Radio Evangélica

Mostrando postagens com marcador SPED. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SPED. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Legislação Contábil no Brasil: o que todo contador precisa dominar em 2026

Imagem desenvolvida por IA
A legislação contábil brasileira passa por constantes atualizações, exigindo do contador muito mais do que conhecimento técnico: é preciso atenção normativa, organização documental e alinhamento entre contabilidade, fiscal e trabalhista.

Em 2026, esse cenário se torna ainda mais desafiador com a consolidação de novas obrigações digitais, revisões normativas e maior fiscalização baseada em cruzamento eletrônico de dados.

Normas Contábeis: NBCs, CPCs e convergência ao IFRS

O Brasil segue o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade (IFRS), por meio dos Pronunciamentos Contábeis (CPCs) e das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.

Exemplo prático: Uma empresa que adquire um ativo imobilizado por R$ 100.000 com vida útil de 10 anos precisa aplicar o CPC 27 (Ativo Imobilizado) para calcular a depreciação linear de R$ 10.000 por ano. Em 2026, com a revisão do CPC 47 (Receita de Contratos com Clientes), empresas de serviços precisam reconhecer receitas conforme o progresso da prestação, não mais no momento do faturamento.

Obrigações acessórias e a contabilidade como base

ECD, ECF, eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb exigem uma contabilidade consistente, pois os cruzamentos eletrônicos tornaram-se o principal instrumento de fiscalização.

Exemplo prático: Uma empresa com 50 funcionários que não enviou corretamente as informações do eSocial pode receber multas que variam de R$ 826,74 a R$ 8.267,40 por inconsistência. O cruzamento entre EFD-Reinf (retenções) e DCTFWeb (impostos federais) permite à Receita identificar divergências em tempo real.

Legislação societária e demonstrações contábeis

A Lei nº 6.404/1976 influencia diretamente a estrutura das demonstrações contábeis, inclusive para empresas que não são sociedades anônimas.

Exemplo prático: Uma limitada com faturamento acima de R$ 78 milhões em 2025 precisa publicar demonstrações contábeis auditadas conforme artigo 1.179 da Lei 6404. A nova redação do artigo 176 exige maior detalhamento das notas explicativas sobre operações com partes relacionadas.

Ética, responsabilidade e documentação

O Código de Ética do Contador reforça a independência técnica, o sigilo profissional e a responsabilidade civil.

Exemplo prático: Um contador que compartilha informações confidenciais de um cliente com terceiros sem autorização pode responder por quebra de sigilo profissional (artigo 26 do Código de Ética) e ser penalizado com suspensão do registro por até 90 dias, além de indenizações civis.

Tecnologia, compliance e LGPD

A contabilidade digital exige atenção à validade jurídica dos documentos eletrônicos e à proteção de dados.

Exemplo prático: Um escritório que armazena digitalmente documentos fiscais por 5 anos precisa implementar políticas de segurança da informação conforme a LGPD, incluindo criptografia, controle de acesso e plano de resposta a incidentes. A não conformidade pode resultar em multas de até 2% do faturamento (limitado a R$ 50 milhões por infração).

Conclusão

Dominar a legislação contábil em 2026 é essencial para garantir segurança técnica, conformidade legal e credibilidade profissional. O contador moderno precisa ser um gestor de compliance, integrando conhecimentos técnicos, tecnológicos e éticos.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de Contabilidade.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamentos Técnicos.

LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (LGPD) - Lei nº 13.709/2018.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Inteligência Artificial: a Nova Fronteira na Prevenção de Riscos Fiscais

Imagem desenvolvida por IA
No cenário tributário brasileiro — marcado por elevada complexidade normativa, multiplicidade de obrigações acessórias e intenso cruzamento de dados — a conformidade fiscal deixou de ser apenas uma exigência legal para se tornar um diferencial competitivo.

Com a consolidação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), o Fisco brasileiro passou a operar de forma integrada, digital e altamente eficiente, utilizando bases massivas de dados para identificar inconsistências, omissões e indícios de irregularidades. Diante desse novo ambiente, as empresas precisam adotar ferramentas à altura dessa sofisticação. É nesse contexto que a Inteligência Artificial (IA) surge como aliada estratégica da gestão tributária.

O Desafio da Conformidade à Luz do Código Civil

A obrigatoriedade da escrituração contábil no Brasil não decorre apenas da legislação tributária. O Código Civil Brasileiro, em seu artigo 1.179, estabelece que o empresário e a sociedade empresária são obrigados a manter um sistema de contabilidade regular, com escrituração uniforme e documentação idônea.

O problema prático reside no fato de que o ambiente normativo é dinâmico: regras fiscais mudam constantemente, interpretações variam entre entes federativos e a quantidade de dados a serem analisados cresce exponencialmente. Nesse cenário, o erro humano torna-se um risco estrutural, mesmo em equipes experientes. A IA transforma essa fragilidade em vantagem ao converter a auditoria preventiva em um processo contínuo, automatizado e altamente preciso.

Como a Inteligência Artificial Atua na Auditoria Preventiva?

Diferentemente dos softwares tradicionais, baseados em regras fixas e parametrizações manuais, as soluções baseadas em IA utilizam Machine Learning e análise preditiva para identificar padrões, aprender com históricos de dados e antecipar riscos.

1. Detecção Automática de Inconsistências

Antes do envio de obrigações como EFD-ICMS/IPI, EFD-Contribuições, EFD-Reinf ou ECF, a IA cruza grandes volumes de informações em poucos segundos.
Ela identifica, por exemplo:

  • créditos tributários incompatíveis com a alíquota vigente;
  • divergências entre CST, CFOP e natureza da operação;
  • incompatibilidades entre cadastro de produtos, fornecedores e legislação aplicável.

2. Validação de Regras de Negócio e Cruzamentos Complexos

A IA não se limita à validação formal de campos obrigatórios. Ela executa cruzamentos inteligentes entre diferentes obrigações acessórias, como:

  • SPED Contribuições × ECF;
  • EFD-ICMS/IPI × NF-e;
  • EFD-Reinf × DCTFWeb.

Essas análises reproduzem — e muitas vezes antecipam — os próprios cruzamentos realizados pela Receita Federal, reduzindo significativamente o risco de autuações futuras.

3. Classificação Fiscal Inteligente (NCM e Tributação)

A classificação incorreta de mercadorias na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é uma das principais causas de autos de infração. Algoritmos de IA conseguem:

  • analisar descrições comerciais;
  • comparar com bases oficiais e decisões anteriores;
  • sugerir códigos mais adequados do ponto de vista fiscal.

Isso reduz erros de enquadramento, alíquotas indevidas e passivos ocultos.

4. Análise Preditiva de Riscos Fiscais

Além de detectar erros passados, a IA consegue mapear áreas de maior exposição ao risco, identificando padrões que indicam maior probabilidade de fiscalização ou questionamentos futuros. Essa abordagem permite uma atuação proativa, e não apenas corretiva.

Benefícios Diretos para a Gestão Empresarial

  • Redução de Multas e Autuações
    Erros são identificados antes do envio das informações ao Fisco.
  • Agilidade Operacional
    Processos que levariam dias ou semanas são executados em minutos.
  • Segurança Jurídica e Contábil
    A escrituração reflete com maior fidelidade a realidade econômica e atende às exigências do Código Civil e das normas contábeis.
  • Recuperação de Créditos Tributários
    A IA também identifica tributos pagos a maior ou créditos não aproveitados, gerando ganhos financeiros diretos.
  • Melhoria da Governança e Compliance
    A empresa passa a operar com maior previsibilidade, transparência e controle.

Conclusão

A Inteligência Artificial aplicada à prevenção de riscos fiscais não é mais uma promessa futura, mas uma necessidade concreta do presente. Em um ambiente em que o Fisco atua com Big Data, cruzamentos automáticos e inteligência analítica, insistir em controles exclusivamente manuais representa um risco desnecessário.

Ao adotar soluções baseadas em IA, as empresas deixam de ser reativas às notificações fiscais e passam a exercer controle ativo sobre sua saúde tributária, fortalecendo a governança, protegendo o patrimônio e assegurando a perenidade do negócio sob os olhos da lei.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil Brasileiro.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Normas Brasileiras de Contabilidade.

ROSA, Paulo. Contabilidade Digital: A Era do SPED e da Inteligência Artificial. São Paulo: Atlas, 2023.

RECONDO, Felipe. O Fisco na Era Digital: Big Data e Inteligência Artificial no Controle Tributário. Rio de Janeiro: FGV, 2022.