Radio Evangélica

segunda-feira, 10 de março de 2025

Dólar sobe a R$ 5,85 com temor de recessão nos EUA

Bolsa acompanha mercado externo e cai 0,41%

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Num dia de turbulência no mercado global, o dólar teve forte alta e voltou a fechar acima de R$ 5,80 com temor de recessão nos Estados Unidos. A bolsa de valores acompanhou a movimentação global e caiu após três altas seguidas.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (10) vendido a R$ 5,852, com alta de R$ 0,061 (+1,06%). A cotação chegou a cair durante a manhã, chegando a R$ 5,77 na mínima do dia, por volta das 12h, mas inverteu a trajetória e passou a subir em reação a declarações do presidente Donald Trump.

Na máxima do dia, por volta das 16h10, chegou a R$ 5,87.

Apesar da alta desta segunda-feira, a moeda norte-americana cai 5,3% em 2025. Em março, a divisa registra queda de 1,08%.

Bolsa de Valores

No mercado de ações, o dia também foi marcado pela instabilidade. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 124.519 pontos, com recuo de 0,41%.

Mesmo com a queda, a bolsa brasileira saiu-se melhor que as bolsas norte-americanas. Em Nova York, o índice Dow Jones, das empresas industriais, caiu 2,08%. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, perdeu 4%. O S&P 500, das 500 maiores empresas, recuou 2,7%.

Apesar de alguns fatores domésticos, o cenário global pesou mais.

O receio de que os Estados Unidos, a maior economia do planeta, entre em recessão intensificou-se após Donald Trump afirmar no domingo (9), em entrevista à televisão, que os Estados Unidos podem passar por um “período de transição” por causa de medidas como a imposição de tarifas comerciais e a falta de mão de obra decorrente da menor imigração.

Outro fator que prejudicou os países emergentes foi a divulgação de dados de deflação na China, provocada pelo menor consumo interno e pela estagnação do mercado de trabalho. Como o país asiático é o maior consumidor de bens primários do planeta, a notícia fez cair o preço das commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional).

No Brasil, o mercado aumentou a previsão de inflação para este ano. O boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, elevou para 5,68% a estimativa de inflação para 2025.

*Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

Mercado financeiro projeta inflação de 5,68% em 2025

Boletim Focus manteve projeção de crescimento do PIB em 2,01%

Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,68%, ante 5,65% na semana passada.

A pesquisa Focus é realizada com economistas do mercado financeiro e é divulgada semanalmente pelo BC. Para 2026, o Focus projeta um índice inflacionário de 4,4%, o mesmo da semana passada. Para 2027, o mercado financeiro prevê IPCA em 4% e para 2028, 3,75%.

No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%, acima do teto da meta, que era de 4,5%.

PIB

O boletim manteve a projeção de crescimento de 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país, para este ano. Para 2026, os agentes do mercado financeiro projetam um crescimento de 1,7% , a mesma da semana anterior.

Já para 2027, a projeção é de que o PIB fique em 2%, a mesma para 2028.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Focus manteve a projeção da semana passada (15%) para 2025. A mesma das últimas nove semanas. 

Para 2026, a projeção do mercado financeiro é de que a Selic fique em 12,5%, também a mesma projetada na semana passada. Para 2027 e 2028, as projeções são de que a taxa fique em 10,5% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final de janeiro, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual, com a justificativa de que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o centro da meta. 

O Copom destacou que os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa, em função, dentre outros fatores, da estiagem observada ao longo do ano passado e da alta de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.

Com relação aos bens industrializados, o comitê apontou que o movimento recente de aumento do dólar pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses, o que tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política econômica contracionista.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação para o centro da meta (3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%) pode demandar um novo aumento de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião do comitê nos dias 18 e 19 de março.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 5,99 para 2025. Nesta segunda-feira a cotação da moeda está em R$ 5,78. No fim de 2026, a previsão é de que a moeda norte-americana fique em R$ 6. Para 2027, o câmbio também deve ficar, segundo o Focus, em R$ 5,90, a mesma para 2028.

Fonte: Agência Brasil 

Energia Solar: Potencial, Aplicações e Sustentabilidade

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A energia solar surge como uma das fontes renováveis mais relevantes para atender às demandas energéticas globais de maneira sustentável. Baseando-se no aproveitamento da radiação solar, essa tecnologia contribui de forma significativa para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a diversificação da matriz energética mundial. Este artigo apresenta uma análise acerca do potencial da energia solar, suas principais aplicações, vantagens, desafios e perspectivas futuras no contexto da transição energética.

INTRODUÇÃO

O aumento da demanda por energia, somado aos impactos ambientais decorrentes do uso intensivo de fontes fósseis, impulsionou o desenvolvimento e a busca por alternativas energéticas sustentáveis. Nesse cenário, a energia solar ganhou destaque em virtude de sua abundância, baixo impacto ambiental e viabilidade técnica. Atualmente, a energia solar fotovoltaica é a fonte renovável que mais cresce no mundo, consolidando-se como elemento fundamental na matriz energética global.

POTENCIAL DA ENERGIA SOLAR

A radiação solar incidente sobre a Terra equivale a aproximadamente 173 mil terawatts (TW) de potência contínua, quantidade que supera em larga escala o consumo energético mundial. Regiões de clima tropical, como o Brasil, apresentam elevado potencial para o aproveitamento da energia solar, com índices de irradiação superiores à média global, o que favorece a instalação de sistemas fotovoltaicos e heliotérmicos.

APLICAÇÕES DA ENERGIA SOLAR

As principais tecnologias associadas ao aproveitamento da energia solar são:

- Energia solar fotovoltaica: responsável pela conversão direta da luz solar em eletricidade, por meio de células fotovoltaicas.
- Energia solar térmica: utilizada para o aquecimento de água e ambientes, comumente aplicada em residências e estabelecimentos comerciais.
- Energia heliotérmica: tecnologia que utiliza concentradores solares para gerar calor, posteriormente transformado em eletricidade por meio de turbinas a vapor.

Essas tecnologias podem ser aplicadas em projetos residenciais, comerciais, industriais e no agronegócio, além de contribuir para sistemas de geração distribuída.

VANTAGENS E DESAFIOS

A energia solar apresenta diversas vantagens, como:

- Redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.
- Baixo custo operacional após a instalação dos sistemas.
- Contribuição para a diversificação e segurança da matriz energética.

Entretanto, desafios ainda persistem, incluindo o elevado custo inicial de implantação, a necessidade de grandes áreas para usinas de grande porte e a intermitência da geração, que depende das condições climáticas.

PERSPECTIVAS FUTURAS

Espera-se que, com o avanço tecnológico, ocorra uma contínua redução nos custos dos equipamentos e um aumento na eficiência das células fotovoltaicas. Ademais, a integração com sistemas de armazenamento energético, como baterias de íon-lítio, tende a minimizar os efeitos da intermitência e a ampliar a competitividade da energia solar frente a outras fontes.

CONCLUSÃO

A energia solar representa uma alternativa estratégica para a consolidação de um modelo energético sustentável. Seu vasto potencial, aliado ao aprimoramento tecnológico e à necessidade de mitigação das mudanças climáticas, confirma seu papel central na matriz energética do futuro.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, P. R.; SILVA, J. F.; MOURA, T. M. Desafios e oportunidades da energia solar no Brasil. Revista Brasileira de Energias Renováveis, v. 10, n. 2, p. 45-60, 2021.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Renewables 2022: Analysis and forecast to 2027. Paris: IEA, 2022.

OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. S.; SANTOS, P. H. Energia solar e sustentabilidade: uma análise do crescimento mundial. Revista de Energia Limpa, v. 5, n. 1, p. 12-29, 2019.

PEREIRA, E. B. et al. Atlas brasileiro de energia solar. São José dos Campos: INPE, 2017.

SOUZA, A. L.; FREITAS, M. C. Sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica: aspectos técnicos e regulatórios. Caderno de Energia Renovável, v. 8, n. 3, p. 101-120, 2020.

Resenha do Livro "A Vida Intelectual" – Antonin-Dalmace Sertillanges

Um guia atemporal para cultivar o conhecimento, despertar a curiosidade e transformar a existência

Publicado em 1920, "A Vida Intelectual" de Antonin-Dalmace Sertillanges é uma obra que exala sabedoria e inspiração. Trata-se de um verdadeiro manual para aqueles que desejam trilhar o caminho do conhecimento, oferecendo não apenas reflexões filosóficas, mas também orientações práticas para uma vida dedicada ao estudo e à contemplação.

O Espírito Intelectual

Sertillanges inicia sua obra enfatizando a importância de cultivar uma mentalidade aberta e receptiva ao aprendizado. Para ele, a vida intelectual não se restringe a uma mera acumulação de informações, mas requer um espírito de busca, curiosidade e discernimento. O autor incentiva o leitor a desenvolver uma postura investigativa, capaz de transcender os limites do conhecimento superficial e atingir um nível mais profundo de compreensão.

As Condições Essenciais

A jornada do intelecto exige disciplina, ordem e dedicação. Segundo Sertillanges, é fundamental criar um ambiente propício para o estudo, onde o silêncio e a concentração permitam um mergulho profundo nas questões intelectuais. Ele destaca ainda a necessidade de manter um equilíbrio entre trabalho e descanso, garantindo que a mente esteja sempre afiada e pronta para novos desafios.

Métodos e Organização

O autor oferece insights valiosos sobre como estruturar uma rotina de estudos eficaz. Ele sugere estratégias para selecionar leituras relevantes, administrar o tempo de forma produtiva e manter o foco nos objetivos intelectuais. Um dos conselhos mais práticos de Sertillanges é a ideia de que a leitura deve ser acompanhada de reflexão e anotações, transformando-se em um exercício ativo de assimilação e crítica.

A Busca pela Verdade e pelo Bem

Sertillanges enfatiza que a busca pelo conhecimento não deve ser um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade e o bem. Ele alerta contra a vaidade intelectual e incentiva o leitor a aplicar o aprendizado de maneira ética e construtiva, tanto para seu próprio desenvolvimento quanto para a melhoria da sociedade.

Impacto na Vida do Leitor

"A Vida Intelectual" não é apenas um manual acadêmico; é um convite à transformação pessoal. Após a leitura, somos impelidos a reavaliar nossa abordagem ao estudo e à contemplação. Sertillanges nos encoraja a abandonar a superficialidade e a mergulhar profundamente no oceano do conhecimento.

Mais do que um guia para intelectuais, este livro é uma bússola para aqueles que desejam uma vida de significado, crescimento e autodescoberta. Ele nos lembra que a verdadeira riqueza não está apenas na quantidade de livros lidos ou na erudição conquistada, mas sim na maneira como cultivamos nossa mente e aplicamos nosso saber para fazer a diferença no mundo.

Se você busca inspiração para aprimorar sua vida intelectual, "A Vida Intelectual" é uma leitura essencial que permanecerá relevante independentemente do tempo.

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domingo, 9 de março de 2025

O Tear de Jacquard: A Máquina que Revolucionou a Indústria Têxtil

Wikimedia Commons
Entre as invenções que transformaram a história da humanidade, poucas tiveram um impacto tão significativo na indústria têxtil quanto o Tear de Jacquard. Criado no início do século XIX, esse equipamento não apenas revolucionou a forma de tecer padrões complexos, como também foi um dos precursores da automação moderna, influenciando até mesmo o desenvolvimento dos primeiros computadores.

A Revolução do Tear

O tear tradicional exigia extrema habilidade manual para a produção de tecidos com padrões elaborados, como brocados, damascos e tapeçarias. Cada desenho precisava ser criado manualmente, tornando o processo lento e caro. Foi então que Joseph-Marie Jacquard, em 1804, apresentou ao mundo uma inovação surpreendente: um tear controlado por cartões perfurados, que automatizava a repetição dos padrões sem a necessidade de intervenção constante do tecelão.

Baseando-se em ideias anteriores, como os sistemas de cartões perfurados de Basile Bouchon e Jean-Baptiste Falcon, Jacquard aperfeiçoou o mecanismo e tornou a produção têxtil mais eficiente, precisa e acessível.

Impacto Histórico e Cultural

O Tear de Jacquard foi um divisor de águas para a indústria têxtil, permitindo a produção em massa de tecidos decorativos e tornando-os disponíveis para uma parcela maior da população. Além disso, a tecnologia dos cartões perfurados inspirou diretamente os primeiros sistemas computacionais, como a máquina analítica de Charles Babbage, sendo considerado um marco no caminho rumo à informática moderna.

Curiosidade: O Início da Programação

Os cartões perfurados usados no Tear de Jacquard traziam instruções codificadas que determinavam o padrão do tecido. Esse conceito de comando sequencial influenciou a lógica da programação de máquinas, um legado que atravessou os séculos e chegou até os computadores que usamos hoje.

 

Referências Bibliográficas:

  • Long, Eric. 50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História. Editora Sextante, 2014.
  • Cardwell, Donald S. L. Turning Points in Western Technology: A Study of Technology, Science and History. Neale Watson Academic Publications, 1972.
  • Swade, Doron. The Difference Engine: Charles Babbage and the Quest to Build the First Computer. Penguin Books, 2001.
  • Smithsonian Institution. Jacquard Loom. Disponível em: https://www.si.edu/

A Unificação do Egito e o Início do Período Arcaico

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O Egito Antigo, antes de se tornar um reino unificado, era uma região fragmentada, composta por diversas comunidades organizadas ao longo do vale do Nilo. O processo de unificação, que culminou na formação do primeiro Estado centralizado, marcou o início de uma das civilizações mais notáveis da história. Esse período, conhecido como Período Arcaico ou Tinita (c. 3100 - 2686 a.C.), representou a consolidação da autoridade real e o nascimento do conceito de faraó.

O Processo de Unificação

No final do Período Pré-Dinástico, as regiões do Alto Egito (ao sul) e do Baixo Egito (ao norte) estavam divididas e governadas por líderes locais conhecidos como "nomarcas". Com o tempo, conflitos emergiram entre essas regiões, e o rei Narmer (ou Menés) é tradicionalmente creditado como o responsável pela unificação do Egito por volta de 3100 a.C.

A famosa Paleta de Narmer, um artefato de grande importância arqueológica, retrata o rei usando a coroa branca do Alto Egito em um lado e a coroa vermelha do Baixo Egito no outro, simbolizando a unificação das duas regiões sob um único governo.

O Período Arcaico: A Consolidação do Poder

Com a unificação, Menés estabeleceu a primeira dinastia e fundou a cidade de Mênfis, que se tornaria a capital do Egito Antigo. Esse período foi marcado por avanços na administração estatal, na escrita hierogífica e no desenvolvimento de uma identidade nacional.

Os primeiros reis das Dinastias I e II expandiram o poder centralizado, estabeleceram templos para os deuses e consolidaram o culto ao faraó, que passou a ser visto como uma divindade viva, o intermediário entre os homens e os deuses.

O Legado da Unificação

A formação do primeiro Estado egípcio permitiu um desenvolvimento cultural, econômico e político sem precedentes. A administração centralizada facilitou a construção de monumentos, a organização agrária e a expansão das trocas comerciais.

O Período Arcaico preparou o caminho para a era seguinte, o Antigo Império, conhecido por sua estabilidade e pela construção das grandes pirâmides.

No próximo artigo, exploraremos o Antigo Império e a era dos grandes faraós construtores!

Fique atento e continue acompanhando nossa série sobre o Egito Antigo.

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Pharaohs. Blackwell Publishing, 2000.

sábado, 8 de março de 2025

O Reino Unido: História, Monarquia, Religião e Transformações Contemporâneas

Palácio de Buckinghan / PixaBay
O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte é um dos países mais emblemáticos e influentes da história mundial. Formado por quatro nações – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte –, o Reino Unido foi o centro de um império global e ainda mantém fortes laços históricos e culturais com diversas nações, especialmente aquelas que integram a Commonwealth.

Ao longo dos séculos, muitos territórios optaram por se desvincular da monarquia britânica, buscando autonomia e identidade própria. Um exemplo recente foi Barbados, que, em 30 de novembro de 2021, se tornou oficialmente uma república, rompendo os últimos laços com a Coroa britânica. Apesar disso, a monarquia do Reino Unido segue com grande prestígio e influência ao redor do mundo.

A monarca de maior tempo de reinado

Ao falar do Reino Unido, é impossível não destacar a figura da Rainha Elizabeth II, que foi a monarca com o mais longo período de reinado da história britânica. Durante 70 anos, Elizabeth II esteve no trono, atravessando gerações e sendo testemunha de importantes transformações globais e nacionais. Sua morte ocorreu no dia 8 de setembro de 2022, no Castelo de Balmoral, na Escócia.

Com o falecimento da Rainha, seu filho mais velho, Charles III, foi proclamado rei, dando continuidade à dinastia Windsor e inaugurando um novo capítulo na história da monarquia britânica.

Quem pode ser rei ou rainha no Reino Unido?

Segundo as tradições e normas que regem a sucessão ao trono britânico, apenas pessoas nascidas no Reino Unido, especificamente descendentes da linha sucessória legítima, podem ocupar o cargo de monarca. Além disso, há um requisito fundamental: o monarca precisa ser obrigatoriamente de religião protestante, seguindo a fé estabelecida pelo Act of Settlement de 1701.

Religião oficial no Reino Unido

A religião oficial do Reino Unido varia conforme cada uma das nações que o compõem:

  • Inglaterra: A religião oficial é o Anglicanismo, com a Igreja Anglicana, e o monarca atua como seu governador supremo.
  • Escócia: A Igreja Presbiteriana é a principal e detém status oficial, embora com autonomia e sem intervenção direta do monarca, que apenas garante sua preservação.
  • País de Gales e Irlanda do Norte: Não possuem uma igreja oficial. No entanto, há predominância de tradições anglicanas, metodistas e presbiterianas.

O papel político do rei

Embora o Reino Unido seja uma monarquia constitucional, em que o poder de governo está nas mãos do Parlamento e do Primeiro-Ministro, o rei ainda exerce funções importantes dentro do protocolo político. Entre suas principais atribuições, estão:

  • Abertura oficial e dissolução do Parlamento.
  • Nomeação formal do Primeiro-Ministro.
  • Sancionamento de leis aprovadas, através do chamado Royal Assent.

Na prática, esses poderes são mais simbólicos do que interventivos, já que as decisões políticas são tomadas pelo governo eleito. O monarca atua como chefe de Estado, representando a unidade e continuidade da nação.

A abrangência do Reino Unido e a saída de países

Além de suas quatro nações constituintes, o Reino Unido mantém relações com várias nações por meio da Commonwealth, uma organização que reúne ex-colônias britânicas e países que compartilham laços históricos com a Coroa. No entanto, muitos países já optaram por romper esse vínculo. Um caso emblemático foi o de Barbados, que retirou a rainha Elizabeth II como chefe de Estado e passou a se autodeclarar república, encerrando um ciclo de mais de 400 anos de domínio britânico.

Ainda assim, outras nações, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, continuam reconhecendo o monarca britânico como seu chefe de Estado, embora possuam autonomia política plena.

Conclusão

Mesmo com as mudanças políticas globais, a monarquia britânica permanece como um dos maiores símbolos históricos e culturais do mundo. A morte da Rainha Elizabeth II e a ascensão de Charles III sinalizam uma nova era, mas que ainda se apoia em tradições centenárias. Ao mesmo tempo em que países buscam autonomia, como Barbados, outros mantêm o respeito e os vínculos com a realeza britânica, reafirmando a relevância histórica do Reino Unido no cenário internacional.

Referências

BBC News. Barbados se torna república e retira rainha Elizabeth II como chefe de Estado. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59465640. Acesso em: fev. 2025.

BOGUE, David. The British Monarchy: Past, Present, and Future. London: Routledge, 2021.

CANNADINE, David. Elizabeth II: A Life of a Queen. Oxford: Oxford University Press, 2022.

CROSS, Anthony R. The Church of England and Its Impact on British Society. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.

HEFFERNAN, Michael. The United Kingdom: Nation, State, and Empire. London: Palgrave Macmillan, 2020.

MACCULLOCH, Diarmaid. Christianity: The First Three Thousand Years. New York: Penguin Books, 2020.

STARKEY, David. Monarchy: The Royal Family at Work. London: HarperCollins, 2019.

THE ROYAL FAMILY. The Death of Her Majesty The Queen. Disponível em: https://www.royal.uk. Acesso em: fev. 2025.

Pix: Novas regras do Banco Central podem excluir milhões de chaves irregulares

Cerca de 8 milhões de CPFs com pendências na Receita Federal podem ter chaves Pix canceladas; veja como regularizar

As novas regras do Banco Central (BC) para uso do Pix devem afetar cerca de 8 milhões de chaves ligadas a CPFs em situação irregular na base de dados da Receita Federal. Estas chaves poderão ser excluídas. 

Anunciada nesta quinta-feira (6), a medida visa mais segurança aos usuários deste sistema de pagamento instantâneo.

Para saber se seu CPF está irregular e se sua chave está entre as que poderão ser canceladas, a Agência Brasil preparou um passo a passo para regularizar pendências e evitar essa exclusão.

Passo a passo

O primeiro deles é saber se o CPF está em alguma das seguintes situação cadastral: Suspensa, Cancelada, Titular Falecido ou Nula.

Para tanto, é necessário consultar o site da Receita Federal em aba específica de Comprovante de Situação Cadastral.

Se a situação estiver “suspensa”, é necessário fazer o pedido de regularização na aba específica do site da Receita.

Segundo o órgão, na maioria das vezes, a atualização do CPF pelo site corrige as informações na hora. Contudo, se ao final do procedimento for gerado um protocolo de atendimento, será necessário enviar alguns documentos à Receita Federal para concluir o serviço.

Nesses casos, o envio da documentação comprobatória da alteração pode ser encaminhada por e-mail. Clique aqui para saber o e-mail que atende cada unidade da federação. Também é possível agendar a entrega da documentação comprobatória, nesta aba específica do site.

Entre os documentos que podem ser solicitados estão a certidão de nascimento ou casamento, título de eleitor, comprovante de residência e um documento de identidade. Além disse, o solicitante terá que enviar uma selfie, segurando o documento de identidade.

Já no caso do CPF apresentar a situação de “titular falecido” ou “cancelado” é necessário agendar atendimento em uma unidade da Receita para realizar a correção. Para isso, clique aqui.

Em situações especiais, a exemplo de pessoa com deficiência maior de 18 anos, o pedido pode ser feito pelo cônjuge ou companheiro; ascendente, descendente ou parente colateral até o 3º ou curador. 

Nesse caso, será preciso enviar também laudo médico atestando a deficiência, documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove o parentesco ou curatelia.

No caso de menores de 16 anos tutelados ou sujeitos à guarda, a alteração no cadastro do CPF pode ser solicitada pelos pais, tutor ou responsável pela guarda, mediante o envio de documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove a tutela ou responsabilidade da guarda do incapaz.

Além disso, o atendimento presencial também pode ser prestado por unidades conveniadas, mas com o custo de R$ 7. As unidades que prestam o serviço são os cartórios de registro de pessoas naturais, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os Correios.

Residentes no exterior

Se a pessoa residir no exterior, a orientação é preencher o formulário disponível aquiApós o preenchimento, o formulário deve ser impresso e entregue em uma representação diplomática brasileira em até 15 dias, com os documentos listados.

Também é possível solicitar atendimento presencial junto às repartições consulares brasileiras no exterior. As informações sobre os consulados estão disponíveis no portal E-consular.

 

Fonte: Agência Brasil

Déficit na balança comercial em fevereiro é o pior para o mês desde 1989

Queda no preço de commodities e importação de plataformas de petróleo impactam resultado

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A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 323,7 milhões em fevereiro, marcando o primeiro saldo negativo mensal desde janeiro de 2022. Esse é o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989. No mesmo período do ano passado, o saldo havia sido positivo em US$ 5,13 bilhões.

A principal pressão sobre o resultado veio da queda no preço de commodities como ferro, petróleo, soja e açúcar, reduzindo o valor das exportações, que totalizaram US$ 22,929 bilhões, uma retração de 1,8% em relação a fevereiro de 2024. Paralelamente, as importações dispararam 27,6%, atingindo US$ 23,253 bilhões, impulsionadas pela compra de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 2,7 bilhões.

No acumulado de 2025, o superávit comercial soma US$ 1,934 bilhão, representando uma queda de 82,9% em comparação ao primeiro bimestre de 2024. O resultado é o mais baixo para o período desde 2021.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima um superávit entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões para o ano. Já o boletim Focus, do Banco Central, projeta um saldo positivo de US$ 76,8 bilhões para 2025.

Fonte: Agência Brasil

 

A verdade oculta sobre o 8 de março

O incêndio que nunca aconteceu e a criação da data por Stalin

Reprodução
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é, sem dúvida, uma das datas mais conhecidas e respeitadas no mundo. Porém, você já parou para questionar a origem dessa comemoração? E se eu te dissesse que a famosa história do incêndio de uma fábrica em Nova York, no qual centenas de operárias teriam morrido, simplesmente nunca aconteceu?

Neste artigo, vamos revelar as verdadeiras origens do 8 de março, mostrando como essa data foi construída politicamente e como a figura de Josef Stalin e a União Soviética desempenharam um papel crucial nessa narrativa.

O mito do incêndio de 8 de março

Durante décadas, foi amplamente divulgado que, em 8 de março de 1857, operárias têxteis de Nova York realizaram uma greve por melhores condições de trabalho e salários justos. Como resposta, donos da fábrica teriam trancado as portas e iniciado um incêndio criminoso, matando dezenas de mulheres carbonizadas.

Por mais trágica e impactante que essa história seja, não há registros históricos que comprovem que esse evento tenha acontecido naquela data. Pesquisadores e historiadores que se debruçaram sobre jornais da época, documentos oficiais e arquivos históricos não encontraram evidências que sustentem essa versão.

O que realmente existiu foi o trágico incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, ocorrido em 25 de março de 1911, também em Nova York, que matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes. Contudo, esse episódio, apesar de real e marcante para a luta trabalhista, não foi a origem do Dia Internacional da Mulher, nem ocorreu em março de 1857, como tantas vezes se repete.

A verdadeira origem do Dia Internacional da Mulher

Para entender a escolha do 8 de março, precisamos viajar até a Rússia e observar o contexto político do início do século XX.

Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano, usado na época na Rússia), milhares de operárias saíram às ruas de Petrogrado exigindo "pão e paz", protestando contra as condições miseráveis de vida e o envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial. Essa manifestação foi um estopim que desencadeou a Revolução Russa, resultando na queda do czarismo.

Esse fato concreto motivou, anos depois, o movimento comunista a estabelecer o 8 de março como um dia simbólico da luta das mulheres trabalhadoras, principalmente nas nações socialistas.

Stalin e a propaganda soviética

Foi em 1921, durante a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Comunistas, em Moscou, que o 8 de março foi oficializado como a data para celebrar a luta das mulheres, reforçando sua importância na revolução e no movimento socialista.

Com o tempo, a máquina de propaganda soviética, sob o comando de Josef Stalin, ajudou a consolidar e exportar essa celebração para outros países. Como estratégia política, buscou-se uma narrativa universal, que pudesse sensibilizar não só os países comunistas, mas também o Ocidente. É justamente nesse cenário que a lenda do incêndio de 1857 começou a circular como uma justificativa emocional e trágica para reforçar a simbologia do 8 de março.

Mesmo sem fundamentos históricos, essa história pegou. Foi repetida em discursos, jornais, livros e até nos sistemas educacionais, transformando-se em um mito que muitos acreditam até hoje.

O 8 de março e sua consolidação global

Apesar do mito do incêndio, a data foi sendo adotada gradualmente ao redor do mundo. A ONU, em 1977, reconheceu oficialmente o Dia Internacional da Mulher, consolidando a celebração como um momento para refletir sobre as conquistas femininas e os desafios que ainda permanecem.

A partir daí, a data ganhou força não apenas entre movimentos comunistas, mas em todo o mundo, tornando-se símbolo das lutas femininas por igualdade, respeito e direitos trabalhistas e políticos.

Por que é importante conhecer essa história?

Saber que o famoso incêndio de 1857 não aconteceu não diminui a importância do Dia Internacional da Mulher. Pelo contrário: entender a verdadeira história permite reconhecer as reais lutas que deram origem à data e refletir sobre como narrativas podem ser criadas e perpetuadas para atender interesses políticos.

Além disso, valorizar eventos concretos, como as greves femininas, a participação das mulheres nas revoluções e as mobilizações trabalhistas, fortalece ainda mais a data como um símbolo autêntico da luta por direitos.

Conclusão

O 8 de março não nasceu de uma tragédia isolada, mas sim de décadas de mobilização feminina e da articulação política em torno da valorização das mulheres como agentes transformadoras da sociedade.

Embora o mito do incêndio tenha servido como ferramenta de sensibilização, a verdadeira força do Dia Internacional da Mulher está nas histórias reais de resistência, trabalho e coragem de mulheres em todo o mundo.

Referências

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  • SCOTT, Joan Wallach. Gênero e a Política da História. São Paulo: Ed. UNESP, 1995.
  • REIS, Daniel Aarão. A Revolução Russa: Os Fatos e as Interpretações. São Paulo: Brasiliense, 1992.
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  • COUTINHO, Afrânio. Enciclopédia de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: MEC/INL, 1990.
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  • SEVCENKO, Nicolau. A Revolta dos Modernistas e a Nova Mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.