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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Unimate 1900: O Braço de Ferro que Iniciou a Revolução Robótica Industrial

Imagem desenvolvida por IA
Quando pensamos em robôs, a cultura pop nos remete a androides futuristas como os de Star Wars ou O Exterminador do Futuro. No entanto, a verdadeira revolução que moldou o mundo moderno não veio de uma máquina com rosto humano, mas de um braço hidráulico robusto instalado em uma fábrica de Nova Jersey, em 1961. Seu nome era Unimate 1900, e sua criação marcou o "marco zero" da automação industrial em larga escala.

Da Ficção à Realidade

Inspirado pelas histórias de Isaac Asimov e suas famosas "Leis da Robótica", o inventor George Devol e o engenheiro Joseph Engelberger — hoje conhecido como o "pai da robótica" — tinham uma visão pragmática. Eles não buscavam criar robôs para imitar humanos, mas para realizar tarefas que humanos não deveriam (ou não podiam) fazer.

Dessa parceria nasceu a Unimation, a primeira empresa de robótica do mundo. Seu produto principal, o Unimate, era um braço mecânico programável, projetado para priorizar eficiência, força e repetição em vez de estética.

O Batismo de Fogo na General Motors (1961)

A estreia do Unimate ocorreu no ambiente hostil de uma fundição da General Motors (GM) em Ewing, Nova Jersey. O trabalho ali era brutal: manusear peças de metal fundido incandescente. Era um local perigoso, tóxico e exaustivo.

Curiosamente, a reação inicial dos operários surpreendeu os inventores. Ao contrário dos "luditas" da Revolução Industrial, que destruíam máquinas por medo do desemprego, os trabalhadores da GM viram o Unimate inicialmente como uma curiosidade inofensiva e fadada ao fracasso. Eles estavam enganados. O Unimate trabalhava sem descanso, retirando peças quentes das máquinas de fundição e provando que a automação era o caminho inevitável para o trabalho "sujo, perigoso e difícil".

O Showman de Metal: Unimate na TV

Para convencer o público de que robôs eram viáveis e seguros, a Unimation investiu em marketing. Em 1966, o Unimate foi a estrela convidada do The Tonight Show, apresentado por Johnny Carson. Ao vivo, o robô realizou feitos impressionantes: deu uma tacada de golfe, regeu a banda do programa e serviu uma cerveja.

Havia, porém, truques de bastidores: a cerveja precisou ser parcialmente congelada para que a garra hidráulica — que ainda carecia da sensibilidade dos sensores modernos — não esmagasse a lata. A performance foi um sucesso absoluto de relações públicas.

Expansão Global e Legado Técnico

O ano de 1969 consolidou a revolução. A fábrica da GM em Lordstown, Ohio, foi automatizada para produzir inéditos 110 carros por hora. Simultaneamente, a tecnologia cruzou o oceano: a Kawasaki licenciou o design do Unimate, iniciando a ascensão do Japão como superpotência robótica.

Tecnicamente, o Unimate 1900 era uma maravilha de sua época:

  • Mecânica: Utilizava um sistema hidráulico que garantia força bruta para cargas pesadas.
  • Memória: Seus comandos eram armazenados em um tambor magnético, tecnologia precursora dos discos rígidos.
  • Design: Estabeleceu o padrão de braço articulado sobre base fixa que define as linhas de montagem até hoje.

O Unimate 1900 provou que a tecnologia poderia libertar o ser humano de tarefas insalubres, pavimentando o caminho para a Indústria 4.0.

Referências Bibliográficas

ASIMOV, Isaac. Eu, robô. Tradução de Aline Storto Pereira. São Paulo: Aleph, 2014.

CHALINE, Eric. 50 máquinas que mudaram o rumo da história. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

IEEE ROBOTICS AND AUTOMATION SOCIETY. History of Robotics: The Unimate Robot. Disponível em: https://www.ieee-ras.org. Acesso em: 23 maio 2024.

KARLSSON, Joe. A history of robotics in the automotive industry. Londres: Ultima Media, 2019. (Automotive Manufacturing Solutions).

MALONE, Robert. The robot: the life story of a technology. Westport: Greenwood Publishing Group, 2004.