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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Agropecuária Redesenha o Mapa Econômico do Brasil: Oito Estados Crescem Acima da Média Nacional em 2023

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Em um cenário de recuperação econômica global e desafios internos, o Brasil registrou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,2% em 2023. No entanto, por trás dessa média nacional, esconde-se uma realidade de profunda transformação e regionalização do desenvolvimento. Longe dos grandes centros industriais e financeiros, a agropecuária emergiu como a força motriz que impulsionou o crescimento de oito estados brasileiros, permitindo-lhes superar significativamente o desempenho do país e, em alguns casos, redefinir sua participação na economia nacional. Este fenômeno, que vem se consolidando há mais de duas décadas, aponta para um Brasil de múltiplas velocidades, onde o campo se consolida como um pilar fundamental da prosperidade.

O Brasil em 2023: Uma Média que Esconde Disparidades

O crescimento de 3,2% do PIB brasileiro em 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi um resultado robusto, impulsionado principalmente por uma safra recorde e um setor de serviços resiliente. Contudo, a análise aprofundada revela que essa expansão não foi homogênea. Dos 27 estados e o Distrito Federal, 13 unidades da federação conseguiram superar essa média nacional, demonstrando dinâmicas econômicas particulares e, em muitos casos, uma forte dependência de setores específicos.

Dentre esses estados de destaque, um grupo se sobressai pela clara influência do agronegócio: Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Esses oito estados, localizados predominantemente nas regiões Norte e Centro-Oeste, viram suas economias florescerem graças ao desempenho excepcional da agropecuária. O setor, que já é um dos pilares da balança comercial brasileira, mostrou sua capacidade de gerar riqueza e desenvolvimento local, mesmo em um contexto de flutuações econômicas globais.

O Motor do Campo: A Força da Agropecuária

A contribuição da agropecuária para o crescimento desses estados é inegável. Em 2023, o setor foi beneficiado por condições climáticas favoráveis em diversas regiões produtoras, aliadas a investimentos em tecnologia e manejo que resultaram em safras recordes, especialmente de grãos como a soja e o milho. A demanda global por alimentos e commodities agrícolas também manteve os preços em patamares atrativos, garantindo rentabilidade aos produtores e impulsionando toda a cadeia produtiva.

O Acre, por exemplo, liderou o ranking de crescimento entre todos os estados, com uma impressionante expansão de 14,7% em seu PIB. Embora sua base econômica seja menor em comparação com estados mais industrializados, o salto é um testemunho do potencial de desenvolvimento impulsionado por atividades primárias e pela expansão de fronteiras agrícolas. Outros estados da região Norte, como Amazonas, Amapá e Roraima, também registraram crescimentos significativos, evidenciando uma nova dinâmica econômica para a Amazônia Legal, que vai além da Zona Franca de Manaus e se volta para a exploração sustentável de seus recursos.

No Centro-Oeste, a história é ainda mais consolidada. A região, que já é o celeiro do Brasil, registrou uma expansão de 7,6% em seu PIB, mais que o dobro da média nacional. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins (este último, embora geograficamente no Norte, possui forte integração econômica com o Centro-Oeste) são exemplos claros de como a modernização e a escala da produção agropecuária podem transformar economias estaduais.

A Soja como Protagonista no Centro-Oeste

Dentro do contexto da agropecuária, a soja merece um capítulo à parte. A oleaginosa, principal produto de exportação do agronegócio brasileiro, foi a grande protagonista do crescimento do Centro-Oeste. Com safras cada vez maiores e o avanço da tecnologia de cultivo, a região consolidou-se como um dos maiores produtores mundiais. A expansão das áreas cultivadas, o uso de sementes geneticamente modificadas de alta produtividade e a aplicação de técnicas de agricultura de precisão permitiram que os estados do Centro-Oeste alcançassem patamares de produção antes inimagináveis.

Mato Grosso, em particular, é um caso emblemático. O estado registrou um crescimento de 12,5% em seu PIB em 2023, um dos maiores do país. Mais do que isso, sua participação no PIB nacional quase dobrou em pouco mais de duas décadas, saltando de 1,3% em 2002 para 2,5% em 2023. Esse dado não apenas reflete o dinamismo da economia mato-grossense, mas também a crescente importância do agronegócio na composição da riqueza brasileira. A pujança da soja e do milho em Mato Grosso gera um efeito cascata, impulsionando setores como transporte, armazenagem, máquinas agrícolas, insumos e serviços financeiros, criando um ecossistema econômico robusto e interconectado.

Contrastes Regionais: São Paulo e Rondônia

Enquanto o Centro-Oeste e partes do Norte celebravam o boom do agronegócio, estados com economias mais diversificadas e tradicionais apresentavam ritmos de crescimento distintos. São Paulo, a maior economia do país, registrou um crescimento de 2,1% em 2023, ficando abaixo da média nacional. Embora ainda seja um gigante econômico, o estado tem visto sua participação relativa no PIB nacional diminuir gradualmente ao longo dos anos, refletindo uma tendência de desconcentração econômica e o amadurecimento de seus setores industrial e de serviços. A menor dependência da agropecuária em sua matriz econômica e a complexidade de sua estrutura industrial e de serviços podem explicar um ritmo de crescimento mais moderado em comparação com os estados do agronegócio.

Por outro lado, Rondônia, um estado também com forte vocação agrícola, registrou um crescimento de 2,9%, ligeiramente abaixo da média nacional. Este dado sugere que, embora a agropecuária seja um fator importante, outros elementos como a diversificação de culturas, a infraestrutura logística e a capacidade de agregação de valor aos produtos podem influenciar o desempenho final. O Rio Grande do Sul, outro estado com forte tradição agropecuária, também ficou abaixo da média nacional (2,7%), possivelmente impactado por eventos climáticos ou outras dinâmicas setoriais específicas.

Contexto Histórico: A Desconcentração Econômica e a Marcha para o Oeste

A ascensão da agropecuária como motor de desenvolvimento em estados do Norte e Centro-Oeste não é um fenômeno isolado de 2023, mas sim a consolidação de uma tendência histórica. Desde o início dos anos 2000, o Brasil tem testemunhado uma gradual desconcentração econômica, com a participação de estados do Sudeste e Sul no PIB nacional diminuindo em favor de regiões como o Centro-Oeste e, mais recentemente, o Norte.

Entre 2002 e 2023, a participação do Centro-Oeste no PIB nacional saltou de 9,6% para 12,1%, enquanto a do Norte passou de 4,9% para 5,9%. Em contrapartida, o Sudeste viu sua fatia cair de 55,4% para 51,9%, e o Sul, de 17,2% para 16,8%. Essa "marcha para o Oeste" e para o Norte, impulsionada pela expansão da fronteira agrícola e pela modernização do campo, tem redistribuído a riqueza e o poder econômico pelo território brasileiro. A capacidade de produção em larga escala, a adaptação a diferentes biomas e o investimento em pesquisa e desenvolvimento (como a Embrapa) foram cruciais para essa transformação, permitindo que o Brasil se tornasse uma potência agrícola global.

Impactos Econômicos da Agropecuária: Além da Porteira

Os impactos do crescimento impulsionado pela agropecuária vão muito além das lavouras e pastagens. Para os estados em crescimento, essa pujança se traduz em:

  • Aumento da arrecadação: Maiores volumes de produção e exportação geram mais impostos (ICMS, IPI, etc.), fortalecendo os orçamentos estaduais e municipais.
  • Geração de empregos: O agronegócio, embora cada vez mais tecnológico, ainda demanda mão de obra, tanto direta (no campo) quanto indireta (em indústrias de processamento, transporte, comércio de insumos, serviços veterinários, etc.).
  • Atração de investimentos: O dinamismo do setor atrai capital para a expansão de infraestrutura, novas tecnologias e diversificação de atividades relacionadas.
  • Desenvolvimento regional: O crescimento econômico impulsiona o comércio local, o setor de serviços e a melhoria da qualidade de vida nas cidades do interior.

Para o Brasil como um todo, a agropecuária desempenha um papel crucial como:

  • Motor das exportações: O agronegócio é o principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira, gerando divisas que são essenciais para a estabilidade econômica do país.
  • Segurança alimentar global: O Brasil se consolida como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, contribuindo para a segurança alimentar de diversas nações.
  • Resiliência econômica: Em momentos de crise em outros setores, a agropecuária frequentemente atua como um amortecedor, garantindo um piso de atividade econômica e exportações.

No entanto, esse crescimento também exige investimentos massivos em infraestrutura. A expansão da produção demanda melhores rodovias, ferrovias, hidrovias e portos para escoar a safra. A capacidade de armazenagem precisa acompanhar o volume produzido, e a oferta de energia e conectividade digital são vitais para a modernização contínua do campo.

Desafios e Perspectivas Futuras: Equilibrando Crescimento e Sustentabilidade

Apesar do cenário promissor, o crescimento impulsionado pela agropecuária não está isento de desafios e exige uma visão estratégica para o futuro.

  • Sustentabilidade Ambiental: A expansão da fronteira agrícola, especialmente em biomas sensíveis como a Amazônia e o Cerrado, levanta preocupações ambientais. A pressão por desmatamento, o uso de recursos hídricos e a emissão de gases de efeito estufa são questões críticas. O futuro do agronegócio brasileiro passa necessariamente pela adoção de práticas mais sustentáveis, como a agricultura de baixo carbono, a recuperação de pastagens degradadas e a conformidade com as leis ambientais. A conciliação entre produção e preservação é um imperativo, tanto para a imagem do Brasil no cenário internacional quanto para a longevidade do próprio setor.
  • Infraestrutura Logística: O gargalo logístico é um desafio persistente. A distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, a precariedade de algumas rodovias e a subutilização de modais mais eficientes como ferrovias e hidrovias encarecem o custo de produção e reduzem a competitividade. Investimentos contínuos e planejamento de longo prazo são essenciais para otimizar o escoamento da safra.
  • Dependência de Commodities: A forte dependência de commodities agrícolas expõe a economia desses estados e do Brasil a flutuações de preços no mercado internacional, que são influenciadas por fatores geopolíticos, climáticos e econômicos globais. Uma queda abrupta nos preços pode impactar severamente a rentabilidade e o crescimento.
  • Potencial de Diversificação Econômica: Para garantir um desenvolvimento mais robusto e resiliente, é fundamental que esses estados busquem a diversificação de suas economias. Isso inclui a agregação de valor aos produtos agrícolas (agroindústria), o desenvolvimento de setores de serviços especializados (logística, tecnologia para o campo), e a exploração de outras vocações econômicas regionais. A criação de um ambiente favorável para a inovação e o empreendedorismo pode ajudar a reduzir a dependência exclusiva da produção primária.

Conclusão: Um Novo Brasil no Horizonte

O ano de 2023 reforçou a narrativa de um Brasil em transformação, onde a agropecuária se consolida como um dos principais motores de desenvolvimento regional. A capacidade de oito estados de superarem a média nacional de crescimento, impulsionados pelo campo, não é apenas um dado estatístico, mas um indicativo de uma reconfiguração do mapa econômico do país. A "marcha para o Oeste" e para o Norte, que começou há décadas, agora se manifesta em números robustos, com estados como Mato Grosso redefinindo sua importância no PIB nacional.

Este cenário, embora promissor, exige uma gestão cuidadosa. O desafio é equilibrar o ímpeto produtivo com a responsabilidade ambiental, investir massivamente em infraestrutura para sustentar o crescimento e buscar a diversificação econômica para mitigar riscos. O Brasil do futuro, com sua vocação agrícola inegável, tem a oportunidade de construir um modelo de desenvolvimento que seja ao mesmo tempo próspero, inclusivo e sustentável, garantindo que a riqueza gerada no campo beneficie a todos os brasileiros e se perpetue para as próximas gerações.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Capacidade de Armazenagem Agrícola no Brasil Cresce 1,8% em 2025

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O Brasil registrou um aumento significativo em sua capacidade de armazenamento agrícola, alcançando 231,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025. Este volume representa um crescimento de 1,8% em relação ao semestre anterior, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de estabelecimentos de armazenagem também cresceu, atingindo 9.624 unidades, um acréscimo de 1,2% frente ao segundo semestre de 2024.

A expansão foi observada em quase todas as Grandes Regiões do país, com destaque para o Norte (4,2%), Centro-Oeste (1,9%), Sudeste (1,1%) e Sul (0,5%). Apenas o Nordeste manteve estabilidade no número de estabelecimentos (0,0%). O Rio Grande do Sul lidera em quantidade de unidades armazenadoras, com 2.454, seguido por Mato Grosso (1.787) e Paraná (1.382).

Estoques de Produtos Agrícolas: Soja em Destaque, Milho em Queda

A pesquisa do IBGE também detalhou os estoques dos cinco principais produtos agrícolas. A soja se destacou com o maior volume, totalizando 48,8 milhões de toneladas e um aumento de 12,8% em comparação com o segundo semestre de 2024. Em contrapartida, os estoques de milho apresentaram uma queda expressiva de 44,6%, somando 18,1 milhões de toneladas. O arroz registrou alta de 23,5% (6,1 milhões de toneladas), enquanto trigo e café tiveram quedas de 9,0% (2,4 milhões de toneladas) e 22,9% (0,6 milhão de toneladas), respectivamente. No total, a pesquisa monitorou 79,4 milhões de toneladas de produtos.

Silos e Graneleiros Impulsionam a Capacidade Nacional

A predominância dos silos na estrutura de armazenagem nacional é evidente, com uma capacidade de 123,2 milhões de toneladas, correspondendo a 53,3% da capacidade útil total. Os silos registraram um acréscimo de 2,2% em sua capacidade em relação ao semestre anterior. Os armazéns graneleiros e granelizados também contribuíram significativamente, atingindo 84,2 milhões de toneladas (36,4% da capacidade total), com um aumento de 2,0%. Em contraste, os armazéns convencionais, estruturais e infláveis tiveram uma queda de 0,8%, somando 23,8 milhões de toneladas e representando 10,3% da capacidade total.

Mato Grosso Lidera em Capacidade, Sorriso é o Município com Maior Volume

Mato Grosso mantém sua posição de destaque com a maior capacidade de armazenagem do país, totalizando 63,0 milhões de toneladas. Deste montante, 57,9% são armazéns graneleiros e 37,8% são silos. Rio Grande do Sul e Paraná seguem com 38,7 e 35,9 milhões de toneladas, respectivamente, com silos sendo o tipo predominante nesses estados.

Entre os dez municípios com maior capacidade instalada, sete estão em Mato Grosso. Sorriso se destaca como o município com a maior capacidade do Brasil, com 5,6 milhões de toneladas, onde os armazéns graneleiros respondem por 75,7% do total. Em Goiás, Rio

UF

Número de Estabelecimentos

Capacidade Total (t)

Convencional (1) (t)

Graneleiro (t)

Silo (t)

BRASIL

9.624

231.143.370

23.771.546

84.185.649

123.186.175

RO

177

2.891.655

322.645

626.258

1.942.752

AC

23

96.720

12.900

0

83.820

AM

8

452.225

10.080

396.368

45.777

RR

19

374.340

12.200

0

362.140

PA

109

3.115.480

147.446

782.450

2.185.584

AP

10

228.836

54.168

28.668

146.000

TO

204

4.441.767

324.882

1.184.700

2.932.185

MA

95

3.312.630

58.010

1.820.000

1.434.620

PI

123

3.784.840

281.353

1.278.582

2.224.905

CE

70

948.994

531.567

52.758

364.669

RN

11

59.062

59.062

0

0

PB

14

318.401

89.761

11.380

217.260

PE

27

401.422

148.173

4.609

248.640

AL

9

77.329

16.829

19.800

40.700

SE

8

90.452

31.012

13.440

46.000

BA

167

5.561.798

519.686

2.171.495

2.870.617

MG

467

9.713.475

3.911.803

2.119.163

3.682.509

ES

86

1.365.166

719.402

508.000

137.764

RJ

10

137.996

5.778

11.653

120.565

SP

665

12.655.051

2.898.859

2.968.098

6.788.094

PR

1.382

35.907.475

4.878.860

10.557.861

20.470.754

SC

353

6.566.280

467.080

1.111.774

4.987.426

RS

2.454

38.722.819

2.983.321

8.217.307

27.522.191

MS

593

14.380.635

685.717

4.243.118

9.451.800

MT

1.787

62.983.691

2.692.193

36.470.987

23.820.511

GO

735

22.121.415

1.654.663

9.549.180

10.917.572

DF

18

433.420

254.100

38.000

141.320

 Verde é o principal polo, enquanto Ponta Grossa se sobressai no Paraná e Santos, em São Paulo, é crucial para a armazenagem portuária.

Crescimento Histórico: Mais de 110% de Aumento desde 1997

A série histórica da Pesquisa de Estoques do IBGE revela um crescimento robusto na capacidade útil total instalada, que aumentou 110,1% desde 1997, passando de 110,0 para os atuais 231,1 milhões de toneladas. Enquanto os armazéns convencionais viram sua capacidade cair 56,0%, os graneleiros e silos registraram crescimentos impressionantes de 146,6% e 463,0%, respectivamente, impulsionados pela expansão da produção nacional de grãos.

Brasil Projeta Safra Recorde de Grãos em 2025/26, Mas Clima Adverso Acende Alerta

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O Brasil se prepara para uma safra de grãos histórica em 2025/26, com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetando uma produção de 354,8 milhões de toneladas. O volume representa um salto significativo, impulsionado por um aumento de 3,3% na área cultivada, que deve atingir 84,4 milhões de hectares. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (13) no 2º Levantamento de Grãos da Safra 2025/26, que aponta uma produtividade média nacional de 4.203 quilos por hectare. Contudo, a Conab mantém o monitoramento atento às condições climáticas, que já apresentam desafios em importantes regiões produtoras.

Visão Geral: Crescimento e Desafios Climáticos

A segunda estimativa para a safra de grãos 2025/26 reafirma o potencial produtivo do agronegócio brasileiro. Com a área cultivada expandindo para 84,4 milhões de hectares, a expectativa é de um volume recorde. No entanto, a Conab ressalta a necessidade de acompanhar de perto os eventos climáticos. Irregularidades nas chuvas em Mato Grosso e atrasos em Goiás, além de eventos adversos no Paraná, são fatores que podem influenciar o desempenho final das lavouras, exigindo qualificação contínua das informações.

Soja: Expansão da Área e Ritmo de Plantio

Para a soja, carro-chefe da produção agrícola brasileira, o levantamento da Conab indica um incremento de 3,6% na área a ser semeada em 2025/26, totalizando 49,1 milhões de hectares. A produção estimada é de impressionantes 177,6 milhões de toneladas. O plantio da oleaginosa, conforme o Progresso de Safra da estatal, segue dentro da média dos últimos cinco anos, mas com atraso em comparação com a temporada anterior, especialmente em Goiás e Minas Gerais, onde os índices de chuvas não foram satisfatórios. Em Mato Grosso, a instabilidade climática de outubro resultou em condições de implantação não ideais, com déficit hídrico comprometendo o estabelecimento inicial da cultura em algumas áreas.

Milho: Redução na Produção Total, Mas Primeira Safra Otimista

A produção total de milho em 2025/26, somando as três safras, está estimada em 138,8 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 1,6% em relação ao ciclo anterior. Contudo, a primeira safra do cereal mostra um cenário mais positivo, com a área cultivada crescendo 7,1% e uma produção prevista de 25,9 milhões de toneladas. O plantio do primeiro ciclo já atingiu 47,7% da área, superando ligeiramente a média dos últimos cinco anos. Apesar de baixas temperaturas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul terem retardado o desenvolvimento inicial, o potencial produtivo não foi comprometido. No Paraná, chuvas intensas, ventos fortes e granizo no início de novembro podem impactar lavouras, e a Conab segue avaliando os possíveis efeitos.

Arroz: Menor Área Cultivada Impacta Produção

A estimativa da Conab para a produção de arroz na atual temporada é de 11,3 milhões de toneladas, uma redução de 11,5% em relação à safra anterior, influenciada principalmente pela menor área cultivada. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a semeadura alcança mais de 78% do previsto. Apesar de atrasos em algumas áreas devido ao excesso de chuvas que impediram a entrada de maquinário, as lavouras têm se desenvolvido satisfatoriamente, embora com irregularidade no volume e intensidade das precipitações.

Feijão: Estabilidade na Colheita Total, Mas Queda na Primeira Safra

Para o feijão, a Conab projeta uma colheita total de 3,1 milhões de toneladas, somando as três safras, volume semelhante ao obtido no ciclo passado. A primeira safra da leguminosa, no entanto, deve apresentar uma redução de 7,3% na área plantada, totalizando 841,9 mil hectares, com expectativa de produção de 977,9 mil toneladas, 8% inferior à safra passada. O plantio segue em andamento nos principais estados produtores, com São Paulo já concluído, Paraná com 91% e Minas Gerais com 44%.

Trigo: Condições Favoráveis, Mas Alerta para Investimentos

Entre as culturas de inverno, a safra de trigo 2025 ainda está em fase de colheita, com produção estimada em 7,7 milhões de toneladas. As condições climáticas foram geralmente favoráveis ao desenvolvimento da cultura nas principais regiões produtoras. No entanto, a Conab observa que a redução nos investimentos em insumos, como fertilizantes e defensivos, tornou as lavouras mais suscetíveis a doenças e limitou o aproveitamento do potencial produtivo, resultando em espigas menores e com menor número de grãos. Chuvas intensas no Paraná, no início de novembro, também podem influenciar as lavouras remanescentes.

Mercado e Perspectivas: Demanda Aquecida e Exportações em Alta

No cenário de mercado, a Conab prevê um aumento de 4,5% no consumo interno de milho na safra 2025/26, atingindo 94,6 milhões de toneladas, impulsionado pela maior demanda para produção de etanol. As exportações do cereal também devem avançar, podendo chegar a 46,5 milhões de toneladas. Para a soja, com a expectativa de redução nas exportações dos Estados Unidos e o aumento da demanda global, o Brasil projeta um crescimento expressivo nas exportações, que podem atingir 112,1 milhões de toneladas na temporada 2025/26, um aumento de 5,11%. A elevação na mistura obrigatória de biodiesel ao diesel e a crescente demanda por proteína vegetal devem levar o volume de soja destinado ao esmagamento a 59,37 milhões de toneladas em 2026, um aumento de 1,37%.

Otimismo Cauteloso para o Agronegócio Brasileiro

Apesar dos desafios climáticos pontuais e da necessidade de monitoramento constante, o agronegócio brasileiro demonstra resiliência e um forte potencial de crescimento para a safra 2025/26. As projeções da Conab, divulgadas no 2º Levantamento de Grãos da Safra 2025/26, indicam um cenário de produção recorde e exportações robustas, consolidando a posição do Brasil como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. A atenção às condições de clima e a gestão eficiente dos recursos serão cruciais para transformar essas estimativas em realidade.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A Medicina Andina: Saberes Ancestrais e Harmonia com a Natureza

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A medicina andina fundamenta-se no vínculo ancestral entre saúde, natureza e saberes tradicionais, constituindo um sistema holístico que integra práticas fitoterápicas, ritos espirituais, intervenções cirúrgicas rudimentares e estratégias alimentares adaptadas às condições extremas das regiões montanhosas dos Andes. Mais do que um conjunto de técnicas, ela representa uma filosofia de vida baseada no equilíbrio entre corpo, espírito e ambiente.

Plantas Medicinais Andinas

A fitoterapia ocupa papel central na medicina andina, sendo as plantas nativas utilizadas tanto como alternativa quanto como complemento aos tratamentos convencionais. Entre as espécies mais emblemáticas destacam-se:

  • Coca (Erythroxylum coca), utilizada como estimulante, analgésico e aliada no combate aos efeitos da altitude;
  • Maca (Lepidium meyenii), reconhecida por aumentar a vitalidade e o equilíbrio hormonal;
  • Camu camu (Myrciaria dubia), fonte de vitamina C;
  • Kiwicha (amaranto) e quinoa, de alto valor proteico;
  • Boldo e calêndula, aplicados no tratamento de distúrbios digestivos e inflamatórios.

Pesquisas fitoquímicas revelam que alcaloides, flavonoides, óleos essenciais e saponinas estão presentes nessas plantas, justificando sua eficácia no tratamento de enfermidades respiratórias, gastrointestinais e inflamatórias. A combinação entre tradição empírica e conhecimento científico contemporâneo mostra o valor da medicina natural andina.

Técnica de Trepanação: A Cirurgia Ancestral

Entre as práticas médicas mais impressionantes das civilizações andinas está a trepanação, cirurgia que consistia na perfuração do crânio para aliviar pressões intracranianas e dores severas.
Vestígios arqueológicos revelam que muitos pacientes sobreviveram ao procedimento, o que demonstra domínio anatômico e uso de anestésicos vegetais como a coca. Essa técnica comprova o avanço do conhecimento médico na antiguidade americana, séculos antes da medicina moderna.

Dieta Tradicional Andina

A dieta andina é adaptada às altitudes e ao clima rigoroso da região. Alimentos como chuño (batata desidratada), quinoa, milho-roxo, oca, batata-doce e folhas silvestres (como atacco, lliccha e culis) garantem equilíbrio nutricional e resistência física.
O consumo cotidiano da folha de coca, em infusões ou mascada, auxilia o metabolismo energético e a oxigenação do sangue, sendo essencial para quem vive acima de 3.000 metros de altitude.

Práticas de Conservação dos Alimentos

As civilizações andinas desenvolveram métodos engenhosos de preservação alimentar, como:

  • Liofilização natural (chuño), que usa o frio noturno e o sol diurno para desidratar tubérculos;
  • Fermentação e desidratação de grãos;
  • Armazenamento em vasilhas de barro e pedra, que controlam temperatura e umidade.

Essas práticas garantiram segurança alimentar e sustentabilidade, permitindo o aproveitamento dos recursos locais de forma eficiente. Hoje, são vistas como modelos de conservação ecológica e cultural.

Conclusão

A medicina andina revela a sabedoria de um povo que aprendeu a viver em harmonia com os Andes. Seu legado combina botânica, nutrição e espiritualidade em um sistema integrado de saúde. Resgatar esses saberes é reconhecer que o conhecimento tradicional continua oferecendo respostas atuais para os desafios da vida moderna e da sustentabilidade planetária.

Referências Bibliográficas

ARGENTA, S. C. et al. Plantas medicinais: cultura popular versus ciência. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba – UFPB, 2019.

BORGES, J. T. Características físico-químicas, nutricionais e formas de apresentação da quinoa. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2018.

EMBRAPA. Agricultura de montanha. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2020. Disponível em: https://www.embrapa.br. Acesso em: 27 out. 2025.

EMBRAPA. Alimentos, conhecimentos e histórias do Brasil. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br. Acesso em: 27 out. 2025.

LEITE, M. J. H. et al. Levantamento das plantas medicinais utilizadas pela população de São José dos Cordeiros – PB. Patos: Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, 2019.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

IBGE: Produção de grãos deve crescer 11,1% em 2025 e atingir 325,3 milhões de toneladas

Setor agropecuário registra alta na produção, impulsionado por soja, milho e arroz

PixaBay
A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 325,3 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 11,1% em relação à safra de 2024, que totalizou 292,7 milhões de toneladas. O aumento é equivalente a 32,6 milhões de toneladas e também representa um acréscimo de 0,8% (2,7 milhões de toneladas) em relação à estimativa divulgada em dezembro de 2024. A área a ser colhida também cresceu, chegando a 80,9 milhões de hectares, 2,4% maior que no ano anterior.

Os três principais produtos do setor continuam sendo a soja, o milho e o arroz, que juntos representam 92,9% da produção estimada e 87,5% da área colhida. Destaque para a soja, com previsão de 166,5 milhões de toneladas, e para o milho, cuja projeção é de 124,1 milhões de toneladas, divididos entre a primeira safra (25,2 milhões de toneladas) e a segunda safra (98,9 milhões de toneladas). A produção de arroz deve atingir 11,5 milhões de toneladas.

Entre as regiões do país, a Centro-Oeste segue liderando a produção nacional de grãos, com 48,9% do total, seguida pelo Sul (27,8%), Sudeste (8,8%), Nordeste (8,7%) e Norte (5,8%). Mato Grosso permanece como o maior produtor do Brasil, com 29,7% da produção total, seguido pelo Paraná (13,4%) e Rio Grande do Sul (12,4%).

 

O setor também registrou crescimento na produção de algodão herbáceo (1,6%), arroz (8,3%), feijão (10,9%), soja (14,9%) e milho (8,2%). Por outro lado, houve uma redução de 3,3% na produção de trigo.

Os dados indicam que 2025 deve ser um ano promissor para a produção agropecuária no Brasil, impulsionada por boas condições climáticas e pelo avanço tecnológico no campo.