A busca por uma matriz energética mais limpa, segura e
economicamente viável é um pilar fundamental para o desenvolvimento
sustentável. A escolha e a combinação dessas fontes não dependem apenas de seu
potencial técnico, mas também de fatores como custo de implantação, eficiência
operacional, impacto ambiental e, crucialmente, a viabilidade em diferentes
regiões geográficas do país. Entender as particularidades de cada uma é
essencial para traçar o caminho da energia brasileira.
Este artigo explora as características, custos e eficiências
da energia solar, eólica e hidrelétrica no contexto brasileiro, analisando sua
viabilidade regional e a importância de uma matriz energética híbrida para
garantir a segurança e a sustentabilidade do fornecimento de eletricidade.
Comparação de Custos
A análise de custo-benefício das fontes de energia é
frequentemente medida pelo Custo Nivelado de Energia (LCOE - Levelized Cost of
Energy), que considera os custos de capital, operação e manutenção ao longo da
vida útil de um projeto. No Brasil, as energias renováveis têm demonstrado uma
competitividade crescente.
A energia solar fotovoltaica, por exemplo, apresenta um LCOE
médio de US$ 0,048/kWh, tornando-se uma opção cada vez mais
atraente. Já a energia eólica se destaca com um dos menores LCOE, variando em
torno de US$ 0,030/kWh, consolidando-se como uma das fontes mais
competitivas do mercado. A energia hidrelétrica, embora com custos iniciais de
implantação elevados e longos prazos de construção, possui um LCOE que pode ser
comparável ou até superior às novas renováveis, especialmente quando se
consideram os custos ambientais e sociais associados à formação de grandes
reservatórios. A longevidade e a capacidade de despacho das hidrelétricas,
contudo, ainda conferem um valor estratégico inegável.
Eficiência Energética
A eficiência e a capacidade de geração de cada fonte são
cruciais para a segurança do sistema elétrico. Em 2024, o Brasil atingiu um
recorde de expansão da capacidade instalada, adicionando 10.853,35 MW à
sua matriz, sendo que 91,13% desse total veio de fontes eólica
e solar. Isso demonstra a forte aposta do país nessas tecnologias.
A matriz elétrica total do Brasil alcançou 172 GW em
2024. Nesse ano, a energia eólica e solar, juntas, geraram 24% da
eletricidade do país, um marco significativo que reflete o avanço dessas
fontes. No entanto, a intermitência dessas fontes também apresenta desafios. Em
2024, os cortes na geração solar e eólica, devido à falta de infraestrutura de
transmissão ou excesso de oferta em determinados momentos, somaram 400
mil horas, evidenciando a necessidade de investimentos em redes e sistemas
de armazenamento. A energia hidrelétrica, por sua vez, oferece uma geração mais
estável e despachável, embora dependente do regime hídrico, que pode ser
afetado por secas prolongadas.
Viabilidade por Região Geográfica
A diversidade geográfica do Brasil confere a cada região um
potencial distinto para as diferentes fontes de energia:
- Nordeste: É
a região com maior destaque para a energia eólica, devido aos ventos
constantes e de alta velocidade, e também para a solar, pela alta
irradiação solar.
- Centro-Oeste: Possui
um vasto potencial para a energia solar, com grandes áreas abertas e alta
incidência de luz solar.
- Sul: Apresenta
bom potencial eólico, especialmente em áreas costeiras e de planalto, e
também contribui com a geração hidrelétrica.
- Norte: É
a região com o maior potencial hidrelétrico, abrigando grandes rios e
bacias hidrográficas, embora a construção de novas usinas enfrente
crescentes desafios ambientais e sociais.
- Sudeste: Com
uma demanda energética elevada, a região se beneficia de um mix de fontes,
incluindo hidrelétricas existentes, e um crescente investimento em solar
distribuída e eólica em áreas específicas.
Matriz Energética Híbrida
A pergunta "qual é a melhor fonte?" não tem uma
resposta única, mas sim uma solução integrada: a matriz energética híbrida. A
combinação inteligente de diferentes fontes renováveis é a estratégia mais
robusta para o Brasil. A complementaridade entre solar (que gera mais durante o
dia) e eólica (que muitas vezes gera mais à noite ou em períodos de menor
irradiação solar) pode suavizar a intermitência e otimizar o uso da
infraestrutura de transmissão.
A energia hidrelétrica, com sua capacidade de armazenamento
e despacho, atua como um pilar de segurança para o sistema, compensando as
flutuações das fontes intermitentes. A integração dessas fontes, juntamente com
o desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia e a modernização
da rede elétrica, é fundamental para garantir a estabilidade e a confiabilidade
do fornecimento. O Brasil tem como meta alcançar uma participação ainda maior
de fontes renováveis em sua matriz elétrica, visando a sustentabilidade e a
redução das emissões de gases de efeito estufa.
Conclusão
Não existe uma única "melhor" fonte de energia
para o Brasil, mas sim uma combinação estratégica que otimiza os recursos
naturais do país e atende às suas necessidades energéticas. A energia
hidrelétrica continua sendo um pilar fundamental, enquanto a solar e a eólica
emergem como forças motrizes da expansão e diversificação da matriz. Os dados
de 2024, com a expressiva expansão de 10.853,35 MW dominada
por solar e eólica, e a geração conjunta de 24% da
eletricidade do país por essas fontes, atestam a sua crescente relevância.
Os desafios, como os 400 mil horas de cortes na geração, ressaltam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura e tecnologias de armazenamento. A chave para o futuro energético do Brasil reside na construção de uma matriz híbrida e resiliente, que aproveite o potencial de cada região, promova a competitividade dos custos e garanta um fornecimento de energia limpa, segura e abundante para as próximas gerações.
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