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A resposta não é única, mas nos leva a uma viagem fascinante
pela história colonial e pela linguística Tupi.
A Teoria Mais Poética: O Canto da Jandaia
A versão mais difundida e popularizada, especialmente
através da literatura de José de Alencar — o maior romancista cearense
—, atribui ao nome um significado sonoro e poético. Segundo essa corrente,
Ceará (ou originalmente Siará) derivaria da composição tupi de cemo
(cantar forte, clamar) e ara (pequena arara ou periquito, conhecidos
como jandaia).
Portanto, Ceará significaria "O Canto da
Jandaia".
Essa interpretação ganha força histórica devido à abundância
dessas aves na região durante o início da colonização portuguesa, no século
XVII. A "Terra dos Papagaios", como o Brasil já foi chamado, tinha no
Ceará um reduto específico dessas aves coloridas e barulhentas.
A Teoria Geográfica: As Águas Verdes
Há, no entanto, historiadores e tupinólogos — como Teodoro
Sampaio — que defendem uma origem ligada à paisagem litorânea. Para estes
estudiosos, o nome viria de Siro-Ará.
Nesta composição, Siro significaria verde e Ará
significaria águas (ou mar). Assim, Ceará traduzir-se-ia como "Águas
Verdes" ou "Mar Verde". Quem conhece o litoral
cearense, com suas águas tépidas e de um verde-esmeralda característico,
encontra nesta teoria uma descrição visual perfeita da costa que encantou os
primeiros navegadores europeus.
A Evolução Histórica: De Siará Grande a Ceará
Independentemente da etimologia exata, o nome consolidou-se
na história administrativa do Brasil. Inicialmente, a região era conhecida como
o Capitania do Siará Grande. A grafia com "S" perdurou por
séculos em documentos oficiais e mapas cartográficos.
A mudança ortográfica para "Ceará" ocorreu
gradualmente, acompanhando as reformas da língua portuguesa, mas a pronúncia e
a alma do nome permaneceram inalteradas.
O nome carrega, portanto, uma dualidade que define o próprio
estado: a beleza natural de suas águas e a vivacidade sonora de sua fauna,
ambas imortalizadas na língua dos povos originários que ali resistiram e
viveram.
Referências Bibliográficas
ALENCAR, José de. Iracema: Lenda do Ceará. Rio
de Janeiro: B. L. Garnier, 1865.
GIRÃO, Raimundo. Pequena História do Ceará.
Fortaleza: Editora Instituto do Ceará, 1962.
SAMPAIO, Teodoro. O Tupi na Geografia Nacional.
São Paulo: Editora Nacional, 1987.
POMPEU SOBRINHO, Thomaz. História do Ceará.
Fortaleza: Edições UFC, 2010.
