A bandeira nacional é, em sua essência, a representação
visual mais potente de uma nação. Ela transcende a mera função de um pedaço de
tecido colorido, transformando-se em um repositório de história, valores,
aspirações e identidade coletiva. Para o Brasil, a bandeira verde e amarela,
com seu losango, círculo azul e a faixa branca ostentando o lema "Ordem e
Progresso", é um ícone inconfundível que evoca sentimentos de
pertencimento e patriotismo. Sua importância é tamanha que um dia específico,
19 de novembro, é dedicado à sua celebração, o Dia da Bandeira, marcando a data
de sua instituição após a Proclamação da República em 1889.
Este artigo acadêmico propõe uma análise aprofundada da
bandeira brasileira, explorando não apenas sua composição heráldica e os
significados atribuídos a cada um de seus elementos, mas também sua evolução
histórica e o contexto político-social que moldou seu design. Desde as
bandeiras coloniais portuguesas que flutuaram sobre o território que viria a
ser o Brasil, passando pelos estandartes imperiais, até a versão republicana
que conhecemos hoje, cada mudança reflete transformações profundas na estrutura
do Estado e na autopercepção da nação. A bandeira, portanto, não é estática;
ela é um documento vivo que narra a trajetória de um povo, suas lutas, suas
conquistas e seus ideais, consolidando-se como um dos mais importantes símbolos
da soberania e da unidade nacional.
A Bandeira Brasileira Atual
A bandeira nacional do Brasil, em sua configuração atual, é
um emblema de rica simbologia e precisão técnica, instituída pelo Decreto
nº 4, de 19 de novembro de 1889, e posteriormente regulamentada pela Lei nº 5.700, de 1º
de setembro de 1971. Sua composição é um retângulo verde, sobreposto por um
losango amarelo, que por sua vez abriga um círculo azul celeste com uma faixa
branca contendo o lema "Ordem e Progresso" em letras verdes. Dentro
do círculo azul, estão representadas 27 estrelas brancas de cinco pontas, que
correspondem aos 26 estados brasileiros e ao Distrito Federal.
O retângulo verde, que serve de base para a composição,
possui uma proporção de 7:10 entre altura e largura. A cor verde é
tradicionalmente associada à Casa de Bragança, à qual pertencia Dom Pedro I,
primeiro imperador do Brasil, e também é popularmente interpretada como a
representação das vastas florestas e da exuberante natureza brasileira. O
losango amarelo, centralizado sobre o retângulo verde, é um símbolo que remete
à Casa de Habsburgo, da Imperatriz Dona Leopoldina, e é comumente interpretado
como a representação das riquezas minerais do país, especialmente o ouro. A
combinação dessas cores e formas no período imperial já estabelecia uma conexão
com a monarquia, mas foi ressignificada na República.
No centro do losango amarelo, encontra-se o círculo azul
celeste, que representa o céu do Rio de Janeiro na manhã de 15 de novembro de
1889, data da Proclamação da República. As estrelas dentro do círculo são
dispostas de forma a reproduzir a constelação vista daquela latitude e
longitude, com cada estrela correspondendo a uma unidade federativa. A estrela
Spica (Alpha Virginis), localizada acima da faixa branca, representa o estado
do Pará, que na época da Proclamação da República era o maior território ao
norte do país. As estrelas são de cinco tamanhos diferentes, correspondendo à
magnitude aparente das constelações que representam, e são distribuídas em nove
constelações: Cão Maior, Cão Menor, Escorpião, Triângulo Austral, Virgem,
Cruzeiro do Sul, Oitante, Hidra e Procyon. A estrela isolada na parte inferior
do círculo, de maior magnitude, é a estrela de Magalhães (Sigma Octantis), que
representa o Distrito Federal e é a única que não pertence a nenhuma
constelação específica, simbolizando a capital como ponto de união.
A faixa branca, que atravessa o círculo azul de forma
oblíqua e ascendente da esquerda para a direita, contém o lema "Ordem e
Progresso". Este lema é uma adaptação da máxima positivista de Auguste
Comte, "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por
fim". A escolha do lema reflete a forte influência do positivismo no
movimento republicano brasileiro, especialmente entre os militares que
lideraram a Proclamação da República. As letras do lema são verdes, e a faixa é
ligeiramente curvada, seguindo a curvatura do círculo.
A evolução técnica da bandeira, embora mantenha a essência
do design de 1889, passou por ajustes. A Lei nº 5.700/71
estabeleceu as dimensões exatas e a tonalidade das cores, além de detalhar a
disposição das estrelas. A principal alteração ao longo do tempo tem sido a
adição de estrelas para representar a criação de novos estados ou a elevação de
territórios a essa condição. Em 1960, com a criação do estado da Guanabara, uma
estrela foi adicionada. Em 1968, com a elevação do Acre a estado, outra estrela
foi incluída. A última alteração ocorreu em 1992, com a Lei nº 8.421,
que adicionou quatro estrelas para representar os estados do Amapá, Roraima,
Rondônia e Tocantins, elevando o total para as atuais 27 estrelas. Essas
modificações demonstram a capacidade da bandeira de se adaptar às mudanças
geopolíticas do país, mantendo-se sempre como um espelho da federação
brasileira.
Simbolismo e Significados
A bandeira brasileira é um compêndio de simbolismos que se
entrelaçam com a história, a geografia e os ideais filosóficos da nação. As
cores verde, amarelo, azul e branco, embora inicialmente associadas às casas
dinásticas do Império, foram ressignificadas e popularmente interpretadas de
maneiras que ressoam com a identidade brasileira. O verde, que remonta à Casa
de Bragança, é amplamente associado à vasta e rica flora do Brasil,
simbolizando as florestas, a biodiversidade e a esperança de um futuro próspero.
O amarelo, originário da Casa de Habsburgo, é interpretado como a representação
das riquezas minerais do país, especialmente o ouro, que desempenhou um papel
crucial na história econômica brasileira.
O círculo azul, por sua vez, evoca o céu e o mar que banham
o litoral brasileiro, elementos geográficos marcantes da nação. A cor azul
também pode ser associada à lealdade e à justiça. A faixa branca, que corta o
círculo, é universalmente reconhecida como o símbolo da paz, um ideal que o
Brasil, historicamente, tem buscado promover em suas relações internacionais e
em sua sociedade. A combinação desses elementos cromáticos cria uma imagem
vibrante e distintiva, que se tornou sinônimo da identidade brasileira em todo
o mundo.
Contudo, a camada mais profunda de simbolismo na bandeira
brasileira reside no lema "Ordem e Progresso" e na influência do
positivismo de Auguste Comte. O positivismo, uma corrente filosófica que
emergiu na França no século XIX, defendia a primazia da ciência e da razão como
guias para a organização social e o avanço humano. Seus adeptos acreditavam que
a sociedade deveria ser organizada de forma racional e hierárquica para
alcançar o progresso. No Brasil, o positivismo encontrou terreno fértil entre
intelectuais e militares, que viam na filosofia de Comte um caminho para
modernizar o país e superar os resquícios do Império.
O lema "Ordem e Progresso" é uma síntese da visão
positivista para a construção de uma sociedade ideal. A "Ordem" é
vista como a base indispensável para qualquer avanço, a estabilidade social e
política que permite o desenvolvimento. Sem ordem, haveria caos e anarquia,
impedindo qualquer forma de progresso. O "Progresso", por sua vez, é
o objetivo final, o aprimoramento contínuo da sociedade em todos os seus
aspectos – científico, tecnológico, moral e social. A frase completa de Comte,
"O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim",
revela que o amor seria o motor moral, a ordem a estrutura e o progresso o
resultado desejado. Ao adotar apenas "Ordem e Progresso", os
republicanos brasileiros enfatizaram os aspectos mais pragmáticos e estruturais
da filosofia, alinhando-se com a necessidade de estabilidade e desenvolvimento
para a jovem república.
As estrelas no círculo azul também carregam um simbolismo
significativo. Elas não são meramente decorativas, mas representam a
constelação vista no céu do Rio de Janeiro na manhã da Proclamação da
República, um momento crucial na história brasileira. Cada estrela corresponde
a uma unidade federativa, simbolizando a união e a diversidade dos estados
brasileiros sob um mesmo céu e uma mesma nação. A disposição e a magnitude das
estrelas, que seguem rigorosamente a representação astronômica, reforçam a ideia
de uma nação organizada e baseada em princípios científicos, em consonância com
o ideal positivista. Assim, a bandeira brasileira é um complexo mosaico de
elementos que, juntos, contam a história de um país que buscou na razão e na
ciência os pilares para sua construção e seu futuro.
Histórico das Bandeiras Brasileiras
A história das bandeiras que representaram o território que
hoje conhecemos como Brasil é um reflexo direto das transformações políticas e
sociais que moldaram a nação. Desde os primeiros anos da colonização até a
consolidação da República, cada estandarte carregou consigo os símbolos e os
ideais de sua época.
Período Colonial (1500-1822) - As bandeiras portuguesas
utilizadas
Durante os mais de três séculos de colonização, o Brasil não
possuía uma bandeira própria, sendo representado pelas diversas bandeiras do
Reino de Portugal. A primeira bandeira a flutuar sobre o território
recém-descoberto foi a Bandeira da Ordem de Cristo, que acompanhou
as caravelas de Pedro Álvares Cabral em 1500. Esta bandeira, branca com uma
cruz vermelha da Ordem de Cristo, simbolizava a expansão da fé cristã e o poder
da Coroa Portuguesa.
Com o tempo, outras bandeiras reais portuguesas foram
utilizadas. A Bandeira Real de Portugal (1521-1578), com o
escudo real português ao centro, foi amplamente empregada. Durante a União
Ibérica (1580-1640), período em que Portugal esteve sob o domínio da Espanha,
as bandeiras espanholas também foram vistas no Brasil, embora a identidade portuguesa
tenha sido mantida em muitos aspectos. Após a Restauração Portuguesa, a Bandeira
de Portugal com o Escudo Real (1640-1816) voltou a ser o símbolo
predominante.
Um marco importante foi a elevação do Brasil à categoria de
Reino Unido a Portugal e Algarves em 1815. A Bandeira do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves (1816-1822) apresentava o escudo real
português sobre um fundo branco, com uma esfera armilar dourada (símbolo de
Portugal e das navegações) e uma coroa real. Esta foi a primeira vez que o
Brasil teve uma representação explícita em um estandarte oficial, mesmo que
ainda sob a égide portuguesa. Essa bandeira simbolizava a nova condição
política do Brasil, que deixava de ser uma mera colônia para se tornar parte
integrante do reino.
Império Brasileiro (1822-1889) - Primeira bandeira
independente com águia
Com a Proclamação da Independência em 7 de setembro de 1822,
o Brasil necessitava de um símbolo que representasse sua nova soberania. A
primeira bandeira do Brasil independente foi criada por Jean-Baptiste Debret e
oficializada em 18 de setembro de 1822, apenas onze dias após a independência.
Esta bandeira, que se tornaria a base para a bandeira republicana, apresentava
um retângulo verde com um losango amarelo sobreposto. No centro do losango,
estava o Escudo Imperial, que consistia em um escudo verde com a
esfera armilar dourada sobreposta por uma cruz da Ordem de Cristo, ladeado por
ramos de café e tabaco (representando as principais riquezas agrícolas da
época), e encimado pela Coroa Imperial.
As cores verde e amarelo foram escolhidas por Dom Pedro I,
que as associou às cores das casas dinásticas de sua esposa, Dona Leopoldina
(Habsburgo, amarelo), e da sua própria (Bragança, verde). Assim, a bandeira
imperial simbolizava a união das duas casas reais que fundaram o Império do
Brasil. A esfera armilar, presente desde a bandeira do Reino Unido, foi mantida
como um elo com o passado português e as grandes navegações. A cruz da Ordem de
Cristo reforçava a religiosidade e a herança católica. Os ramos de café e
tabaco destacavam a base econômica do novo império. A Coroa Imperial, por sua
vez, era o símbolo máximo da monarquia e da soberania do imperador. Esta
bandeira permaneceu em uso durante todo o período imperial, de 1822 a 1889,
tornando-se um poderoso emblema da identidade nacional brasileira.
República Velha (1889-1930) - Adoção da bandeira atual
A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889,
trouxe consigo a necessidade de um novo símbolo nacional que rompesse com os
laços monárquicos. Inicialmente, houve uma tentativa de adotar uma bandeira
inspirada na dos Estados Unidos, com listras horizontais verdes e amarelas e um
cantão azul com estrelas. Esta versão, conhecida como a Bandeira
Provisória da República, foi hasteada por poucos dias, mas não obteve
aceitação popular nem oficial.
Rapidamente, o governo provisório republicano encarregou um
grupo de intelectuais e artistas de criar uma nova bandeira. O projeto final
foi concebido por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com o desenho de
Décio Vilares e a colaboração de Manuel Pereira Reis para a disposição
astronômica das estrelas. A nova bandeira, inspirada diretamente na bandeira
imperial, manteve o retângulo verde e o losango amarelo, mas substituiu o
Escudo Imperial pelo círculo azul com a faixa branca e o lema "Ordem e
Progresso".
A escolha de manter as cores verde e amarelo foi
estratégica. Embora tivessem origens monárquicas, já estavam profundamente
enraizadas na identidade nacional e eram populares entre a população. A
substituição do escudo imperial pelo círculo azul com as estrelas e o lema
positivista representava a ruptura com a monarquia e a adesão aos ideais
republicanos de ciência, razão e progresso. O círculo azul, como mencionado,
representava o céu do Rio de Janeiro na manhã da Proclamação da República, e as
estrelas simbolizavam os estados da federação. O lema "Ordem e
Progresso" refletia a forte influência do positivismo entre os líderes
republicanos, que viam na ordem social a base para o desenvolvimento e o avanço
da nação. Esta bandeira foi oficializada em 19 de novembro de 1889, tornando-se
o símbolo da República e, com pequenas modificações, a bandeira que conhecemos
hoje.
Reformas Republicanas (1960, 1992, 2002) - Mudanças e
adições de estrelas
Desde sua instituição em 1889, a bandeira brasileira passou
por algumas reformas, principalmente relacionadas à adição de estrelas para
refletir a evolução da federação. A Lei nº 5.700, de 1º
de setembro de 1971, que dispõe sobre a forma e a apresentação dos Símbolos
Nacionais, consolidou as regras para a bandeira.
A primeira alteração significativa ocorreu em 1960, quando a
Lei nº
4.061, de 19 de agosto de 1960, adicionou uma estrela à bandeira para
representar o recém-criado estado da Guanabara (antigo Distrito Federal, que se
tornou estado após a transferência da capital para Brasília).
Em 1968, com a elevação do Território Federal do Acre à
categoria de estado, uma nova estrela foi adicionada, elevando o número total
de estrelas.
A mais recente e abrangente alteração ocorreu em 1992, com a
Lei nº 8.421, de
11 de maio de 1992. Esta lei adicionou quatro novas estrelas à bandeira
para representar os estados do Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins, que haviam
sido criados ou elevados à condição de estado pela Constituição de 1988. Com
essa adição, o número total de estrelas na bandeira brasileira passou para 27,
correspondendo aos 26 estados e ao Distrito Federal.
Embora a lei de 1992 tenha sido a última a alterar o número
de estrelas, a Lei
nº 8.421/92 também consolidou a representação astronômica das estrelas,
garantindo que a bandeira continuasse a ser um espelho fiel da constelação do
céu do Rio de Janeiro na data da Proclamação da República, com as devidas
atualizações para incluir todas as unidades federativas. Essas reformas
demonstram a capacidade da bandeira de se adaptar às mudanças territoriais e
administrativas do Brasil, mantendo sua essência e seu papel como símbolo da
união federativa.
Legislação e Proteção da Bandeira
A bandeira nacional do Brasil, como um dos símbolos máximos
da pátria, é protegida por legislação específica que regulamenta seu uso,
respeito e preservação. A principal norma que rege os símbolos nacionais,
incluindo a bandeira, é a Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971. Esta lei
estabelece as características da bandeira, seu uso em diversas situações, as
formas de tratamento e as penalidades para seu desrespeito.
De acordo com a Lei nº 5.700/71,
a bandeira nacional deve ser hasteada em todos os órgãos públicos federais,
estaduais e municipais, nas escolas públicas e particulares, e em outras
instituições conforme determinado. Seu hasteamento e arriamento devem seguir
protocolos rigorosos, geralmente acompanhados do Hino Nacional ou de toques de
corneta. Em dias de luto oficial, a bandeira deve ser hasteada a meio mastro.
A legislação também detalha as dimensões e proporções da
bandeira, as cores exatas e a disposição das estrelas, garantindo a
uniformidade e a correta representação do símbolo em todo o território
nacional. É proibido alterar a forma, as cores ou quaisquer outros elementos da
bandeira. Além disso, a lei estabelece que a bandeira não pode ser usada como
vestimenta, adorno, ou em qualquer outra forma que possa descaracterizá-la ou
desrespeitá-la.
O desrespeito à bandeira nacional é considerado uma infração
grave. A Lei nº
5.700/71 prevê sanções para atos de ultraje, vilipêndio ou desrespeito à
bandeira, que podem incluir multas e, em casos mais graves, detenção, conforme
o Código Penal brasileiro. O artigo 44 da referida lei, por exemplo, estabelece
que "É vedado o uso da Bandeira Nacional que não esteja de acordo com as
prescrições desta Lei". O Código Penal, em seu artigo 359, tipifica o
crime de "Ultraje a Símbolo Nacional", que consiste em "Destruir
ou ultrajar a bandeira, emblemas ou hinos da Nação, ou de qualquer Estado ou
Município, ou de país estrangeiro, em lugar público ou exposto ao
público", com pena de detenção de seis meses a dois anos, e multa.
Além das proibições, a legislação também estabelece os
protocolos de respeito e cuidado. A bandeira deve ser sempre tratada com
reverência. Quando uma bandeira está velha, rasgada ou desbotada, ela não deve
ser simplesmente descartada. A Lei nº 5.700/71
determina que as bandeiras inservíveis devem ser recolhidas a uma unidade
militar, que providenciará sua incineração em cerimônia solene no Dia da
Bandeira (19 de novembro). Este ritual simboliza o respeito contínuo ao símbolo
nacional, mesmo quando ele já não pode mais ser utilizado.
A proteção legal da bandeira não visa apenas a manutenção de
um símbolo, mas a salvaguarda da própria identidade e soberania nacional. Ao
regulamentar seu uso e punir seu desrespeito, o Estado brasileiro reforça a
importância da bandeira como um elemento unificador e representativo da nação,
de sua história e de seus valores.
Conclusão
A bandeira do Brasil é muito mais do que um mero arranjo de
cores e formas; ela é um palimpsesto visual que narra a complexa e
multifacetada história de uma nação. Desde as bandeiras coloniais que marcaram
a presença portuguesa, passando pelos estandartes imperiais que simbolizaram a
primeira fase de nossa independência, até a bandeira republicana que hoje
conhecemos, cada versão reflete um capítulo distinto da trajetória brasileira.
O verde das florestas e a esperança, o amarelo das riquezas e da Casa de Habsburgo,
o azul do céu e do mar, e o branco da paz, todos se entrelaçam para formar um
emblema de profunda ressonância cultural e histórica.
O lema "Ordem e Progresso", herança do positivismo
de Auguste Comte, encapsula os ideais que impulsionaram a Proclamação da
República e que, de certa forma, continuam a guiar as aspirações de
desenvolvimento e estabilidade do país. As estrelas, meticulosamente dispostas
para representar o céu do Rio de Janeiro em um momento crucial, simbolizam a
união federativa e a diversidade dos estados brasileiros. A bandeira, portanto,
é um símbolo dinâmico, que se adaptou às mudanças territoriais e políticas,
como evidenciado pelas sucessivas adições de estrelas, mas que manteve sua
essência e seu poder de representação.
Em um país de dimensões continentais e de vasta diversidade
cultural, a bandeira desempenha um papel crucial como elemento unificador. Ela
transcende as diferenças regionais, sociais e políticas, servindo como um ponto
comum de identificação e orgulho. A legislação que a protege e os protocolos
que regulamentam seu uso reforçam sua sacralidade e sua importância como
patrimônio cultural e símbolo da soberania nacional. No Dia da Bandeira, 19 de
novembro, e em todos os outros dias, a bandeira brasileira nos convida a
refletir sobre nossa história, nossos valores e o futuro que desejamos
construir para esta nação. Ela é um lembrete constante de que, apesar dos
desafios, a busca pela ordem e pelo progresso continua sendo um ideal coletivo.
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