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O sucesso foi imediato. O Unimate passou a apanhar peças de
carros incandescentes recém-fundidas, mergulhá-las em agente refrigerante e
depositá-las na linha de montagem — eliminando a necessidade de manuseio humano
em uma das etapas mais insalubres e perigosas da metalurgia. Curiosamente, os
operários da GM, longe de temer o "concorrente robótico" (como
fizeram os tecelões ludistas que destruíram teares mecânicos séculos antes),
apostavam no fracasso da máquina devido à complexidade da tarefa. Eles estavam
enganados: em 1969, a fábrica da GM em Lordstown, Ohio, amplamente automatizada
com Unimates, operava em um ritmo impressionante para a época. No mesmo ano, a
japonesa Kawasaki licenciou a tecnologia da Unimation, expandindo a robótica
industrial por toda a Ásia Oriental.
A fama do Unimate extrapolou os muros das fábricas. Em 1966,
o robô apareceu no famoso programa de televisão The Tonight Show Starring
Johnny Carson, onde executou tarefas inusitadas como tacar uma bola de
golfe, servir uma cerveja e "conduzir" a banda do programa —
protagonizando uma das primeiras grandes jogadas de marketing tecnológico da
história.
Mas o Unimate foi apenas o primeiro capítulo de uma saga
muito mais rica. Nas décadas seguintes, outras máquinas surgiram — algumas para
transformar o chão de fábrica, outras para explorar os limites da inteligência
artificial e da forma humana. Conheça três marcos igualmente fascinantes dessa
trajetória.
KUKA FAMULUS (1973) — O pioneiro da movimentação elétrica
Enquanto as primeiras versões do Unimate dependiam de
sistemas hidráulicos — robustos, porém propensos a vazamentos e manutenções
complexas —, a empresa alemã KUKA deu um salto tecnológico em 1973 com o FAMULUS.
Ele é reconhecido como o primeiro robô industrial do mundo movido inteiramente
por motores elétricos e articulado em seis eixos.
Essa configuração de seis eixos — que hoje se consolidou
como o padrão universal para braços robóticos industriais — conferia à máquina
movimentos muito mais precisos, ágeis e versáteis. O sistema de controle
utilizava um pequeno computador, codificadores absolutos de código Gray e um
dispositivo de interface manual apelidado carinhosamente de "pera de
programação" (Programmierbirne), devido ao seu formato. Apesar das
severas limitações de memória da época — onde o armazenamento total do robô era
inferior ao que um único ponto espacial de trajetória consome hoje —, o modelo
alemão pavimentou o design de braço articulado multieixo que dominaria o setor
industrial nas décadas seguintes.
WABOT-1 (1973) — O primeiro robô humanoide em escala real
Enquanto Unimate e FAMULUS eram projetados como ferramentas
industriais sem qualquer pretensão estética humana, a Universidade Waseda, no
Japão, seguia uma linha de pesquisa paralela e radicalmente diferente:
construir uma máquina à imagem e semelhança do homem. Entre 1970 e 1973, o
grupo de pesquisa liderado pelo professor Ichiro Kato desenvolveu o WABOT-1,
o primeiro robô humanoide de escala real do mundo.
O WABOT-1 integrava de forma inédita três pilares: controle
de membros, visão artificial e sistema de conversação. A máquina conseguia
caminhar com pernas artificiais (subsistema WL-5), manipular objetos por meio
de mãos equipadas com sensores táteis (subsistema WAM-4), medir distâncias e
direções utilizando "olhos" e "ouvidos" eletrônicos, e
interagir verbalmente em japonês através de uma "boca" artificial.
Especialistas apontavam que a capacidade cognitiva geral do sistema equivalia à
de uma criança de um ano e meio — um feito extraordinário para a tecnologia do
início dos anos 1970 e um contraponto direto à visão puramente funcional da
automação ocidental.
Shakey (1966-1972) — O robô que pensava antes de agir
Do outro lado do mundo, no Stanford Research Institute
(SRI), na Califórnia, nascia um projeto cuja inovação não residia na força
mecânica ou na anatomia, mas na capacidade de raciocinar. Batizado de Shakey
devido aos seus movimentos trêmulos e hesitantes, esse robô móvel —
desenvolvido pelo Centro de Inteligência Artificial do SRI — tornou-se o
primeiro sistema a integrar percepção, planejamento lógico e ação de forma
totalmente autônoma.
Equipado com câmeras de TV, telêmetro a laser e sensores de
impacto, o Shakey era conectado via rádio a um computador central (inicialmente
um SDS-940 e, posteriormente, um PDP-10). Ele conseguia decodificar comandos
complexos em linguagem natural (como "empurre o bloco para fora da
plataforma"), estruturar uma sequência lógica de passos para resolver o
problema e executá-la em um ambiente de testes com salas e rampas. A cobertura
da grande mídia, incluindo reportagens no The New York Times (1968) e o
título de "primeira pessoa eletrônica" pela revista Life
(1970), transformou o Shakey em um ícone popular da Inteligência Artificial
nascente. Seu legado técnico sobrevive até hoje em algoritmos de visão
computacional, planejamento automático (como o sistema STRIPS) e na base da
navegação de carros autônomos.
Quatro caminhos, uma mesma revolução
Unimate, FAMULUS, WABOT-1 e Shakey representam respostas
distintas para o mesmo desafio: como construir máquinas capazes de interagir
com o mundo físico de forma autônoma. O Unimate resolveu o problema da força
bruta repetitiva; o FAMULUS refinou a cinemática e a precisão elétrica; o
WABOT-1 explorou as fronteiras da interação e da anatomia bípede; e o Shakey
inaugurou a cognição artificial aplicada ao movimento. Juntos, esses pioneiros
estabeleceram os alicerces fundamentais sobre os quais se ergue toda a robótica
moderna.
Referências Bibliográficas
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Modern Industrial Robot. 2023. Disponível em: https://www.allaboutlean.com/kuka-famulus/.
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Acesso em: 19 jul. 2026.
KUIPERS, Benjamin; FEIGENBAUM, Edward A.; HART, Peter E.;
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88-103, 2017.
MUNSON, George. Pity the Pioneer: The Rise and Fall of
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