Radio Evangélica

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Urbanismo na Grécia Antiga: Ordem e Funcionalidade

PixaBay
Ao contrário da imagem idealizada de uma Atenas homogênea e perfeitamente planejada, muitas pólis gregas cresceram de forma orgânica, adaptando-se ao relevo e às necessidades locais. No entanto, a partir do século V a.C., especialmente após as guerras médicas, surgiram propostas mais racionais de urbanização, influenciadas por filósofos e arquitetos como Hipódamo de Mileto, considerado o "pai do urbanismo".

Hipódamo propôs um modelo de cidade baseado em uma planta ortogonal, com ruas retas que se cruzavam em ângulos retos, formando quarteirões regulares. Essa organização permitia melhor circulação, ventilação e aproveitamento do espaço urbano, refletindo a busca grega por ordem, proporção e racionalidade também no planejamento das cidades.

Estrutura das Pólis: Espaços Públicos e Privados

As pólis gregas, como Atenas, Corinto e Esparta, organizavam-se em torno de três elementos centrais:

  1. A Acrópole
    Localizada em um ponto elevado da cidade, a acrópole abrigava os principais templos e santuários. Era, ao mesmo tempo, um espaço religioso, simbólico e defensivo. O Partenon, já citado, é o exemplo mais conhecido desse tipo de estrutura.
  2. A Ágora
    Era a praça central, coração da vida pública e política da pólis. Nela se reuniam os cidadãos para discutir assuntos do Estado, realizar transações comerciais e participar de cerimônias. Rodeada por estóas (galerias com colunas), a ágora concentrava edifícios administrativos, tribunais, mercados e templos menores.
  3. Os bairros residenciais
    As casas eram geralmente simples, construídas com tijolos de adobe ou pedras locais. Dispostas em quarteirões, elas refletiam a distinção entre o espaço público e o privado. O pátio interno era um elemento comum, proporcionando luz, ventilação e privacidade. Mesmo as residências mais modestas respeitavam certos padrões de simetria e funcionalidade.

Infraestruturas Urbanas

Além de sua estética refinada, a arquitetura grega contribuiu significativamente para o desenvolvimento de infraestruturas funcionais nas cidades:

  • Sistemas de esgoto e drenagem, especialmente em cidades como Pireu e Priene;
  • Fontes públicas e cisternas, garantindo o abastecimento de água;
  • Ginásios e palestras, voltados à educação física e filosófica dos jovens;
  • Teatros e estádios, espaços que uniam arte, esporte e vida comunitária.

Integração entre Arquitetura e Vida Cotidiana

Na Grécia Antiga, a arquitetura era uma expressão concreta dos ideais democráticos, religiosos e estéticos do povo. Cada construção — fosse ela um templo, uma casa, uma estoa ou um teatro — era concebida não apenas para ser funcional, mas para refletir os valores da comunidade.

A harmonia entre forma e propósito estava presente até nos pequenos detalhes. O uso de proporções matemáticas, o respeito à topografia local e a escolha dos materiais revelam uma consciência profunda do ambiente e das necessidades humanas.

Considerações Finais

A arquitetura na Grécia Antiga transcende o aspecto meramente técnico. Ela se manifesta como linguagem estética, instrumento político e meio de organização social. Das colunas do Partenon às ruas ortogonais de Mileto, os gregos nos deixaram um legado que ultrapassa o tempo e continua a inspirar o modo como pensamos e construímos nossas cidades.

No próximo artigo da série, exploraremos a escultura na Grécia Antiga, com ênfase nas representações do corpo humano, a busca pelo ideal estético e os grandes mestres como Fídias, Míron e Policleto.

Referências Bibliográficas adicionais:

  • BENEVOLO, Leonardo. História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 2011.
  • WYCHERLEY, R.E. How the Greeks Built Cities. London: Macmillan, 1976.
  • HOEPPER, Richard; VALLADARES, Lilia Moritz. Grécia: Mito, História e Cultura. São Paulo: Ática, 2007.
  • JAEGER, Werner. Paideia: A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Serviços crescem 0,8% em fevereiro e setor mantém ritmo positivo no Brasil

Com resultado, setor está 16,2% acima do nível pré-pandemia; destaque para informação e comunicação, enquanto transportes recuam pelo segundo mês seguido

PixaBay
O volume de serviços no Brasil registrou crescimento de 0,8% em fevereiro de 2025 frente ao mês anterior, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, que considera a série com ajuste sazonal, marca o segundo mês consecutivo de alta e posiciona o setor 16,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 1,0% abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2024.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o avanço foi ainda mais expressivo: 4,2%, registrando a 11ª taxa positiva seguida nesta base de comparação. No acumulado de 2025, o setor já cresceu 2,6%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses aponta alta de 2,8%.

O desempenho positivo em fevereiro foi impulsionado por quatro das cinco atividades investigadas pela Pesquisa Mensal de Serviços. O destaque ficou por conta do setor de informação e comunicação, que avançou 1,8% no mês, acumulando 4,0% de crescimento nos dois primeiros meses do ano. Serviços profissionais, administrativos e complementares (1,1%), outros serviços (2,2%) e serviços prestados às famílias (0,5%) também contribuíram para o resultado geral.

Por outro lado, o setor de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuou 0,1%, mantendo a tendência de queda iniciada em janeiro (-1,8%).

Setor de tecnologia segue em alta

Dentro da área de informação e comunicação, os serviços de tecnologia da informação foram os que mais se destacaram, com crescimento de 5,9% em fevereiro e alta de 18,1% frente ao mesmo mês do ano anterior. Também houve desempenho positivo em segmentos como telecomunicações, serviços audiovisuais e portais de conteúdo online.

Esse grupo exerceu o principal impacto positivo no resultado geral frente a fevereiro de 2024, com crescimento de 9,8%. A alta foi sustentada por maior receita em serviços de software, hospedagem na internet e consultoria em TI.

Resultados regionais

A expansão do volume de serviços foi registrada em 21 das 27 unidades da federação na comparação com janeiro. Os destaques positivos vieram de Mato Grosso (24,9%), Amazonas (14,2%), Distrito Federal (9,2%), Santa Catarina (2,1%) e São Paulo (0,8%), este último com forte peso na estrutura nacional.

Em contrapartida, os principais recuos foram observados no Espírito Santo (-1,8%), Rio de Janeiro (-0,9%) e Minas Gerais (-0,6%).

Na comparação com fevereiro de 2024, 23 unidades federativas registraram crescimento, lideradas por São Paulo (5,7%), Rio de Janeiro (5,5%), Distrito Federal (9,0%), Mato Grosso (10,9%) e Paraná.

Perspectiva para o setor

Apesar das oscilações em algumas atividades, o setor de serviços segue como um dos motores da economia brasileira. A média móvel trimestral, que busca suavizar flutuações, teve alta de 0,1% no trimestre encerrado em fevereiro. Embora modesta, essa variação foi sustentada especialmente pela resiliência do setor de informação e comunicação, que permanece em trajetória de expansão.

Já no recorte anual, o crescimento de 2,6% no primeiro bimestre de 2025 foi puxado por quatro das cinco grandes atividades pesquisadas, com destaque novamente para a tecnologia, que tem se consolidado como o principal vetor de crescimento do setor.

A Astronomia Maia: Ciência, Céu e Profecia

 

Divulgação/Luciana Monte/Flickr
A civilização maia surpreende não apenas por sua espiritualidade profunda, mas também por seus conhecimentos científicos avançados, especialmente no campo da astronomia. Para os maias, observar o céu não era apenas uma atividade científica, mas também espiritual e ritualística. Seus astrônomos-sacerdotes eram verdadeiros mestres na leitura dos céus, e sua compreensão dos astros influenciava desde a agricultura até as decisões políticas e religiosas.

Uma Ciência Celestial

Os maias desenvolveram uma astronomia extremamente precisa, observando o movimento dos planetas, da lua e do sol a olho nu, sem o uso de instrumentos óticos modernos. Através dessas observações, eles calcularam com exatidão eventos como eclipses solares e lunares, solstícios, equinócios e ciclos planetários, especialmente os de Vênus, que tinha importância ritual.

Suas construções, como templos e pirâmides, eram alinhadas com eventos astronômicos, demonstrando um conhecimento prático e simbólico do cosmos. Um dos exemplos mais impressionantes está em Chichén Itzá, onde, durante os equinócios, o jogo de luz e sombra na pirâmide de Kukulcán forma a imagem de uma serpente descendo os degraus.

Os Calendários Maias

A astronomia maia estava profundamente entrelaçada com seus calendários. Os principais eram:

  • Tzolk’in (260 dias): calendário ritual usado para marcar festividades religiosas e a escolha de dias auspiciosos.
  • Haab’ (365 dias): calendário solar, usado para a organização da vida civil e agrícola.
  • Contagem Longa: sistema para registrar longos períodos de tempo e eventos históricos, baseando-se em ciclos de 5.125 anos.

O fim de um ciclo da Contagem Longa, ocorrido em 2012, foi erroneamente interpretado como previsão de “fim do mundo”, quando, na verdade, simbolizava renovação e recomeço segundo a visão cíclica maia do tempo.

Céu e Profecia

Para os maias, os corpos celestes eram entidades vivas ou mensageiros dos deuses. Cada eclipse, cada alinhamento, carregava significados espirituais profundos. Os reis e sacerdotes consultavam os céus antes de declarar guerras, coroar governantes ou realizar grandes rituais. A astronomia maia, portanto, era tanto uma ciência matemática quanto uma ferramenta teológica.

Legado Duradouro

Mesmo após a colonização espanhola e a destruição de muitos códices, o conhecimento astronômico maia sobreviveu por meio de inscrições em templos, estelas e em alguns manuscritos, como o Códice de Dresden, que contém informações detalhadas sobre ciclos lunares e venusianos.

Hoje, arqueoastrônomos e historiadores reconhecem a genialidade desse povo e continuam a desvendar suas descobertas, que ainda surpreendem pela precisão e sofisticação.

Conclusão

A astronomia maia nos mostra que ciência e espiritualidade caminharam lado a lado nessa antiga civilização. Para eles, compreender o céu era compreender o divino, o tempo e o próprio destino humano. Seu legado permanece como um testemunho da capacidade humana de observar, interpretar e se conectar com o universo.

 

Referências Bibliográficas

  • Aveni, Anthony F. Skywatchers. University of Texas Press, 2001.
  • Milbrath, Susan. Star Gods of the Maya: Astronomy in Art, Folklore, and Calendars. University of Texas Press, 1999.
  • Coe, Michael D. The Maya. Thames & Hudson, 2011.
  • Van Stone, Mark. 2012: Science and Prophecy of the Ancient Maya. Tlacaélel Press, 2010.

"Porque o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança." (Salmos 94:14)

PixaBay
Em meio à correria da vida, aos desafios diários e às batalhas internas que travamos, é natural que, em algum momento, nos perguntemos: “Será que Deus se esqueceu de mim?”

Essa dúvida, embora comum, é respondida com firmeza por uma verdade eterna registrada no Salmo 94:14: Deus não rejeita o Seu povo. Ele não desampara aqueles que são Sua herança.

O Contexto do Salmo 94

Este salmo é um clamor por justiça. O salmista observa a prosperidade dos ímpios e a opressão sobre os justos, e questiona até quando Deus permitirá tais injustiças. Mas no meio da angústia, surge uma certeza que muda tudo: o Senhor permanece fiel.

Essa declaração no verso 14 não é apenas uma frase de conforto. É uma promessa, um lembrete de que, mesmo quando tudo parece contrário, Deus continua no controle e não abandona os Seus.

O Que Podemos Aprender?

Deus é Fiel, Mesmo Quando Tudo Parece Silencioso

Às vezes, o silêncio de Deus pode parecer abandono, mas não é. Ele age no tempo certo, com sabedoria perfeita. Sua fidelidade não depende das circunstâncias nem dos nossos méritos.
Ele cuida de nós porque somos d’Ele.

Somos a Herança de Deus

Ser chamado de “herança” mostra o quanto somos preciosos para Deus. Ele nos escolheu, nos separou e tem prazer em cuidar de nós. Deus não desampara o que Lhe pertence.
Essa verdade deve fortalecer nosso coração, especialmente nos dias difíceis.

A Justiça de Deus Não Falha

Mesmo quando o mal parece prevalecer, podemos descansar sabendo que a justiça divina nunca falha. Pode demorar aos olhos humanos, mas o Senhor age no tempo certo, com poder e retidão.

 Como Aplicar Isso no Dia a Dia?

  • Quando se sentir sozinho, lembre-se desta promessa: Deus não te rejeita.
  • Diante das injustiças, confie na justiça de Deus, que é perfeita e eterna.
  • Em momentos de fraqueza, reconheça que você é herança do Senhor e que Ele cuida de cada detalhe da sua vida.

 Conclusão

Salmos 94:14 é um convite à confiança, mesmo em meio ao caos. Ele nos lembra que, acima das circunstâncias, existe um Deus presente, fiel e justo, que nunca abandona os Seus.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Crédito sobe e alcança R$18,8 trilhões em fevereiro, impulsionado por títulos públicos e empréstimos às empresas

Expansão de 1,7% no mês reforça crescimento do crédito ampliado, enquanto taxa média de juros atinge 30,5% ao ano; endividamento das famílias atinge maior nível desde junho de 2023

SFPMIS.org.br
O crédito ampliado ao setor não financeiro no Brasil registrou um crescimento de 1,7% em fevereiro, totalizando R$18,8 trilhões — o equivalente a 158,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento foi puxado, principalmente, pela alta de 3,6% nos títulos públicos de dívida, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 14,9%.

Empresas lideram expansão

O crédito às empresas somou R$6,6 trilhões (56,1% do PIB), com alta de 1,9% em fevereiro. Destaque para o avanço de 3,8% nos empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e de 1,5% nos empréstimos externos. Em relação a fevereiro de 2024, houve um crescimento expressivo de 19,2%, influenciado por títulos de dívida (+27,5%) e crédito externo (+18,6%).

Famílias com crédito mais estável

Já o crédito às famílias atingiu R$4,3 trilhões (36,5% do PIB), com crescimento mais modesto: 0,4% no mês e 12,5% em doze meses, sustentado especialmente pelos empréstimos do SFN.

Sistema Financeiro Nacional (SFN) movimenta R$6,5 trilhões

O estoque de crédito do SFN chegou a R$6,5 trilhões em fevereiro, com crescimento mensal de 0,4%. O crédito às empresas totalizou R$2,5 trilhões (+0,5%) e às famílias R$4,0 trilhões (+0,4%). No acumulado de 12 meses, a alta foi de 11,8%.

  • Crédito com recursos livres: R$3,7 trilhões (estável no mês, +11,3% em 12 meses)
  • Crédito direcionado: R$2,7 trilhões (+0,9% no mês, +12,5% em 12 meses)

Juros e inadimplência em alta

A taxa média de juros das novas concessões chegou a 30,5% ao ano, com avanço de 0,7 ponto percentual no mês. A inadimplência, por sua vez, atingiu 3,3% da carteira total do SFN, mantendo-se estável em 12 meses.

  • Juros para famílias: 35,0% a.a. (+1,2 p.p. no mês)
  • Juros para empresas: 21,0% a.a. (-0,4 p.p. no mês)
  • Spread bancário: 19,4 p.p.

No crédito livre às famílias, a taxa de juros chegou a 56,3% a.a., impulsionada pelo aumento no rotativo do cartão de crédito (+9,6 p.p.) e no crédito pessoal não consignado (+6,1 p.p.).

Endividamento e comprometimento de renda

O endividamento das famílias subiu para 48,7% da renda em janeiro, o maior nível desde junho de 2023. Já o comprometimento da renda com dívidas subiu para 27,3%.

Agregados monetários crescem

A base monetária chegou a R$440,9 bilhões (+0,2% no mês). Os agregados M1, M2, M3 e M4 também apresentaram expansão:

  • M1: R$627,8 bilhões (+0,4%)
  • M2: R$6,6 trilhões (+0,9%)
  • M3: R$12,1 trilhões (+0,7%)
  • M4: R$13,6 trilhões (+1,4% no mês e +12,2% em 12 meses)

Limite para juros em cartões entra em vigor

Desde janeiro, está em vigor a Lei nº 14.690/2023, que limita a cobrança de juros e encargos em cartões de crédito rotativo e parcelado. O total cobrado não pode ultrapassar o valor original da dívida. O Banco Central criou uma página específica para acompanhar os efeitos da nova legislação: Acesse aqui.

Varejo cresce 0,5% em fevereiro e atinge recorde histórico, aponta IBGE

Setores como móveis, supermercados e artigos farmacêuticos puxaram a alta; varejo ampliado recua após forte crescimento em janeiro

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro registrou alta de 0,5% em fevereiro, na comparação com janeiro, já descontados os efeitos sazonais. O dado foi divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e marca a maior variação positiva desde outubro do ano passado, elevando o setor ao maior patamar da série histórica iniciada em 2000.

Essa recuperação quebra um ciclo de quatro meses consecutivos de estabilidade, e a média móvel trimestral também subiu 0,2%, sinalizando uma retomada gradual do ritmo de crescimento.

Entre as oito atividades pesquisadas no varejo restrito, quatro registraram avanço em fevereiro. O destaque ficou por conta do grupo de hiper e supermercados, alimentos, bebidas e fumo, com crescimento de 1,1%. Móveis e eletrodomésticos vieram em seguida, com 0,9%, acompanhados por artigos farmacêuticos e de perfumaria (0,3%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

Na outra ponta, quatro atividades apresentaram queda no mês. A maior retração foi registrada no segmento de livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 7,8%, seguido por equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e combustíveis e lubrificantes (-0,1%).

Varejo ampliado tem leve queda

Já o comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos, motos, partes e peças, além de material de construção, apresentou queda de 0,4% em fevereiro. Essa retração sucede uma forte alta de 2,9% em janeiro.

O desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo setor de veículos e motos, com recuo de 2,6%. Por outro lado, o segmento de material de construção cresceu 1,1%, compensando parcialmente o resultado geral.

Crescimento mais forte na comparação anual

Na comparação com fevereiro de 2024, o varejo restrito cresceu 1,5%, e o ampliado, 2,4%. Seis das oito atividades pesquisadas apresentaram variações positivas, com destaque para móveis e eletrodomésticos (+9,3%), tecidos, vestuário e calçados (+8,6%) e artigos farmacêuticos (+3,2%).

Em relação ao acumulado do ano, tanto o varejo restrito quanto o ampliado apresentam crescimento de 2,3%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o avanço é de 3,6% no varejo restrito e de 2,9% no varejo ampliado.

Receita nominal também avança

Além do volume de vendas, a receita nominal também apresentou resultados positivos. Em fevereiro, houve crescimento de 1,4% no varejo restrito e de 0,6% no varejo ampliado, na comparação com janeiro. Frente ao mesmo mês do ano anterior, a alta foi de 7,1% e 7,0%, respectivamente.

Farmácias e artigos domésticos em alta contínua

O segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria completou 24 meses consecutivos de crescimento no volume de vendas, com destaque para a demanda contínua por produtos de uso regular, como medicamentos e itens de higiene.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico também sustentam tendência positiva, acumulando 13 meses consecutivos de alta.

Metodologia

Os dados fazem parte da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE. A pesquisa acompanha o comportamento conjuntural do comércio varejista e ampliado em todo o território nacional. As séries com ajuste sazonal são corrigidas para eliminar influências típicas de determinados períodos do ano, como datas comemorativas ou variações climáticas.

Preços da indústria recuam 0,12% em fevereiro de 2025 após 12 meses de alta

Queda foi puxada por indústrias extrativas, alimentos e bens de capital; acumulado em 12 meses segue positivo em 9,41%

PixaBay
Após uma sequência de 12 resultados mensais positivos, os preços da indústria brasileira registraram queda de 0,12% em fevereiro de 2025, conforme dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo IBGE. Essa variação interrompe o ciclo de altas iniciado em fevereiro de 2024 e reflete a retração de preços em metade das atividades industriais analisadas – 12 de um total de 24.

Apesar do recuo pontual, o acumulado no ano ainda é positivo, com alta de 0,03%. Já o acumulado em 12 meses permanece elevado, em 9,41%, embora inferior ao observado em janeiro deste ano (9,71%). Em fevereiro de 2024, a variação mensal havia sido de 0,14%.

Entre os destaques do mês, a maior queda veio das indústrias extrativas, que apresentaram recuo de 3,39% nos preços, influenciadas principalmente pela retração em "óleos brutos de petróleo". O setor acumulou baixa de 4,82% no ano e de 6,18% em 12 meses, sendo o único entre os principais segmentos com variações negativas tanto no mês quanto no ano.

O setor de alimentos, com peso relevante no índice, também influenciou fortemente o resultado, com recuo de 0,84% nos preços. Essa foi a segunda queda mensal consecutiva, impactada principalmente por produtos como “arroz semibranqueado” e “resíduos da extração de soja”. Ainda assim, o setor acumula alta expressiva de 13,96% nos últimos 12 meses – maior resultado desde julho de 2022.

Na contramão da tendência geral, os preços do setor de refino de petróleo e biocombustíveis subiram 2,37% em fevereiro, com destaque para o aumento no preço do óleo diesel. Já os outros produtos químicos registraram a maior variação positiva do mês, com alta de 2,41%, mantendo trajetória de recuperação e acumulando elevação de 4,16% no ano e 16,57% em 12 meses.

Entre as grandes categorias econômicas, a maior retração veio dos bens de capital, com queda de 0,76%, influenciando negativamente o índice em 0,06 ponto percentual. Os bens intermediários caíram 0,09% e os bens de consumo recuaram 0,04%, com destaque para a queda nos preços dos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-0,11%).

Em relação ao acumulado de 12 meses, os bens intermediários, com peso de 55,09% no IPP, foram responsáveis por 4,87 pontos percentuais dos 9,41% de variação do índice. Os bens de consumo contribuíram com 3,98 pontos, sendo que os semiduráveis e não duráveis tiveram a maior influência dentro do grupo (3,69 p.p.).

Apesar da desaceleração em fevereiro, o comportamento dos preços industriais nos primeiros meses de 2025 segue condicionado por variações setoriais específicas, que refletem tanto fatores sazonais quanto dinâmicas globais de oferta e demanda. A continuidade ou reversão dessa tendência dependerá da evolução dos custos de insumos, energia e do comportamento do mercado externo nos próximos meses.

 

Religião e Visão de Mundo Inca

A religião desempenhava um papel central na vida dos incas, moldando sua cultura, política e organização social. Longe de ser apenas um conjunto de crenças, a espiritualidade inca estava profundamente entrelaçada com as práticas cotidianas e a própria estrutura do império. Neste artigo, exploramos os principais deuses, rituais e a cosmovisão que orientava a civilização inca, revelando como o sagrado permeava todos os aspectos da vida andina.

Cosmovisão andina e os três mundos

Os incas concebiam o universo em três níveis interligados:

  • Hanan Pacha (o mundo superior): morada dos deuses celestiais, como o sol (Inti) e a lua (Mama Killa);
  • Kay Pacha (o mundo terreno): onde os seres humanos viviam e interagiam com a natureza;
  • Ukhu Pacha (o mundo inferior): domínio dos mortos e do inconsciente, ligado à fertilidade e ao renascimento.

Essa divisão não representava separações rígidas, mas sim uma harmonia dinâmica entre os planos, que exigia equilíbrio por meio de rituais e práticas sociais.

Deuses e cultos principais

O panteão inca era vasto e refletia a diversidade cultural dos Andes. Entre as divindades mais cultuadas estavam:

  • Inti, o deus do Sol: considerado o ancestral do Sapa Inca e protetor do império;
  • Viracocha, o deus criador: responsável pela criação do mundo e da humanidade;
  • Pachamama, a deusa da terra: protetora da agricultura e símbolo da fertilidade;
  • Mama Killa, a deusa da lua: associada ao ciclo feminino e ao calendário lunar.

Os templos, como o Coricancha em Cusco, eram centros religiosos ricamente adornados com ouro e prata, onde sacerdotes realizavam oferendas, leituras dos astros e sacrifícios, inclusive humanos em ocasiões excepcionais.

Rituais e festas religiosas

As festividades religiosas eram marcadas por música, dança, oferendas e banquetes comunitários. Um dos rituais mais importantes era o Inti Raymi, a Festa do Sol, realizada no solstício de inverno. Nessa ocasião, homenageava-se Inti com procissões e sacrifícios para garantir a fertilidade da terra e a proteção do império.

Outros rituais incluíam as capacocha, cerimônias que envolviam o sacrifício de crianças em altares montanhosos como oferenda aos deuses, especialmente durante catástrofes naturais ou eventos políticos importantes.

A função política da religião

A religião inca também servia como instrumento de controle e integração social. O Sapa Inca era visto como filho do Sol, o que legitimava seu poder absoluto. Ao mesmo tempo, os sacerdotes tinham funções administrativas, registrando eventos, observando os astros e organizando o calendário agrícola.

Além disso, os incas incorporavam os deuses locais dos povos conquistados ao seu panteão, promovendo a assimilação cultural e reduzindo a resistência. Essa política religiosa contribuiu significativamente para a coesão do império.

Conclusão

A religião inca era um sistema complexo que transcendia o culto aos deuses: ela organizava o tempo, orientava a agricultura, justificava o poder político e promovia a unidade do império. Por meio de suas crenças e rituais, os incas buscaram manter o equilíbrio entre os mundos, garantir a prosperidade e perpetuar sua civilização. No próximo artigo, exploraremos as expressões artísticas e arquitetônicas dos incas, analisando como sua cosmovisão influenciava a arte, a engenharia e a construção de cidades monumentais como Machu Picchu.

Referências bibliográficas

  • BETHELL, Leslie (org.). História da América Latina: América Latina Colonial. São Paulo: EdUSP, 1999.
  • ROWE, John H. Inca Culture at the Time of the Spanish Conquest. Handbook of South American Indians, 1946.
  • MURRA, John V. The Economic Organization of the Inka State. JAI Press, 1980.
  • DUVIOLS, Pierre. A Religião dos Incas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
  • REINHARD, Johan. Sacred Mountains: An Ethno-Archaeological Study of High Andean Ruins. Mountain Research and Development, 1985.

A Bandeira do Estado do Tocantins: Símbolos de Identidade, Esperança e Desenvolvimento

A bandeira do estado do Tocantins é um símbolo oficial que representa a identidade política, cultural e histórica do mais jovem estado da federação brasileira. Este artigo analisa os elementos que compõem a bandeira, interpretando seus significados à luz da história da criação do estado e das características geográficas e sociais da região. A bandeira representa o sol, a paz e as riquezas naturais do Tocantins, simbolizando o nascimento de uma nova unidade federativa marcada pela esperança de progresso.

Introdução

A bandeira estadual é um importante símbolo de soberania e identidade cultural. Cada unidade federativa brasileira possui sua bandeira, carregando representações que expressam valores, história, cultura e recursos naturais. O Tocantins, criado pela Constituição Federal de 1988, adotou sua bandeira no mesmo ano. Este artigo busca analisar os aspectos simbólicos e históricos desse importante emblema, que traduz o espírito de renovação e desenvolvimento do estado.

O Estado do Tocantins: Breve Contextualização

O estado do Tocantins foi criado oficialmente em 5 de outubro de 1988, com a promulgação da nova Constituição Federal, a partir da cisão da porção norte do estado de Goiás. A criação do Tocantins foi o resultado de um longo movimento político e social que visava à autonomia administrativa e ao desenvolvimento de uma região historicamente negligenciada. Desde sua fundação, o estado passou a buscar a construção de sua identidade, o que incluiu a criação de seus símbolos oficiais.

Criação e Descrição da Bandeira

A bandeira do Tocantins foi instituída pela Lei Estadual nº 94, de 17 de agosto de 1989. Ela é composta por um fundo dividido em três partes por faixas diagonais: uma faixa branca que corta a bandeira do canto superior esquerdo ao inferior direito, uma faixa azul no canto superior direito e uma faixa amarela no canto inferior esquerdo. No centro da faixa branca está representado um sol dourado de 8 pontas.

Significados dos Elementos da Bandeira

Cada cor e símbolo presente na bandeira possui significados específicos relacionados à identidade do estado:

  • Azul: Representa os rios do Tocantins e a pureza do céu, destacando a importância dos recursos hídricos para o estado.
  • Amarelo: Simboliza a riqueza mineral e a fertilidade do solo tocantinense.
  • Branco: Refere-se à paz e à esperança de uma convivência harmoniosa e democrática entre os cidadãos.
  • Sol de 8 pontas: Localizado no centro da bandeira, representa o nascimento de uma nova unidade federativa, simbolizando energia, força, progresso e a luz que guia o povo tocantinense rumo ao futuro.

A disposição das cores e o sol irradiando luz sugerem também o surgimento de uma nova era de crescimento e prosperidade, refletindo o ideal dos fundadores do estado.

Identidade e Representatividade

A bandeira do Tocantins é mais do que um símbolo cívico: é um emblema que traduz o sentimento de luta e conquista do povo tocantinense. Ela expressa o ideal de um estado moderno, promissor, em harmonia com sua rica natureza e diversidade cultural. De acordo com Alves (2009), "os símbolos estaduais têm o poder de unificar a população em torno de uma identidade comum e um projeto coletivo de desenvolvimento".

Conclusão

A bandeira do Tocantins simboliza os valores fundamentais do estado: paz, esperança, riqueza natural e o nascimento de uma nova era. Sua criação foi parte essencial do processo de construção da identidade tocantinense e ainda hoje se mantém como um símbolo forte e inspirador para os habitantes do estado. Com simplicidade e clareza, os elementos gráficos da bandeira conseguem comunicar a história, as riquezas e o futuro promissor de uma das mais jovens unidades da federação.

 

Referências Bibliográficas

  • TOCANTINS. Lei Estadual nº 94, de 17 de agosto de 1989. Dispõe sobre os símbolos do Estado do Tocantins. Disponível em: https://www.al.to.leg.br. Acesso em: 06 abr. 2025.
  • ALVES, M. C. Formação histórica e identidade regional do Tocantins. Palmas: Edições UFT, 2009.
  • IBGE. Estados@ – Tocantins. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 06 abr. 2025.
  • SILVA, J. P. Símbolos Estaduais e Nacionais: Construções de Identidade. São Paulo: Cortez, 2012.
  • NUNES, R. T. A Construção do Estado do Tocantins: História e Cultura. Goiânia: Cânone, 2015.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Custo da cesta básica sobe em 14 capitais e pressiona orçamento das famílias brasileiras

São Paulo tem o maior valor do país em março de 2025; alta generalizada eleva salário mínimo necessário para mais de R$ 7.300

PixaBay
O valor da cesta básica aumentou em 14 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), entre fevereiro e março de 2025. As maiores altas foram registradas nas capitais da Região Sul: Curitiba (3,61%), Florianópolis (3,00%) e Porto Alegre (2,85%). Já as reduções ocorreram no Nordeste, com destaque para Aracaju (-1,89%), Natal (-1,87%) e João Pessoa (-1,19%).

São Paulo continua sendo a capital com o maior custo da cesta básica, atingindo R$ 880,72. Em seguida vêm Rio de Janeiro (R$ 835,50), Florianópolis (R$ 831,92) e Porto Alegre (R$ 791,64). No outro extremo, as capitais do Norte e Nordeste apresentaram os menores valores, com Aracaju (R$ 569,48), João Pessoa (R$ 626,89), Recife (R$ 627,14) e Salvador (R$ 633,58).

Na comparação anual, todas as capitais registraram aumento no preço dos alimentos básicos, com destaque para Fortaleza (9,69%) e Salvador (8,51%). Apenas Porto Alegre teve uma elevação inferior a 2%, com alta de 1,83%.

Com base no valor da cesta mais cara — a de São Paulo — o DIEESE estimou que o salário mínimo necessário para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.398,94 em março de 2025, o equivalente a 4,87 vezes o salário mínimo em vigor, de R$ 1.518,00.

Além do aumento no custo dos produtos, o tempo de trabalho necessário para adquirir a cesta também subiu. Em média, o trabalhador que recebe um salário mínimo precisou de 106 horas e 19 minutos para comprar os itens essenciais, frente a 104 horas e 43 minutos em fevereiro. Em São Paulo, essa jornada foi ainda maior: 127 horas e 38 minutos — o equivalente a 62,72% do rendimento líquido mensal.

Variações nos preços dos produtos

Os produtos com maior impacto foram o café em pó, o tomate e o leite integral. O café subiu em todas as capitais, com aumentos expressivos em Belém (14,48%) e São Paulo (3,92%). Em 12 meses, o preço da bebida disparou, com destaque para Goiânia (134,38%) e Brasília (125,29%).

O tomate também registrou alta em 13 capitais, especialmente nas do Sul, com variações superiores a 50%. As quedas foram observadas em cidades do Nordeste. Já o leite integral subiu em 10 capitais, puxado pela entressafra, com destaque para Vitória (9,05%).

Entre os itens que apresentaram recuo de preços estão a carne bovina de primeira — que caiu em 15 capitais — e o arroz agulhinha, com queda em 15 cidades. O óleo de soja também apresentou recuo em 13 capitais, apesar de ainda acumular alta em 12 meses.

São Paulo: cesta mais cara do país

Em São Paulo, a cesta básica teve aumento de 2,35% em março. Em um ano, o custo acumulado foi de 8,30%. Sete dos 13 produtos analisados subiram, com destaque para o tomate (25,91%) e o açúcar (9,71%). No acumulado de 12 meses, o café lidera com alta de 50,75%, seguido pelo óleo de soja (32,34%) e a carne bovina (28,17%).

Apesar de pequenas quedas em alguns itens, o peso da cesta básica no orçamento do trabalhador paulista segue elevado. Em março, foi necessário comprometer mais de 62% do salário mínimo líquido apenas para garantir alimentação básica.