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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Antônio Rodrigues Veloso de Oliveira: Um Iluminista a Serviço do Brasil Colonial

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Antônio Rodrigues Veloso de Oliveira (c. 1750 – 1824) foi uma das figuras mais representativas do pensamento iluminista luso-brasileiro. Sua atuação transcendeu a de um simples naturalista; ele foi um intelectual multifacetado que personificou o ideal de "homem de ciência" a serviço do Estado.

Jurista, magistrado, político, economista e funcionário público, Veloso de Oliveira dedicou sua vida a modernizar a administração e a economia do Império Português através do conhecimento prático e científico.

Formação e Carreira Pública

Nascido em São Paulo, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, um dos principais centros de difusão das ideias iluministas em Portugal. Sua carreira no serviço público foi extensa e diversificada, permitindo-lhe acumular um profundo conhecimento sobre os desafios e potencialidades das diferentes regiões do Império:

  • Magistratura: Atuou como ouvidor na capitania de Goiás e, posteriormente, como desembargador da Relação de Goa, na Índia Portuguesa.
  • Administração: Ocupou cargos importantes em Minas Gerais e São Paulo, onde desenvolveu projetos voltados para o fomento econômico e a otimização de recursos.

O Naturalista e a Visão Pragmática da Ciência

Antes mesmo da chegada da Corte Portuguesa em 1808, Veloso de Oliveira já se dedicava a explorar e documentar as riquezas naturais do Brasil, guiado por uma visão utilitarista da ciência.

Ele realizou extensas viagens pelo interior, especialmente pelas capitanias de Goiás, Pará e Maranhão. Durante essas expedições, coletou e descreveu espécimes da flora, fauna e recursos minerais. Seu objetivo não era apenas catalogar, mas identificar matérias-primas com potencial econômico para a Coroa.

Com a transferência da Corte para o Rio de Janeiro, o ambiente intelectual do Brasil foi transformado. Dom João VI, buscando modernizar a colônia, criou instituições como a Imprensa Régia, o Real Horto e o Museu Real. Nesse cenário, o rigor científico de Veloso de Oliveira foi imensamente valorizado, tornando-o um dos poucos cientistas locais cujo trabalho foi ativamente incentivado pelo governo.

Principais Obras e Contribuições Econômicas

Seu pensamento se materializou em "memórias" — estudos detalhados dirigidos à Coroa com diagnósticos e propostas:

  1. Memória sobre a cultura do algodoeiro: Considerada sua obra mais famosa, era um manual técnico sobre o cultivo do algodão. O trabalho detalhava desde o preparo do solo até a comercialização, visando aumentar a produtividade.
  2. Introdução de Novas Culturas: Empenhou-se na aclimatação de espécies com alto valor, como a cochonilha, inseto do qual se extrai o carmim, um corante vermelho muito valorizado no mercado europeu da época.
  3. Memória sobre o melhoramento da Província de S. Paulo: Apresentou um diagnóstico completo da economia paulista, propondo soluções para problemas logísticos e fiscais.

O Legado de um Pioneiro

O legado de Antônio Rodrigues Veloso de Oliveira é o de um pioneiro. Ele foi um dos primeiros intelectuais a aplicar sistematicamente o pensamento científico iluminista para analisar a realidade brasileira.

Sua trajetória demonstra que a chegada da Corte em 1808 não criou a ciência no Brasil do zero; ela encontrou um terreno fértil, organizando e impulsionando o trabalho de figuras notáveis que já estavam ativas, como ele.

Referências Bibliográficas

FONSECA, Maria Rachel Fróes da. A ciência e a construção do Império: a atuação dos naturalistas ilustrados no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência, Rio de Janeiro, n. 1, p. 46-60, jan./jun. 2003.

KANTOR, Iris. O jurista-naturalista: a trajetória de Antônio Rodrigues Veloso de Oliveira (c. 1750-1824). Varia Historia, Belo Horizonte, v. 23, n. 38, p. 466-487, jul./dez. 2007.

OLIVEIRA, Antônio Rodrigues Veloso de. Memória sobre o melhoramento da Província de S. Paulo, aplicável em grande parte a todas as outras províncias do Brasil. Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1810.

OLIVEIRA, Antônio Rodrigues Veloso de. O Fazendeiro do Brasil. Lisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias, 1798-1806.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Governo Brasileiro Precisa Arrecadar R$ 27,1 Bilhões no Último Trimestre de 2025 para Cumprir Meta Fiscal, Alerta IFI

O governo federal enfrenta o desafio de arrecadar mais R$ 27,1 bilhões até o final de 2025 para alcançar a meta fiscal estabelecida para o ano, conforme aponta a Instituição Fiscal Independente (IFI) em seu relatório de acompanhamento fiscal de outubro. O documento destaca a urgência de medidas de reforço na arrecadação, os efeitos de alterações legislativas e o papel das empresas estatais federais no equilíbrio das contas públicas.

Situação Fiscal e Necessidade de Arrecadação

De acordo com dados do Tesouro Nacional e do SIGA Brasil, o déficit acumulado até setembro ultrapassa os R$ 27 bilhões. Isso impõe ao governo o desafio de ampliar a receita nos meses finais de 2025 para evitar o descumprimento da meta fiscal.

Um dos fatores que agravaram o cenário foi a perda de validade da Medida Provisória (MP) 1303, que não chegou a ser votada no Congresso Nacional, resultando em uma queda de cerca de R$ 10 bilhões nas receitas previstas.

Outro ponto de atenção é o déficit primário das empresas estatais federais não dependentes, que vem se ampliando. Caso a tendência se mantenha, o Tesouro Nacional poderá ser obrigado a realizar aportes financeiros, aumentando a pressão sobre o cumprimento da meta.

Reforma do Imposto de Renda e Impactos Fiscais

O relatório também analisa a reforma do Imposto de Renda, cuja tramitação na Câmara dos Deputados introduziu modificações no projeto original do Executivo. As mudanças reduziram a arrecadação estimada inicialmente, mas, segundo a IFI, o impacto pode ser fiscalmente neutro, uma vez que o texto aprovado prevê desoneração para as faixas de renda mais baixas e compensações tributárias sobre lucros e altos rendimentos.

As medidas compensatórias podem gerar até R$ 35 bilhões em receitas, o que permitiria ao governo anular as perdas e alcançar um impacto fiscal líquido positivo de até R$ 5 bilhões. Contudo, a IFI ressalta que o cálculo dessas compensações é complexo e depende de premissas econômicas e comportamentais que só poderão ser confirmadas ao longo do tempo.

Conclusão

O cenário fiscal brasileiro em 2025 segue desafiador, exigindo do governo equilíbrio entre responsabilidade orçamentária e políticas de estímulo econômico. A manutenção da meta fiscal dependerá não apenas da arrecadação adicional no curto prazo, mas também da eficácia das reformas estruturais em andamento e da capacidade de gestão das estatais e órgãos públicos.

Referências

BRASIL. Tesouro Nacional. Relatórios de acompanhamento fiscal. Brasília, DF, 2025.

INSTITUIÇÃO FISCAL INDEPENDENTE (IFI). Relatório de Acompanhamento Fiscal – Outubro de 2025. Senado Federal, Brasília, 2025.

TV SENADO. Governo deve ampliar arrecadação no último trimestre para cumprir meta fiscal, diz IFI. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6y0WlRdBT-A. Acesso em: 27 out. 2025.

TV SENADO. Canal oficial. Disponível em: https://www.youtube.com/@tvsenado. Acesso em: 27 out. 2025.

 

 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

A Economia Inca: Trabalho, Terra e Controle Estatal

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A economia do Império Inca destacou-se por seu modelo coletivo, redistributivo e altamente centralizado, em contraste com os sistemas econômicos baseados na moeda e no mercado que predominaram em outras civilizações. Neste segundo artigo da série sobre a organização econômica incaica, aprofundamos as estruturas fundamentais que sustentavam esse modelo: o trabalho como dever social, a divisão e uso da terra, os sistemas logísticos estatais e os mecanismos de controle e contabilidade utilizados pelo Estado.

O Trabalho como Base da Economia

O trabalho era o eixo central da economia inca, sendo considerado não apenas uma obrigação, mas um dever cívico e religioso. Diferentes formas de trabalho organizavam a vida produtiva e social das comunidades.

Mit’a: Trabalho Obrigatório para o Estado

O Mit’a era um sistema de trabalho compulsório, em que os cidadãos do império eram convocados para prestar serviços em benefício do Estado, como na construção de estradas, pontes suspensas, terraços agrícolas, templos e fortalezas. O sistema funcionava como uma "tributação em trabalho", e a rotação periódica dos trabalhadores permitia que as comunidades mantivessem sua força produtiva básica enquanto contribuíam com o império.

Ayni e Minka: Cooperação Comunitária

Diferentemente da mit’a, o Ayni e a Minka representavam formas voluntárias e tradicionais de cooperação entre famílias e membros da comunidade:

  • Ayni era uma troca de trabalho recíproco entre famílias, especialmente para tarefas agrícolas ou construção de moradias.
  • Minka era uma mobilização coletiva em benefício comum, como a construção de canais, muros ou celebrações religiosas.

Essas práticas reforçavam os laços sociais e garantiam a sobrevivência coletiva, em regiões onde os desafios geográficos exigiam solidariedade constante.

A Propriedade e o Uso da Terra

A terra no mundo incaico não era de propriedade privada no sentido moderno. Ela era considerada um bem coletivo, dividido de forma funcional entre diferentes setores da sociedade.

Divisão Tripartida da Terra

O território agrícola era dividido em três partes:

  1. Terra do Inca – usada para sustentar o Estado e seus administradores.
  2. Terra dos sacerdotes e templos – destinada aos cultos religiosos e aos sacerdotes.
  3. Terra do ayllu (comunidade) – cultivada pelas famílias para seu próprio sustento.

Cada membro do ayllu recebia uma parcela proporcional de terra, conforme o número de integrantes da família. A produção era feita de forma cooperativa, respeitando os ciclos agrícolas e climáticos dos Andes.

Agricultura Adaptada às Altitudes

Os incas desenvolveram uma agricultura diversificada e sofisticada, adaptada às variações de altitude da Cordilheira dos Andes. Com a técnica dos andenes (terraços), eles cultivavam desde o milho nas regiões baixas até a quinoa e a batata nas altitudes elevadas. Essa especialização vertical permitia o aproveitamento ideal dos microclimas.

Armazéns e Logística: Os Qollqas

Um dos pilares do sistema redistributivo era a rede de armazéns estatais, chamados qollqas. Espalhados por todo o império, esses depósitos armazenavam:

  • Alimentos como milho, batata e quinua.
  • Tecidos, ferramentas e armas.
  • Produtos para situações de crise, como secas ou guerras.

O Estado controlava rigidamente o fluxo de produtos: o que era excedente em uma região podia ser transferido para outra conforme a necessidade. Esse sistema reduzia drasticamente o risco de fome generalizada, e é considerado um dos mecanismos de gestão de risco mais eficazes da história pré-colombiana.

Administração e Contabilidade

Sem linguagem escrita alfabética, os incas desenvolveram métodos sofisticados de registro e administração.

Quipus: Registros com Cordões

Os quipus eram conjuntos de cordões com nós, usados para registrar informações numéricas e, possivelmente, narrativas. Os nós, as cores e as posições dos cordões permitiam registrar dados como:

  • Estoques de alimentos.
  • Quantidade de trabalhadores.
  • Tributos e deslocamentos.

A leitura dos quipus era tarefa de especialistas chamados quipucamayocs, que atuavam como contadores e cronistas.

Hierarquia Administrativa

A administração do império era fortemente hierarquizada. Havia uma cadeia de comando que ligava os pequenos assentamentos aos administradores locais (curacas) e, em última instância, ao centro político e religioso do império em Cusco. Esse modelo permitia que ordens e informações fluíssem com relativa rapidez, mesmo em um território montanhoso e extenso.

 

Conclusão

A economia inca não era apenas um sistema de produção e distribuição de bens, mas um reflexo da visão de mundo andina, em que o coletivo se sobrepunha ao individual, e o Estado atuava como regulador e protetor do bem-estar social. A capacidade de manter coesão e abundância em um ambiente geográfico desafiador é testemunho da engenhosidade administrativa e organizacional dos incas.

 

Referências Bibliográficas

  1. MURRA, John V. The Economic Organization of the Inka State. Greenwich: JAI Press, 1980.
  2. D’ALTROY, Terence N. The Incas. Oxford: Blackwell Publishing, 2003.
  3. ROWE, John H. Inca Culture at the Time of the Spanish Conquest. Handbook of South American Indians, 1946.
  4. DE LA VEGA, Garcilaso. Os Comentários Reais dos Incas. São Paulo: Editora Itatiaia, 2002.
  5. KONRAD, Herman W. A Jesuit Hacienda in Colonial Peru: The Huarochirí Valley. Stanford University Press, 1980.
  6. BAUER, Brian S. Ancient Cuzco: Heartland of the Inca. Austin: University of Texas Press, 2004.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Economia e Poder no Império Asteca: A Base Material da Ordem Asteca

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Este artigo tem como objetivo analisar a economia do Império Asteca, entendendo como o sistema produtivo, os tributos e o comércio sustentavam a estrutura política, social e militar do império. A partir de fontes históricas, códices e estudos arqueológicos, investiga-se como a produção agrícola, o mercado e a administração tributária reforçaram o poder de Tenochtitlán e permitiram sua expansão.

Introdução

A economia asteca não era apenas uma questão de sobrevivência — era a fundação material do poder imperial. A cidade de Tenochtitlán, com sua impressionante população e organização urbana, dependia de uma economia complexa e altamente estruturada, que articulava agricultura intensiva, comércio dinâmico e um sistema tributário eficiente. Este artigo examina como essas práticas econômicas viabilizavam a administração imperial e mantinham a hierarquia social.

Agricultura e Inovação Tecnológica

A base da economia asteca era a agricultura. Para maximizar a produção de alimentos, os astecas desenvolveram técnicas sofisticadas como as chinampas — ilhas artificiais construídas em lagos, altamente produtivas e sustentáveis. Nessas plataformas flutuantes, cultivava-se milho, feijão, abóbora, pimentas e tomates, alimentos essenciais da dieta mesoamericana (Smith, 2003).

Além disso, a organização do trabalho agrícola era coletiva, envolvendo clãs (calpulli) que dividiam e cultivavam a terra em nome de suas comunidades, mas também em favor do Estado e dos templos. Assim, a produção agrícola não apenas alimentava a população, mas também sustentava a elite, o exército e as atividades cerimoniais.

Tributos e Administração Imperial

Uma das maiores forças da economia asteca era o sistema de tributos. Povos conquistados eram obrigados a entregar uma variedade de produtos, como algodão, cacau, jade, penas de quetzal, ouro, roupas, mantimentos e prisioneiros para sacrifício. Esses tributos eram meticulosamente registrados em códices pictográficos, garantindo a arrecadação sistemática (Carrasco, 2011).

O Império Asteca estruturou a cobrança de tributos em unidades administrativas, com inspetores (calpixque) responsáveis por fiscalizar e organizar as entregas. Esse sistema não apenas enriquecia Tenochtitlán, mas também mantinha a submissão das províncias dominadas, criando uma dependência econômica e política.

Comércio e Mercado

O comércio era outra dimensão vital da economia asteca. Os mercados (tianquiztli) eram centros pulsantes de troca de mercadorias, onde produtos agrícolas, artesanato, armas, tecidos e produtos exóticos circulavam. O mercado de Tlatelolco, vizinho a Tenochtitlán, era um dos maiores do mundo pré-colombiano, reunindo milhares de pessoas diariamente (León-Portilla, 1990).

O comércio se realizava por meio de escambo e, posteriormente, com o uso de cacau como moeda. Existiam também mercadores profissionais (pochtecas), que viajavam longas distâncias para obter produtos de regiões distantes, funcionando como comerciantes e espiões a serviço do Estado.

Economia e Estrutura Social

A organização econômica estava intrinsecamente ligada à estratificação social. Nobres (pipiltin) controlavam grandes extensões de terra e recebiam tributos, enquanto os plebeus (macehualtin) cultivavam as terras comunais e cumpriam obrigações trabalhistas. Artesãos especializados e comerciantes enriquecidos ocupavam posições de destaque, mas ainda sob a autoridade dos nobres.

As guerras de conquista também tinham motivação econômica, visando expandir a base tributária e obter novos produtos de luxo para a elite, fortalecendo o prestígio do tlatoani e da nobreza.

Conclusão

A economia no Império Asteca não era apenas produção e comércio: era um sistema articulado de controle social e político. A agricultura intensiva, o rigoroso sistema de tributos e o comércio dinâmico garantiam a prosperidade de Tenochtitlán e viabilizavam a manutenção de seu império. Compreender a economia asteca é essencial para entender a extensão e os limites de seu poder, bem como sua vulnerabilidade diante da ruptura trazida pelos conquistadores espanhóis, que desarticularam essas redes de produção e redistribuição.

Referências Bibliográficas

  • CARRASCO, David. The Aztecs: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2011.
  • LEÓN-PORTILLA, Miguel. Aztec Thought and Culture: A Study of the Ancient Nahuatl Mind. Norman: University of Oklahoma Press, 1990.
  • SMITH, Michael E. The Aztecs. Oxford: Blackwell Publishing, 2003.
  • BERRELLEZA, Enrique Florescano. Memory, Myth, and Time in Mexico: From the Aztecs to Independence. Austin: University of Texas Press, 1994.
  • Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH). Disponível em: https://www.inah.gob.mx

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Desaprovação de Lula atinge novo recorde

Economia pressiona popularidade do Presidente

Marcelo Camargo/Agência Brasil
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu, em dezembro, o maior patamar de seu atual mandato. Segundo dados da pesquisa LatAm Pulse, realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News, 49,8% dos entrevistados disseram desaprovar o presidente, um aumento em relação aos 47,3% registrados no mês anterior. Por outro lado, a aprovação permaneceu estatisticamente estável, em 48%.

Esse é o primeiro levantamento em que a desaprovação supera a aprovação desde que Lula reassumiu o cargo em 2023, refletindo o pessimismo crescente em relação à economia brasileira. Apesar de dois anos de crescimento robusto e do desemprego no menor nível histórico, os brasileiros enfrentam juros elevados e inflação persistente, enquanto investidores demonstram preocupação com o aumento da dívida pública e o déficit fiscal.

Mais da metade dos entrevistados classificou a situação econômica do país como "ruim", enquanto apenas cerca de um terço a considerou "boa". Medidas econômicas recentes, como o plano de corte de gastos anunciado em novembro, não foram suficientes para reverter o sentimento negativo. A proposta de isentar do imposto de renda os trabalhadores de baixa renda recebeu amplo apoio popular, mas, para 58% dos entrevistados, a iniciativa não alterou sua percepção do governo.

A resposta do mercado também foi desfavorável: a liquidação de ativos locais derrubou o real a uma baixa histórica frente ao dólar, pressionando a inflação e levando o Banco Central a retomar o aumento das taxas de juros.

Na tentativa de conter a crise, Lula iniciou 2025 promovendo mudanças em sua equipe. O ministro da Comunicação foi substituído por um assessor veterano de campanhas, e a equipe econômica já trabalha em um segundo pacote de cortes de gastos para restaurar a confiança de investidores.

A pesquisa da AtlasIntel foi realizada entre 26 e 31 de dezembro, com 2.873 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais. Esses resultados colocam o governo Lula em alerta, evidenciando os desafios de equilibrar demandas populares e expectativas do mercado em um cenário econômico turbulento.



Fonte: Bloomberg

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

IPCA-15: prévia da inflação sobe 1,17% em novembro

Acumulado em 12 meses fica em 10,73%, impactado pela alta na gasolina

A prévia da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), apresentou alta de 1,17% em novembro. O resultado representa a maior variação para o mês desde 2002, quando o índice ficou em 2,08%.

No mês passado, o IPCA-15 ficou em 1,20% e em novembro de 2020, 0,81%. O acumulado do ano está em 9,57% e em 12 meses a prévia da inflação está em 10,73%, acima dos 10,34% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Os dados foram divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Todos os grupos de serviços e produtos pesquisados tiveram alta na prévia de novembro. O maior impacto individual no indicador foi da gasolina, que ficou 6,62% mais cara no mês, influenciando o resultado dos transportes, com variação de 2,89%, a maior entre os grupos pesquisados. No ano, a gasolina subiu 44,83% e em 12 meses a alta acumulada é de 48%.

O transporte por aplicativo teve alta de 16,23% na prévia de novembro, após ter subido 11,60% em outubro. Já as passagens aéreas ficaram 6,34% mais baratas, depois de subir 28,76% na prévia de setembro e 34,35% em outubro.

No grupo habitação, que subiu 1,06%, a maior contribuição foi do gás de botijão, que teve a 18ª alta consecutiva, ficando 4,34% mais caro em novembro. O produto acumula alta de 51,05% desde junho de 2020. A energia elétrica desacelerou e subiu 0,93%, após subir 3,91% em outubro. Além do reajuste em Goiânia, Brasília e São Paulo, desde setembro está em vigor a bandeira tarifária Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

O grupo alimentação e bebidas desacelerou, com alta de 0,4% em novembro, depois de subir 1,38% em outubro. As principais altas foram do tomate (14,02%), batata-inglesa (14,13%), cebola (7%), frango em pedaços (3,07%) e queijo (2,88%). Por outro lado, houve queda no preço das carnes (-1,15%), leite longa vida (-3,97%) e frutas (-1,92%).

Em saúde e cuidados pessoais, os itens higiene pessoal (1,65%) e produtos farmacêuticos (1,13%) foram as maiores influências para a alta de 0,80% na prévia do mês. Vestuário subiu 1,59%, educação ficou estável, com alta de 0,01%, e artigos de residência ficaram 1,53% mais caros, despesas pessoais subiram 0,61% e o grupo comunicação teve alta de 0,32% na prévia de novembro.

Regiões

Segundo o IBGE, todas as áreas pesquisadas tiveram alta no IPCA-15 de novembro. A maior variação foi em Goiânia, com alta de 1,86%, puxada pelo reajuste da energia elétrica (10,93%) e pela gasolina (5,87%). A menor inflação foi medida na região metropolitana de Belém, que subiu 0,76%, com a queda de 2,05% na energia elétrica e de 9,3% no açaí.

O IPCA-15 difere do IPCA pelo período de coleta, que vai do dia 16 do mês anterior ao 15 do mês de referência, e nas regiões pesquisadas. A população-objetivo do IPCA-15 são as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Tesouro pagou em outubro R$ 661,83 milhões em dívidas de estados

Este ano, já são R$ 6,82 bilhões de dívidas honradas pela União

A União pagou, em outubro, R$ 661,83 milhões em dívidas atrasadas de estados, segundo o Relatório de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Tesouro Nacional. Do total, R$ 362,77 milhões são débitos não quitados pelos estados do Rio de Janeiro; R$ 198,83 milhões de Minas Gerais; R$ 78,96 milhões de Goiás; R$ 16,29 milhões do Amapá, e R$ 4,97 milhões do Rio Grande do Norte.

Este ano, já são R$ 6,82 bilhões de dívidas de entes subnacionais honradas pela União. Os que tiveram os maiores valores honrados foram os estados do Rio de Janeiro (R$ 2,89 bilhões, 42,37% do total), Minas Gerais (R$ 2,52 bilhões, 36,94%) e Goiás (R$ 1,14 bilhão, 16,77%).

As garantias representam os ativos oferecidos pela União – representada pelo Tesouro Nacional - para cobrir eventuais calotes em empréstimos e financiamentos dos estados, municípios e outras entidades com bancos nacionais ou instituições estrangeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como garantidor das operações, ele é comunicado pelos credores de que não houve a quitação de determinada parcela do contrato.

Caso o ente não cumpra suas obrigações no prazo estipulado, o Tesouro compensa os calotes, mas desconta o valor coberto com bloqueios de repasses federais ordinários, além de impedir novos financiamentos. Há casos, entretanto, de bloqueio na execução das contragarantias. Entre 2019 e 2021, diversos estados que obtiveram liminares no Supremo Tribunal Federal (STF) suspendendo a execução.

Desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 39,76 bilhões em dívidas garantidas. Além do relatório mensal, o Tesouro Nacional também disponibiliza os dados no Painel de Garantias Honradas.

Operações garantidas

No último Relatório Quadrimestral de Operações de Crédito Garantidas, divulgado em setembro, o Tesouro informou que o saldo total devedor das garantias concedidas pela União a operações de crédito é de R$ 290,28 bilhões. O estado de São Paulo é a unidade da Federação com maior saldo devedor, R$ 39,19 bilhões.

Os estados concentram 77,3% dessas operações garantidas, com dívidas de R$ 224,29 bilhões. Em seguida estão os municípios e os bancos federais, com 9,5% (R$ 27,53 bilhões) e 7,7% (R$ 22,21 bilhões), respectivamente, do saldo devedor. As entidades controladas detêm 3,2% (R$ 9,21 bilhões) e as estatais federais, 2,4% (R$ 7,03 bilhões).

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil



quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Bolsa fecha no menor nível em um ano com aprovação de PEC

Dólar caiu até o início da tarde, mas fechou com pequena alta

A bolsa de valores teve forte queda e fechou no menor nível em quase um ano após a aprovação, em primeiro turno, do texto-base da proposta de emenda à Constituição (PEC) que parcela os precatórios e muda a regra do teto de gastos. O dólar chegou a operar em queda durante a manhã e o início da tarde, mas fechou com pequena alta.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta quinta-feira (4) aos 103.412 pontos. O indicador está no nível mais baixo desde 12 de novembro do ano passado. A realização do leilão da frequência 5G não animou os investidores.

Além da reação à aprovação da PEC, a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter o ritmo de aumento da produção global fez os preços internacionais do produto cair, o que impactou as ações da Petrobras, os papéis mais negociados. As ações ordinárias (com direito a voto em assembleia de acionista) caíram 2,95%. Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) recuaram 3,17%.

O mercado de câmbio também teve um dia de volatilidade. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,606, com alta de R$ 0,016 (0,29%). A cotação chegou a cair para R$ 5,56 na mínima do dia, por volta das 11h30, mas voltou a subir por volta das 13h30 e fechou com leve alta.

No caso do dólar, a moeda subiu perante as principais divisas do mundo, após a divulgação de que os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram para o menor nível em 19 meses. Isso aumenta as apostas de que o Federal Reserve (FED, Banco Central norte-americano) antecipe a alta dos juros da maior economia do planeta, apesar de o presidente da instituição, Jerome Powell, ter afirmado na quarta-feira (3) que não pretende mexer nas taxas tão cedo.

A tensão no mercado de câmbio foi agravada pela aprovação da PEC dos Precatórios, durante a madrugada desta quarta para quinta-feira. Para os investidores, a proposta, que abre caminho para cerca de R$ 90 bilhões fora do teto de gastos no próximo ano, dificulta o controle da dívida pública e piora o cenário fiscal brasileiro.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli/Direitos Reservados


quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Dólar cai para R$ 5,59 com ata do Copom e reunião do Fed

Bolsa perde força e fecha com pequena alta de 0,06%

Influenciado pela divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e pelo tom ameno do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano), o dólar fechou esta quarta-feira (3) abaixo de R$ 5,60 pela primeira vez em uma semana. A bolsa chegou a subir quase 1%, mas desacelerou perto do fim do dia e fechou com pequena alta de 0,06%.

O dólar comercial encerrou vendido a R$ 5,59, com recuo de R$ 0,08 (-1,42%). A cotação chegou a R$ 5,69 na máxima do dia, por volta das 11h15, mas inverteu a alta e passou a cair no início da tarde.

A última vez em que a moeda norte-americana tinha fechado abaixo de R$ 5,60 foi no último dia 27 (R$ 5,55). Mesmo com a queda desta quarta-feira, o dólar acumula alta de 7,73% em 2021.

No mercado de ações, o dia foi menos otimista. O índice Ibovespa, da B3 (Bolsa de Valores), fechou aos 105.617 pontos, com alta de apenas 0,06%. O indicador subiu 0,93% por volta das 13h, no início da reunião do Fed que decidiu reduzir de US$ 120 bilhões para US$ 105 bilhões por mês o volume de compra de títulos públicos e privados. 

No entanto, o Ibovespa perdeu força com as negociações em torno da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que parcela os precatórios e muda o teto federal de gastos.

Tom mais duro

A ata da reunião do Copom da semana passada, que elevou a taxa Selic de 6,25% para 7,75% ao ano, foi bem recebida pelo mercado. Segundo analistas financeiros, o Banco Central adotou um tom mais duro que o esperado, ao admitir que os juros básicos da economia devem chegar aos dois dígitos em meados do próximo ano.

Em relação ao Fed, o mercado considerou ameno o tom adotado pelo presidente do Banco Central norte-americano, Jerome Powell, de reduzir gradualmente a compra de títulos, política adotada desde o início da pandemia de covid-19, e indicar que os juros da maior economia do planeta deverão permanecer no menor nível da história por longo tempo.

A diferença de juros baixos nos Estados Unidos e taxas altas no Brasil abre caminho para a entrada de dólares no país, estimulando os investidores a buscar mais risco no mercado financeiro brasileiro. Isso reduz a pressão sobre o câmbio, baixando a cotação da moeda norte-americana.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: REUTERS/Marcos Brindicci,dólar

 


quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Dólar cai para R$ 5,56 com ambiente externo positivo

Bolsa fechou com pequena alta de 0,1% após discurso de Guedes

Embalado por um ambiente externo positivo, o dólar caiu após duas altas seguidas e voltou a ficar abaixo de R$ 5,60. A bolsa chegou a subir pouco mais de 1%, mas desacelerou e fechou praticamente estável após declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que cerca de R$ 30 bilhões do Auxílio Brasil podem ser financiados fora do teto de gastos.

O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (20) vendido a R$ 5,561, com recuo de R$ 0,03 (-0,59%). A cotação operou em queda durante toda a sessão, influenciada pela melhoria no ambiente internacional. Por volta das 15h30, chegou a cair para R$ 5,52, mas diminuiu o ritmo de queda perto do fechamento do mercado por causa do discurso de Guedes.

O Banco Central (BC) retomou os leilões de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro) e vendeu US$ 1,2 bilhão em contratos nesta quarta. O dólar acumula alta de 2,11% em outubro. Em 2021, a valorização chega a 7,16%.

No mercado de ações, o dia foi marcado por oscilações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 110.786 pontos, com alta de 0,10%. No meio da tarde, o indicador chegou a subir 1,04%, motivado pela entrevista do ministro da Cidadania, João Roma, de que o governo busca uma solução para que o benefício de R$ 400 esteja dentro do teto de gastos. A alta, no entanto, diminuiu após a declaração do Ministério da Economia, Paulo Guedes, sobre a possibilidade de pouco mais de R$ 30 bilhões ficarem fora do teto.

Nos últimos dias, o mercado financeiro tem atravessado momentos de tensão em meio às negociações para a criação do Auxílio Brasil. Os analistas econômicos consideram que o financiamento parcial do programa com recursos fora do teto de gastos dificultará a retomada do controle das contas públicas.

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Reuters/Marcos Brindicci/Direitos Reservado

Auxílio Brasil terá reajuste de 20% em relação ao Bolsa Família

Informação é do ministro da Cidadania, João Roma

O ministro da Cidadania, João Roma, afirmou nesta quarta-feira (20), em pronunciamento no Palácio do Planalto, que o programa Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família, começará a ser pago a partir de novembro e terá um reajuste geral de 20% no valor dos benefícios, com relação ao programa que o antecedeu.

"O programa permanente, que é o Auxílio Brasil, que sucede o Bolsa Família, esse programa tem um tíquete médio, portanto, o valor do benefício varia de acordo com a composição de cada família. Então, existem famílias que estão recebendo menos de R$ 100, e tem outras que estão recebendo até mais de R$ 500. Esse programa terá um reajuste de 20 [%]", explicou. 

O ministro acrescentou que os 20% de aumento não serão sobre o valor unitário do benefício, mas sobre a execução de todo o Auxílio Brasil, que começa a ser pago no mês de novembro.

O início dos pagamentos do Auxílio Brasil coincide com o fim do auxílio emergencial, programa lançado no ano passado para apoiar famílias vulneráveis durante a pandemia e que terá a última parcela creditada este mês de outubro. Ao todo, o programa atendeu mais de 68 milhões de famílias com um orçamento de R$ 379 bilhões.

Valor mínimo  

A pedido do presidente Jair Bolsonaro, informou o ministro, todas as famílias classificadas em situação de pobreza e de pobreza extrema, vinculadas ao Cadastro Único dos Programas Sociais (CadÚnico) e ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), deverão receber um valor mínimo de R$ 400 dentro do novo programa. Para atender essa demanda, João Roma informou que o governo vai estruturar uma espécie de programa transitório de transferência de renda, que deve durar até dezembro do ano que vem. 

"Estamos estruturando um benefício transitório, que funcionaria até dezembro do próximo ano, e esse benefício transitório teria por finalidade equalizar o pagamento desses benefícios para que nenhuma família beneficiária receba menos de R$ 400".

O ministro fez questão de dizer que o governo, em diálogo com parlamentares no Congresso Nacional, busca uma saída para financiar o novo programa dentro do orçamento previsto para o ano que vem.

"Não estamos aventando que o pagamento desses benefícios se dê através de créditos extraordinários. Estamos buscando, dentro do governo, todas as possibilidades para que o atendimento desses brasileiros necessitados sigam também de mãos dadas com a responsabilidade fiscal".

Novos beneficiários

Outro anúncio do governo é que, com o Auxílio Brasil, a fila de pessoas que aguardam inclusão no programa social do governo federal será zerada. Atualmente, mais de 2 milhões de famílias esperam receber o benefício. 

"Hoje, o programa permanente contempla 14,7 milhões de famílias, e pretendemos chegar a quase 17 milhões de famílias", prometeu João Roma.

Mais cedo, durante um evento em Russas (CE), o presidente Jair Bolsonaro declarou que o governo vai aumentar o valor do Auxílio Brasil para uma patamar mínimo de R$ 400 por família. 

"Ontem nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração para o antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxílio Brasil, a 400 reais", disse o presidente. 

Acompanhe na íntegra a cerimônia:

 


Fonte: Agência Brasil – Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Dólar volta a fechar acima de R$ 5,50 com tensões no exterior

Bolsa de Valores encerra com pequena queda de 0,19%.

Num dia de tensões no mercado internacional, o dólar voltou a subir e a superar o nível de R$ 5,50, apesar das intervenções do Banco Central (BC). A Bolsa de Valores (B3) iniciou o dia com forte queda, mas recuperou-se durante o pregão e fechou em leve baixa.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (18) vendido a R$ 5,521, com alta de R$ 0,061 (+1,21%). A moeda chegou a R$ 5,54 na máxima do dia, por volta das 10h30, mas a atuação do BC, que leiloou US$ 1,2 bilhão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, impediu uma alta maior.

A cotação está no maior valor desde o último dia 11, quando tinha fechado a R$ 5,537. A divisa acumula alta de 1,38% em outubro e de 6,39% em 2021.

O mercado de ações teve um dia menos tenso. O índice Ibovespa, da B3, chegou a cair 1,58% durante a manhã, mas a compra de ações de bancos por investidores estrangeiros fez o indicador ganhar fôlego à tarde e fechar próximo da estabilidade. O Ibovespa acumula recuo de 3,86% em 2021.

China

Economias de países emergentes, como o Brasil, foram afetadas pela notícia de que a economia chinesa cresceu 4,9% no trimestre de julho a setembro, desacelerando em relação ao trimestre anterior, quando teve expansão de 7,9%. 

Com uma crise energética provocada pela escassez de carvão e com empresas imobiliárias com dificuldades de caixa, a segunda maior economia do planeta está comprando menos commodities (bens primários com cotação internacional) e prejudicando as exportações brasileiras.

Além dos problemas na China, o agravamento da inflação em diversos países está pressionando economias avançadas a aumentar os juros. A expectativa de taxas mais altas em países desenvolvidos estimula a retirada de capital de mercados emergentes, pressionando para cima o dólar.

 Fonte: Agência Brasil – Imagem: Reuters/Lee-Jae-Won/Direitos Reservador


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Setor de máquinas e equipamentos tem queda na receita de 3,6%


Queda foi influenciada pela diminuição das exportações


Arquivo/Agência Brasil

O setor de máquinas e equipamentos registrou queda de 3,6% na receita líquida de janeiro em comparação com o mesmo mês de 2019. Segundo balanço divulgado, hoje (27), pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a receita ficou em R$ 7,9 bilhões no primeiro mês deste ano, uma retração de 9,4% na comparação com dezembro do ano passado. No acumulado de 12 meses há uma ligeira alta de 0,3%, com uma receita líquida de R$ 121,8 bilhões.
A queda foi influenciada pela diminuição das exportações, que tiveram uma redução de 26,6% em janeiro em relação ao mesmo mês de 2019, ficando em US$ 554,6 milhões. No acumulado dos últimos 12 meses, a retração é de 7,8%, com as vendas para o exterior totalizando US$ 9,3 bilhões.
De acordo com a Abimaq, as exportações vinham caindo devido a diversos fatores externos, como a recessão argentina e a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Esse cenário ficou, segundo a associação, ainda mais complicado com o surto do novo coronavírus.
As vendas de máquinas para os Estados Unidos apresentaram queda de 44,8% em janeiro em comparação com o primeiro mês de 2019. Os norte-americanos representam 27,6% do mercado externo do setor. A América Latina, destino de 33,7% das vendas para o exterior, teve retração de 12,3% nas compras de janeiro. Enquanto as vendas para a Europa caíram 9,4%.
O nível de emprego no setor registrou alta de 0,9% em janeiro na comparação com dezembro de 2019, com 305,2 mil pessoas empregadas. Em 12 meses, o número representa um crescimento de 2,7%.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 17 de novembro de 2019

Com Selic em queda, poupança pode passar a render menos que a inflação


Marcello Casal/Agencia Brasil
Com a taxa básica de juros, a Selic, em queda, os rendimentos da poupança devem perder para a inflação. Isso pode acontecer porque os rendimentos da poupança são 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR), que está zerada.
Atualmente, a Selic está em 5% ao ano e o Banco Central já sinalizou que a taxa deve cair em dezembro para 4,5% ao ano e encerrar 2020 nesse patamar. Com isso, os rendimentos da poupança vão passar de 3,5% para 3,15% ao ano. Já a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve fechar 2019 em 3,31% e 2020, em 3,60%, de acordo com estimativas do mercado financeiro.
Se for considerada a previsão mensal, a inflação deve chegar a 0,36%, em novembro, e a 0,35%, em dezembro, enquanto a poupança vai render 0,29% ao mês, com a Selic em 5%, e 0,26% ao mês, se a taxa básica cair para 4,5% ao ano.
Os investidores que têm poupança antiga e não retiraram os recursos recebem rendimentos maiores. Isso porque todos os depósitos feitos até 3 de maio de 2012 rendem 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais TR. A partir de 4 de maio de 2012, a nova regra de cálculo da poupança passou a ser 70% da Selic mais TR, sempre que a taxa estiver abaixo ou igual a 8,5% ao ano. Acima de 8,5% ao ano, o rendimento é 0,5% ao mês mais TR.
O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que essa nova realidade de a poupança render pouco veio para ficar. “É uma realidade porque os juros vão ficar baixos. Vão cair de novo agora no mês de dezembro, possivelmente para 4,5% ao ano. Isso quer dizer que a poupança vai render 3,15% ao ano. E já começa a ser um problema porque esse rendimento deve ser menor que a inflação”, disse.
“Vamos passar aqui no Brasil pelo que aconteceu nos Estados Unidos e na Europa. Nessas economias, os juros eram altos. As pessoas aplicavam em renda fixa. Havia investimentos garantidos e altos. Só que as taxas de juros foram caindo e aí reverteu a situação - a maioria dos americanos e europeus atualmente aplica na bolsa de valores. Vamos ter esse cenário no Brasil - quem quer maior rentabilidade vai ter que assumir risco”, disse.
Oliveira aconselha a quem optar por investir em ações e não tiver conhecimento do mercado financeiro a buscar os fundos de ações. “Há duas formas de aplicar na bolsa. Uma delas é aplicar diretamente em ações de uma empresa. Esse tipo de escolha só deve ser feito por pessoas com mais conhecimento. Para os iniciantes, a melhor alternativa é entrar em fundos de ações. Porque no fundo tem um gestor que conhece o melhor papel para comprar e ele vai diluir a carteira para minimizar os riscos. Vai escolher diversos tipos de empresas, como financeiras, bancos, varejo, de energia”, disse.
Caso não queira correr riscos ou tenha a intenção de fazer reserva de emergência, a recomendação é analisar as taxas de administração dos fundos de renda fixa. Para Oliveira, com a Selic cada vez menor, a tendência é que as instituições financeiras reduzam as taxas de administração para atrair mais clientes. Outra opção é analisar os títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic. Os investidores podem analisar também outras opções de investimento disponíveis no mercado.
Os investimentos em fundos e no Tesouro Direito têm cobrança de Imposto de Renda, além de taxas de administração, que devem ser analisadas por quem decide investir.

Reflexos na economia
Oliveira destaca que os menores rendimentos da poupança podem trazer consequências não somente para o bolso dos poupadores, mas também para a economia do país. “Como deixar o dinheiro na poupança não vai nem manter o poder de compra, isso pode fazer com que as pessoas parem de poupar e destinem dinheiro para consumo”, disse.
Outro fator é a redução de recursos para o financiamento habitacional. Atualmente, 65% dos recursos de poupança são destinados aos financiamentos habitacionais.


Fonte: Agência Brasil


segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Comitê instituído por MP da Liberdade Econômica será ampliado

Órgão que edita súmulas terá representantes de contribuintes

Instituído pela Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica, o Comitê de Súmulas da Administração Tributária Federal será ampliado para ter a participação de representantes dos contribuintes. O Ministério da Economia revogou hoje (7) a portaria que regulamentava o órgão.
Com poder para editar súmulas que vincularão os atos normativos para contribuintes devedores, Comitê de Súmulas pretende unificar as decisões do governo em relação a devedores da União. Os inadimplentes na esfera tributária são julgados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal (Carf), e os devedores inscritos na dívida ativa (com cobrança em juízo), são julgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Criado pela MP da Liberdade Econômica, aprovada no fim de agosto, o comitê fixará súmulas de questões tributárias pacificadas. Em nota, o Ministério da Economia explicou que proporá a edição de uma nova regulamentação que será submetida a consulta pública.
Editada em 30 de setembro, a portaria anterior só estabelecia a participação de representantes da Receita Federal, do Carf e da PGFN no Comitê de Súmulas. A nova minuta, informou o ministério, pretende respeitar a atual composição paritária do Carf (com representantes do governo e da sociedade) ao garantir a presença de representantes dos contribuintes no novo órgão.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CNI: juros básicos podem cair a 5,25% ao ano no fim de 2019


Entidades veem como positiva a queda da Selic a 6%

O corte maior que o esperado nos juros básicos da economia pode fazer a taxa Selic encerrar 2019 em 5,25% ao ano. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou comunicado em que considera positiva a decisão do Banco Central (BC). Nesta quinta-feira (31), o Comitê de Política Monetária (Copom) definiu a taxa Selic em 6% ao ano, com um corte de 0,50 ponto percentual.
A estimativa da CNI é mais otimista que a dos analistas de mercado. A última edição do boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projetava taxa Selic de 5,5% ao ano no fim de 2019.
Para a confederação, o BC acertou ao reduzir os juros básicos em 0,5 ponto percentual, enquanto a maioria das instituições financeiras projetava corte de 0,25 ponto. Segundo a CNI, o fraco desempenho da atividade econômica, a baixa inflação e o corte de juros em outros países, como ocorreu hoje nos Estados Unidos, favorecem a redução das taxas em países emergentes, como o Brasil.
Na avaliação da entidade, a queda dos juros é importante para estimular o consumo das famílias e os investimentos das empresas e reativar a economia. O comunicado ressaltou a aprovação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados foi um passo importante para o início do ajuste das contas públicas. Para a entidade, a aprovação definitiva da reforma abrirá caminho para novas reduções da Selic.

São Paulo
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, elogiou a redução dos juros, mas para ele, apesar de a redução ser positiva, poderia ser maior.
“A redução é positiva, mas já existe espaço para mais cortes na Selic", disse Skaf em nota. Para o presidente da Fiesp,  uma Selic na casa de 5% ao ano pode estimular a retomada do crescimento econômico e a geração de emprego que o Brasil tanto almeja.
Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a redução dos juros foi tímida e insuficiente, aquém do que o setor produtivo precisaria para fomentar a produção e a geração de novos postos de trabalho. “Entendemos que, com esta queda “conta-gotas”, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no país. Mais uma vez, o Banco Central frustra os anseios dos trabalhadores”, afirmou Torres.
Ele disse que os trabalhadores ficaram "frustrados com a decisão” e que espera que, nas próximas reuniões, o Copom adote "uma política contundente de redução" da Selic para que o país volte a crescer, com geração de empregos e distribuição de renda.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) também considerou positiva a redução da taxa. “Reduzir a Selic é indispensável para acelerar a retomada do emprego e diminuir o custo da dívida, o que é muito relevante para um país com alto grau de endividamento como o Brasil”, destacou a entidade, ao apostar que, até o final deste ano, a Selic fique abaixo de 6%.

Rio de Janeiro
A queda da Selic também foi elogiada pela Federação das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro (Firjan). Em nota, a entidade disse que a taxa vai na direção correta, “estimulando o crescimento econômico sem correr o risco de perder o controle da inflação”. A entidade destaca que o baixo desempenho da economia brasileira, refletido na elevada capacidade ociosa das empresas e na alta taxa de desemprego, associado a um cenário externo favorável, com redução dos juros nas principais economias globais, atuam no sentido de aliviar as pressões sobre a inflação e suas expectativas, que seguem dentro da meta estabelecida. 
Para a Firjan, a aprovação da reforma da Previdência no primeiro turno na Câmara foi um grande passo para redução do risco fiscal da economia brasileira, porém, a entidade reforça a necessidade da  concretização desta reforma e a importância da inclusão de estados e municípios.

Agência Brasil