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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Visita ao imóvel: 20 minutos que evitam 2 anos de arrependimento

Imagem desenvolvida por IA
Comprar ou alugar um imóvel envolve expectativa, planejamento e investimento financeiro. Ainda assim, muitas decisões equivocadas ocorrem porque a visita ao imóvel é rápida demais e aspectos técnicos fundamentais passam despercebidos. Em cerca de 20 minutos bem conduzidos, é possível identificar problemas que podem gerar anos de arrependimento, reformas inesperadas e desconforto no cotidiano.

Durante a visita, alguns fatores merecem atenção especial, como ruído, umidade, ventilação, instalações elétricas e sensação térmica, todos diretamente relacionados ao desempenho e à habitabilidade da edificação, conforme critérios técnicos definidos por normas brasileiras (ABNT, 2013).

A importância de uma visita bem conduzida

Na prática, muitos compradores concentram sua atenção apenas em aspectos visuais, como tamanho dos ambientes, pintura, iluminação natural e localização. No entanto, problemas menos evidentes — infiltrações ocultas, deficiências acústicas, falhas elétricas e má circulação de ar — costumam ser os principais responsáveis por insatisfação após a mudança (LANCELLOTTI, 2015).

Uma inspeção rápida, porém estruturada, permite identificar elementos que impactam diretamente:

  • a qualidade de vida dos moradores;
  • a necessidade de manutenções futuras;
  • o valor de revenda do imóvel;
  • os custos com reformas corretivas.

Ruído: o inimigo silencioso (ou nem tanto)

O conforto acústico é um dos aspectos mais negligenciados durante a visita ao imóvel, embora esteja diretamente ligado ao bem-estar dos ocupantes. A norma de desempenho habitacional estabelece limites mínimos para isolamento acústico entre ambientes e em relação ao exterior (ABNT, 2013).

O que avaliar rapidamente:

  • Ruídos provenientes da rua, como tráfego, comércio, bares e escolas;
  • Eficiência de portas e janelas no bloqueio do som externo;
  • Sons internos, como passos do pavimento superior, elevadores, descargas e bombas hidráulicas;
  • Intensidade do barulho em horários de maior movimento.

Sinais de alerta:

  • Janelas de vidro simples em vias movimentadas;
  • Casas de máquinas ou bombas próximas à unidade;
  • Eco excessivo nos ambientes, indicando ausência de tratamento acústico.

Umidade: o problema que cresce escondido

A presença de umidade é uma das principais causas de deterioração precoce das edificações e pode gerar impactos diretos na saúde dos moradores. Manchas, bolhas na pintura e odores característicos costumam indicar infiltrações ou falhas de impermeabilização (BRUNA, 2010).

Como identificar sinais de umidade:

  • Cheiro de mofo ao entrar no imóvel;
  • Pintura descascando ou com manchas escuras;
  • Rodapés estufados ou descolados;
  • Marcas próximas ao teto, indicando possíveis vazamentos superiores;
  • Portas e móveis de madeira inchados.

Problemas de infiltração raramente têm solução simples ou barata, sendo recomendável atenção redobrada durante a visita (LANCELLOTTI, 2015).

Ventilação: conforto que não aparece nas fotos

A ventilação adequada contribui para o conforto térmico, reduz a umidade e melhora a qualidade do ar interno. Ambientes mal ventilados tendem a apresentar mofo, odores persistentes e maior dependência de climatização artificial (SINDUSCON-SP, 2022).

Checklist essencial:

  • Verificar a circulação natural do ar ao abrir portas e janelas;
  • Identificar a existência de ventilação cruzada;
  • Avaliar banheiros e cozinhas quanto à ventilação natural ou uso de exaustores;
  • Observar sensação de abafamento nos ambientes.

Elétrica: segurança hoje e custo no futuro

Instalações elétricas inadequadas representam riscos à segurança e podem exigir reformas imediatas após a aquisição do imóvel. A ABNT NBR 5410 estabelece critérios mínimos para instalações elétricas de baixa tensão, incluindo dimensionamento correto de condutores e dispositivos de proteção (ABNT, 2004).

Pontos essenciais da avaliação:

  • Quantidade e distribuição das tomadas;
  • Indícios de fiação antiga ou inadequada;
  • Quadro de distribuição organizado e identificado;
  • Funcionamento de chuveiros, torneiras elétricas e luminárias;
  • Quedas de tensão ao uso simultâneo de equipamentos.

Em imóveis antigos, a modernização da rede elétrica deve ser considerada no planejamento financeiro.

Sensação térmica: fator decisivo para o conforto

A orientação solar e o entorno da edificação influenciam diretamente o conforto térmico dos ambientes. Unidades voltadas para o oeste tendem a receber maior carga térmica no período da tarde, enquanto imóveis térreos podem apresentar maior umidade e menor incidência solar (SECOVI-SP, 2021).

Aspectos a observar:

  • Orientação solar do imóvel;
  • Distância entre edificações vizinhas;
  • Presença de ambientes sem janelas;
  • Variação de temperatura ao longo do dia.

Sempre que possível, visitar o imóvel em horários diferentes amplia a percepção real das condições térmicas.

Conclusão

Uma visita ao imóvel bem planejada, com duração aproximada de 20 minutos, pode evitar problemas que comprometeriam anos de conforto e investimento. Mais do que uma simples observação visual, a visita deve ser encarada como uma inspeção estratégica, baseada em critérios técnicos e funcionais.

Referências Bibliográficas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575: Edificações habitacionais — Desempenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

BRUNA, Paulo. Arquitetura e construção no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.

LANCELLOTTI, Roberto. Manual do proprietário e síndico. São Paulo: PINI, 2015.

SECOVI-SP. Guia de boas práticas para compra e locação de imóveis. São Paulo, 2021. Disponível em: https://www.secovi.com.br. Acesso em: 2 fev. 2026.

SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO (SINDUSCON-SP). Desempenho térmico e acústico das edificações. São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.sindusconsp.com.br. Acesso em: 2 fev. 2026.