédito do SFN permaneceu estável em janeiro, totalizando R$6,5 trilhões. Houve um aumento de 1,2% na carteira de crédito para pessoas físicas, que somou R$4,0 trilhões, enquanto o saldo das pessoas jurídicas sofreu uma queda de 1,8%, atingindo R$2,5 trilhões. No acumulado de doze meses, o crescimento foi de 11,7%, acelerando em relação aos 11,5% observados no mês anterior.

O crédito com recursos livres alcançou R$3,7 trilhões, com uma retração de 0,5% no mês e um crescimento anual de 11,5%. O crédito livre para empresas totalizou R$1,5 trilhão, registrando uma queda de 3,2% no mês e uma alta de 9,7% em doze meses, impactado pela redução na carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-15,6%) e pela queda nos estoques de capital de giro total (-1,0%).

Para as famílias, o crédito livre aumentou 1,4% no mês e 12,7% no ano, somando R$2,2 trilhões, impulsionado pelo crescimento no crédito pessoal não consignado (2,6%), financiamento de veículos (2,0%) e cartão de crédito rotativo (6,7%).

Juros e inadimplência apresentam variações

A taxa média de juros das concessões de crédito atingiu 29,8% ao ano em janeiro, aumentando 1,2 ponto percentual no mês e 1,7 p.p. em doze meses. No crédito livre, a taxa de juros alcançou 42,3% ao ano, com avanços de 1,6 p.p. no mês e 2,0 p.p. no ano. Destaque para as elevações nas taxas de cartão de crédito rotativo (+103,1 p.p.) e capital de giro com prazo de até 365 dias (+9,3 p.p.).

O índice de inadimplência do SFN atingiu 3,2%, com alta mensal de 0,3 p.p. e queda de 0,1 p.p. no ano. No crédito livre, a inadimplência foi de 4,4%, crescendo 0,3 p.p. no mês. A taxa para pessoas jurídicas subiu para 2,8%, enquanto para famílias manteve-se estável em 5,5%.

Alterações regulatórias impactam o setor

A Lei nº 14.690, sancionada em outubro de 2023, estabeleceu um limite para os juros e encargos financeiros cobrados em operações de cartão de crédito rotativo e parcelado. O Banco Central começou a divulgar estatísticas sobre o impacto da legislação, permitindo maior transparência na cobrança de taxas.

Além disso, a revisão das estatísticas de crédito, em conformidade com a Resolução CMN nº 4.966/2021, alterou a metodologia de classificação do risco de crédito e a provisão para perdas esperadas. A partir de janeiro de 2025, as instituições financeiras passarão a categorizar os créditos em três estágios distintos, substituindo a classificação anterior baseada em níveis de risco.

As mudanças regulatórias e a dinâmica do mercado de crédito seguem influenciando os rumos do setor, com impactos tanto para empresas quanto para famílias brasileiras.

 

sábado, 8 de março de 2025

Pix: Novas regras do Banco Central podem excluir milhões de chaves irregulares

Cerca de 8 milhões de CPFs com pendências na Receita Federal podem ter chaves Pix canceladas; veja como regularizar

As novas regras do Banco Central (BC) para uso do Pix devem afetar cerca de 8 milhões de chaves ligadas a CPFs em situação irregular na base de dados da Receita Federal. Estas chaves poderão ser excluídas. 

Anunciada nesta quinta-feira (6), a medida visa mais segurança aos usuários deste sistema de pagamento instantâneo.

Para saber se seu CPF está irregular e se sua chave está entre as que poderão ser canceladas, a Agência Brasil preparou um passo a passo para regularizar pendências e evitar essa exclusão.

Passo a passo

O primeiro deles é saber se o CPF está em alguma das seguintes situação cadastral: Suspensa, Cancelada, Titular Falecido ou Nula.

Para tanto, é necessário consultar o site da Receita Federal em aba específica de Comprovante de Situação Cadastral.

Se a situação estiver “suspensa”, é necessário fazer o pedido de regularização na aba específica do site da Receita.

Segundo o órgão, na maioria das vezes, a atualização do CPF pelo site corrige as informações na hora. Contudo, se ao final do procedimento for gerado um protocolo de atendimento, será necessário enviar alguns documentos à Receita Federal para concluir o serviço.

Nesses casos, o envio da documentação comprobatória da alteração pode ser encaminhada por e-mail. Clique aqui para saber o e-mail que atende cada unidade da federação. Também é possível agendar a entrega da documentação comprobatória, nesta aba específica do site.

Entre os documentos que podem ser solicitados estão a certidão de nascimento ou casamento, título de eleitor, comprovante de residência e um documento de identidade. Além disse, o solicitante terá que enviar uma selfie, segurando o documento de identidade.

Já no caso do CPF apresentar a situação de “titular falecido” ou “cancelado” é necessário agendar atendimento em uma unidade da Receita para realizar a correção. Para isso, clique aqui.

Em situações especiais, a exemplo de pessoa com deficiência maior de 18 anos, o pedido pode ser feito pelo cônjuge ou companheiro; ascendente, descendente ou parente colateral até o 3º ou curador. 

Nesse caso, será preciso enviar também laudo médico atestando a deficiência, documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove o parentesco ou curatelia.

No caso de menores de 16 anos tutelados ou sujeitos à guarda, a alteração no cadastro do CPF pode ser solicitada pelos pais, tutor ou responsável pela guarda, mediante o envio de documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove a tutela ou responsabilidade da guarda do incapaz.

Além disso, o atendimento presencial também pode ser prestado por unidades conveniadas, mas com o custo de R$ 7. As unidades que prestam o serviço são os cartórios de registro de pessoas naturais, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os Correios.

Residentes no exterior

Se a pessoa residir no exterior, a orientação é preencher o formulário disponível aquiApós o preenchimento, o formulário deve ser impresso e entregue em uma representação diplomática brasileira em até 15 dias, com os documentos listados.

Também é possível solicitar atendimento presencial junto às repartições consulares brasileiras no exterior. As informações sobre os consulados estão disponíveis no portal E-consular.

 

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 6 de março de 2025

Banco Central reforça segurança no Pix com novas regras para validação de chaves

Medidas exigem conformidade dos dados com a Receita Federal, limitam alterações em chaves e-mails e aleatórias, e ampliam monitoramento para combater fraudes.


O Banco Central (BC) anunciou, nesta quinta-feira (6/3), mudanças no Regulamento do Pix que visam fortalecer a segurança do sistema de pagamentos instantâneos e dificultar a ação de golpistas. A partir de agora, as instituições financeiras e de pagamento participantes do Pix deverão garantir que os nomes associados às chaves Pix — tanto de pessoas físicas quanto jurídicas — estejam em total conformidade com os registros da Receita Federal, referentes ao CPF e CNPJ dos usuários.

Segundo o BC, a verificação deverá ser realizada em qualquer operação envolvendo chaves Pix, como cadastro, alterações de informações, portabilidades e reivindicações de posse. Além disso, contas vinculadas a CPFs ou CNPJs com situação irregular — como "suspensa", "cancelada" ou "nula" — serão impedidas de manter chaves ativas no sistema.

As novas exigências tornam mais difícil que fraudadores usem nomes divergentes em operações pelo Pix, aumentando a proteção para os usuários. Para fiscalizar a aplicação das regras, o Banco Central também ampliará o monitoramento das instituições participantes e poderá aplicar penalidades em caso de descumprimento.

Outro reforço anunciado foi a proibição de alterações em dados vinculados a chaves aleatórias e a impossibilidade de transferência de propriedade para chaves do tipo e-mail. Agora, quem quiser atualizar informações de uma chave aleatória precisará excluí-la e registrar uma nova. Já as chaves de e-mail, por questões de segurança, não poderão mais ser transferidas de um usuário para outro — restrição que não se aplica às chaves com número de celular, que seguem com a possibilidade de mudança de titularidade, considerando a dinâmica de linhas telefônicas pré-pagas.

O BC também flexibilizou regras para devoluções feitas em dispositivos não cadastrados, liberando a possibilidade de reembolso integral em casos de boa-fé, independentemente do valor, mesmo fora de aparelhos previamente autorizados.

Apesar das alterações, o Banco Central garante que a experiência dos usuários não sofrerá impacto na prática cotidiana. "Essas são medidas operacionais, voltadas para aumentar a segurança e a integridade do sistema, sem mudar a forma como as pessoas enviam ou recebem Pix", destacou o órgão em comunicado.

Desde a criação do Pix, em 2020, a segurança tem sido um dos pilares fundamentais da ferramenta, com o BC promovendo atualizações periódicas para proteger os usuários e assegurar a confiança no meio de pagamento mais popular do país.

Clique para ver a Resolução BCB Nº 457. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Contas externas têm saldo negativo de US$ 8,7 bilhões em janeiro

Investimentos diretos no país somaram US$ 6,5 bilhões

PixaBay
As contas externas do país tiveram saldo negativo em janeiro de US$ 8,655 bilhões, informou nesta quinta-feira (23) o Banco Central (BC). No mesmo mês de 2024, o déficit foi de US$ 4,407 bilhões nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países.

A piora na comparação interanual é resultado da queda de US$ 4,3 bilhões no superávit comercial, em razão, principalmente, do aumento das importações. Também contribuiu para o resultado negativo nas transações correntes, o déficit em serviços, que aumentou em US$ 1 bilhão. Em contrapartida, o déficit em renda primária (pagamento de juros e lucros e dividendos de empresas) recuou em US$ 1,1 bilhão.

Em 12 meses encerrados em janeiro, o déficit em transações correntes somou US$ 65,442 bilhões, 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país), ante o saldo negativo de US$ 61,194 bilhões (2,79% do PIB) no mês anterior. Já em relação ao período equivalente terminado em janeiro de 2024, o aumento no déficit foi maior, com o resultado em 12 meses negativo em US$ 24,490 bilhões (1,11% do PIB).

De acordo com o BC, as transações correntes têm cenário bastante robusto e vinham com tendência de redução nos déficits em 12 meses, que se inverteu a partir de março de 2024. Ainda assim, o déficit externo está financiado por capitais de longo prazo, principalmente pelos investimentos diretos no país, que têm fluxos e estoques de boa qualidade.

Balança comercial e serviços

As exportações de bens totalizaram US$ 25,371 bilhões em janeiro, uma redução de 5,9% em relação a igual mês de 2024. Enquanto isso, as importações atingiram US$ 24,148 bilhões, o maior valor para meses de janeiro da série histórica iniciada em 1995, com elevação de 12,8% na comparação com janeiro do ano passado.

Com os resultados de exportações e importações, a balança comercial fechou com superávit de US$ 1,223 bilhão no mês passado, ante o saldo positivo de US$ 5,563 bilhões em janeiro de 2024. A redução é de 78%.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a queda nas exportações se deu em razão da redução dos preços internacionais dos bens exportados pelo Brasil, enquanto as quantidades estão estáveis. No caso das importações, o valor recorde se deve ao aumento nas quantidades importadas pelos brasileiros.

“O volume de bens importados aumentou 19,5% em janeiro. Se você separa as importações entre quantidade e preços, a demanda interna por bens importados cresceu ainda mais que o aumento expresso em valor”, explicou Rocha.

O déficit na conta de serviços – viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos e seguros, entre outros – somou US$ 4,552 bilhões em janeiro, ante os US$ 3,531 bilhões em igual mês de 2024, crescimento de 28,9%.

Segundo o BC, há crescimento na corrente de comércio de serviços, com diversificação na conta. Na comparação interanual, uma das maiores altas, de 53,6%, foi nas despesas líquidas com transporte, somando US$ 1,442 bilhão, resultado dos aumentos na corrente de comércio e no preço dos fretes internacionais.

Outro destaque foi no déficit em serviços de propriedade intelectual, ligados a serviços de streaming, totalizando US$ 768 milhões, aumento de 29,1%. Serviços de telecomunicação, computação e informações, também puxados por operações por plataformas digitais, chegaram a US$ 998 milhões, alta de 22%.

No caso das viagens internacionais, em janeiro, o déficit na conta fechou com alta de 13,1%, chegando a US$ 979 milhões, resultado de US$ 805 milhões nas receitas (que são os gastos de estrangeiros em viagem ao Brasil) e de US$ 1,784 bilhão nas despesas de brasileiros no exterior.

Rendas

Em janeiro de 2024, o déficit em renda primária - lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários – chegou a US$ 5,613 bilhões, 16,2% abaixo do registrado em janeiro do ano passado, de US$ 4,371 bilhões. Normalmente, essa conta é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil – e eles remetem os lucros para fora do país – do que de brasileiros no exterior.

A conta de renda secundária – gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens – teve resultado positivo de US$ 287 milhões no mês passado, contra superávit US$ 258 milhões em janeiro de 2024.

Financiamento

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) caíram 28,4% na comparação interanual, explicado pelos reinvestimentos de lucro por parte das empresas que já estão no país. O IDP somou US$ 6,501 bilhões em janeiro, ante US$ 9,080 bilhões em igual período de 2024, resultado de ingressos líquidos de US$ 4,726 bilhões em participação no capital e de US$ 1,776 bilhão em operações intercompanhia.

O IDP acumulado em 12 meses totalizou US$ 68,491 bilhões (3,16% do PIB) em janeiro, ante US$ 71,070 bilhões (3,25% do PIB) no mês anterior e US$ 66,581 bilhões (3% do PIB) no período encerrado em janeiro de 2024.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo.

No caso dos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve saída líquida de US$ 715 milhões em janeiro, composta por retirada líquida de US$ 2,370 bilhões em títulos da dívida e entrada líquida de US$ 1,655 bilhão em ações e fundos de investimento. Nos 12 meses encerrados em janeiro, os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram saídas líquidas de US$ 8,5 bilhões.

estoque de reservas internacionais atingiu US$ 328,303 bilhões em janeiro, redução de US$ 1,426 bilhão em comparação ao mês anterior.

Fonte: Agência Brasil 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

IBC-Br recua 0,7%, mas fecha 2024 com alta de 3,8%

Em 12 meses, índice teve um avanço de 3,8%

A atividade da economia brasileira em dezembro de 2024 apresentou recuo de 0,7% na comparação com novembro, segundo o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) divulgado hoje (17), em Brasília, pelo Banco Central.

O IBC-Br é considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com a desaceleração, o indicador anota um crescimento de 3,8% da economia do país no ano passado.

O resultado de dezembro veio após uma alta de 0,10% em novembro. Ainda de acordo com o BC, na comparação com dezembro de 2023, os dados mostram que o IBC-Br cresceu 2,4%. No acumulado em 12 meses o índice também teve um avanço de 3,8%. 

Comparação

Já no trimestre encerrado em dezembro, o IBC-Br acusou alta de 4,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

O IBC-Br é visto como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), calculado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice acompanha mês a mês a atividade econômica e antecipa possíveis pressões inflacionárias.

Fonte: Agência Brasil

Mercado financeiro eleva previsão da inflação pela 18ª semana seguida

Projeção do IPCA subiu para 5,6% este ano

Daniel Marenco / Agência O Globo
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,58% para 5,6% este ano. Essa é a 18ª elevação seguida. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (17), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação também subiu de 4,3% para 4,35%. Para 2027 e 2028, as previsões foram elevadas para 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em janeiro, a inflação oficial perdeu força e ficou em 0,16%  de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor resultado para um mês de janeiro desde 1994, ou seja, desde antes do Plano Real, iniciado em julho daquele ano.

A explicação para a desaceleração do IPCA é o Bônus Itaipu, desconto que milhões de brasileiros tiveram na conta de luz do mês passado. Em dezembro de 2024, o IPCA tinha ficado em 0,52%. A desaceleração não significa que os preços ficaram mais baixos, e sim que, na média, subiram em menor velocidade.

No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 4,56%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros, na reunião de janeiro. Esse foi o quarto aumento seguido da Selic e consolida um ciclo de contração na política monetária. Em relação às próximas reuniões, o Copom confirmou que elevará a Selic em 1 ponto percentual na reunião de março, mas não informou se as altas continuarão na reunião de maio, apenas que observará a inflação.

Para o fim de 2025, a estimativa é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,03% para 2,01%. Para 2026, a expectativa para o PIB é de crescimento de 1,7%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,98% e 2%, respectivamente.

No terceiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país) subiu 0,9% em comparação com o segundo trimestre. De acordo com o IBGE, a alta acumulada no ano - de janeiro a setembro do ano passado - é 3,3%.

O resultado oficial do PIB de 2024 será divulgado em 7 de março pelo IBGE. Em 2023, superando as projeções, a economia brasileira cresceu 3,2%. Em 2022, a taxa de expansão foi de 3%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 6 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique no mesmo patamar.

Fonte: Agência Brasil