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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ações para Iniciantes: Guia Prático para Dar os Primeiros Passos na Bolsa

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Investir em ações é uma das formas mais comprovadas e eficientes de construir patrimônio no longo prazo. No entanto, para quem está começando, o universo da renda variável pode parecer confuso, repleto de jargões técnicos e intimidador.

A verdade é que você não precisa ser especialista em finanças nem ter muito dinheiro para começar. Com organização e conhecimento básico, qualquer pessoa pode dar os primeiros passos com tranquilidade. Confira a seguir os conceitos essenciais e o caminho prático para iniciar a sua jornada.

O que realmente são ações?

Uma ação nada mais é do que a menor fração do capital social de uma empresa. Ao adquirir uma ação na bolsa, você se torna sócio do negócio.

Isso significa que você passa a participar do seu crescimento, recebendo parte dos lucros distribuídos (os proventos, como os dividendos) e se beneficiando da valorização da empresa ao longo dos anos. Por outro lado, também assume os riscos do negócio: caso a companhia enfrente dificuldades operacionais ou financeiras, o valor dos seus papéis pode cair.

Metas e perfil de investidor

Antes de comprar o seu primeiro lote de ações, é indispensável alinhar expectativas respondendo a três perguntas:

  • Qual é o seu objetivo? Construir patrimônio para a aposentadoria, trocar de carro ou garantir a faculdade dos filhos?
  • Qual o seu horizonte de tempo? Curto prazo (até 2 anos), médio prazo (2 a 5 anos) ou longo prazo (acima de 5 anos)? A bolsa de valores funciona melhor no longo prazo.
  • Qual a sua tolerância a risco? Ver o seu patrimônio oscilar temporariamente tira o seu sono?

As corretoras disponibilizam um questionário obrigatório chamado suitability, que classifica o investidor entre os perfis conservador, moderado e arrojado. Use esse resultado como termômetro para balancear a sua carteira.

O passo inegociável: monte sua reserva de emergência

A renda variável não foi feita para guardar o dinheiro de imprevistos do dia a dia.

Antes de comprar ações, garanta uma reserva de 6 a 12 meses do seu custo de vida aplicada em ativos conservadores e de liquidez imediata (como Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária). Essa blindagem garante que você não precisará resgatar suas ações em um momento desfavorável do mercado só para cobrir uma despesa médica ou um conserto inesperado.

Escolha uma corretora de valores

A corretora é a instituição que conecta você à B3 (a bolsa de valores brasileira). Na hora de escolher:

  • Certifique-se de que a instituição é autorizada pelo Banco Central e credenciada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
  • Avalie as taxas cobradas (muitas corretoras hoje oferecem taxa zero para corretagem e custódia).
  • Teste a usabilidade do aplicativo ou plataforma de investimentos (home broker).

Dicionário básico do iniciante

Antes de comprar um ativo, vale dominar alguns conceitos simples:

  • P/L (Preço / Lucro): Relação entre a cotação da ação e o lucro por ação. Dá uma indicação de quantos anos o investidor levaria para ter o retorno do capital investido caso a empresa mantivesse os mesmos lucros.
  • Dividend Yield (DY): Indicador que mostra o retorno obtido em dividendos pagos nos últimos 12 meses em proporção ao preço atual da ação.
  • Volatilidade: Medida de oscilação do preço da ação ao longo do tempo (quedas e subidas diárias ou semanais).
  • Diversificação: A prática de nunca concentrar todo o capital em uma única empresa ou setor. Distribuir os investimentos entre energia, bancos, commodities e saneamento ajuda a mitigar perdas.

Comece pequeno e seja constante

Você não precisa esperar juntar milhares de reais para investir. Por meio do mercado fracionário (adicionando a letra "F" ao código da ação), é possível comprar frações unitárias a partir de poucos reais.

O fator mais relevante na construção de riqueza não é a quantia da primeira compra, mas a regularidade dos aportes mensais, que potencializa o poder dos juros compostos ao longo dos anos.

Adote uma mentalidade de longo prazo

Tentar adivinhar a cotação de amanhã gera estresse e frequentemente prejuízo.

Estratégias consolidadas como o buy and hold (comprar ações de empresas sólidas com a intenção de mantê-las por longos períodos) combinadas ao hábito de aportes recorrentes reduzem o impacto da volatilidade e permitem usufruir do crescimento real das corporações.

Blinde suas emoções

No mercado de capitais, o comportamento pesa mais que a matemática. Os dois maiores perigos para o investidor iniciante são:

  • O pânico: Vender ações no fundo do poço durante quedas normais de mercado, transformando oscilações passageiras em prejuízos reais.
  • A ganância (FOMO): Entrar em euforia e comprar ações que subiram muito rápido apenas pelo "efeito manada" ou por dicas de internet.

Disciplina, paciência e estudo contínuo formam a base para investir com consistência e segurança.

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Referências Bibliográficas

ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2021.

BODIE, Zvi; KANE, Alex; MARCUS, Alan J. Investments. 12. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2020.

CERBASI, Gustavo. Investimentos Inteligentes. Rio de Janeiro: Sextante, 2019.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Guia do Investidor: Primeiros Passos. Rio de Janeiro: CVM, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/cvm. Acesso em: 20 set. 2026.

GRAHAM, Benjamin. O Investidor Inteligente. Tradução de Bill Amaral. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

HALFELD, Mauro. Investimentos: Como Administrar Melhor seu Dinheiro. 2. ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2007.

LEMES JÚNIOR, Antônio Barbosa; RIGO, Cláudio Miessa; CHEROBIM, Ana Paula Mussi Szabo. Administração Financeira: Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

B3 – BOLSA, BRASIL, BALCÃO. Aprenda a Investir. Disponível em: https://www.b3.com.br. Acesso em: 20 set. 2026.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Renda Fixa vs. Renda Variável: Qual Modalidade Escolher?

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No planejamento financeiro e na alocação de ativos, a definição entre renda fixa e renda variável constitui uma das decisões centrais para qualquer investidor. Não há uma alternativa universalmente superior: a alocação técnica adequada depende diretamente do perfil de risco, do horizonte temporal e dos objetivos estipulados para cada patrimônio.

Abaixo, detalham-se as principais características, vantagens, desvantagens e os critérios para estruturar uma carteira equilibrada e eficiente.

1. Renda Fixa: Conceito e Características Operacionais

A renda fixa é uma classe de investimentos em que o investidor atua como credor, fornecendo capital ao emissor (governo, instituições financeiras ou empresas privadas) mediante remuneração pré-estabelecida no momento da contratação.

Essa rentabilidade pode ocorrer sob três modalidades:

  • Prefixada: Taxa de juros anual nominal definida na aplicação;
  • Pós-fixada: Indexada a uma taxa de referência (como a Taxa Selic ou o Certificado de Depósito Interbancário — CDI);
  • Híbrida: Combinação de taxa fixa mais a variação da inflação (geralmente medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA).

1.1 Principais Instrumentos Financeiros

  • Títulos Públicos Federais (Tesouro Direto): Tesouro Selic, Prefixado e IPCA+;
  • Certificado de Depósito Bancário (CDB): Título de emissão bancária;
  • Letras de Crédito (LCI e LCA): Títulos voltados aos setores imobiliário e do agronegócio, com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas;
  • Debêntures: Títulos de dívida corporativa emitidos por sociedades por ações;
  • Caderneta de Poupança.

1.2 Aspectos Positivos e Limitações

  • Vantagens: Previsibilidade do fluxo de caixa, menor volatilidade de curto prazo e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para determinados títulos bancários (até o teto regulamentar de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira associada).
  • Desvantagens: Potencial de valorização mais restrito no longo prazo, existência de prazos de carência em emissões com maior prêmio (baixa liquidez) e incidência da tabela regressiva do Imposto de Renda sobre os rendimentos (quando não isentos).

2. Renda Variável: Conceito e Dinâmica de Mercado

Na renda variável, o retorno financeiro não é fixado ou garantido antecipadamente. A precificação dos ativos oscila continuamente em razão da oferta, da demanda, das condições macroeconômicas e do desempenho operacional das companhias e fundos emissores.


2.1 Principais Instrumentos Financeiros

  • Ações: Frações do capital social de companhias abertas negociadas em bolsa de valores;
  • Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs): Estruturas que captam recursos para aplicação em empreendimentos imobiliários ou títulos do setor;
  • ETFs (Exchange Traded Funds): Fundos de índice negociados em bolsa;
  • Mercados de Câmbio e Commodities;
  • Fundos Multimercado e Fundos de Ações.

2.2 Aspectos Positivos e Limitações

  • Vantagens: Maior potencial de retorno real no longo prazo, geração de renda passiva por meio da distribuição de dividendos/proventos e histórico favorável de proteção patrimonial contra a inflação quando ancorada em empresas sólidas.
  • Desvantagens: Elevada volatilidade de cotação, risco de perda parcial ou total do capital investido, ausência de cobertura por mecanismos de seguro (como o FGC) e necessidade de acompanhamento técnico constante.

3. Comparativo Estrutural: Renda Fixa vs. Renda Variável

Variável Técnica

Renda Fixa

Renda Variável

Previsibilidade de Retorno

Elevada (taxa acordada ou indexada)

Baixa (sujeita às oscilações do mercado)

Grau de Risco / Volatilidade

Baixo a moderado

Moderado a elevado

Liquidez

Variável (desde liquidez diária até prazos longos de vencimento)

Elevada (liquidação em bolsa no prazo regulamentar)

Potencial de Ganho

Moderado

Elevado (especialmente em horizontes longos)

Garantia FGC

Sim (para CDB, LCI, LCA, RDB e poupança)

Não aplicável

4. Alinhamento ao Perfil do Investidor (Suitability)

A escolha entre os tipos de ativos deve observar as diretrizes de análise de adequação ao perfil de investimento (suitability), categorizado usualmente em três perfis:


Perfil Conservador

Prioriza a preservação do capital e a liquidez imediata. A carteira tem como base principal a renda fixa, privilegiando ativos com baixo risco de crédito e alta liquidez, como Tesouro Selic, fundos DI e CDBs com liquidez diária de bancos de primeira linha.

Perfil Moderado

Busca balancear a segurança do patrimônio com taxas mais atrativas de rentabilidade. Mantém a base defensiva em renda fixa, mas aloca uma parcela monitorada em renda variável (como fundos imobiliários e ações defensivas) para capturar o prêmio de risco no médio e longo prazo.

Perfil Arrojado / Agressivo

Aceita níveis expressivos de volatilidade com o objetivo de maximizar o crescimento patrimonial. Destina parcela substancial da carteira a ativos de renda variável, mantendo em renda fixa estritamente os recursos destinados à reserva de emergência e gestão de liquidez imediata.

5. Estratégia de Diversificação e Passos Recomendados

Na gestão profissional de portfólio, as classes de ativos não são excludentes, mas complementares. A diversificação mitiga a volatilidade geral da carteira e otimiza a relação entre risco e retorno.

Para estruturar suas alocações com solidez técnica:

  1. Formação da Reserva de Emergência: Alocar de 6 a 12 meses de despesas fixas em instrumentos de renda fixa conservadores com liquidez diária imediata;
  2. Definição do Perfil e Prazos: Segmentar os objetivos em curto (até 2 anos), médio (2 a 5 anos) e longo prazo (acima de 5 anos);
  3. Alocação Estruturada: Destinar o capital de curto prazo à renda fixa e os projetos de longo prazo aos ativos de renda variável ou títulos públicos indexados à inflação;
  4. Rebalanceamento Periódico: Ajustar os percentuais da carteira conforme a valorização relativa dos ativos e as alterações no cenário macroeconômico.

Considerações Finais

A decisão entre renda fixa e renda variável não decorre da busca por uma modalidade ideal isolada, mas sim da construção de uma estratégia balanceada e personalizada. A renda fixa atua como o pilar de estabilidade, liquidez e proteção do capital, enquanto a renda variável viabiliza a multiplicação patrimonial e o ganho real acima dos indexadores econômicos ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas

B3. Bolsa de Valores do Brasil: Produtos e Operações. São Paulo: B3, 2026. Disponível em: https://www.b3.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxa Selic e Normas do Sistema Financeiro Nacional. Brasília, DF: BCB, 2026. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/. Acesso em: 23 ago. 2026.

BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. Portal de Educação Financeira da CVM. Rio de Janeiro: CVM, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/cvm/pt-br. Acesso em: 23 ago. 2026.

BRASIL. Secretaria do Tesouro Nacional. Tesouro Direto: Guia de Títulos Públicos. Brasília, DF: Ministério da Fazenda, 2026. Disponível em: https://www.tesourodireto.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026.

FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS. Regulamento e Limites de Garantia Ordinária. São Paulo: FGC, 2026. Disponível em: https://www.fgc.org.br/. Acesso em: 23 ago. 2026.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Investimentos ESG e Sustentabilidade: Por que a rentabilidade agora depende da estratégia ambiental e social?

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A lógica por trás do ESG (Environmental, Social and Governance) mudou de patamar. O que durante anos foi tratado apenas como uma escolha “de consciência” — investir em empresas alinhadas a boas práticas ambientais, sociais e de governança — passou a ser lido pelo mercado como um componente vital de risco e retorno.

Na prática, a pergunta que orienta investidores profissionais hoje não é apenas “ESG é importante?”, mas sim: o que pode acontecer com a rentabilidade da empresa que ignora o ESG?

A resposta envolve custos que já impactam o balanço: passivos ambientais, crises reputacionais, interrupções operacionais, multas pesadas e, em casos extremos, a destruição total de valor para o acionista.

O que é ESG: Três letras que significam risco, controle e previsibilidade

Em vez de apenas “boas ações”, o mercado financeiro enxerga o ESG como um conjunto de fatores capazes de influenciar diretamente o desempenho de uma companhia.

  • Ambiental (E): Emissões de carbono, uso de energia e água, gestão de resíduos e exposição a eventos climáticos extremos.
  • Social (S): Relações de trabalho, segurança dos dados, saúde do colaborador, diversidade e impacto nas comunidades onde opera.
  • Governança (G): Transparência, independência do conselho, auditoria, compliance e integridade no processo de decisão.

O ponto central aqui é a materialidade: o ESG que importa é aquele que tem potencial de mudar o resultado financeiro, aumentar custos ou elevar o risco da operação.

6 Motivos por que o ESG se tornou um Critério de Rentabilidade

Há seis canais principais que explicam por que esses critérios garantem a saúde financeira de um ativo, sobretudo no longo prazo:

1. Mitigação de riscos que viram prejuízo

Empresas com baixa maturidade em sustentabilidade estão mais expostas a acidentes, sanções regulatórias e paralisações. No mercado financeiro, risco não gerenciado é lucro perdido.

2. Redução do Custo de Capital

À medida que os riscos climático e regulatório entram nos modelos de análise, empresas vulneráveis pagam mais caro para se financiar. Em contrapartida, empresas sólidas em ESG oferecem mais previsibilidade — e previsibilidade é um ativo valioso quando o mercado precifica o risco.

3. Adaptação Regulatória (O "voluntário" virou obrigação)

Padrões internacionais como TCFD, GRI e SASB aumentaram a pressão por transparência. Para muitas companhias, a corrida agora é para reduzir o custo de adequação e evitar surpresas jurídicas.

4. Eficiência Operacional e Produtividade

Sustentabilidade é sinônimo de eficiência: otimizar energia, água e logística reduz custos fixos. Quando bem executadas, essas iniciativas deixam de ser "discurso verde" e viram margem de lucro.

5. O Componente Humano da Performance

Em setores que dependem de talento e conhecimento, o pilar Social (S) pesa muito. Baixa rotatividade (turnover) e segurança do trabalho influenciam diretamente a produtividade e a execução da estratégia da empresa.

6. Governança: O filtro contra a destruição de valor

Uma governança fraca aumenta as chances de fraude e decisões desalinhadas com os sócios. Já uma governança forte melhora o controle e a disciplina na alocação de capital.

Atenção ao Greenwashing: Quando a narrativa não bate com os dados

A popularização do tema também trouxe o greenwashing (maquiagem verde). Para o investidor sério, o ESG real é medido por processos e números, não por slogans. Fique atento a:

  • Metas com prazos e indicadores claros;
  • Orçamento dedicado e plano de execução;
  • Histórico de controvérsias e como foram resolvidas;
  • Aderência a padrões globais de reporte.

Conclusão: ESG dá retorno sempre?

Não há garantia de retorno acima do mercado no curto prazo. No entanto, o argumento mais robusto é que o ESG melhora a leitura de qualidade da gestão. No fim das contas, o tema tornou-se menos moral e mais pragmático: é sobre a capacidade de uma empresa continuar operando e gerando caixa em um mundo cada vez mais exigente.

Referências Bibliográficas

FRIEDE, G.; BUSCH, T.; BASSEN, A. ESG and financial performance: aggregated evidence from more than 2000 empirical studies. Journal of Sustainable Finance & Investment, 2015.

GRI (Global Reporting Initiative) & SASB (Sustainability Accounting Standards Board).

PORTER, M. E.; KRAMER, M. R. Creating Shared Value. Harvard Business Review, 2011.

TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures). Recommendations of the TCFD, 2017.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Boletim Focus Mantém Estabilidade nas Projeções Econômicas e Reforça Cautela do Mercado

Foto: Agência Brasil
O mais recente Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (10), manteve estáveis as expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira. As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), inflação e taxa Selic não sofreram alterações, refletindo um cenário de cautela diante das incertezas externas e da política monetária dos Estados Unidos.

PIB Deve Crescer 2,16% em 2025

De acordo com o levantamento, o mercado prevê crescimento de 2,16% para o PIB em 2025, mesma taxa estimada nas últimas semanas. Para os anos seguintes, as projeções indicam leve desaceleração: 1,78% em 2026, 1,88% em 2027 e 2% em 2028.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, impulsionada pelos setores de serviços e indústria. No acumulado dos quatro trimestres anteriores, o avanço foi de 3,2%.
O governo federal, por sua vez, trabalha com uma estimativa um pouco mais otimista, projetando alta de 2,5% para o PIB deste ano.

Inflação Segue Acima do Teto da Meta

A expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — a inflação oficial — permaneceu em 4,55% em 2025, acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. A meta central, de 3%, permite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 5,17%, influenciada principalmente pelo aumento da energia elétrica em setembro, quando o índice avançou 0,48%. Para os próximos anos, o mercado espera desaceleração gradual da inflação: 4,2% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028.

Selic Deve Permanecer em 15% Até o Fim do Ano

Com o objetivo de conter as pressões inflacionárias, o Banco Central mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano — patamar que deve ser preservado até o final de 2025.
Os analistas esperam que o ciclo de redução dos juros comece a partir de 2026, quando a Selic deve cair para 12,25%, seguida por 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

O BC justifica o nível elevado dos juros pela persistência da inflação acima do centro da meta, apesar dos sinais de desaceleração da atividade econômica.

Dólar e Ambiente Externo Mantêm Pressão

A expectativa para o câmbio também se manteve estável. O mercado projeta o dólar a R$ 5,41 no final de 2025 e R$ 5,50 em 2026.
O Banco Central reforça que as decisões de política monetária nos Estados Unidos continuam influenciando o cenário brasileiro, especialmente por meio do impacto sobre as condições financeiras globais e o fluxo de capitais.

Mercado Reage com Cautela e Foco no Controle da Inflação

O panorama apresentado pelo Focus indica que o Banco Central deve adotar uma postura conservadora nos próximos meses, mantendo juros altos por mais tempo para garantir o controle da inflação.
Essa política, no entanto, preocupa o setor produtivo, que teme desaceleração da economia e encarecimento do crédito — fatores que podem desestimular investimentos e consumo.

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Estimativas do mercado para inflação e PIB permanecem estáveis. Brasília, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-11/estimativas-do-mercado-para-inflacao-e-pib-permanecem-estaveis. Acesso em: 10 nov. 2025.

CNN BRASIL. Focus: Mercado mantém projeções para taxa Selic e inflação. São Paulo, 2025. Disponível em: https://cnnbrasil.com.br/economia/focus-mercado-mantem-projecoes-para-taxa-selic-e-inflacao/. Acesso em: 10 nov. 2025.

CORREIO BRAZILIENSE. Mercado mantém expectativa de inflação para acima do teto da meta em 2025. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2025/11/7289122-mercado-mantem-expectativa-de-inflacao-para-acima-do-teto-da-meta-em-2025.html. Acesso em: 10 nov. 2025.

EXAME. Boletim Focus: Mercado mantém expectativa do IPCA em 2025, 2026, 2027 e 2028. São Paulo, 2025. Disponível em: https://exame.com/economia/boletim-focus-mercado-mantem-expectativa-do-ipca-em-2025-2026-2027-e-2028/. Acesso em: 10 nov. 2025.

IBGE. PIB varia 0,4% no segundo trimestre de 2025. Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/economia/pib-varia-04-no-segundo-trimestre-de-2025. Acesso em: 10 nov. 2025.

INFOMONEY. Boletim Focus: inflação esperada para 2025 para de cair e fica em 4,55%. São Paulo, 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/boletim-focus-inflacao-esperada-para-2025-para-de-cair-e-fica-em-455/. Acesso em: 10 nov. 2025.

VEJA. Mercado mantém projeção de inflação acima do teto da meta. São Paulo, 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/mercado-mantem-projecao-de-inflacao-acima-do-teto-da-meta. Acesso em: 10 nov. 2025.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Mercado Vê Leve Alívio na Inflação, Mas Cenário Exige Juros Altos e Modera Crescimento

Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que a projeção do IPCA para este ano caiu para 4,81%, mas o indicador permanece acima do teto da meta. Expectativa é de que a taxa Selic se mantenha em 15% para conter os preços.

Brasília – O mercado financeiro ajustou levemente para baixo sua projeção para a inflação oficial do país em 2025, mas o otimismo é contido. De acordo com o Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (29), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,83% para 4,81%. Apesar da melhora, o número segue acima do teto da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Essa persistência da inflação em patamar elevado justifica a postura rígida do Banco Central em sua política monetária. Para convergir a inflação à meta, a principal ferramenta, a taxa básica de juros (Selic), está ancorada em 15% ao ano. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza a intenção de manter a taxa "por período bastante prolongado", uma estratégia para conter a demanda aquecida e estabilizar os preços.

As projeções dos analistas corroboram essa visão, estimando que a Selic encerre 2025 no mesmo patamar de 15%. Apenas para os anos seguintes o mercado prevê um relaxamento, com a taxa caindo para 12,25% ao fim de 2026 e chegando a 10% em 2028.

O Custo do Controle: Impacto no Crescimento Econômico

A manutenção de juros altos, embora necessária para o controle inflacionário, impõe um freio à atividade econômica ao encarecer o crédito e desestimular investimentos e consumo. Esse efeito se reflete nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia foi mantida em 2,16%. No entanto, para os próximos anos, o ritmo esperado é mais modesto: o mercado projeta uma expansão de 1,8% em 2026, seguida por 1,9% em 2027 e 2% em 2028. Esses números indicam que o combate à inflação continuará a ser a prioridade, mesmo que isso signifique um crescimento econômico menos robusto.

Projeções de Longo Prazo e Câmbio

Olhando para o futuro, as instituições financeiras demonstram uma confiança gradual na convergência da inflação para o centro da meta. A projeção para o IPCA em 2026 também teve uma leve queda, para 4,28%, e as estimativas para 2027 e 2028 são de 3,9% e 3,7%, respectivamente, já dentro do intervalo de tolerância.

No que tange ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar ao final deste ano é de R$ 5,48. Para o fim de 2026, a expectativa é que a moeda norte-americana se valorize um pouco mais, atingindo R$ 5,58. O cenário traçado, portanto, é de um equilíbrio delicado entre controle de preços, juros elevados e um crescimento econômico que avança de forma contida.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 10 de março de 2025

Mercado financeiro projeta inflação de 5,68% em 2025

Boletim Focus manteve projeção de crescimento do PIB em 2,01%

Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,68%, ante 5,65% na semana passada.

A pesquisa Focus é realizada com economistas do mercado financeiro e é divulgada semanalmente pelo BC. Para 2026, o Focus projeta um índice inflacionário de 4,4%, o mesmo da semana passada. Para 2027, o mercado financeiro prevê IPCA em 4% e para 2028, 3,75%.

No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%, acima do teto da meta, que era de 4,5%.

PIB

O boletim manteve a projeção de crescimento de 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país, para este ano. Para 2026, os agentes do mercado financeiro projetam um crescimento de 1,7% , a mesma da semana anterior.

Já para 2027, a projeção é de que o PIB fique em 2%, a mesma para 2028.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Focus manteve a projeção da semana passada (15%) para 2025. A mesma das últimas nove semanas. 

Para 2026, a projeção do mercado financeiro é de que a Selic fique em 12,5%, também a mesma projetada na semana passada. Para 2027 e 2028, as projeções são de que a taxa fique em 10,5% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final de janeiro, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual, com a justificativa de que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o centro da meta. 

O Copom destacou que os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa, em função, dentre outros fatores, da estiagem observada ao longo do ano passado e da alta de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.

Com relação aos bens industrializados, o comitê apontou que o movimento recente de aumento do dólar pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses, o que tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política econômica contracionista.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação para o centro da meta (3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%) pode demandar um novo aumento de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião do comitê nos dias 18 e 19 de março.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 5,99 para 2025. Nesta segunda-feira a cotação da moeda está em R$ 5,78. No fim de 2026, a previsão é de que a moeda norte-americana fique em R$ 6. Para 2027, o câmbio também deve ficar, segundo o Focus, em R$ 5,90, a mesma para 2028.

Fonte: Agência Brasil 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Mercado financeiro eleva previsão da inflação pela 18ª semana seguida

Projeção do IPCA subiu para 5,6% este ano

Daniel Marenco / Agência O Globo
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,58% para 5,6% este ano. Essa é a 18ª elevação seguida. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (17), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação também subiu de 4,3% para 4,35%. Para 2027 e 2028, as previsões foram elevadas para 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em janeiro, a inflação oficial perdeu força e ficou em 0,16%  de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o menor resultado para um mês de janeiro desde 1994, ou seja, desde antes do Plano Real, iniciado em julho daquele ano.

A explicação para a desaceleração do IPCA é o Bônus Itaipu, desconto que milhões de brasileiros tiveram na conta de luz do mês passado. Em dezembro de 2024, o IPCA tinha ficado em 0,52%. A desaceleração não significa que os preços ficaram mais baixos, e sim que, na média, subiram em menor velocidade.

No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 4,56%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros, na reunião de janeiro. Esse foi o quarto aumento seguido da Selic e consolida um ciclo de contração na política monetária. Em relação às próximas reuniões, o Copom confirmou que elevará a Selic em 1 ponto percentual na reunião de março, mas não informou se as altas continuarão na reunião de maio, apenas que observará a inflação.

Para o fim de 2025, a estimativa é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,03% para 2,01%. Para 2026, a expectativa para o PIB é de crescimento de 1,7%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,98% e 2%, respectivamente.

No terceiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país) subiu 0,9% em comparação com o segundo trimestre. De acordo com o IBGE, a alta acumulada no ano - de janeiro a setembro do ano passado - é 3,3%.

O resultado oficial do PIB de 2024 será divulgado em 7 de março pelo IBGE. Em 2023, superando as projeções, a economia brasileira cresceu 3,2%. Em 2022, a taxa de expansão foi de 3%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 6 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique no mesmo patamar.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Dólar tem leve queda e bolsa sobe quase 1% em dia de recuperação

 Mercado financeiro reage com estabilidade após novas tarifas dos EUA

Pixa Bay
O anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de uma tarifa adicional de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos Estados Unidos teve pouca influência no mercado financeiro. O dólar teve pequena queda, e a bolsa de valores subiu quase 1%, recuperando-se parcialmente das quedas recentes.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (10) vendido a R$ 5,785, com recuo de R$ 0,008 (-0,13%). A cotação iniciou o dia em alta, chegando a R$ 5,82 por volta das 9h15. No entanto, inverteu a trajetória e passou a cair ainda durante a manhã. Na mínima do dia, por volta das 10h30, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,76.

Apesar de ter ensaiado uma nova alta no fim da manhã, a moeda norte-americana voltou a cair durante a tarde. Com o desempenho desta segunda-feira, a divisa acumula queda de 6,36% em 2025.

O mercado de ações teve um dia de recuperação. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 125.572 pontos, com alta de 0,76%. O indicador chegou a subir 1,42% às 10h35, mas desacelerou ao longo da tarde. O avanço do petróleo e do minério de ferro no exterior favoreceu ações de petroleiras e mineradoras, que têm maior peso na bolsa brasileira.

Em relação ao dólar, o Brasil destoou da maioria dos países, onde a moeda norte-americana fechou em alta. A pressão de exportadores que venderam dólares após a cotação superar os R$ 5,80 ajudou a segurar a pressão sobre o câmbio no Brasil.

*Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Mercado financeiro reage a ameaças de Trump e dólar encosta em R$ 5,80

Bolsa amplia queda e fecha a semana em baixa com temor de novas tarifas comerciais

PixaBay
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis elevações de tarifas comerciais levaram o mercado financeiro global a uma onda de instabilidade nesta sexta-feira (7). No Brasil, o dólar, que operava em queda, voltou a subir e fechou a R$ 5,793, enquanto a bolsa de valores ampliou suas perdas e registrou o primeiro recuo semanal de 2025.

A moeda norte-americana chegou a cair para R$ 5,74 ao longo do dia, mas disparou após uma reportagem da agência Reuters indicar que Trump pretende adotar tarifas recíprocas sobre produtos importados. No fim da tarde, a cotação ganhou novo impulso quando o presidente reafirmou a intenção ao lado do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, em um evento na Casa Branca.

No mercado de ações, o Ibovespa encerrou em queda de 1,24%, aos 124.619 pontos, após operar estável no início da sessão. No acumulado da semana, o índice caiu 1,2%, refletindo a preocupação dos investidores com possíveis impactos da política protecionista dos EUA.

A adoção de tarifas comerciais recíprocas pode pressionar a inflação nos Estados Unidos, o que aumenta a chance de uma alta nos juros pelo Federal Reserve. Esse cenário tende a fortalecer o dólar globalmente e provocar a fuga de capital de mercados emergentes, como o Brasil.

Com informações da Reuters

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Mercado financeiro projeta inflação de 5% em 2025

Estimativa foi divulgada hoje pelo Banco Central

Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou ligeiramente a projeção da inflação para este ano.  A edição do Boletim Focus desta segunda-feira (13) projeta um índice, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 5%, ante os 4,99% da semana passada. Há quatro semanas a projeção era 4,6% para 2025.

A pesquisa Focus é realizada por economistas do mercado financeiro e divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC). Para 2026, o boletim também projeta um ligeiro aumento na inflação para 4,05, ante os 4,03 da semana anterior.

No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou em 4,83%, acima do teto da meta prevista para 4,5%.

Desde 1999, quando o Brasil passou a adotar o regime de metas de inflação, o IPCA, considerado a inflação oficial do país, ultrapassou oito vezes o limite máximo da meta. A último registro foi no ano passado, segundo dados divulgados na última sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2027, a projeção do mercado financeiro é inflação de 3,9% e para 2028, de 3,56%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) - a soma dos bens e serviços produzidos no país – o boletim manteve a projeção de crescimento para 2025 da semana passada. Segundo o mercado financeiro, o PIB no próximo ano deve ficar em 2,02%. Para 2026, a projeção é crescimento de 1,8%. Já para 2027 e 2028, a projeção de expansão do PIB é 2%, para os dois anos.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Boletim Focus manteve a projeção da semana passada de 15%, para 2025. Há quatro semanas a projeção era de 14%. Para 2026, a estimativa do mercado financeiro é que a Selic fique em 12%. Para 2026 e 2027, as projeções são de que a taxa fique em 10,25% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 12,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final do ano passado, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual (p.p), com a justificativa de que a reação do mercado financeiro ao pacote fiscal do governo federal tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política "ainda mais contracionista”.

As reações negativas do mercado financeiro ao pacote de corte de gastos, anunciados pelo governo em novembro do ano passado, fez com que o dólar saltasse, ultrapassando o patamar dos R$ 6 pela primeira vez na história.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação à meta para 2025, de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5% pode demandar novos aumentos de 1 ponto percentual na Selic nas próximas duas reuniões do comitê: em janeiro, nos dias 28 e 29, e em março, nos dias 18 e 19.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 6,00 para 2025. No fim de 2026, a previsão é que a moeda norte-americana também fique em R$ 5,40. Para 2026, o câmbio também deve ficar, de acordo com o Boletim Focus, em R$ 6,00, um aumento em relação aos R$ 5,90 projetados na semana passada. Para 2027, a projeção é R$ 5,82 para o dólar e R$ 5,88, para 2028.

 

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Dólar fecha a R$ 6,09 após bater em R$ 6,20 durante a tarde

Bolsa subiu 0,92% em dia de leve recuperação

Após dia turbulento no mercado financeiro, o dólar fechou praticamente estável, depois de bater R$ 6,20 ao longo da sessão. A bolsa de valores subiu quase 1%, em dia de leve recuperação.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (17) vendido a R$ 6,096, com pequena alta de 0,02%, renovando o recorde de valor nominal desde a criação do real. A cotação abriu em R$ 6,14 e chegou a subir para R$ 6,20 por volta das 12h15. O Banco Central (BC) interveio duas vezes no mercado, vendendo US$ 1,272 bilhão por volta das 9h30 e mais US$ 2,015 bilhões após a moeda bater os R$ 6,20.

Feitas as intervenções, o dólar passou boa parte da tarde em torno de R$ 6,11, mas passou a cair com declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de que pretende começar a votar o pacote de corte de gastos do governo ainda nesta terça-feira. Na mínima do dia, por volta das 15h, a cotação caiu para R$ 6,06, mas ganhou força nos minutos finais de negociação, até fechar em leve alta.

No mercado de ações, o dia foi menos tenso. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 124.698, com alta de 0,92%. O indicador recuperou-se parcialmente após três quedas seguidas e também depois de atingir, na segunda-feira, o menor nível desde o fim de junho.

Apenas em dezembro, o BC vendeu US$ 12,760 bilhões das reservas internacionais, entre leilões â vista, em que o dinheiro sai definitivamente das reservas, e leilões de linha, em que a autoridade monetária compra os dólares de volta após alguns meses. Essa foi a maior atuação do BC no câmbio desde março de 2020, início da pandemia de covid-19.

Em relação ao pacote de corte de gastos, o anúncio de Lira e a ida do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, ao Congresso nesta tarde para negociar as medidas com os deputados reduziram a instabilidade no mercado financeiro. Isso porque aumentaram as chances de aprovação das medidas de revisão de despesas antes do recesso parlamentar, que começa na sexta-feira (20).

Imagem:Valter Campanato/Agência Brasil

*com informações da Reuters

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Dólar cai para R$ 5,56 e fecha no menor valor em oito dias

Bolsa subiu pela terceira sessão seguida e superou 105 mil pontos

Em dia de feriado nos Estados Unidos, o dólar voltou a cair e fechou no menor valor em oito dias. A bolsa de valores subiu pela terceira sessão seguida e alcançou o nível mais alto em duas semanas.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (25) vendido a R$ 5,565, com queda de R$ 0,03 (0,53%). A cotação operou próxima da estabilidade durante a manhã, mas caiu durante a tarde, em dia de poucos negócios por causa do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos.

Com o desempenho desta quinta-feira, o dólar está no menor valor desde o dia 17, quando fechou a R$ 5,52. A moeda norte-americana acumula queda de 1,43% em novembro. Em 2021, a divisa registra alta de 7,24%.

No mercado de ações, o dia também foi marcado pelo otimismo. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia aos 105.811 pontos, com alta de 1,24%. O indicador atingiu o maior nível desde o dia 12.

As ações da Petrobras puxaram a alta, após a estatal divulgar o plano de negócios de 2022 a 2026. Os papéis ordinários (com direito a voto em assembleia de acionistas) subiram 4,13%. As ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) valorizaram 4,41%.

Sem fatores internacionais, o mercado reagiu motivado pela economia brasileira. A divulgação de que a prévia da inflação oficial atingiu 1,17% em novembro, acima das expectativas, reforçou a pressão para que o Banco Central acelere o aumento da taxa Selic (juros básicos da economia). Taxas mais altas estimulam a aplicação de capitais internacionais no Brasil.

O fechamento de um acordo para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios na próxima terça-feira (30) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado também aliviou as pressões sobre o mercado. Apesar de a proposta liberar R$ 106,1 bilhões no Orçamento do próximo ano, os investidores acreditam que a PEC terá menos impacto que um eventual decreto de calamidade pública que permita gastos fora do teto.

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Reuters/Lee-Jae-Won/Direitos Reservador


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Dólar sobe pelo quarto dia seguido e chega a R$ 5,57

 Bolsa caiu 0,51% e continua no menor nível em um ano

Em mais um dia de turbulência no mercado financeiro, o dólar subiu pela quarta sessão consecutiva e voltou a aproximar-se de R$ 5,60. A bolsa de valores caiu mais uma vez e continua no menor nível em um ano.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (18) vendido a R$ 5,57, com alta de R$ 0,046 (+0,87%). A cotação chegou a operar próxima da estabilidade no início do dia, mas inverteu a tendência ainda durante a manhã e firmou-se acima de R$ 5,56 a partir das 14h45.

Desde a primeira semana de outubro, a moeda norte-americana não subia quatro dias seguidos. Apesar das altas recentes, a divisa acumula recuo de 1,34% em novembro, por causa das quedas expressivas no início do mês. Em 2021, a valorização chega a 7,34%.

No mercado de ações, o dia também foi instável. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 102.426 pontos, com queda de 0,51%. O indicador está no menor nível desde 11 de novembro do ano passado. A bolsa foi influenciada pela queda nas ações de mineradoras, decorrente do recuo do preço internacional do minério de ferro, e nas ações de bancos, afetadas pelas incertezas em relação à economia doméstica.

A possibilidade de o Senado mudar o teor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios está pressionando o mercado. Apesar de a PEC liberar R$ 91,6 bilhões em gastos públicos no próximo ano, os investidores receiam que uma eventual rejeição do texto estimule o governo a buscar soluções como a edição de um eventual decreto de calamidade pública que permita créditos extraordinários (fora do teto de gastos) em 2022.

No mercado internacional, o dólar subiu perante as principais moedas de países emergentes. No Brasil, a queda do preço internacional do minério de ferro deverá agravar a situação por significar redução do valor exportado, impactando o superávit da balança comercial e aumentando o déficit nas contas externas.

 

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil