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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Copán: A Atenas do Novo Mundo e o Esplendor da Civilização Maia

Localizada no oeste de Honduras, perto da fronteira com a Guatemala, a cidade-estado de Copán floresceu durante o Período Clássico Maia (c. 250–900 d.C.) e se estabeleceu como um dos centros culturais, políticos e científicos mais importantes de sua época. Frequentemente apelidada de "Atenas do Novo Mundo" por sua sofisticação artística e intelectual, Copán deixou um legado esculpido em pedra que continua a fascinar arqueólogos e historiadores, oferecendo uma janela detalhada para a complexidade da civilização maia.

Uma Capital de Arte e Escultura

O que distingue Copán de outras grandes cidades maias como Tikal ou Calakmul é a sua incomparável produção artística. Os escultores de Copán alcançaram um nível de detalhe e tridimensionalidade raramente visto em outros lugares. Utilizando o tufo vulcânico verde, uma rocha local relativamente macia, eles criaram estelas que são verdadeiros retratos em alto-relevo de seus governantes. Diferente das estelas mais planas de outras regiões, as de Copán são quase estátuas completas, repletas de detalhes sobre as vestimentas, insígnias e feições dos reis.

O apogeu dessa expressão artística ocorreu durante o reinado de Uaxaclajuun Ub'aah K'awiil, mais conhecido como "18 Coelho". Sob seu governo, a praça principal da cidade foi adornada com as mais magníficas estelas, cada uma celebrando um período de tempo e reafirmando o poder divino do governante. Essas obras não eram meramente decorativas; eram narrativas de poder, genealogia e cosmologia.

A Escadaria dos Hieróglifos: Uma Biblioteca de Pedra

Talvez o monumento mais extraordinário de Copán seja a Escadaria dos Hieróglifos. Composta por 63 degraus e contendo mais de 2.200 glifos individuais, esta escadaria monumental constitui o texto maia contínuo mais longo já descoberto. A inscrição narra a história dinástica de Copán, detalhando as vidas, ascensões e rituais dos reis que governaram a cidade por séculos.

Infelizmente, a maior parte dos degraus desabou e foi encontrada fora de ordem, transformando sua decifração em um dos quebra-cabeças arqueológicos mais complexos do mundo. Graças ao trabalho incansável de epigrafistas, grande parte da história de Copán foi recuperada, revelando uma linhagem real iniciada pelo fundador K'inich Yax K'uk' Mo' no início do século V.

Centro de Conhecimento Astronômico

Além de seu brilho artístico, Copán era um centro de vanguarda para o conhecimento científico, especialmente a astronomia. Os maias de Copán realizaram observações celestes com notável precisão, refinando o calendário solar para calcular a duração do ano com uma exatidão que rivalizava com a de seus contemporâneos no Velho Mundo. Monumentos e estelas eram cuidadosamente alinhados para marcar eventos astronômicos importantes, como solstícios e equinócios, integrando a ciência, a arquitetura e a religião em uma visão de mundo unificada.

Ascensão, Apogeu e Declínio

A história de Copán é uma narrativa clássica de ascensão e queda. Fundada como um posto avançado no extremo sudeste do mundo maia, a cidade cresceu em poder e influência, controlando rotas comerciais e centros subsidiários. O longo reinado de "18 Coelho" marcou o auge de seu poder e esplendor.

Contudo, a tragédia se abateu em 738 d.C., quando "18 Coelho" foi capturado e sacrificado por seu vassalo, o rei de Quiriguá, uma cidade vizinha que se rebelou. Este evento chocante marcou um ponto de virada, minando a autoridade política e militar de Copán. Embora a cidade tenha continuado a construir monumentos por mais algumas décadas, ela nunca recuperou completamente seu prestígio. Como muitas outras cidades maias das terras baixas do sul, Copán sofreu um rápido declínio populacional no século IX, um processo conhecido como o Colapso Maia Clássico, provavelmente impulsionado por uma combinação de degradação ambiental, guerra endêmica e instabilidade política.

Hoje, como Patrimônio Mundial da UNESCO, as ruínas de Copán não são apenas um testemunho de uma civilização perdida, mas um arquivo duradouro da genialidade humana em arte, história e ciência.

Referências Bibliográficas

COE, Michael D. The Maya. 9ª edição. Thames & Hudson, 2015.

MARTIN, Simon; GRUBE, Nikolai. Chronicle of the Maya Kings and Queens: Deciphering the Dynasties of the Ancient Maya. 2ª edição. Thames & Hudson, 2008.

SCHELE, Linda; FREIDEL, David. A Forest of Kings: The Untold Story of the Ancient Maya. William Morrow Paperbacks, 1992.

FASH, William L. Scribes, Warriors and Kings: The City of Copán and the Ancient Maya. Thames & Hudson, 2001.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Presidente hondurenho é acusado de ter recebido suborno do narcotráfico



AFP/ TIMOTHY A. CLARY
No segundo dia do julgamento realizado em Nova York de Antonio "Tony" Hernández Alvarado, ex-deputado e irmão do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, uma testemunha da acusação afirmou que o chefe de Estado do país latino-americano recebeu milhões de dólares em subornos de traficantes de drogas, incluindo do mexicano Joaquín "Chapo" Guzmán.
O denunciante ouvido pelo tribunal de Manhattan, levado pela promotoria, afirmou que ele e Tony Hernández distribuíram cerca de 140 toneladas de cocaína durante 12 anos, e que em 2005 o acusado lhe pediu 40 mil dólares para a campanha eleitoral de seu irmão, que à época buscava a reeleição como deputado.
Segundo o promotor de Nova York Jason Richman, o presidente hondurenho teria recebido milhões de dólares em subornos de traficantes de drogas, e que "El Chapo" entregou "pessoalmente" a Tony Hernández um milhão de dólares destinados a Juan Orlando.
A testemunha da promotoria, Víctor Hugo Díaz Morales, "El Rojo", um ex-traficante de drogas hondurenho preso em Nova York por 17 meses, disse no tribunal ter participado de 18 assassinatos e deu detalhes sobre os negócios que manteve com o réu entre 2004 e 2016.
No início, afirmou que Tony Hernández deu a ele "informações sobre apreensões policiais e investigações relacionadas a drogas" em Honduras para evitar apreensões, em troca de pagamentos de 5 mil dólares. Então, o ex-deputado começou a transportar, distribuir e até fabricar cocaína em seus próprios laboratórios.
"El Rojo" afirmou que Tony Hernández se associou ao narcotraficante colombiano "El Cinco" para fabricar cocaína em um laboratório na Colômbia, e que o acusado lhe disse que a droga era comercializada numa embalagem com suas iniciais, TH, escritas num logotipo semelhante à marca de roupas marca Tommy Hilfiger". Em seguida, a acusação exibiu na corte uma foto de uma apreensão de um pacote com um quilo de cocaína com as iniciais TH.
A promotoria acusa o ex-deputado hondurenho de homicídio, tráfico de drogas, posse ilegal de armas de fogo e de mentir para as autoridades.
Há um ano preso nos Estados Unidos, Alvarado enfrenta uma pena que varia de de cinco anos detenção à prisão perpétua.
"O mais importante, o acusado era protegido pelo atual presidente (de Honduras), que recebeu milhões de dólares em subornos de narcotraficantes, como Chapo Guzmán, que pessoalmente entregou um milhão de dólares ao acusado para seu irmão", afirmou o promotor nos argumentos iniciais.
Segundo Richman, o réu integrava "uma organização patrocinada pelo Estado que distribuiu cocaína durante anos" nos Estados Unidos visando embolsar milhões de dólares, e que era protegida por uma rede de funcionários hondurenhos corruptos, entre eles "prefeitos, legisladores, generais das Forças Armadas e chefes da polícia".
Richman também acusou o ex-deputado de ordenar ao menos dois assassinatos de narcotraficantes entre 2011 e 2013.
A promotoria americana afirma que o dinheiro do narcotráfico enriqueceu o réu e financiou as campanhas de vários candidatos do Partido Nacional, incluindo a do ex-presidente Porfirio Lobo (2010-2014) e a de Juan Orlando Hernández, eleito em 2013 e reeleito em 2017.
A promotoria diz que provará que Lobo e Juan Orlando Hernández são co-autores e que ambos foram eleitos presidentes graças ao dinheiro do tráfico de droga.
O atual presidente hondurenho, um aliado do presidente americano, Donald Trump, em assuntos relacionados à segurança e migração, nega todas acusações e não foi denunciado formalmente nos Estados Unidos
A denúncia é "100% falsa, absurda e ridícula". "Isto é menos sério que Alice no País das Maravilhas", afirmou Juan Orlando Hernández.
"Contamos com a imparcialidade e seriedade da justiça americana, que pode separar a fantasia da verdade ... para impedir que um julgamento se torne um linchamento público", disse o presidente à imprensa em Tegucigalpa, capital de Honduras.

Fonte: AFP