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terça-feira, 11 de novembro de 2025

Tributos e Domínio sobre Povos Conquistados: O Caso do Império Asteca

Imagem desenvolvida por IA
O Império Asteca, florescendo no final do período Pós-Clássico da Mesoamérica (c. 1325–1521 d.C.), representou uma das mais complexas e poderosas formações políticas da história pré-colombiana. Centrado na cidade de Tenochtitlan, o império foi, na verdade, uma confederação hegemônica conhecida como Tripla Aliança, formada por Tenochtitlan, Texcoco e Tlacopan.

Embora essa aliança operasse com certa autonomia em suas respectivas esferas de influência, Tenochtitlan emergiu como a força dominante, estabelecendo um vasto império que controlava um mosaico de povos e cidades-estado através de um sofisticado, mas opressor, sistema de tributação.

Estrutura Administrativa do Sistema Tributário

O sistema tributário asteca era sustentado por uma estrutura administrativa elaborada. O império estava dividido em cerca de 38 províncias tributárias (altepeme), cada uma com uma capital como ponto de coleta dos tributos.

A figura central nesta administração era o calpixqui, oficial imperial residente nas capitais provinciais. Suas funções abrangiam garantir a coleta, qualidade e transporte dos tributos até Tenochtitlan, além de servir como braço do poder militar e diplomático asteca.

Muitas vezes, os governantes locais (tlatoani) eram mantidos em seus cargos, desde que cooperassem quanto ao fluxo de tributos. A rede de comunicação e as estradas eram vitais para esse sistema. Os tlamemes (portadores) faziam o transporte das cargas, frequentemente como forma de tributo em trabalho.

Categorias e Tipos de Tributos Cobrados

O Códice Mendoza revela a diversidade dos tributos exigidos, variando conforme os recursos e especialidades de cada região. Os principais grupos incluem:

  • Bens agrícolas: milho, feijão, chia, abóbora, amaranto, cacau, pimentas, frutas exóticas e mel.
  • Manufaturados e artesanato: mantas de algodão, penachos de aves tropicais, ferramentas, têxteis, armas como o macuahuitl, objetos de luxo (jade, ouro, obsidiana).
  • Trabalho compulsório (coatequitl): construção de obras públicas, serviço militar, mão de obra doméstica.
  • Tributo humano: oferta de cativos de guerra para sacrifício, fundamental nos rituais religiosos e como instrumento de subordinação política.

A periodicidade dos tributos variava, normalmente de entrega semestral ou anual. O não cumprimento resultava em punições severas, como expedições militares e aumento da tributação.


Mecanismos de Controle e Arrecadação

A presença de calpixque era pilar do controle asteca, garantindo a fiscalização local e reporte direto ao huey tlatoani (imperador). O processo de arrecadação seguia um calendário rígido, alinhado aos ciclos agrícolas e festividades religiosas.

O transporte dos tributos demandava logística complexa, envolvendo rotas e postos de descanso para os tlamemes. Alianças e acordos também eram empregados, tornando alguns povos aliados tributários em termos mais favoráveis.

Sistemas de Contabilização e Registro

O rigor administrativo asteca se distinguia pelo uso de registros pictográficos. Os tlacuilos registravam quotas, bens e localidades usando um sistema elaborado de glifos, como visto no Códice Mendoza. Esses registros serviam para auditoria, planejamento econômico e registro histórico do império, demonstrando sofisticação no controle e na manutenção do poder centralizado.

Impactos Sociais e Políticos

O sistema tributário asteca trouxe prosperidade a Tenochtitlan, sustentando obras públicas e uma elite poderosa, além de consolidar a centralização política. Para os povos conquistados, contudo, gerou opressão econômica, perda de soberania, exploração do trabalho e reorganização social — fatores que facilitaram a queda do império diante da aliança entre espanhóis e povos como os tlaxcaltecas.

Resistência e Revoltas

A opressão tributária fomentou resistências de diversas formas, desde a recusa e atraso no pagamento até revoltas armadas. As punições astecas alimentaram um ciclo de tensões, criando um corpo de inimigos internos que, quando surgiu a oportunidade histórica, colaboraram com a conquista espanhola.

CONCLUSÃO

O sistema tributário foi o motor do Império Asteca, garantindo riqueza e poder, mas também semeando os germes de sua derrocada. Sua sofisticação administrativa e coerção militar mantiveram o domínio sobre inúmeros povos, ao custo de profundas inimizades. O estudo dessas dinâmicas revela como o equilíbrio entre dominação e resistência moldou as civilizações da Mesoamérica.

Referências Bibliográficas

ALVARADO TEZOZOMOC, Fernando. Crónica Mexicáyotl. Tradução e notas de Adrian León. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 1978.

BERDAN, Frances F.; ANNA, Timothy E. The Essential Codex Mendoza. Berkeley: University of California Press, 1997.

CARRASCO, Pedro. The Tenochca Empire of Ancient Mexico: The Triple Alliance of Tenochtitlan, Texcoco, and Tlacopan. Norman: University of Oklahoma Press, 1999.

CASTILLO, Cristóbal del. Fragmentos de la Obra General sobre Historia de los Mexicanos. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 2001.

CLAVIJERO, Francisco Javier. Historia Antigua de México. 11. ed. México: Porrúa, 2012.

DURÁN, Diego. The History of the Indies of New Spain. Tradução e edição de Doris Heyden. Norman: University of Oklahoma Press, 1994.

HASSIG, Ross. Aztec Warfare: Imperial Expansion and Political Control. Norman: University of Oklahoma Press, 1988.

HASSIG, Ross. Trade, Tribute, and Transportation: The Sixteenth-Century Political Economy of the Valley of Mexico. Norman: University of Oklahoma Press, 1985.

LEÓN-PORTILLA, Miguel. A visão dos vencidos: a conquista do México segundo textos astecas. Tradução de Jorge de Sena. Porto Alegre: L&PM, 1984.

LÓPEZ AUSTIN, Alfredo; LÓPEZ LUJÁN, Leonardo. Mexico's Indigenous Past. Norman: University of Oklahoma Press, 2001.

SAHAGÚN, Bernardino de. Historia General de las Cosas de Nueva España. Madrid: Alianza Editorial, 1988.

SMITH, Michael E. The Aztecs. 3. ed. Malden: Blackwell Publishing, 2012.

SMITH, Michael E. City size, settlement hierarchy, and population of Aztec provincial capitals. Latin American Antiquity, v. 13, n. 4, p. 453-465, dez. 2002.

TEIXEIRA, Cristina Regina. O códice Mendoza e a administração imperial asteca: um estudo das províncias tributárias. 2008. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

TOWNSEND, Richard F. The Aztecs. 3. ed. Londres: Thames & Hudson, 2009.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Economia Sacrificial: Tributação, Mercado e Oferta no Estado Asteca

A economia asteca era um sistema complexo e altamente interligado, onde tributação, mercados e oferendas sacrificiais não eram conceitos isolados, mas sim elementos intrinsecamente conectados que sustentavam o poder do Estado e a cosmovisão religiosa. Diferente de um sistema monetário moderno, a circulação de bens – sejam eles produtos agrícolas, artigos de luxo ou até mesmo seres humanos – era governada por uma lógica que entrelaçava o político, o religioso e o econômico de forma única, com Tenochtitlán, a capital imperial, no seu epicentro.

Tributação: O Sangue que Nutria o Império

A base da economia asteca residia em um eficiente e por vezes brutal sistema tributário. Os territórios conquistados eram obrigados a pagar tributos regulares a Tenochtitlán, o que era mais do que uma simples extração de recursos; era uma demonstração de submissão e uma forma de legitimação do domínio asteca (Smith, 2012, p. 147). Os tributos variavam enormemente, dependendo da região e de suas especialidades produtivas:

  • Produtos Agrícolas: A maior parte dos tributos consistia em alimentos essenciais, como milho, feijão, chia e amaranto, cruciais para alimentar a crescente população de Tenochtitlán, incluindo a vasta corte, o exército e a burocracia (Hassig, 1988, p. 77).
  • Bens Manufaturados e de Luxo: Além dos alimentos, as regiões tributárias forneciam uma gama impressionante de produtos manufaturados e artigos de luxo. Isso incluía têxteis finos de algodão, capas de penas exóticas (especialmente as de quetzal, altamente valorizadas), cacau (usado como moeda e bebida cerimonial), ouro, jade, turquesa e obsidiana (Sahagún, 1979, Livro 9). Esses bens suntuosos eram vitais para a elite asteca, utilizados em vestimentas, joias e objetos rituais que simbolizavam status e poder.
  • Mão de Obra e Tributo Humano: Em algumas ocasiões, o tributo podia incluir mão de obra para projetos imperiais, como a construção de templos e chinampas (ilhas flutuantes para agricultura). Mais controversamente, e intrinsecamente ligada à esfera religiosa, estava a exigência de cativos para sacrifício. Esse "tributo humano" era uma manifestação máxima do poder asteca e servia a propósitos religiosos e políticos (Carrasco, 1999, p. 195).

O controle desse fluxo de tributos era meticulosamente organizado. Os calpixque, oficiais imperiais, eram encarregados de coletar e registrar os tributos, muitas vezes representados nos códices tributários, como o famoso Codex Mendoza. Esses registros detalhavam o que cada província devia, a frequência e a quantidade, garantindo o abastecimento contínuo da capital (Berdan & Anawalt, 1992, Vol. 1, p. xxiii).

Mercados (Tiannquiztli): O Pulso Comercial do Império

Embora a tributação fosse central, os mercados (tiannquiztli) desempenhavam um papel complementar e vital na economia asteca, facilitando a troca e a distribuição de bens que não eram obtidos por tributo ou que necessitavam de comércio mais direto. O maior e mais famoso era o mercado de Tlatelolco, um bairro anexo a Tenochtitlán, que impressionou os conquistadores espanhóis por sua escala e organização (Díaz del Castillo, 1963, p. 219).

Nos tiannquiztli, podia-se encontrar de tudo:

  • Alimentos Diversificados: Produtos frescos das chinampas, peixes, aves, mel e uma variedade de frutas e vegetais.
  • Artesanato: Cerâmica, ferramentas de obsidiana, artigos de couro, cestaria e têxteis produzidos por artesãos especializados.
  • Bens de Luxo: Embora muitos itens de luxo fossem controlados pela elite, alguns podiam ser encontrados nos mercados, especialmente aqueles trazidos por comerciantes de longa distância.

O cacau e pedaços de pano padronizados funcionavam como moeda de troca, facilitando as transações. A existência de juízes de mercado assegurava a ordem e a honestidade nas trocas (Sahagún, 1979, Livro 8). Os pochteca, mercadores de longa distância, eram figuras cruciais nesse sistema. Eles viajavam para regiões distantes, muitas vezes em missões diplomáticas ou de espionagem disfarçadas, trazendo de volta bens exóticos e informações valiosas para a coroa asteca. Sua riqueza e influência, no entanto, eram cuidadosamente controladas para não desafiar o poder da nobreza (Carrasco, 1999, p. 147).

Oferta Sacrificial: A Conexão Sagrada da Economia

A dimensão mais distintiva da economia asteca era sua profunda conexão com a religião, especialmente através das oferendas sacrificiais. Os sacrifícios, humanos e de animais, juntamente com a oferenda de bens valiosos, não eram meramente rituais religiosos; eles eram vistos como um imperativo cósmico e uma forma de pagar a "dívida" que a humanidade tinha para com os deuses (López Luján, 2005, p. 182).

  • Sangue como Oferenda Suprema: A crença de que o sangue era o alimento dos deuses, essencial para manter o sol em seu curso e o cosmos em equilíbrio, significava que o sacrifício humano era a oferenda mais valiosa. Os cativos de guerra, muitas vezes capturados em "Guerras Floridas" com esse propósito específico, eram a fonte principal para esses rituais. Essa prática infundia terror nas populações vizinhas e reforçava o poder militar e religioso de Tenochtitlán (Graulich, 1997, p. 23).
  • Bens Materiais como Oferenda: Além do sacrifício humano, uma vasta gama de bens materiais era dedicada aos deuses. Objetos de ouro, jade, plumas, incenso (copal), alimentos e têxteis eram depositados em templos ou enterrados como oferendas (López Luján, 2005, p. 183). A riqueza acumulada através da tributação, em parte, era canalizada para essas oferendas, demonstrando a devoção do Estado e consolidando sua autoridade divina.

A oferta sacrificial integrava a economia ao ciclo da vida e morte, à manutenção da ordem cósmica e à legitimação do poder sacerdotal e imperial. A guerra, que gerava cativos para sacrifício, era, portanto, uma atividade econômica e religiosa essencial, não apenas uma expansão territorial (Hassig, 1988, p. 75).

A Interconexão Política, Religiosa e Econômica

Em suma, a economia asteca era um testemunho da interdependência entre política, religião e economia. Os tributos asseguravam o sustento material e a dominação política, os mercados permitiam a circulação diária de bens e a especialização do trabalho, e as oferendas, especialmente os sacrifícios, reforçavam a ligação sagrada entre o Estado e o cosmos, legitimando o domínio imperial e a hierarquia social.

Essa intrincada rede de trocas e obrigações não só sustentava Tenochtitlán como a metrópole de um vasto império, mas também imbuía cada transação e cada bem com um significado que transcendia o puramente material, conectando o cotidiano dos astecas a uma grandiosa narrativa de poder, devoção e sobrevivência cósmica.

Referências Bibliográficas

  • Berdan, F. F., & Anawalt, P. R. (1992). The Codex Mendoza. University of California Press.
  • Carrasco, D. (1999). City of Sacrifice: The Aztec Empire and the Role of Violence in Civilization. Beacon Press.
  • Díaz del Castillo, B. (1963). The Conquest of New Spain. Penguin Books. (Originalmente escrito no século XVI).
  • Graulich, M. (1997). Myths of the Aztec Sun: Culture and Sacrifice in Mexico. University of Oklahoma Press.
  • Hassig, R. (1988). Aztec Warfare: Imperial Expansion and Political Control. University of Oklahoma Press.
  • López Luján, L. (2005). The Offerings of the Templo Mayor of Tenochtitlan. University Press of Colorado.
  • Sahagún, B. de. (1979). Florentine Codex: General History of the Things of New Spain. (Traduzido e editado por Arthur J. O. Anderson e Charles E. Dibble). University of Utah Press. (Originalmente escrito no século XVI).
  • Smith, M. E. (2012). The Aztecs (3rd ed.). Wiley-Blackwell.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Câmara aprova adicional de CSLL para multinacionais no Brasil dentro de acordo global tributário

Medida busca garantir tributação mínima de 15% e alinhar o país às regras da OCDE, afetando cerca de 290 empresas multinacionais no Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) o Projeto de Lei 3817/24, de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE), que cria um adicional da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) aplicável a empresas de grupos multinacionais no Brasil. A medida tem como objetivo garantir uma tributação mínima efetiva de 15%, em conformidade com o acordo global para evitar a erosão tributária (Regras GloBE), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo G20. O texto agora segue para análise no Senado.

O adicional incidirá sobre o lucro de multinacionais com receita anual consolidada superior a 750 milhões de euros (cerca de R$ 4,78 bilhões) em dois dos últimos quatro anos fiscais. A medida entrará em vigor a partir do ano fiscal de 2025, com pagamento até o sétimo mês após o término do ano fiscal.

Segundo o relator do projeto, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), a medida é essencial para evitar a transferência de receita tributária para outros países. "Diversas nações já adotaram ou estão em processo de adotar regras semelhantes, o que reforça a importância da adesão do Brasil a esse movimento global", destacou.

Impactos e competitividade

O Ministério da Fazenda estima que cerca de 290 multinacionais serão afetadas pela medida, sendo aproximadamente 20 brasileiras. Para mitigar possíveis desvantagens competitivas, o projeto prorrogou até 2029 o crédito presumido de 9% sobre lucros de controladas no exterior e estabeleceu novas regras para deduções e exclusões tributárias.

Entre as mudanças, a proposta inclui mecanismos que evitam a dupla tributação, garantem isonomia tributária e fomentam investimentos no Brasil. Empresas que realizarem aportes significativos no país, por exemplo, poderão ser excluídas da lista de localidades consideradas de baixa tributação, desde que sigam critérios de relevância econômica e sustentabilidade.

Alinhamento às regras globais

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) celebrou a aprovação como um passo importante para a justiça tributária: "Começamos a corrigir a subtributação das multinacionais e os lucros extraordinários que elas têm no Brasil e no exterior".

Já o deputado Bibo Nunes (PL-RS) destacou que a medida fortalece a credibilidade do Brasil junto à OCDE e alinha o país ao cenário tributário internacional. "É um avanço necessário para que o Brasil seja competitivo e respeitado no cenário global", afirmou.

O governo reforça que o adicional da CSLL é parte de um esforço global para enfrentar os desafios fiscais da economia digital. Atualmente, 37 países já implementaram regras similares.

A proposta também define que mudanças futuras nas normas GloBE que impliquem aumento de carga tributária só poderão entrar em vigor no ano seguinte e após 90 dias da publicação, em respeito aos princípios tributários da anualidade e da noventena.

Sustentação legal e ajustes contábeis

Para assegurar conformidade internacional, a Receita Federal publicará ajustes na instrução normativa 2228/24, com orientações sobre a apuração do lucro ou prejuízo GloBE e as deduções permitidas. Entre as exclusões previstas estão despesas com folha de pagamento, ativos tangíveis e atividades auxiliares relacionadas ao transporte marítimo internacional.

Multas por omissão ou inexatidão de informações foram limitadas a R$ 5 milhões, enquanto ajustes contábeis devem seguir normas internacionais (IFRS) para evitar distorções.

A implementação das regras será acompanhada por revisões internacionais para garantir consistência e prevenir disputas fiscais, fortalecendo a adesão do Brasil ao acordo global.

Com a aprovação do projeto, o Brasil avança no processo de entrada na OCDE, iniciado em 2015, e busca consolidar sua posição no sistema tributário global. O Senado será agora o palco da próxima etapa de discussão.

Imagem: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Fonte: Agência Câmara de Notícias