Radio Evangélica

terça-feira, 1 de abril de 2025

A Fundação de Tenochtitlán e a formação da tríplice aliança da civilização asteca

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Dando continuidade à nossa exploração sobre a civilização asteca, este artigo se concentrará na fundação de Tenochtitlán, a cidade que se tornaria o coração do império, e na formação da Tríplice Aliança, estrutura política que permitiu a expansão e consolidação dos astecas como potência dominante na região.

A fundação de Tenochtitlán

A origem de Tenochtitlán está envolta em mitos e tradições orais. Segundo a lenda, os astecas foram guiados por seu deus padroeiro, Huitzilopochtli, até uma área no Lago Texcoco, onde avistaram uma águia pousada sobre um cacto devorando uma serpente. Esse evento, considerado um sinal divino, determinou o local da fundação da cidade em 1325.

Inicialmente, Tenochtitlán era apenas um assentamento em uma ilha pantanosa. No entanto, através de avançadas técnicas de engenharia, como a construção de chinampas (ilhas artificiais para agricultura) e de um sofisticado sistema de canais e diques, a cidade se tornou uma das mais impressionantes da Mesoamérica. Estruturada com templos monumentais, mercados vibrantes e uma população crescente, Tenochtitlán rapidamente se destacou como um centro político e econômico.

A formação da tríplice aliança

Em 1428, os astecas, liderados por Itzcoatl, aliaram-se a outras duas cidades-estado, Texcoco e Tlacopan, para derrotar os tepanecas de Azcapotzalco, então o poder dominante na região. Esse pacto ficou conhecido como a Tríplice Aliança e estabeleceu as bases para a expansão do Império Asteca.

Embora fosse teoricamente uma parceria entre iguais, na prática, Tenochtitlán gradualmente assumiu a liderança da coalizão. Os imperadores astecas passaram a comandar campanhas militares para subjugar cidades vizinhas, exigindo tributos em forma de alimentos, tecidos, materiais preciosos e escravos. Essa estrutura permitiu que os astecas expandissem seu controle por vastas regiões da Mesoamérica, consolidando um império extenso e influente.

Impactos políticos e sociais

A formação da Tríplice Aliança trouxe uma nova dinâmica ao Vale do México, permitindo aos astecas uma ascensão meteórica ao poder. O império cresceu não apenas por sua força militar, mas também pela capacidade de administrar e integrar povos conquistados, mantendo suas próprias elites no poder local, desde que pagassem tributos. Essa estratégia garantiu um fluxo contínuo de recursos para Tenochtitlán, financiando a construção de grandes templos e a expansão do exército asteca.

Conclusão

A fundação de Tenochtitlán e a formação da Tríplice Aliança foram eventos cruciais para o desenvolvimento da civilização asteca. Graças a esses fatores, os astecas conseguiram se tornar a principal potência da Mesoamérica, estabelecendo um império que, embora tenha sido destruído pela chegada dos espanhóis em 1521, deixou marcas profundas na história e na cultura do México.

Na próxima semana, exploraremos a estrutura econômica e o sistema de tributos do Império Asteca, compreendendo como a riqueza era distribuída e utilizada dentro da sociedade.

Referências bibliográficas

  • CARRASCO, David. The Aztecs: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2011.
  • LEÓN-PORTILLA, Miguel. Aztec Thought and Culture: A Study of the Ancient Nahuatl Mind. Norman: University of Oklahoma Press, 1990.
  • SMITH, Michael E. The Aztecs. Oxford: Blackwell Publishing, 2003.
  • HASSIG, Ross. Aztec Warfare: Imperial Expansion and Political Control. Norman: University of Oklahoma Press, 1988.
  • Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH). Disponível em: https://www.inah.gob.mx

 

Marquês de Pombal: Reformas e impacto na modernização de Portugal

Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal, foi uma das figuras mais influentes da história portuguesa do século XVIII. Como primeiro-ministro do rei D. José I, ele implementou uma série de reformas políticas, econômicas e sociais que transformaram Portugal em um Estado mais centralizado e moderno. Este artigo analisa as principais reformas pombalinas, seus impactos e a herança deixada para a história de Portugal.

O Marquês de Pombal foi um estadista visionário que governou Portugal entre 1750 e 1777. Sua gestão foi marcada por um conjunto de reformas que tinham como objetivo modernizar o país, fortalecer a economia e reduzir a influência da Igreja e da nobreza sobre o Estado. Seu governo é frequentemente associado ao despotismo esclarecido, uma corrente política que buscava centralizar o poder monárquico e implementar mudanças inspiradas no Iluminismo.

As reformas pombalinas

Reforma da administração pública

Para aumentar o controle do Estado, Pombal criou novos órgãos administrativos, reduziu o poder dos senhores feudais e fortaleceu a burocracia estatal. Essas medidas garantiram maior eficiência na arrecadação de impostos e no funcionamento da justiça.

Reformas econômicas

Pombal implementou medidas mercantilistas para fortalecer a economia portuguesa, entre elas:

  • Criação da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão e da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, para incentivar o comércio colonial.
  • Reestruturação do sistema de tributação e incentivo à produção manufatureira.
  • Expulsão dos jesuítas e expropriação de seus bens, redistribuindo terras para fortalecer a economia.

Reformas educacionais

Com o objetivo de modernizar a educação e reduzir a influência dos jesuítas, Pombal implementou:

  • A criação do Real Colégio dos Nobres e a reforma da Universidade de Coimbra.
  • Introdução de disciplinas científicas e técnicas no ensino.
  • Fim do monopólio educacional dos jesuítas.

Política colonial

Pombal fortaleceu o controle sobre o Brasil, incentivando o desenvolvimento econômico da colônia e reprimindo movimentos autonomistas. Criou medidas para reduzir o contrabando de ouro e aumentar a arrecadação de impostos.

Reformas sociais e urbanísticas

Após o terremoto de Lisboa em 1755, Pombal liderou a reconstrução da cidade, introduzindo um modelo urbanístico inovador com ruas largas e edifícios resistentes a abalos sísmicos. Além disso, implementou medidas para proteger populações marginalizadas e regular a segurança pública.

Legado e críticas

As reformas pombalinas transformaram Portugal em um Estado mais moderno e centralizado, mas também foram marcadas por autoritarismo e perseguições políticas. Seu governo foi caracterizado por repressão à nobreza e severidade contra opositores, incluindo a família Távora, executada sob acusação de conspiração.

Após a morte de D. José I e a ascensão de D. Maria I, Pombal foi destituído e exilado. Apesar disso, suas reformas deixaram uma marca duradoura na administração pública e na educação portuguesa.

Conclusão

O Marquês de Pombal foi uma figura central na história de Portugal, promovendo uma série de reformas que modernizaram o país. Seu legado ainda gera debates, com avaliações que variam entre um governante visionário e um líder autoritário. De qualquer forma, sua influência foi inegável na transformação de Portugal no século XVIII.

Referências bibliográficas

  • FRAGOSO, João; GOUVÊA, Maria de Fátima. "O Brasil colonial e as reformas pombalinas". Editora Unesp, 2010.
  • MAXWELL, Kenneth. "Pombal: Paradoxo do Iluminismo". Editora Companhia das Letras, 1996.
  • VAINFAS, Ronaldo. "História do Brasil colonial". Editora Zahar, 2000.
  • BOXER, Charles. "A idade do ouro do Brasil: crescimento e decadência". Editora Companhia das Letras, 2002.

 

segunda-feira, 31 de março de 2025

Energia solar e sustentabilidade: Impactos ambientais e benefícios econômicos

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Nos últimos anos, a energia solar tem se consolidado como uma das principais alternativas sustentáveis para a geração de eletricidade. Além de reduzir a dependência de fontes de energia não renováveis, os sistemas fotovoltaicos contribuem significativamente para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e para a preservação dos recursos naturais. Neste artigo, abordaremos os impactos ambientais positivos da energia solar e os benefícios econômicos associados à sua adoção.

Impactos ambientais da energia solar

A transição para fontes renováveis de energia é essencial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A energia solar se destaca pelos seguintes aspectos ambientais:

  • Redução das emissões de CO₂: Diferentemente das usinas termoelétricas, que queimam combustíveis fósseis, os sistemas fotovoltaicos geram eletricidade sem liberar gases poluentes na atmosfera.
  • Menor consumo de água: Ao contrário das hidrelétricas, que demandam grandes volumes de água para operação, a energia solar necessita de pouca ou nenhuma utilização desse recurso.
  • Preservação do solo e biodiversidade: Sistemas solares podem ser instalados em áreas urbanas, telhados e regiões degradadas, minimizando o impacto sobre ecossistemas naturais.

Benefícios econômicos

Além dos ganhos ambientais, a energia solar também apresenta várias vantagens econômicas, tanto para consumidores quanto para investidores. Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Redução da conta de energia: Consumidores que instalam sistemas fotovoltaicos podem gerar a própria eletricidade e reduzir significativamente seus gastos mensais.
  • Valorização imobiliária: Imóveis equipados com energia solar tendem a se valorizar no mercado, sendo uma opção atrativa para compradores preocupados com sustentabilidade.
  • Geração de empregos: O crescimento do setor fotovoltaico impulsiona a criação de vagas em áreas como instalação, manutenção e fabricação de equipamentos solares.
  • Incentivos fiscais e linhas de financiamento: Diversos programas governamentais oferecem isenções tributárias e crédito facilitado para a adoção da energia solar.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar das vantagens, a expansão da energia solar ainda enfrenta desafios, como o custo inicial de instalação e a necessidade de regulamentações mais robustas para garantir a previsibilidade do setor. No entanto, avanços tecnológicos e o aumento da eficiência dos painéis fotovoltaicos têm tornado essa opção cada vez mais acessível.

Com a crescente conscientização ambiental e os investimentos em infraestrutura energética, a tendência é que a energia solar continue expandindo seu papel na matriz elétrica mundial, promovendo benefícios econômicos e contribuindo para um futuro mais sustentável.

Conclusão

A energia solar representa uma solução eficiente para a redução dos impactos ambientais da geração de eletricidade e oferece benefícios financeiros expressivos para consumidores e investidores. Com políticas de incentivo e avanços tecnológicos, essa fonte renovável tem potencial para desempenhar um papel central na transição energética global.

Referências Bibliográficas

Resenha de Quincas Borba – Machado de Assis

Publicado em 1891, Quincas Borba é um dos romances mais marcantes de Machado de Assis, pertencente à sua fase realista. O livro dá continuidade a alguns elementos introduzidos em Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), como o conceito filosófico do "Humanitismo" e o próprio personagem Quincas Borba, que aqui desempenha um papel mais central. Entretanto, o protagonista desta obra é Rubião, um homem ingênuo que se torna herdeiro da fortuna do excêntrico filósofo Quincas Borba e, a partir disso, sua vida toma rumos inesperados.

Enredo e temas

A história segue Rubião, um professor de Barbacena que, ao herdar a fortuna de Quincas Borba, muda-se para o Rio de Janeiro e passa a viver como um homem rico. Ele se deslumbra com a alta sociedade, mas também se torna alvo de oportunistas, como Cristiano Palha e sua esposa Sofia, que exploram sua ingenuidade. Rubião apaixona-se por Sofia, mas sua paixão não é correspondida, o que o leva a uma degradação emocional e psicológica.

O romance aborda temas como a hipocrisia da sociedade, a ilusão da ascensão social e a fragilidade da mente humana. Machado de Assis faz uma crítica ácida ao comportamento oportunista de certas camadas da elite, além de questionar os valores morais da época. O conceito do Humanitismo, uma paródia do darwinismo social, também permeia a narrativa, especialmente na ideia de "ao vencedor, as batatas", que ironiza a seleção natural aplicada às relações humanas.

Estilo e narrativa

Machado de Assis emprega uma narrativa fluida e envolvente, recheada de ironia e humor refinado. A obra tem um narrador onisciente que comenta os acontecimentos com perspicácia, muitas vezes antecipando o destino das personagens. O romance também é repleto de digressões, o que permite ao autor explorar as complexidades psicológicas dos personagens de maneira profunda.

Considerações finais

Quincas Borba é uma obra magistral que expõe, com sarcasmo e melancolia, a fragilidade humana diante da ambição e do poder. A transformação de Rubião, de um homem simples a um alienado perdido em delírios, é um dos retratos mais tristes e bem construídos da literatura brasileira. Com sua escrita elegante e crítica ácida, Machado de Assis cria uma narrativa atemporal, que continua relevante e instigante até os dias de hoje.

Ao vencedor, as batatas!

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domingo, 30 de março de 2025

O Tear de Roberts: A Revolução na Indústria Têxtil

A Revolução Industrial foi marcada pelo desenvolvimento de máquinas que transformaram a produção em larga escala, e o Tear de Roberts foi um dos marcos desse avanço. Criado pelo engenheiro britânico Richard Roberts em 1822, este tear mecânico representou um salto tecnológico na indústria têxtil, substituindo parte do trabalho manual por processos automatizados mais eficientes.

O grande diferencial do Tear de Roberts em relação aos modelos anteriores era sua precisão mecânica e durabilidade. Enquanto os primeiros teares mecânicos ainda exigiam ajustes constantes e eram suscetíveis a falhas, o design inovador de Roberts incorporava peças metálicas de alta qualidade, garantindo maior estabilidade e menor necessidade de manutenção. Isso permitiu uma produção têxtil mais rápida e padronizada, reduzindo custos e aumentando a oferta de tecidos.

Além disso, o Tear de Roberts foi fundamental para a consolidação da indústria têxtil moderna. Sua introdução facilitou a migração de manufaturas artesanais para fábricas automatizadas, contribuindo para o crescimento das cidades industriais na Inglaterra e em outros países. No entanto, essa inovação também gerou conflitos sociais, já que muitos artesãos perderam seus empregos devido à mecanização do setor.

O impacto do Tear de Roberts transcende a sua época. Seu princípio de automação influenciou o desenvolvimento de máquinas cada vez mais sofisticadas, pavimentando o caminho para a indústria moderna. Atualmente, embora os teares tenham evoluído significativamente com o uso de tecnologia digital, o legado de Roberts permanece vivo na engenharia têxtil e na produção industrial global.

Referências:

  • CHALINE, Eric. 50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História. São Paulo: Editora Globo, 2013.
  • JENKINS, Rhys. The Industrial Revolution and the Mechanical Loom. London: Routledge, 2018.
  • HILLS, Richard. Power in the Industrial Revolution. Manchester: Manchester University Press, 1993.
  • CARDWELL, Donald. Turning Points in Western Technology. New York: Neale Watson Academic Publications, 1972.

O Segundo período intermediário e a ascensão do novo império egípcio

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Dando continuidade à nossa série sobre o Egito Antigo, exploramos agora o Segundo Período Intermediário (c. 1650 - 1550 a.C.), uma fase marcada pela fragmentação política e pela presença estrangeira, e o início do poderoso Novo Império (c. 1550 - 1070 a.C.), quando o Egito alcançou o auge de sua expansão territorial e cultural.

O Segundo período intermediário: A dominação dos hicsos

O declínio do Médio Império abriu espaço para a ascensão dos hicsos, um povo de origem asiática que se estabeleceu no Delta do Nilo. Aproveitando a fragilidade do governo central, os hicsos consolidaram seu poder e estabeleceram a XV Dinastia, governando a região a partir de Avaris. Durante esse período, o Egito foi dividido em três áreas de influência: o norte sob controle hicso, a região central administrada por governantes locais, e o sul, onde Tebas mantinha uma relativa autonomia.

Os hicsos introduziram avanços tecnológicos significativos no Egito, como o uso de cavalos, carros de guerra, arcos compostos e novas técnicas de metalurgia. Embora fossem estrangeiros, adotaram elementos da cultura egípcia, incluindo a adoração de divindades locais e a utilização de práticas administrativas egípcias.

A resistência tebana: O caminho para a reunificação

Apesar do domínio dos hicsos, a cidade de Tebas, no Alto Egito, resistiu e iniciou um movimento de libertação. Os faraós tebanos da XVII Dinastia, especialmente Seqenenre Tao, Kamose e, finalmente, Amósis I, lideraram campanhas militares contra os hicsos. Após uma série de batalhas, Amósis I conseguiu expulsar os invasores e reunificar o Egito por volta de 1550 a.C., marcando o início do Novo Império.

O Novo império: A era dos grandes faraós

Com a reunificação, o Novo Império trouxe uma fase de centralização política, expansão militar e prosperidade cultural. Os faraós dessa época consolidaram as fronteiras do Egito e estabeleceram um império que se estendia do sul da Núbia até o Levante.

Entre os governantes mais notáveis do Novo Império, destacam-se:

  • Hatshepsut (c. 1479 - 1458 a.C.): Uma das poucas mulheres a ocupar o trono egípcio, Hatshepsut promoveu expedições comerciais bem-sucedidas, como a viagem à Terra de Punt, e realizou grandiosas construções, incluindo seu templo mortuário em Deir el-Bahari.
  • Tutmés III (c. 1479 - 1425 a.C.): Conhecido como o "Napoleão do Egito", expandiu significativamente o território egípcio, conduzindo campanhas militares vitoriosas até a Síria e o Levante.
  • Amenófis IV/Aquenáton (c. 1353 - 1336 a.C.): Realizou uma revolução religiosa ao instituir o culto monoteísta ao deus Aton, rompendo com as tradições religiosas anteriores. Sua reforma, contudo, foi revertida após sua morte.
  • Tutancâmon (c. 1332 - 1323 a.C.): Embora seu reinado tenha sido breve, seu túmulo, descoberto em 1922 por Howard Carter, revelou tesouros inestimáveis que lançaram luz sobre o período.
  • Ramsés II (c. 1279 - 1213 a.C.): Conhecido por suas impressionantes realizações militares e arquitetônicas, como o templo de Abu Simbel, Ramsés II firmou o primeiro tratado de paz registrado da história com os hititas após a Batalha de Kadesh.

Avanços culturais e religiosos no Novo Império

O Novo Império foi um período de florescimento cultural e religioso. Os templos de Karnak e Luxor foram ampliados, consolidando-se como centros espirituais e administrativos. O culto a Amon-Rá tornou-se predominante, e as práticas funerárias se sofisticaram, com o Vale dos Reis se tornando a necrópole dos faraós.

A arte do Novo Império refletia a grandiosidade do poder faraônico, com esculturas monumentais, pinturas detalhadas e uma ênfase em retratar os faraós como divindades vivas. A literatura também prosperou, com textos religiosos como o "Livro dos Mortos", que orientava a jornada para a vida após a morte.

O declínio do novo império e o caminho para o terceiro período intermediário

Apesar de sua grandiosidade, o Novo Império começou a declinar a partir do final da XIX Dinastia. Fatores como disputas internas, a pressão de povos estrangeiros e o enfraquecimento da autoridade central contribuíram para essa decadência. No século XI a.C., o Egito entrou em um novo período de fragmentação conhecido como o Terceiro Período Intermediário.

Conclusão

O Segundo Período Intermediário destacou a vulnerabilidade do Egito diante de ameaças externas, mas também revelou a capacidade de resistência e renovação dos egípcios. Com o Novo Império, o Egito atingiu seu apogeu em poder e cultura, consolidando um legado que ecoa até os dias atuais.

No próximo artigo, abordaremos o Terceiro Período Intermediário e o lento declínio que prepararia o Egito para novas influências estrangeiras.

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Redford, Donald B. Egypt, Canaan, and Israel in Ancient Times. Princeton University Press, 1992.

 

sábado, 29 de março de 2025

A Monarquia dos Países Baixos: Estrutura, papel do monarca e relação com o governo

A monarquia dos Países Baixos, conhecida como Monarquia Constitucional, é um dos pilares do sistema político holandês. Instituída em 1815 com a coroação do rei Guilherme I, essa forma de governo combina uma monarquia hereditária com um regime parlamentar. O monarca atua como chefe de Estado, enquanto o poder executivo é exercido pelo governo, chefiado pelo primeiro-ministro. Este artigo examina em profundidade a estrutura da monarquia, o papel do monarca no governo, a relação com a religião e os limites constitucionais da intervenção régia.

Estrutura da monarquia

Os Países Baixos são uma monarquia constitucional e hereditária, o que significa que o monarca ocupa o cargo por sucessão familiar e suas funções são definidas e limitadas pela Constituição. O atual monarca é o rei Guilherme Alexandre, que subiu ao trono em 2013 após a abdicação da rainha Beatriz. A linha de sucessão segue o princípio da primogenitura absoluta, garantindo que o filho mais velho, independentemente do gênero, herde o trono.

A Constituição dos Países Baixos, revisada em 1983, estabelece a base jurídica para a monarquia. De acordo com a Constituição, o monarca é parte do governo, mas suas ações são sempre executadas em nome do governo eleito, tornando-o politicamente neutro. A responsabilidade pelas decisões governamentais recai sobre os ministros, não sobre o monarca.

Funções e poderes do monarca

Embora a monarquia holandesa seja em grande parte cerimonial, o rei ou a rainha desempenha papéis constitucionais essenciais. Entre suas principais responsabilidades estão:

  1. Sanção Real e Assinatura de Leis: O monarca sanciona formalmente as leis aprovadas pelo Parlamento (Estados Gerais). Embora esse ato seja protocolar, ele é um requisito legal para a entrada em vigor das leis.
  2. Indicação e Posse do Primeiro-Ministro e Ministros: Após as eleições parlamentares, o monarca consulta os líderes partidários para facilitar a formação do governo. Entretanto, a escolha final do primeiro-ministro depende do Parlamento.
  3. Discursos Oficiais: O monarca abre oficialmente o ano parlamentar com o "Discurso do Trono", no qual apresenta a agenda do governo para o próximo ano, redigida pelo gabinete ministerial.
  4. Representação Internacional: O rei ou a rainha representa os Países Baixos em eventos diplomáticos e visitas de Estado, desempenhando um papel simbólico de unidade nacional.
  5. Consultas Regulares com o Primeiro-Ministro: O monarca realiza encontros semanais com o primeiro-ministro para se informar sobre os assuntos de Estado. Embora o rei possa aconselhar, sua influência é indireta e discreta.

Limites constitucionais à atuação do monarca

O monarca dos Países Baixos tem poderes estritamente limitados pela Constituição. Todas as decisões oficiais devem ser assinadas por um ministro, que assume a responsabilidade legal por elas (princípio da responsabilidade ministerial). Esse mecanismo impede que o monarca exerça poder pessoal e garante que o governo democraticamente eleito tome as decisões políticas.

Desde a reforma constitucional de 2012, o monarca não participa mais diretamente do processo de formação do governo, limitando sua influência política. Essa mudança reforçou a neutralidade política da Coroa e consolidou o poder do Parlamento e do primeiro-ministro.

Religião e a monarquia

Os Países Baixos são um Estado laico, sem religião oficial. A liberdade de religião é garantida pela Constituição, e o Estado se mantém neutro em relação a assuntos religiosos. No entanto, a monarquia tem raízes históricas no cristianismo protestante. Tradicionalmente, os monarcas holandeses são membros da Igreja Protestante dos Países Baixos (PKN), mas essa filiação não é um requisito legal para ocupar o trono.

O rei Guilherme Alexandre e sua família participam de eventos religiosos, como cerimônias de Natal e o Dia do Príncipe (Prinsjesdag), mas o papel do monarca na religião é simbólico e não implica qualquer intervenção em questões eclesiásticas ou políticas religiosas.

Relação entre o monarca e o parlamento

A monarquia dos Países Baixos coexiste com um sistema parlamentar bicameral composto pela Primeira Câmara (Senado) e pela Segunda Câmara (Câmara dos Deputados). O Parlamento detém o poder legislativo e fiscaliza o Executivo.

O monarca desempenha um papel formal na legislação, mas não interfere no conteúdo das leis ou no processo legislativo. A Segunda Câmara, composta por representantes eleitos, exerce maior poder na criação e revisão de leis, enquanto a Primeira Câmara realiza a aprovação final e a revisão constitucional.

Considerações finais

A monarquia dos Países Baixos é um exemplo de monarquia constitucional moderna, onde o monarca exerce funções simbólicas e cerimoniais, enquanto o poder efetivo reside no governo e no Parlamento. As reformas constitucionais reduziram ainda mais a influência política do monarca, garantindo um sistema de governo baseado em princípios democráticos e no Estado de Direito. Embora o monarca ainda desempenhe um papel significativo como símbolo de unidade nacional e em relações diplomáticas, sua atuação é estritamente regulada e supervisionada pelas instituições democráticas do país.

Referências Bibliográficas

KLOOSTER, Wim. "A Concise History of the Netherlands". Cambridge: Cambridge University Press, 2018.

BICKERS, Robert. "The Dutch Republic: Its Rise, Greatness, and Fall". Oxford: Oxford University Press, 2005.

CONSTITUTION OF THE KINGDOM OF THE NETHERLANDS. Ministry of the Interior and Kingdom Relations, 2018.

VAN DER MEER, Frits. "The Netherlands in the European Union". London: Palgrave Macmillan, 2020.

VAN DEN BERG, Peter. "The Modern Dutch Monarchy". Amsterdam: Amsterdam University Press, 2015.

 

Desenvolvimento político e social primitivo de Roma

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Além do mito, as investigações arqueológicas revelam um quadro mais complexo da evolução política e social de Roma em seus primórdios. Durante os séculos VIII e VII a.C., Roma era um conjunto de pequenas aldeias organizadas em torno das colinas do Tibre, especialmente o Monte Palatino. Essas comunidades, compostas por povos latinos, sabinos e etruscos, eventualmente se uniram em uma federação que estabeleceu as bases da futura cidade-estado romana.

A formação do sistema político romano teve início com uma monarquia, na qual reis detinham poderes militares, religiosos e judiciais. Segundo a tradição, Rômulo foi o primeiro de sete reis, incluindo figuras semilendárias como Numa Pompílio e Tarquínio, o Soberbo, cujo reinado terminou com a fundação da República em 509 a.C. (OGILVIE, 1976). A estrutura política durante a monarquia consistia em três pilares principais: o rei, o Senado (formado por anciãos das famílias patrícias) e a Assembleia Curiata, que reunia os cidadãos para ratificar as decisões reais.

A Influência etrusca

A presença e a influência etrusca foram decisivas para a formação de Roma. Os etruscos, um povo sofisticado e culturalmente avançado do norte da Itália, influenciaram profundamente a arquitetura, a religião e as práticas políticas romanas. Artefatos arqueológicos, como túmulos e templos etruscos, evidenciam essa interação (HEURGON, 1973). Entre as inovações etruscas adotadas por Roma estão o uso do arco na arquitetura, a prática dos augúrios (interpretação de sinais divinos) e elementos do cerimonial público, como o triunfo, uma celebração em homenagem a generais vitoriosos.

Além disso, os últimos reis de Roma, incluindo Tarquínio Prisco e Tarquínio, o Soberbo, eram de origem etrusca. Durante seu governo, Roma experimentou um crescimento urbano significativo, com a construção de obras públicas como o sistema de drenagem Cloaca Máxima e o Fórum Romano, que se tornou o coração político e comercial da cidade.

A transição para a república

A queda da monarquia e a transição para a República ocorreram em um contexto de tensões sociais e disputas pelo poder. De acordo com a tradição, a tirania de Tarquínio, o Soberbo, e o abuso de poder da realeza motivaram a revolta liderada por Lúcio Júnio Bruto, que resultou na expulsão dos reis e no estabelecimento de um sistema republicano em 509 a.C.

O novo regime republicano estruturou-se em torno de magistraturas anuais, como os cônsules, que substituíram o poder régio, e de instituições representativas, como o Senado e as assembleias populares. Esse modelo de governo, marcado pela divisão de poderes e pela participação cidadã, consolidou a expansão de Roma e sua hegemonia na península Itálica ao longo dos séculos seguintes.

Considerações finais

A fundação de Roma é um exemplo paradigmático da fusão entre mito e realidade histórica. A lenda de Rômulo e Remo, ao mesmo tempo em que legitimava o poder e a identidade romana, ocultava um processo mais longo e complexo de formação urbana e política. As descobertas arqueológicas confirmam a existência de uma ocupação anterior à data tradicional de 753 a.C., destacando a influência de diferentes povos na construção da cidade.

Esse entrelaçamento de tradição e evidência histórica não apenas enriquece nossa compreensão sobre as origens de Roma, mas também ressalta a importância do mito como ferramenta de coesão social e de afirmação de poder na Antiguidade.

Referências Bibliográficas

CARANDINI, Andrea. Roma: Il primo giorno. Torino: Giulio Einaudi, 2003.

CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 BC). London: Routledge, 1995.

HEURGON, Jacques. La Vie quotidienne chez les Étrusques. Paris: Hachette, 1973.

LÍVIO, Tito. História de Roma desde a sua fundação. São Paulo: Edipro, 2014.

OGILVIE, R. M. Early Rome and the Etruscans. London: Fontana Press, 1976.

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

Taxa de desemprego sobe para 6,8% no Brasil, aponta IBGE

Rendimento médio real alcança recorde da série significativa, apesar do aumento na desocupação

A taxa de desocupação no Brasil alcançou 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2025, um aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (6,1%). Em comparação com o mesmo período de 2024, houve uma queda de 1,1 ponto percentual, quando a taxa era de 7,8%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (28).

Segundo o levantamento, a população desocupada chegou a 7,5 milhões de pessoas, registrando um crescimento de 10,4% (mais 701 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior. Contudo, em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma redução de 12,5% (menos 1,1 milhão de pessoas).

A população ocupada foi estimada em 102,7 milhões de pessoas, com uma queda de 1,2% (menos 1,2 milhão de pessoas) em comparação ao trimestre anterior. No entanto, em relação ao mesmo trimestre de 2024, houve um crescimento de 2,4% (mais 2,4 milhões de pessoas). O nível de ocupação, que representa o percentual de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar, ficou em 58,0%, com redução de 0,8 ponto percentual no trimestre e alta de 0,9 ponto percentual no ano.

Setor privado e informalidade

O número de empregados no setor privado (53,1 milhões) caiu 0,8% (menos 440 mil pessoas) no trimestre, mas cresceu 3,5% (mais 1,8 milhão de pessoas) no ano. Entre os empregados com carteira assinada, o contingente atingiu 39,6 milhões, um novo recorde na série histórica iniciada em 2012, com alta de 1,1% (mais 421 mil pessoas) no trimestre e 4,1% (mais 1,6 milhão de pessoas) no ano.

Em contrapartida, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado caiu 6,0% (menos 861 mil pessoas) no trimestre e manteve-se estável em relação ao ano anterior. Já o número de trabalhadores domésticos (5,7 milhões) apresentou queda de 5,0% (menos 300 mil pessoas) no trimestre e de 3,7% (menos 219 mil pessoas) no ano.

A taxa de informalidade foi de 38,1% da população ocupada, o que corresponde a 39,1 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, essa taxa era de 38,7%, o mesmo percentual registrado no trimestre encerrado em fevereiro de 2024.

Rendimento em alta

Apesar do aumento na taxa de desocupação, o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.378, representando um aumento de 1,3% em relação ao trimestre anterior e de 3,6% em comparação ao mesmo período de 2024. Esse valor é considerado o maior da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

A massa de rendimento real habitual, que corresponde ao montante total recebido pelos trabalhadores, foi estimada em R$ 342 bilhões. O valor manteve-se estável em relação ao trimestre anterior, mas apresentou um crescimento de 6,2% (mais R$ 20 bilhões) em relação ao ano anterior.

Subutilização e desalento

A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas desempregadas, subocupadas por insuficiência de horas e em busca de trabalho, foi de 15,7%. Houve um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (15,2%) e uma queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024 (17,8%).

A população subutilizada chegou a 18,3 milhões de pessoas, com um crescimento de 2,8% (mais 491 mil pessoas) no trimestre, mas uma redução de 11,5% (menos 2,4 milhões de pessoas) em relação ao ano anterior.

O número de desalentados, que representa as pessoas que desistiram de procurar trabalho, atingiu 3,2 milhões, com crescimento de 6,9% (mais 208 mil pessoas) no trimestre e queda de 11,8% (menos 435 mil pessoas) no ano. O percentual de desalentados em relação à população em idade de trabalhar foi de 2,9%, aumentando 0,2 ponto percentual no trimestre e recuando 0,4 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Análise por setores

Entre os setores econômicos, houve redução no número de trabalhadores em três áreas no trimestre encerrado em fevereiro de 2025:

  • Construção: -4,0% (menos 310 mil pessoas);
  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: -2,5% (menos 468 mil pessoas);
  • Serviços domésticos: -4,8% (menos 290 mil pessoas).

Em comparação com o mesmo trimestre de 2024, quatro setores apresentaram crescimento:

  • Indústria Geral: 3,2% (mais 409 mil pessoas);
  • Comércio e reparação de veículos: 3,6% (mais 690 mil pessoas);
  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: 3,5% (mais 447 mil pessoas);
  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 4,1% (mais 717 mil pessoas).

Apenas o grupamento de serviços domésticos apresentou redução em ambas as comparações, com queda de 3,6% (menos 216 mil pessoas) em relação ao ano anterior.

 

A origem e o significado do folclore brasileiro

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O folclore brasileiro é um dos patrimônios culturais mais ricos e diversificados do país. Resultado da fusão de tradições indígenas, africanas e europeias, ele reflete a história, os costumes e as crenças do povo brasileiro. Por meio de lendas, mitos, festas populares, danças, músicas e expressões orais, o folclore preserva a memória coletiva e a identidade cultural do Brasil.

O Significado do termo "Folclore"

A palavra "folclore" tem origem na junção de dois termos em inglês: "folk" (povo) e "lore" (sabedoria ou conhecimento). Foi utilizada pela primeira vez em 1846 pelo pesquisador britânico William John Thoms para designar as tradições populares transmitidas de geração em geração. No Brasil, o conceito de folclore abrange manifestações culturais que refletem a sabedoria do povo, incluindo histórias, superstições, festas e práticas cotidianas.

Em 1965, o governo brasileiro oficializou o dia 22 de agosto como o Dia do Folclore, reforçando a importância da valorização e preservação dessas tradições. A data é celebrada em todo o país com eventos que destacam as diversas manifestações folclóricas regionais.

As raízes do folclore brasileiro

O folclore brasileiro é o resultado do encontro e da fusão de três grandes matrizes culturais:

  1. Matriz Indígena: Os povos originários do Brasil contribuíram com mitos relacionados à natureza e às forças espirituais. Histórias como as do Curupira, guardião das matas com pés virados para trás, e do Boitatá, a serpente de fogo que protege as florestas, têm origem indígena e reforçam a relação de respeito com o meio ambiente.
  2. Matriz Africana: Trazida pelos africanos escravizados durante o período colonial, essa tradição enriqueceu o folclore com figuras místicas e rituais religiosos. O Saci-Pererê, por exemplo, é uma lenda que mistura influências africanas e indígenas. Os cultos de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, também integraram elementos simbólicos ao folclore nacional.
  3. Matriz Europeia: Os colonizadores portugueses introduziram contos e personagens do imaginário medieval, como a Mula Sem Cabeça, uma mulher amaldiçoada que se transforma em um ser monstruoso, e o Lobisomem, homem que se transforma em lobo em noites de lua cheia. As festas religiosas, como a Folia de Reis e as Festas Juninas, também têm origem europeia.

O papel do folclore na sociedade

O folclore brasileiro desempenha um papel fundamental na formação da identidade nacional. Ele expressa valores, medos, desejos e ensinamentos morais que orientam as relações sociais e a visão de mundo de diferentes comunidades. Além disso, as manifestações folclóricas promovem a coesão social e reforçam a memória histórica, passando de geração em geração através da oralidade.

As festas folclóricas, como o Bumba Meu Boi no Maranhão, as Congadas em Minas Gerais e as Cavalhadas no Centro-Oeste, são exemplos de como as tradições se mantêm vivas e se renovam ao longo do tempo. Essas celebrações combinam música, dança, teatro e religião, proporcionando momentos de lazer e reforçando a identidade cultural local.

A Importância da preservação do folclore brasileiro

Em um mundo cada vez mais globalizado, preservar o folclore brasileiro é essencial para garantir a diversidade cultural e a memória coletiva. As escolas desempenham um papel crucial na divulgação dessas tradições, promovendo atividades que estimulam o conhecimento e a valorização do patrimônio cultural.

Instituições culturais, festivais e políticas públicas de patrimônio imaterial também têm a responsabilidade de documentar e proteger as manifestações folclóricas. Essa preservação não apenas mantém viva a herança cultural, mas também fortalece o sentimento de pertencimento e identidade entre os brasileiros.

Considerações finais

O folclore brasileiro é uma manifestação viva da história e da diversidade do país. Suas origens multifacetadas refletem a confluência de culturas que formaram a nação, e seu significado ultrapassa o entretenimento, atuando como um elo entre o passado, o presente e o futuro. Ao valorizar e preservar essas tradições, garantimos que a riqueza cultural brasileira continue inspirando novas gerações.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Renato. Noções de Folclore. São Paulo: Editora Nacional, 1975.
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. São Paulo: Global Editora, 2012.
PEIXOTO, Antônio. Folclore e Identidade Cultural. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2009.
THOMS, William J. Folk-lore: A Definition. London: The Athenaeum, 1846.