O Contexto Histórico: A Comissão Rondon
No início do século passado, o vasto território que hoje
forma Rondônia era conhecido como os “sertões do noroeste” — uma região
praticamente inexplorada. A missão de conectar essas terras ao restante do país
coube à Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao
Amazonas, criada pelo governo federal e chefiada pelo então major Cândido
Rondon.
Entre 1907 e 1915, a Comissão Rondon percorreu
milhares de quilômetros de floresta amazônica, abrindo caminho entre rios,
montanhas e aldeias isoladas. O resultado foi a instalação de mais de 2 mil
quilômetros de linhas telegráficas, ligando Cuiabá a Manaus e aproximando,
pela primeira vez, o coração da Amazônia do litoral brasileiro.
Mais do que um feito técnico, foi um ato de visão. Rondon
acreditava que o progresso não precisava caminhar à custa da violência. Seu
lema, “Morrer se preciso for, matar nunca”, tornou-se símbolo de uma
nova ética de contato entre o Estado brasileiro e os povos indígenas.
De Território Federal a Estado: A Oficialização da
Homenagem
O reconhecimento viria décadas depois. Em 1943,
durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado o Território Federal
do Guaporé, abrangendo partes dos estados do Amazonas e Mato Grosso. Treze
anos mais tarde, em 17 de fevereiro de 1956, a Lei nº 2.731
alterou a denominação oficial para Território Federal de Rondônia,
eternizando o nome de seu patrono.
A decisão foi mais do que simbólica: era o reconhecimento de
um legado. Rondon não foi apenas um engenheiro ou militar — foi um humanista
que acreditava no diálogo entre culturas e na expansão do conhecimento
científico como forma de unir o país.
Finalmente, em 22 de dezembro de 1981, com a Lei
Complementar nº 41, Rondônia foi elevada à categoria de estado,
consolidando seu nome no mapa federativo do Brasil.
O Significado do Nome
“Rondônia” pode ser lida como “Terra de Rondon”.
Um nome que ecoa a coragem de quem desbravou sem destruir, que integrou sem
oprimir, e que viu na floresta e em seus povos não obstáculos, mas parte
essencial do Brasil.
O estado, que nasceu de um ideal de conexão e respeito, continua sendo um símbolo de diversidade e resistência — valores que o próprio Marechal Rondon defendia até o fim da vida. Seu exemplo segue inspirando gerações, lembrando-nos de que o verdadeiro progresso deve caminhar lado a lado com a humanidade.
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Referências Bibliográficas
BIGIO, Elias. Cândido Rondon: a integração nacional.
Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-Rio, 2000.
BRASIL. Lei nº 2.731, de 17 de fevereiro de 1956. Diário Oficial da
União, Rio de Janeiro, 17 fev. 1956.
BRASIL. Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1981.
DIACON, Todd A. Stringing Together a Nation: Cândido Rondon and the
Construction of a Modern Brazil, 1906–1930. Durham: Duke University Press,
2004.
SÁ, Dominichi Miranda de. A Ciência como Ofício: Médicos, bacharéis e
cientistas no Brasil (1895–1935). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.

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