Radio Evangélica

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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Crédito Ampliado no Brasil Atinge R$19,7 Trilhões em Agosto, Impulsionado pela Dívida Pública

Indicador, que corresponde a 159% do PIB, reflete expansão dos títulos governamentais. Banco Central também anuncia novas séries estatísticas para monitoramento de fluxos financeiros internacionais.

Brasília, 29/09/2025 – O volume total de crédito na economia brasileira continua em trajetória ascendente. Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira revelam que o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu a marca de R$19,7 trilhões em agosto. Este montante representa 159,0% do Produto Interno Bruto (PIB) e sinaliza um aumento de 1,1% em comparação com o mês de julho.

O crédito ampliado é uma medida abrangente que inclui não apenas os empréstimos e financiamentos concedidos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas também a dívida externa e, crucialmente, o estoque de títulos de dívida emitidos por empresas e pelo governo que estão em circulação no mercado. A análise mensal indica que o principal motor por trás do crescimento recente foi, de fato, o aumento de 2,8% no volume de títulos públicos em poder de agentes econômicos, um reflexo da dinâmica de financiamento do Estado e da demanda do mercado por esses ativos.

Analisando a perspectiva de longo prazo, o crescimento é ainda mais notável. Nos últimos doze meses, o indicador de crédito ampliado registrou uma expansão de 11,7%. Novamente, o destaque fica por conta dos títulos da dívida pública, cujo estoque em poder do mercado cresceu 17,0% no mesmo período. Este movimento ocorreu em paralelo à evolução dos empréstimos tradicionais do SFN, demonstrando que a expansão do crédito na economia nacional possui múltiplas frentes.

Este cenário evidencia a crescente importância da dívida pública não apenas como instrumento de política fiscal para o governo, mas também como um componente central para a liquidez e o financiamento da economia como um todo. A absorção desses títulos pelo setor não financeiro (famílias, empresas e investidores institucionais) é um fator determinante para a composição do crédito total.

Aprimoramento da Transparência Estatística

Juntamente com os dados de crédito, a autoridade monetária anunciou uma iniciativa para aumentar a granularidade e a transparência das estatísticas financeiras. Foram disponibilizadas oito novas séries de dados que detalham as posições internacionais dos bancos que operam no país.

Essas novas séries permitem um acompanhamento mais preciso de fluxos financeiros específicos, tais como:

  • Ativos sobre o Reino Unido: Monitoramento dos ativos que bancos locais possuem relacionados à economia britânica.
  • Passivos Internacionais: Detalhamento das obrigações de bancos locais com credores estrangeiros, incluindo títulos e operações em dólar americano.
  • Operações Intragrupo: Análise das transações financeiras realizadas entre matrizes e filiais de conglomerados bancários internacionais.
  • Exposição a Jurisdições Específicas: Pela primeira vez, dados específicos sobre passivos relacionados às Ilhas Cayman (código 29388) serão publicados, oferecendo uma visão mais clara sobre as operações em um dos principais centros financeiros offshore do mundo.

A introdução dessas métricas representa um avanço para analistas de mercado, reguladores e pesquisadores, que agora dispõem de ferramentas mais robustas para avaliar a saúde financeira do sistema bancário, sua exposição a riscos externos e os padrões de movimentação de capital internacional.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Banco Central: Crédito ampliado ao setor não financeiro registra queda em janeiro

Saldo total atinge R$18,5 trilhões, impactado pela valorização do real e retração nas captações externas

PixaBay
O saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$18,5 trilhões em janeiro, correspondendo a 155,6% do PIB. O resultado reflete uma queda de 0,8% no mês, impulsionada principalmente pela retração de 4,8% nas captações externas, em razão da apreciação cambial de 5,9% no período. No acumulado de doze meses, houve um crescimento de 14,4%, com destaque para a alta de 16,5% nos títulos de dívida e de 11,4% nos empréstimos locais.

O crédito ampliado destinado a empresas somou R$6,6 trilhões (55,2% do PIB), registrando uma queda mensal de 1,9%. O recuo foi puxado pela retração de 4,4% nos empréstimos externos e de 2,0% nos créditos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na comparação anual, porém, o crescimento de 17,8% foi impulsionado pelo aumento de 30,1% nos títulos de dívida e de 16,8% nos empréstimos externos.

O crédito ampliado às famílias chegou a R$4,3 trilhões (36,3% do PIB), apresentando uma expansão de 1,1% no mês e de 12,6% em doze meses, com forte impacto do crescimento dos empréstimos do SFN.

Operações de crédito do SFN mantêm estabilidade

O saldo das operações de crédito do SFN permaneceu estável em janeiro, totalizando R$6,5 trilhões. Houve um aumento de 1,2% na carteira de crédito para pessoas físicas, que somou R$4,0 trilhões, enquanto o saldo das pessoas jurídicas sofreu uma queda de 1,8%, atingindo R$2,5 trilhões. No acumulado de doze meses, o crescimento foi de 11,7%, acelerando em relação aos 11,5% observados no mês anterior.

O crédito com recursos livres alcançou R$3,7 trilhões, com uma retração de 0,5% no mês e um crescimento anual de 11,5%. O crédito livre para empresas totalizou R$1,5 trilhão, registrando uma queda de 3,2% no mês e uma alta de 9,7% em doze meses, impactado pela redução na carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-15,6%) e pela queda nos estoques de capital de giro total (-1,0%).

Para as famílias, o crédito livre aumentou 1,4% no mês e 12,7% no ano, somando R$2,2 trilhões, impulsionado pelo crescimento no crédito pessoal não consignado (2,6%), financiamento de veículos (2,0%) e cartão de crédito rotativo (6,7%).

Juros e inadimplência apresentam variações

A taxa média de juros das concessões de crédito atingiu 29,8% ao ano em janeiro, aumentando 1,2 ponto percentual no mês e 1,7 p.p. em doze meses. No crédito livre, a taxa de juros alcançou 42,3% ao ano, com avanços de 1,6 p.p. no mês e 2,0 p.p. no ano. Destaque para as elevações nas taxas de cartão de crédito rotativo (+103,1 p.p.) e capital de giro com prazo de até 365 dias (+9,3 p.p.).

O índice de inadimplência do SFN atingiu 3,2%, com alta mensal de 0,3 p.p. e queda de 0,1 p.p. no ano. No crédito livre, a inadimplência foi de 4,4%, crescendo 0,3 p.p. no mês. A taxa para pessoas jurídicas subiu para 2,8%, enquanto para famílias manteve-se estável em 5,5%.

Alterações regulatórias impactam o setor

A Lei nº 14.690, sancionada em outubro de 2023, estabeleceu um limite para os juros e encargos financeiros cobrados em operações de cartão de crédito rotativo e parcelado. O Banco Central começou a divulgar estatísticas sobre o impacto da legislação, permitindo maior transparência na cobrança de taxas.

Além disso, a revisão das estatísticas de crédito, em conformidade com a Resolução CMN nº 4.966/2021, alterou a metodologia de classificação do risco de crédito e a provisão para perdas esperadas. A partir de janeiro de 2025, as instituições financeiras passarão a categorizar os créditos em três estágios distintos, substituindo a classificação anterior baseada em níveis de risco.

As mudanças regulatórias e a dinâmica do mercado de crédito seguem influenciando os rumos do setor, com impactos tanto para empresas quanto para famílias brasileiras.