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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Foguete Saturn V: O Gigante que Levou a Humanidade à Lua

Imagem desenvolvida por IA
O míssil alemão V2, desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial, assentou as bases tecnológicas para os programas espaciais dos Estados Unidos e da União Soviética. Apenas dezesseis anos após o fim do conflito, tanto russos quanto norte-americanos já estariam competindo para levar o homem ao espaço, inaugurando um dos períodos mais fascinantes do século XX.

Os EUA, com o orgulho ferido por conta de os russos terem saído na frente na corrida espacial, traçaram uma meta ambiciosa e de custo astronômico: levar o homem à Lua e trazê-lo de volta a salvo até o final de 1969. Esse projeto exigiria a construção do maior e mais poderoso veículo de lançamento já feito pela engenharia humana: o Saturn V.

By NASA

Correndo Atrás do Prejuízo

Antes da virada para a década de 1960, o programa espacial Apollo não existia, tampouco havia um foguete norte-americano capaz de enviar uma sonda tripulada à Lua. Tudo o que os EUA pareciam conseguir fazer era correr atrás do prejuízo em relação aos soviéticos.

A União Soviética havia conquistado marcos impressionantes:

  • 1957: Lançaram o primeiro satélite artificial na órbita terrestre, o Sputnik 1.
  • 1961: Realizaram o primeiro voo orbital humano ao redor da Terra, com o cosmonauta Yuri Gagarin a bordo da nave Vostok 1.

Foi sob esse clima de urgência que o presidente John F. Kennedy se dirigiu a uma sessão conjunta do Congresso americano, apenas um mês após o feito de Gagarin. Para restaurar o prestígio da nação, ele ousou fazer uma promessa grandiosa: anunciou que os EUA levariam um homem à Lua antes do fim da década.

Embora Kennedy tenha sido tragicamente assassinado em 1963, sua palavra seria mantida com a aterrissagem da Apollo 11 em solo lunar, em julho de 1969.

A Engenharia do Colosso Saturn V

Para cumprir a promessa de Kennedy, a NASA precisava de um veículo sem precedentes. Liderada pelo engenheiro aeroespacial alemão Wernher von Braun, a equipe desenvolveu o Saturn V, um foguete de três estágios que até hoje detém o título de mais alto, mais pesado e mais potente já operado.

Principais características do Saturn V:

  • Altura impressionante: Com 110,6 metros de altura, era mais alto que a Estátua da Liberdade (93 metros).
  • Peso massivo: Totalmente abastecido, pesava quase 3 mil toneladas (o equivalente a cerca de 400 elefantes adultos).
  • Potência incomparável: Seu primeiro estágio era impulsionado por cinco motores F-1, que consumiam impressionantes 15 toneladas de combustível por segundo, gerando força suficiente para tirar o gigante do chão e vencer a gravidade da Terra.

O Saturn V teve uma taxa de sucesso impecável: dos 13 lançamentos realizados entre 1967 e 1973 (incluindo as missões Apollo e o lançamento da estação espacial Skylab), nenhum foguete falhou.

Domínio Público

O Passado Encontra o Futuro: O Almoço da Apollo 8

A tensão antes de um lançamento era enorme. Entre 1961 e 1968, testes não tripulados acumularam diversas falhas e a corrida espacial já havia cobrado seu preço, como a fatalidade do cosmonauta soviético Vladimir Komarov em 1967 e a tragédia da Apollo 1 com astronautas americanos no mesmo ano.

Em 20 de dezembro de 1968, véspera da decolagem da Apollo 8, a tripulação sentou-se para almoçar. A missão deles não seria pousar na Lua, mas seu voo espacial histórico seria o primeiro a levar humanos para além da órbita terrestre e ao redor do nosso satélite natural.

Em condições normais, a tripulação não recebia visitas antes de uma missão por conta do risco de infecções. No entanto, abriu-se uma exceção para um convidado-surpresa: Charles Lindbergh (1902-1974), o lendário aviador e primeiro homem a atravessar o Atlântico em um voo solo sem paradas, em 1927.

O encontro de gerações

Durante o almoço, Lindbergh contou à tripulação sobre seu encontro com Robert Goddard (o "pai" da ciência moderna de foguetes) na década de 1930. Naquela época, Goddard estimava que uma viagem à Lua poderia custar 1 milhão de dólares. O custo real do programa Apollo provou-se exponencialmente maior: somente em 1966, o orçamento da NASA chegou a 4,5 bilhões de dólares (cerca de 0,5% de todo o PIB dos EUA na época).

Quando o lançamento se aproximava, Lindbergh perguntou aos astronautas quanto combustível eles iriam usar para a decolagem. Um dos tripulantes calculou rapidamente e respondeu: 20 toneladas por segundo. O aviador, maravilhado, comentou:

"No primeiro segundo do seu voo de amanhã, vocês terão gastado 10 vezes mais combustível do que eu em toda a minha viagem até Paris".

O Legado

O Saturn V não foi apenas uma máquina; foi o símbolo de uma era onde não parecia haver limites para a inovação. Ele culminou no sucesso da Apollo 11 em 1969 e continuou servindo em missões posteriores, sendo aposentado na década de 1970.

Até hoje, a engenharia desenvolvida para este colosso serve como base e inspiração para a nova geração de foguetes, como o SLS (Space Launch System) da missão Artemis e a Starship da SpaceX.

Referências Bibliográficas

CHALINE, Erich. 50 máquinas que mudaram o rumo da história. Tradução de Fabiano Moraes. Rio de Janeiro: Sextante, 2014. (Fonte base)

NASA (National Aeronautics and Space Administration). Saturn V Fact Sheet. Arquivos Históricos do Programa Apollo.

HANSEN, James R. O Primeiro Homem: A vida de Neil Armstrong. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.

MURRAY, Charles; COX, Catherine Bly. Apollo: The Race to the Moon. Simon & Schuster, 1989.