O que é o CPC 06?
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Da Versão Antiga (R1/IAS 17) para a Nova (R2/IFRS 16)
Até 31 de dezembro de 2018, vigorava o CPC 06 (R1),
equivalente ao IAS 17, que separava os arrendamentos em duas categorias
rígidas:
- Arrendamento
financeiro: reconhecido no balanço patrimonial (ativo e passivo);
- Arrendamento
operacional: tratado como despesa de aluguel no resultado, registrado
apenas em notas explicativas, sem impacto direto no balanço patrimonial.
A partir de 1º de janeiro de 2019, entrou em vigor o CPC
06 (R2) / IFRS 16, que unificou o modelo de contabilização para o
arrendatário. Segundo a TOTVS (2024), a principal mudança entre as versões
está justamente no fim dessa dupla classificação para quem utiliza o ativo,
eliminando a antiga distinção operacional versus financeiro no balanço do
arrendatário.
Principal Impacto Prático: Fim do "Leasing Fora do
Balanço"
Com a nova norma, a regra geral exige que praticamente todos
os contratos de arrendamento passem a registrar:
- Um Ativo
de Direito de Uso (no Ativo Não Circulante); e
- Um Passivo
de Arrendamento (mensurado ao valor presente das parcelas futuras).
Tudo isso diretamente no balanço patrimonial —
independentemente de o contrato ter sido classificado anteriormente como
financeiro ou operacional (ESTUDANDO CONTÁBEIS, 2026).
Exceções aplicáveis ao arrendatário: A norma permite
não aplicar este modelo para contratos de curto prazo (12 meses ou
menos) e contratos cujos ativos subjacentes sejam de baixo valor (ex:
computadores, celulares e pequenos equipamentos de escritório). Nesses casos,
os pagamentos continuam sendo reconhecidos como despesa linear.
Esse ponto teve repercussão concreta no mercado brasileiro.
De acordo com a Analize (2025), o IASB constatou que, em 2018, empresas
brasileiras mantinham cerca de R$ 2,2 trilhões em leasings
"escondidos" apenas em notas explicativas — sendo R$ 417 bilhões
referentes à Petrobras, conforme dados do portal de Economia do UOL citados
pela fonte. A adoção do IFRS 16/CPC 06 (R2) trouxe à tona essas obrigações nos
balanços, aumentando substancialmente a transparência financeira.
Estrutura da Norma na Prática
O texto oficial do CPC 06 (R2), publicado pela CVM, organiza
a norma em blocos fundamentais:
- Identificação
do arrendamento (itens 9 a 17) — incluindo a separação dos componentes
de arrendamento e não arrendamento no contrato;
- Prazo
do arrendamento (itens 18 a 21) — consideração de opções de renovação
e rescisão;
- Tratamento
pelo arrendatário (itens 22 a 60) — reconhecimento, mensuração
inicial/subsequente, depreciação, taxa de desconto e divulgação;
- Tratamento
pelo arrendador (itens 61 a 98) — manutenção da classificação em
arrendamento financeiro ou operacional;
- Transações
de venda e retroarrendamento (sale and leaseback) (itens 98 a
103).
(COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, CPC 06 R2).
Por que a Norma Mudou?
Segundo o portal Estudando Contábeis (2026), o objetivo
central da revisão foi refletir com mais precisão a realidade econômica dos
contratos. Mesmo quando a empresa não detém a propriedade jurídica do bem, o direito
de controlar o uso de um ativo gera benefícios econômicos futuros e,
paralelamente, uma obrigação financeira incontornável.
Com o registro obrigatório no balanço, aumentou-se a comparabilidade
entre demonstrações financeiras de empresas que compram ativos via
financiamento e aquelas que optam pelo arrendamento.
Impactos Práticos para as Empresas
- Alteração
nos Indicadores Financeiros: Aumento do Ativo Total e do Passivo
Exigível (impactando o endividamento). O efeito da despesa antes linear no
resultado passa a ser dividido em Depreciação e Despesa
Financeira (juros), elevando o EBITDA / LAJIDA da empresa;
- Governança
e Mapeamento: Necessidade de revisão criteriosa de todos os contratos
vigentes para identificar cláusulas de arrendamento embutidas;
- Sistemas
e Controles Internos: Maior exigência de softwares e tabelas
para o cálculo do valor presente líquido (VPL), taxas de desconto
adequadas e reavaliações periódicas;
- PMEs
e SPED: Empresas de pequeno e médio porte que adotam a NBC TG 1000
(R3) mantêm regras simplificadas em relação ao IFRS completo,
necessitando avaliar o porte e a estrutura do relatório contábil adotado
(GRUPO INVESTOR, 2025).
Referências Bibliográficas
ANALIZE. IFRS 16 (CPC 06): tudo o que você precisa saber
sobre a norma. 2025. Disponível em: https://analize.com.br/blog/ifrs-16-cpc-06-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-norma.html.
Acesso em: 27 jul. 2026.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). CPC_06_R2_rev_18.
Disponível em: https://conteudo.cvm.gov.br/export/sites/cvm/menu/regulados/normascontabeis/cpc/CPC_06_R2_rev_18.pdf.
Acesso em: 27 jul. 2026.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 06 (R2) —
Operações de Arrendamento Mercantil / Arrendamentos. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/533_CPC_06_R2_rev%2014.pdf.
Acesso em: 27 jul. 2026.
ESTUDANDO CONTÁBEIS. Entenda Arrendamentos e Leasing, CPC
06 (R2): Do Imóvel ao VPS. 2026. Disponível em: https://estudando-contabeis.megaplataforma.com.br/cpc-06-r2-na-pratica-do-imovel-ao-vps/.
Acesso em: 27 jul. 2026.
GRUPO INVESTOR. CPC 06: O que é, como contabilizar e
principais mudanças R2. 2025. Disponível em: https://grupoinvestor.com.br/cpc-06-revisao/.
Acesso em: 27 jul. 2026.
TOTVS. CPC 06: conheça as principais atualizações da
norma. 2024. Disponível em: https://www.totvs.com/blog/negocios/cpc-06/.
Acesso em: 27 jul. 2026.





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