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Entretanto, existe um abismo perigoso entre o que a norma
exige e a realidade operacional de muitos departamentos. A persistência da digitação
manual e da conciliação artesanal cria um ambiente propício para erros que,
à luz da fiscalização e da auditoria, podem custar caro.
Abaixo, detalhamos como o processo manual fere os princípios
da ITG 2000 e coloca a integridade da sua contabilidade em risco.
O Tripé da ITG 2000 vs. A Realidade Manual
A norma é clara ao exigir que a escrituração seja executada
com individualização e clareza. Contudo, quando a classificação de centenas (ou
milhares) de lançamentos depende exclusivamente da intervenção humana, a fadiga
torna-se inimiga da conformidade.
1. Inconsistência de Contas e a Quebra da Comparabilidade
A digitação manual frequentemente leva a erros de julgamento
ou desatenção. Uma despesa lançada em "Manutenção" hoje pode ser
lançada em "Melhorias em Imóveis" amanhã, mesmo sendo a mesma
natureza de operação.
- O
Risco: Isso fere a fidedignidade do registro e impede uma análise
comparativa real da saúde financeira da empresa, gerando relatórios
gerenciais distorcidos.
2. Históricos Vagos: O Inimigo da Clareza
A ITG 2000 exige clareza. Históricos genéricos como "Pgto
NF" ou "Vlr ref. despesa" são insuficientes para
identificar a operação.
- O
Risco: A falta de detalhes que permitam identificar a origem e o
favorecido torna o lançamento inauditável. Em uma fiscalização, a empresa
pode ter sérias dificuldades em provar a natureza daquela saída de caixa.
3. Extemporaneidade: Quando o Atraso Vira Regra
A tempestividade é um requisito essencial. No entanto, o
volume massivo de dados processados manualmente cria gargalos operacionais que
atrasam o fechamento.
- O
Risco: Registros feitos fora do tempo correto comprometem a visão em
tempo real do negócio e podem gerar multas acessórias por atraso na
entrega de obrigações (como a ECD).
Conclusão: A Necessidade de Evolução
Manter a escrituração refém da digitação manual não é apenas
uma questão de baixa produtividade; é um risco de compliance. Para que o
Livro Diário atenda rigorosamente à ITG 2000 (R1), é preciso eliminar o erro
humano da equação operacional. A modernização dos processos não é luxo, é a
única via para garantir a segurança jurídica da contabilidade.
E você, ainda sofre com a digitação manual no seu
escritório ou já partiu para a automação? Deixe seu comentário abaixo e vamos
trocar experiências!
Referências Bibliográficas
BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. Resolução
CFC nº 1.330/11: Aprova a ITG 2000 – Escrituração Contábil. Brasília: CFC,
2011.
BRASIL. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TG
Estrutura Conceitual: Relatório Financeiro para Fins Gerais. Brasília: CFC,
2019.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; et al. Manual
de Contabilidade Societária. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

