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Os EUA, com o orgulho ferido por conta de os russos terem
saído na frente na corrida espacial, traçaram uma meta ambiciosa e de custo
astronômico: levar o homem à Lua e trazê-lo de volta a salvo até o final de
1969. Esse projeto exigiria a construção do maior e mais poderoso veículo de
lançamento já feito pela engenharia humana: o Saturn V.
Correndo Atrás do Prejuízo
Antes da virada para a década de 1960, o programa espacial
Apollo não existia, tampouco havia um foguete norte-americano capaz de enviar
uma sonda tripulada à Lua. Tudo o que os EUA pareciam conseguir fazer era
correr atrás do prejuízo em relação aos soviéticos.
A União Soviética havia conquistado marcos impressionantes:
- 1957:
Lançaram o primeiro satélite artificial na órbita terrestre, o Sputnik
1.
- 1961:
Realizaram o primeiro voo orbital humano ao redor da Terra, com o
cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok 1.
Foi sob esse clima de urgência que o presidente John F.
Kennedy se dirigiu a uma sessão conjunta do Congresso americano, apenas um
mês após o feito de Gagarin. Para restaurar o prestígio da nação, ele ousou
fazer uma promessa grandiosa: anunciou que os EUA levariam um homem à Lua antes
do fim da década.
Embora Kennedy tenha sido tragicamente assassinado em 1963,
sua palavra seria mantida com a aterrissagem da Apollo 11 em solo lunar,
em julho de 1969.
A Engenharia do Colosso Saturn V
Para cumprir a promessa de Kennedy, a NASA precisava de um
veículo sem precedentes. Liderada pelo engenheiro aeroespacial alemão Wernher
von Braun, a equipe desenvolveu o Saturn V, um foguete de três estágios que
até hoje detém o título de mais alto, mais pesado e mais potente já operado.
Principais características do Saturn V:
- Altura
impressionante: Com 110,6 metros de altura, era mais alto que a
Estátua da Liberdade (93 metros).
- Peso
massivo: Totalmente abastecido, pesava quase 3 mil toneladas (o
equivalente a cerca de 400 elefantes adultos).
- Potência
incomparável: Seu primeiro estágio era impulsionado por cinco motores F-1,
que consumiam impressionantes 15 toneladas de combustível por segundo,
gerando força suficiente para tirar o gigante do chão e vencer a gravidade
da Terra.
O Saturn V teve uma taxa de sucesso impecável: dos 13
lançamentos realizados entre 1967 e 1973 (incluindo as missões Apollo e o
lançamento da estação espacial Skylab), nenhum foguete falhou.
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| Domínio Público |
O Passado Encontra o Futuro: O Almoço da Apollo 8
A tensão antes de um lançamento era enorme. Entre 1961 e
1968, testes não tripulados acumularam diversas falhas e a corrida espacial já
havia cobrado seu preço, como a fatalidade do cosmonauta soviético Vladimir
Komarov em 1967 e a tragédia da Apollo 1 com astronautas americanos no mesmo
ano.
Em 20 de dezembro de 1968, véspera da decolagem da Apollo
8, a tripulação sentou-se para almoçar. A missão deles não seria pousar na
Lua, mas seu voo espacial histórico seria o primeiro a levar humanos para além
da órbita terrestre e ao redor do nosso satélite natural.
Em condições normais, a tripulação não recebia visitas antes
de uma missão por conta do risco de infecções. No entanto, abriu-se uma exceção
para um convidado-surpresa: Charles Lindbergh (1902-1974), o lendário
aviador e primeiro homem a atravessar o Atlântico em um voo solo sem paradas,
em 1927.
O encontro de gerações
Durante o almoço, Lindbergh contou à tripulação sobre seu
encontro com Robert Goddard (o "pai" da ciência moderna de foguetes)
na década de 1930. Naquela época, Goddard estimava que uma viagem à Lua poderia
custar 1 milhão de dólares. O custo real do programa Apollo provou-se
exponencialmente maior: somente em 1966, o orçamento da NASA chegou a 4,5
bilhões de dólares (cerca de 0,5% de todo o PIB dos EUA na época).
Quando o lançamento se aproximava, Lindbergh perguntou aos
astronautas quanto combustível eles iriam usar para a decolagem. Um dos
tripulantes calculou rapidamente e respondeu: 20 toneladas por segundo. O
aviador, maravilhado, comentou:
"No primeiro segundo do seu voo de amanhã, vocês
terão gastado 10 vezes mais combustível do que eu em toda a minha viagem até
Paris".
O Legado
O Saturn V não foi apenas uma máquina; foi o símbolo de uma
era onde não parecia haver limites para a inovação. Ele culminou no sucesso da
Apollo 11 em 1969 e continuou servindo em missões posteriores, sendo aposentado
na década de 1970.
Até hoje, a engenharia desenvolvida para este colosso serve
como base e inspiração para a nova geração de foguetes, como o SLS (Space
Launch System) da missão Artemis e a Starship da SpaceX.
Referências Bibliográficas
CHALINE, Erich. 50 máquinas que mudaram o rumo da
história. Tradução de Fabiano Moraes. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.
(Fonte base)
NASA (National Aeronautics and Space Administration).
Saturn V Fact Sheet. Arquivos Históricos do Programa Apollo.
HANSEN, James R. O Primeiro Homem: A vida de Neil
Armstrong. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.
MURRAY, Charles; COX, Catherine Bly. Apollo: The
Race to the Moon. Simon & Schuster, 1989.


