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Em 2026, esse cenário se torna ainda mais desafiador com a
consolidação de novas obrigações digitais, revisões normativas e maior
fiscalização baseada em cruzamento eletrônico de dados.
Normas Contábeis: NBCs, CPCs e convergência ao IFRS
O Brasil segue o processo de convergência às normas
internacionais de contabilidade (IFRS), por meio dos Pronunciamentos Contábeis
(CPCs) e das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), emitidas pelo Conselho
Federal de Contabilidade.
Exemplo prático: Uma empresa que adquire um ativo
imobilizado por R$ 100.000 com vida útil de 10 anos precisa aplicar o CPC 27
(Ativo Imobilizado) para calcular a depreciação linear de R$ 10.000 por ano. Em
2026, com a revisão do CPC 47 (Receita de Contratos com Clientes), empresas de
serviços precisam reconhecer receitas conforme o progresso da prestação, não
mais no momento do faturamento.
Obrigações acessórias e a contabilidade como base
ECD, ECF, eSocial, EFD-Reinf e DCTFWeb exigem uma
contabilidade consistente, pois os cruzamentos eletrônicos tornaram-se o
principal instrumento de fiscalização.
Exemplo prático: Uma empresa com 50 funcionários que
não enviou corretamente as informações do eSocial pode receber multas que
variam de R$ 826,74 a R$ 8.267,40 por inconsistência. O cruzamento entre
EFD-Reinf (retenções) e DCTFWeb (impostos federais) permite à Receita identificar
divergências em tempo real.
Legislação societária e demonstrações contábeis
A Lei nº
6.404/1976 influencia diretamente a estrutura das demonstrações contábeis,
inclusive para empresas que não são sociedades anônimas.
Exemplo prático: Uma limitada com faturamento acima
de R$ 78 milhões em 2025 precisa publicar demonstrações contábeis auditadas
conforme artigo 1.179 da Lei 6404. A nova redação do artigo 176 exige maior
detalhamento das notas explicativas sobre operações com partes relacionadas.
Ética, responsabilidade e documentação
O Código de Ética do Contador reforça a independência
técnica, o sigilo profissional e a responsabilidade civil.
Exemplo prático: Um contador que compartilha
informações confidenciais de um cliente com terceiros sem autorização pode
responder por quebra de sigilo profissional (artigo 26 do Código de Ética) e
ser penalizado com suspensão do registro por até 90 dias, além de indenizações
civis.
Tecnologia, compliance e LGPD
A contabilidade digital exige atenção à validade jurídica
dos documentos eletrônicos e à proteção de dados.
Exemplo prático: Um escritório que armazena
digitalmente documentos fiscais por 5 anos precisa implementar políticas de
segurança da informação conforme a LGPD, incluindo criptografia, controle de
acesso e plano de resposta a incidentes. A não conformidade pode resultar em
multas de até 2% do faturamento (limitado a R$ 50 milhões por infração).
Conclusão
Dominar a legislação contábil em 2026 é essencial para
garantir segurança técnica, conformidade legal e credibilidade profissional. O
contador moderno precisa ser um gestor de compliance, integrando conhecimentos
técnicos, tecnológicos e éticos.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de
Contabilidade.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamentos
Técnicos.
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (LGPD) - Lei nº 13.709/2018.
