Radio Evangélica

sábado, 12 de abril de 2025

A consolidação da República Romana e os conflitos sociais

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Com a expulsão dos reis etruscos e a instauração da República em 509 a.C., Roma passou a experimentar um novo modelo de organização política, baseado na alternância de poder, na colegialidade dos cargos e na participação dos cidadãos nas decisões públicas. Contudo, o novo regime não significou, de imediato, uma sociedade mais igualitária. As primeiras décadas da República foram marcadas por profundas tensões entre os patrícios, membros da elite fundiária, e os plebeus, a maioria da população composta por pequenos proprietários, camponeses, artesãos e soldados (CORNELL, 1995).

As instituições republicanas

No lugar do rei, a República instituiu dois cônsules, eleitos anualmente, com poderes executivos e militares. Para equilibrar o poder e evitar abusos, os cônsules deviam agir em consenso. Ao lado deles, o Senado — inicialmente composto apenas por patrícios — manteve-se como órgão consultivo, mas com grande influência sobre a política externa e as finanças. As assembleias populares (com destaque para a Assembleia Centuriata e a Assembleia Tribal) representavam os cidadãos e tinham poder de eleger magistrados e aprovar leis, ainda que o peso do voto fosse desigual, favorecendo os mais ricos (LÍVIO, 2014).

A luta dos plebeus

A desigualdade entre patrícios e plebeus levou a uma série de conflitos sociais, conhecidos como "Conflitos da Ordem" (ou Conflictus Ordinum). Os plebeus, essenciais nas campanhas militares, começaram a exigir direitos políticos e proteção contra abusos, como a escravidão por dívidas. Um marco dessa luta foi a secessão da plebe em 494 a.C., quando os plebeus se retiraram para o Monte Sagrado e se recusaram a servir no exército, forçando os patrícios a negociar (OGILVIE, 1976).

Como resultado, foi criada a magistratura dos tribunos da plebe, com poder de veto sobre decisões dos magistrados e do Senado. Aos poucos, os plebeus conquistaram mais direitos, como o acesso aos cargos públicos (Lei Canuleia de 445 a.C.) e à igualdade jurídica com os patrícios, culminando com a Lei das Doze Tábuas, em 451–450 a.C., o primeiro código legal romano escrito e publicado (CARANDINI, 2003).

A expansão territorial e a organização militar

Ao mesmo tempo em que enfrentava disputas internas, Roma expandia seu controle sobre o Lácio e as regiões vizinhas. A República desenvolveu uma máquina militar eficiente e disciplinada, baseada no serviço obrigatório dos cidadãos. Essa estrutura militar, aliada à construção de estradas e ao estabelecimento de colônias, permitiu a consolidação do poder romano na península Itálica até o século III a.C. (CORNELL, 1995).

A experiência da guerra e da conquista também fortaleceu a unidade interna, ao mesmo tempo em que criava novas contradições sociais, como o aumento da desigualdade e o acúmulo de terras pelos patrícios, em detrimento dos pequenos proprietários plebeus.

Considerações finais

O período republicano inicial revela um momento de intensa transformação social e política em Roma. A substituição da monarquia por um sistema republicano não eliminou os privilégios da elite patrícia, mas abriu espaço para a mobilização popular e a conquista gradual de direitos pelos plebeus. Esse processo não foi linear nem pacífico, mas resultou em uma estrutura política flexível e resiliente, capaz de integrar diferentes interesses e sustentar a expansão de Roma como potência regional.

A consolidação das instituições republicanas, aliada à habilidade diplomática e militar dos romanos, lançou as bases para o futuro império. Ao analisar esse período, compreendemos como a República romana foi não apenas uma forma de governo, mas uma experiência histórica singular de negociação entre tradição, conflito e inovação.

Referências Bibliográficas

CARANDINI, Andrea. Roma: Il primo giorno. Torino: Giulio Einaudi, 2003.
CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 BC). London: Routledge, 1995.
LÍVIO, Tito. História de Roma desde a sua fundação. São Paulo: Edipro, 2014.
OGILVIE, R. M. Early Rome and the Etruscans. London: Fontana Press, 1976.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

IBC-Br sobe 0,4% em fevereiro e reforça sinais de resiliência econômica

Dados são do Banco Central e reportagem da Agência Brasil

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Pelo segundo mês consecutivo, a atividade econômica brasileira apresentou crescimento, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta sexta-feira (11) pela própria autoridade monetária. O índice, que serve como um dos principais termômetros da economia nacional, registrou alta de 0,4% em fevereiro na comparação com janeiro, considerando os dados dessazonalizados.

No mês, o IBC-Br atingiu 108,8 pontos, sinalizando uma trajetória de recuperação moderada. Em relação a fevereiro de 2024, o crescimento foi de 4,1%, e no acumulado de 12 meses, a variação positiva foi de 3,8%. Os números fazem parte da base pública de dados do Banco Central, que também disponibiliza o histórico completo dos componentes setoriais como agropecuária, indústria, serviços e impostos.

De acordo com matéria publicada pela Agência Brasil, o índice é acompanhado de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) por refletir o nível de atividade econômica e contribuir nas decisões sobre a taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano. A elevação dos juros, segundo o BC, tem como objetivo controlar a inflação, embora impacte negativamente o ritmo de crescimento.

O cenário atual é marcado por inflação em desaceleração. Em março, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,56%, abaixo dos 1,31% registrados em fevereiro. Ainda assim, no acumulado em 12 meses, a inflação oficial chegou a 5,48%, superando o teto da meta definida para o período.

O Banco Central alertou para os riscos persistentes de inflação de serviços e indicou que poderá realizar novos ajustes na Selic, ainda que em menor intensidade nas próximas reuniões do Copom. A política monetária restritiva tem dificultado uma expansão mais robusta da economia, mas os dados recentes mostram sinais de resiliência.

O IBC-Br, apesar de não ser uma prévia exata do Produto Interno Bruto (PIB), é utilizado internamente pelo BC como instrumento de acompanhamento da atividade. Em 2024, o PIB brasileiro cresceu 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de avanço.

IPCA desacelera em março, mas acumula alta de 5,48% em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 0,56% em março de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração frente à taxa de fevereiro (1,31%), mas ainda é o maior índice para um mês de março desde 2023, quando ficou em 0,71%. No acumulado do ano, o IPCA já soma alta de 2,04%. Em 12 meses, o índice atinge 5,48%, acima dos 5,06% registrados no período anterior.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação positiva em março. O maior impacto veio do grupo Alimentação e bebidas, que subiu 1,17% e respondeu por 0,25 ponto percentual do IPCA do mês — cerca de 45% do total. Entre os itens que mais pressionaram estão o tomate (22,55%), o ovo de galinha (13,13%) e o café moído (8,14%). Em contrapartida, houve queda no preço do óleo de soja (-1,99%), arroz (-1,81%) e carnes (-1,60%).

A alimentação fora do domicílio também acelerou, passando de 0,47% em fevereiro para 0,77% em março. O subitem refeição variou 0,86%, e o cafezinho, 3,48%. Já o lanche teve desaceleração leve, de 0,66% para 0,63%.

O segundo maior avanço foi observado em Despesas pessoais, que subiram 0,70%, puxadas por itens como cinema, teatro e concertos (7,76%), reflexo do encerramento da Semana do Cinema promovida em fevereiro. O grupo Vestuário teve alta de 0,59%, com aumentos em todos os segmentos, especialmente calçados e acessórios (0,65%).

No grupo Transportes (0,46%), a alta das passagens aéreas (6,91%) e dos combustíveis (0,46%) foi parcialmente compensada por reduções nos preços do ônibus urbano (-1,09%), em função de tarifas promocionais aos domingos em Curitiba e da gratuidade nos transportes públicos em Brasília.

A Habitação, que havia registrado forte alta de 4,44% em fevereiro, desacelerou para 0,24% em março. A energia elétrica residencial, que havia subido 16,80% no mês anterior, teve variação de apenas 0,12% em março.

Destaques regionais

Entre as regiões pesquisadas, Curitiba e Porto Alegre apresentaram as maiores variações (0,76%), impulsionadas principalmente pela alta da gasolina (1,84% e 2,43%, respectivamente). A menor variação foi registrada em Rio Branco (0,27%) e Brasília (0,27%), onde a redução de 24,18% no preço do ônibus urbano teve forte impacto.

INPC também desacelera

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), voltado às famílias com renda de até cinco salários mínimos, registrou alta de 0,51% em março, após ter avançado 1,48% em fevereiro. No acumulado do ano, o índice está em 2,00% e, nos últimos 12 meses, soma 5,20% — também acima dos 4,87% dos 12 meses anteriores.

Os produtos alimentícios, que já haviam subido 0,75% em fevereiro, aceleraram para 1,08% em março. Os não alimentícios, por sua vez, desaceleraram de 1,72% para 0,32%.

Curitiba (0,79%) também liderou o avanço do INPC, seguida de Porto Alegre (0,77%), ambas influenciadas pelos combustíveis. A menor variação, novamente, foi em Brasília (-0,33%), pela política de gratuidade nos transportes públicos aos domingos e feriados.

O IPCA e o INPC são calculados pelo IBGE com base em preços coletados entre os dias 27 de fevereiro e 31 de março de 2025, abrangendo dez regiões metropolitanas e seis capitais do país. Os índices seguem como termômetro essencial da inflação e refletem diretamente o custo de vida da população brasileira, especialmente no que diz respeito à alimentação e transporte.

 

Mulheres Míticas do Folclore Brasileiro: Força, Mistério e Simbolismo

Dando sequência à nossa série sobre o folclore brasileiro, exploraremos agora as figuras femininas que habitam o imaginário popular. Essas personagens, envoltas em mistério, beleza e poder, refletem não apenas o enraizamento cultural de diversos povos, mas também os papéis simbólicos atribuídos às mulheres ao longo da história. Muitas dessas lendas possuem origens indígenas ou africanas, ressignificadas pela tradição oral e pela religiosidade popular.

Iara – A Mãe-d’Água Encantadora

Talvez a figura feminina mais conhecida do folclore brasileiro, a Iara é uma sereia de pele morena e cabelos longos que vive nos rios da Amazônia. Seu canto hipnótico atrai pescadores e viajantes para o fundo das águas. Ao mesmo tempo sedutora e perigosa, a Iara representa tanto o fascínio quanto o medo diante da natureza e da feminilidade. Sua lenda mistura elementos indígenas com visões moralistas trazidas pelos colonizadores.

Cuca – A Bruxa das Canções Infantis

A Cuca, eternizada pelo “Sítio do Picapau Amarelo” de Monteiro Lobato, é descrita como uma velha bruxa com aparência de jacaré. Embora cause medo nas crianças, sua figura tem raízes em antigas histórias ibéricas e africanas, funcionando como uma advertência aos pequenos desobedientes. Com o tempo, a Cuca se tornou símbolo da vigilância e do castigo, mas também de uma sabedoria ancestral esquecida.

Maria Caninana – A Mulher Serpente

Proveniente do Norte do Brasil, Maria Caninana é uma personagem dividida entre o mundo humano e o animal. Segundo a lenda, era uma mulher que se transformava em cobra para proteger os rios. Essa narrativa pode ser interpretada como metáfora para o dualismo feminino: instinto e razão, proteção e perigo. Sua história também ecoa os mitos indígenas sobre os encantados — seres que vivem entre o visível e o invisível.

Dandara – A Heroína Histórica e Mítica

Embora não seja uma personagem mitológica no sentido tradicional, Dandara dos Palmares é frequentemente tratada como figura lendária do folclore afro-brasileiro. Guerreira e companheira de Zumbi, Dandara representa a resistência negra, a luta pela liberdade e o protagonismo feminino nas narrativas históricas brasileiras. Sua memória é resgatada como símbolo de empoderamento e justiça.

O Simbolismo do Feminino no Folclore

As mulheres do folclore brasileiro são, muitas vezes, retratadas como guardiãs da natureza, seres encantadores ou bruxas punitivas. Esse imaginário revela tanto a veneração quanto o controle que as sociedades tradicionais exerceram sobre o feminino. Entretanto, ao revisitarmos essas histórias sob uma nova ótica, podemos enxergá-las como símbolos de força, ancestralidade e resistência.

A Importância de Valorizar Essas Narrativas

Em tempos de apagamento cultural e globalização, resgatar os personagens femininos do folclore é uma forma de dar voz a outras narrativas. Mulheres que foram mitificadas, temidas ou esquecidas passam a ocupar um espaço de reconhecimento e reflexão dentro do imaginário nacional.

Referências Bibliográficas

  • CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 20. ed. São Paulo: Global Editora, 2012.
  • MOURA, Carlos Eugênio Marcondes de. O Negro Denunciado: o discurso da negritude nos mitos e lendas afro-brasileiras. São Paulo: Ática, 2001.
  • LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana. São Paulo: Selo Negro, 2004.
  • MENEZES BASTOS, Rafael José de. Narrativas Míticas e Rituais Indígenas. Florianópolis: Editora da UFSC, 2002.
  • ALMEIDA, Maria Geralda de. As Mulheres e o Imaginário Popular: lendas, mitos e representações. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
  • MONTEIRO LOBATO. O Saci. São Paulo: Brasiliense, 1921.
  • SILVA, Vanda Machado da. O Jogo da Cultura: o folclore na educação infantil. Salvador: EDUFBA, 2003.

Urbanismo na Grécia Antiga: Ordem e Funcionalidade

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Ao contrário da imagem idealizada de uma Atenas homogênea e perfeitamente planejada, muitas pólis gregas cresceram de forma orgânica, adaptando-se ao relevo e às necessidades locais. No entanto, a partir do século V a.C., especialmente após as guerras médicas, surgiram propostas mais racionais de urbanização, influenciadas por filósofos e arquitetos como Hipódamo de Mileto, considerado o "pai do urbanismo".

Hipódamo propôs um modelo de cidade baseado em uma planta ortogonal, com ruas retas que se cruzavam em ângulos retos, formando quarteirões regulares. Essa organização permitia melhor circulação, ventilação e aproveitamento do espaço urbano, refletindo a busca grega por ordem, proporção e racionalidade também no planejamento das cidades.

Estrutura das Pólis: Espaços Públicos e Privados

As pólis gregas, como Atenas, Corinto e Esparta, organizavam-se em torno de três elementos centrais:

  1. A Acrópole
    Localizada em um ponto elevado da cidade, a acrópole abrigava os principais templos e santuários. Era, ao mesmo tempo, um espaço religioso, simbólico e defensivo. O Partenon, já citado, é o exemplo mais conhecido desse tipo de estrutura.
  2. A Ágora
    Era a praça central, coração da vida pública e política da pólis. Nela se reuniam os cidadãos para discutir assuntos do Estado, realizar transações comerciais e participar de cerimônias. Rodeada por estóas (galerias com colunas), a ágora concentrava edifícios administrativos, tribunais, mercados e templos menores.
  3. Os bairros residenciais
    As casas eram geralmente simples, construídas com tijolos de adobe ou pedras locais. Dispostas em quarteirões, elas refletiam a distinção entre o espaço público e o privado. O pátio interno era um elemento comum, proporcionando luz, ventilação e privacidade. Mesmo as residências mais modestas respeitavam certos padrões de simetria e funcionalidade.

Infraestruturas Urbanas

Além de sua estética refinada, a arquitetura grega contribuiu significativamente para o desenvolvimento de infraestruturas funcionais nas cidades:

  • Sistemas de esgoto e drenagem, especialmente em cidades como Pireu e Priene;
  • Fontes públicas e cisternas, garantindo o abastecimento de água;
  • Ginásios e palestras, voltados à educação física e filosófica dos jovens;
  • Teatros e estádios, espaços que uniam arte, esporte e vida comunitária.

Integração entre Arquitetura e Vida Cotidiana

Na Grécia Antiga, a arquitetura era uma expressão concreta dos ideais democráticos, religiosos e estéticos do povo. Cada construção — fosse ela um templo, uma casa, uma estoa ou um teatro — era concebida não apenas para ser funcional, mas para refletir os valores da comunidade.

A harmonia entre forma e propósito estava presente até nos pequenos detalhes. O uso de proporções matemáticas, o respeito à topografia local e a escolha dos materiais revelam uma consciência profunda do ambiente e das necessidades humanas.

Considerações Finais

A arquitetura na Grécia Antiga transcende o aspecto meramente técnico. Ela se manifesta como linguagem estética, instrumento político e meio de organização social. Das colunas do Partenon às ruas ortogonais de Mileto, os gregos nos deixaram um legado que ultrapassa o tempo e continua a inspirar o modo como pensamos e construímos nossas cidades.

No próximo artigo da série, exploraremos a escultura na Grécia Antiga, com ênfase nas representações do corpo humano, a busca pelo ideal estético e os grandes mestres como Fídias, Míron e Policleto.

Referências Bibliográficas adicionais:

  • BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 2011.
  • WYCHERLEY, R.E. How the Greeks Built Cities. London: Macmillan, 1976.
  • HOEPPER, Richard; VALLADARES, Lilia Moritz. Grécia: Mito, História e Cultura. São Paulo: Ática, 2007.
  • JAEGER, Werner. Paideia: A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Serviços crescem 0,8% em fevereiro e setor mantém ritmo positivo no Brasil

Com resultado, setor está 16,2% acima do nível pré-pandemia; destaque para informação e comunicação, enquanto transportes recuam pelo segundo mês seguido

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O volume de serviços no Brasil registrou crescimento de 0,8% em fevereiro de 2025 frente ao mês anterior, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, que considera a série com ajuste sazonal, marca o segundo mês consecutivo de alta e posiciona o setor 16,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 1,0% abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2024.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o avanço foi ainda mais expressivo: 4,2%, registrando a 11ª taxa positiva seguida nesta base de comparação. No acumulado de 2025, o setor já cresceu 2,6%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses aponta alta de 2,8%.

O desempenho positivo em fevereiro foi impulsionado por quatro das cinco atividades investigadas pela Pesquisa Mensal de Serviços. O destaque ficou por conta do setor de informação e comunicação, que avançou 1,8% no mês, acumulando 4,0% de crescimento nos dois primeiros meses do ano. Serviços profissionais, administrativos e complementares (1,1%), outros serviços (2,2%) e serviços prestados às famílias (0,5%) também contribuíram para o resultado geral.

Por outro lado, o setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuou 0,1%, mantendo a tendência de queda iniciada em janeiro (-1,8%).

Setor de tecnologia segue em alta

Dentro da área de informação e comunicação, os serviços de tecnologia da informação foram os que mais se destacaram, com crescimento de 5,9% em fevereiro e alta de 18,1% frente ao mesmo mês do ano anterior. Também houve desempenho positivo em segmentos como telecomunicações, serviços audiovisuais e portais de conteúdo online.

Esse grupo exerceu o principal impacto positivo no resultado geral frente a fevereiro de 2024, com crescimento de 9,8%. A alta foi sustentada por maior receita em serviços de software, hospedagem na internet e consultoria em TI.

Resultados regionais

A expansão do volume de serviços foi registrada em 21 das 27 unidades da federação na comparação com janeiro. Os destaques positivos vieram de Mato Grosso (24,9%), Amazonas (14,2%), Distrito Federal (9,2%), Santa Catarina (2,1%) e São Paulo (0,8%), este último com forte peso na estrutura nacional.

Em contrapartida, os principais recuos foram observados no Espírito Santo (-1,8%), Rio de Janeiro (-0,9%) e Minas Gerais (-0,6%).

Na comparação com fevereiro de 2024, 23 unidades federativas registraram crescimento, lideradas por São Paulo (5,7%), Rio de Janeiro (5,5%), Distrito Federal (9,0%), Mato Grosso (10,9%) e Paraná.

Perspectiva para o setor

Apesar das oscilações em algumas atividades, o setor de serviços segue como um dos motores da economia brasileira. A média móvel trimestral, que busca suavizar flutuações, teve alta de 0,1% no trimestre encerrado em fevereiro. Embora modesta, essa variação foi sustentada especialmente pela resiliência do setor de informação e comunicação, que permanece em trajetória de expansão.

Já no recorte anual, o crescimento de 2,6% no primeiro bimestre de 2025 foi puxado por quatro das cinco grandes atividades pesquisadas, com destaque novamente para a tecnologia, que tem se consolidado como o principal vetor de crescimento do setor.

A Astronomia Maia: Ciência, Céu e Profecia

 

Divulgação/Luciana Monte/Flickr
A civilização maia surpreende não apenas por sua espiritualidade profunda, mas também por seus conhecimentos científicos avançados, especialmente no campo da astronomia. Para os maias, observar o céu não era apenas uma atividade científica, mas também espiritual e ritualística. Seus astrônomos-sacerdotes eram verdadeiros mestres na leitura dos céus, e sua compreensão dos astros influenciava desde a agricultura até as decisões políticas e religiosas.

Uma Ciência Celestial

Os maias desenvolveram uma astronomia extremamente precisa, observando o movimento dos planetas, da lua e do sol a olho nu, sem o uso de instrumentos óticos modernos. Através dessas observações, eles calcularam com exatidão eventos como eclipses solares e lunares, solstícios, equinócios e ciclos planetários, especialmente os de Vênus, que tinha importância ritual.

Suas construções, como templos e pirâmides, eram alinhadas com eventos astronômicos, demonstrando um conhecimento prático e simbólico do cosmos. Um dos exemplos mais impressionantes está em Chichén Itzá, onde, durante os equinócios, o jogo de luz e sombra na pirâmide de Kukulcán forma a imagem de uma serpente descendo os degraus.

Os Calendários Maias

A astronomia maia estava profundamente entrelaçada com seus calendários. Os principais eram:

  • Tzolk’in (260 dias): calendário ritual usado para marcar festividades religiosas e a escolha de dias auspiciosos.
  • Haab’ (365 dias): calendário solar, usado para a organização da vida civil e agrícola.
  • Contagem Longa: sistema para registrar longos períodos de tempo e eventos históricos, baseando-se em ciclos de 5.125 anos.

O fim de um ciclo da Contagem Longa, ocorrido em 2012, foi erroneamente interpretado como previsão de “fim do mundo”, quando, na verdade, simbolizava renovação e recomeço segundo a visão cíclica maia do tempo.

Céu e Profecia

Para os maias, os corpos celestes eram entidades vivas ou mensageiros dos deuses. Cada eclipse, cada alinhamento, carregava significados espirituais profundos. Os reis e sacerdotes consultavam os céus antes de declarar guerras, coroar governantes ou realizar grandes rituais. A astronomia maia, portanto, era tanto uma ciência matemática quanto uma ferramenta teológica.

Legado Duradouro

Mesmo após a colonização espanhola e a destruição de muitos códices, o conhecimento astronômico maia sobreviveu por meio de inscrições em templos, estelas e em alguns manuscritos, como o Códice de Dresden, que contém informações detalhadas sobre ciclos lunares e venusianos.

Hoje, arqueoastrônomos e historiadores reconhecem a genialidade desse povo e continuam a desvendar suas descobertas, que ainda surpreendem pela precisão e sofisticação.

Conclusão

A astronomia maia nos mostra que ciência e espiritualidade caminharam lado a lado nessa antiga civilização. Para eles, compreender o céu era compreender o divino, o tempo e o próprio destino humano. Seu legado permanece como um testemunho da capacidade humana de observar, interpretar e se conectar com o universo.

 

Referências Bibliográficas

  • Aveni, Anthony F. Skywatchers. University of Texas Press, 2001.
  • Milbrath, Susan. Star Gods of the Maya: Astronomy in Art, Folklore, and Calendars. University of Texas Press, 1999.
  • Coe, Michael D. The Maya. Thames & Hudson, 2011.
  • Van Stone, Mark. 2012: Science and Prophecy of the Ancient Maya. Tlacaélel Press, 2010.

"Porque o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança." (Salmos 94:14)

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Em meio à correria da vida, aos desafios diários e às batalhas internas que travamos, é natural que, em algum momento, nos perguntemos: “Será que Deus se esqueceu de mim?”

Essa dúvida, embora comum, é respondida com firmeza por uma verdade eterna registrada no Salmo 94:14: Deus não rejeita o Seu povo. Ele não desampara aqueles que são Sua herança.

O Contexto do Salmo 94

Este salmo é um clamor por justiça. O salmista observa a prosperidade dos ímpios e a opressão sobre os justos, e questiona até quando Deus permitirá tais injustiças. Mas no meio da angústia, surge uma certeza que muda tudo: o Senhor permanece fiel.

Essa declaração no verso 14 não é apenas uma frase de conforto. É uma promessa, um lembrete de que, mesmo quando tudo parece contrário, Deus continua no controle e não abandona os Seus.

O Que Podemos Aprender?

Deus é Fiel, Mesmo Quando Tudo Parece Silencioso

Às vezes, o silêncio de Deus pode parecer abandono, mas não é. Ele age no tempo certo, com sabedoria perfeita. Sua fidelidade não depende das circunstâncias nem dos nossos méritos.
Ele cuida de nós porque somos d’Ele.

Somos a Herança de Deus

Ser chamado de “herança” mostra o quanto somos preciosos para Deus. Ele nos escolheu, nos separou e tem prazer em cuidar de nós. Deus não desampara o que Lhe pertence.
Essa verdade deve fortalecer nosso coração, especialmente nos dias difíceis.

A Justiça de Deus Não Falha

Mesmo quando o mal parece prevalecer, podemos descansar sabendo que a justiça divina nunca falha. Pode demorar aos olhos humanos, mas o Senhor age no tempo certo, com poder e retidão.

 Como Aplicar Isso no Dia a Dia?

  • Quando se sentir sozinho, lembre-se desta promessa: Deus não te rejeita.
  • Diante das injustiças, confie na justiça de Deus, que é perfeita e eterna.
  • Em momentos de fraqueza, reconheça que você é herança do Senhor e que Ele cuida de cada detalhe da sua vida.

 Conclusão

Salmos 94:14 é um convite à confiança, mesmo em meio ao caos. Ele nos lembra que, acima das circunstâncias, existe um Deus presente, fiel e justo, que nunca abandona os Seus.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Crédito sobe e alcança R$18,8 trilhões em fevereiro, impulsionado por títulos públicos e empréstimos às empresas

Expansão de 1,7% no mês reforça crescimento do crédito ampliado, enquanto taxa média de juros atinge 30,5% ao ano; endividamento das famílias atinge maior nível desde junho de 2023

SFPMIS.org.br
O crédito ampliado ao setor não financeiro no Brasil registrou um crescimento de 1,7% em fevereiro, totalizando R$18,8 trilhões — o equivalente a 158,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento foi puxado, principalmente, pela alta de 3,6% nos títulos públicos de dívida, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 14,9%.

Empresas lideram expansão

O crédito às empresas somou R$6,6 trilhões (56,1% do PIB), com alta de 1,9% em fevereiro. Destaque para o avanço de 3,8% nos empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e de 1,5% nos empréstimos externos. Em relação a fevereiro de 2024, houve um crescimento expressivo de 19,2%, influenciado por títulos de dívida (+27,5%) e crédito externo (+18,6%).

Famílias com crédito mais estável

Já o crédito às famílias atingiu R$4,3 trilhões (36,5% do PIB), com crescimento mais modesto: 0,4% no mês e 12,5% em doze meses, sustentado especialmente pelos empréstimos do SFN.

Sistema Financeiro Nacional (SFN) movimenta R$6,5 trilhões

O estoque de crédito do SFN chegou a R$6,5 trilhões em fevereiro, com crescimento mensal de 0,4%. O crédito às empresas totalizou R$2,5 trilhões (+0,5%) e às famílias R$4,0 trilhões (+0,4%). No acumulado de 12 meses, a alta foi de 11,8%.

  • Crédito com recursos livres: R$3,7 trilhões (estável no mês, +11,3% em 12 meses)
  • Crédito direcionado: R$2,7 trilhões (+0,9% no mês, +12,5% em 12 meses)

Juros e inadimplência em alta

A taxa média de juros das novas concessões chegou a 30,5% ao ano, com avanço de 0,7 ponto percentual no mês. A inadimplência, por sua vez, atingiu 3,3% da carteira total do SFN, mantendo-se estável em 12 meses.

  • Juros para famílias: 35,0% a.a. (+1,2 p.p. no mês)
  • Juros para empresas: 21,0% a.a. (-0,4 p.p. no mês)
  • Spread bancário: 19,4 p.p.

No crédito livre às famílias, a taxa de juros chegou a 56,3% a.a., impulsionada pelo aumento no rotativo do cartão de crédito (+9,6 p.p.) e no crédito pessoal não consignado (+6,1 p.p.).

Endividamento e comprometimento de renda

O endividamento das famílias subiu para 48,7% da renda em janeiro, o maior nível desde junho de 2023. Já o comprometimento da renda com dívidas subiu para 27,3%.

Agregados monetários crescem

A base monetária chegou a R$440,9 bilhões (+0,2% no mês). Os agregados M1, M2, M3 e M4 também apresentaram expansão:

  • M1: R$627,8 bilhões (+0,4%)
  • M2: R$6,6 trilhões (+0,9%)
  • M3: R$12,1 trilhões (+0,7%)
  • M4: R$13,6 trilhões (+1,4% no mês e +12,2% em 12 meses)

Limite para juros em cartões entra em vigor

Desde janeiro, está em vigor a Lei nº 14.690/2023, que limita a cobrança de juros e encargos em cartões de crédito rotativo e parcelado. O total cobrado não pode ultrapassar o valor original da dívida. O Banco Central criou uma página específica para acompanhar os efeitos da nova legislação: Acesse aqui.

Varejo cresce 0,5% em fevereiro e atinge recorde histórico, aponta IBGE

Setores como móveis, supermercados e artigos farmacêuticos puxaram a alta; varejo ampliado recua após forte crescimento em janeiro

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro registrou alta de 0,5% em fevereiro, na comparação com janeiro, já descontados os efeitos sazonais. O dado foi divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e marca a maior variação positiva desde outubro do ano passado, elevando o setor ao maior patamar da série histórica iniciada em 2000.

Essa recuperação quebra um ciclo de quatro meses consecutivos de estabilidade, e a média móvel trimestral também subiu 0,2%, sinalizando uma retomada gradual do ritmo de crescimento.

Entre as oito atividades pesquisadas no varejo restrito, quatro registraram avanço em fevereiro. O destaque ficou por conta do grupo de hiper e supermercados, alimentos, bebidas e fumo, com crescimento de 1,1%. Móveis e eletrodomésticos vieram em seguida, com 0,9%, acompanhados por artigos farmacêuticos e de perfumaria (0,3%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

Na outra ponta, quatro atividades apresentaram queda no mês. A maior retração foi registrada no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 7,8%, seguido por equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e combustíveis e lubrificantes (-0,1%).

Varejo ampliado tem leve queda

Já o comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos, motos, partes e peças, além de material de construção, apresentou queda de 0,4% em fevereiro. Essa retração sucede uma forte alta de 2,9% em janeiro.

O desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo setor de veículos e motos, com recuo de 2,6%. Por outro lado, o segmento de material de construção cresceu 1,1%, compensando parcialmente o resultado geral.

Crescimento mais forte na comparação anual

Na comparação com fevereiro de 2024, o varejo restrito cresceu 1,5%, e o ampliado, 2,4%. Seis das oito atividades pesquisadas apresentaram variações positivas, com destaque para móveis e eletrodomésticos (+9,3%), tecidos, vestuário e calçados (+8,6%) e artigos farmacêuticos (+3,2%).

Em relação ao acumulado do ano, tanto o varejo restrito quanto o ampliado apresentam crescimento de 2,3%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o avanço é de 3,6% no varejo restrito e de 2,9% no varejo ampliado.

Receita nominal também avança

Além do volume de vendas, a receita nominal também apresentou resultados positivos. Em fevereiro, houve crescimento de 1,4% no varejo restrito e de 0,6% no varejo ampliado, na comparação com janeiro. Frente ao mesmo mês do ano anterior, a alta foi de 7,1% e 7,0%, respectivamente.

Farmácias e artigos domésticos em alta contínua

O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria completou 24 meses consecutivos de crescimento no volume de vendas, com destaque para a demanda contínua por produtos de uso regular, como medicamentos e itens de higiene.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico também sustentam tendência positiva, acumulando 13 meses consecutivos de alta.

Metodologia

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE. A pesquisa acompanha o comportamento conjuntural do comércio varejista e ampliado em todo o território nacional. As séries com ajuste sazonal são corrigidas para eliminar influências típicas de determinados períodos do ano, como datas comemorativas ou variações climáticas.