Radio Evangélica

terça-feira, 4 de março de 2025

Carlota Joaquina de Bourbon: Entre o Poder e a Controvérsia na História Luso-Brasileira

Carlota Joaquina de Bourbon (1775–1830), rainha consorte de Portugal, figura como uma das personagens mais controversas da história luso-brasileira. Filha do rei Carlos IV da Espanha, seu casamento com Dom João VI foi marcado por interesses políticos e conflitos pessoais. Neste artigo, busca-se analisar o papel político de Carlota Joaquina, suas articulações durante o período da transferência da corte portuguesa ao Brasil (1808) e seu legado histórico, frequentemente associado à intriga e à resistência às mudanças liberais. A pesquisa fundamenta-se em fontes históricas e na historiografia recente que busca revisitar sua atuação além dos estereótipos.

Introdução

Carlota Joaquina de Bourbon é lembrada na história como uma figura polêmica, muitas vezes retratada com adjetivos depreciativos como "ambiciosa" e "conspiradora". Entretanto, novas abordagens historiográficas apontam para a necessidade de uma reavaliação crítica de sua trajetória, destacando sua participação ativa na política da época. Neste artigo, analisamos sua influência política, suas pretensões dinásticas e o impacto de sua presença na corte portuguesa no Brasil.

Contexto Histórico e Biográfico

Carlota Joaquina nasceu em 25 de abril de 1775, na Espanha. Aos dez anos foi prometida em casamento a Dom João, então príncipe herdeiro de Portugal, como parte de uma aliança política entre os reinos ibéricos. Casou-se oficialmente em 1785, numa união que, desde o início, demonstrou ser turbulenta, tanto no aspecto pessoal quanto político.

Durante a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, devido à invasão napoleônica na Península Ibérica, Carlota Joaquina desempenhou um papel relevante, principalmente ao tentar reivindicar para si o governo das possessões espanholas na América do Sul, alegando a ilegitimidade do domínio francês na Espanha.

O Carlotismo: Ambições e Limites

O movimento conhecido como "Carlotismo" refere-se aos esforços de Carlota Joaquina em assumir o controle sobre territórios espanhóis na América, utilizando como justificativa sua condição de filha do rei deposto e esposa do regente de Portugal. Ela tentou legitimar sua pretensão ao trono do Rio da Prata (atual Argentina, Uruguai e Paraguai), mas encontrou resistência tanto dos espanhóis quanto dos próprios portugueses e brasileiros, que temiam envolver-se em conflitos externos.

Embora não tenha obtido sucesso efetivo, o Carlostismo revelou a disposição política de Carlota Joaquina de atuar além do papel cerimonial esperado das mulheres da monarquia, inserindo-se nos debates geopolíticos do início do século XIX.

Carlota Joaquina e o Absolutismo

Carlota Joaquina também é lembrada por sua firme oposição ao movimento liberal em Portugal. Após a Revolução Liberal do Porto (1820), que estabeleceu a Constituição de 1822, Carlota posicionou-se ao lado dos setores mais conservadores, defendendo a restauração do absolutismo. Sua influência foi crucial durante as tensões políticas que envolveram a volta da corte a Portugal em 1821 e as disputas internas na família real.

Morte e Legado

Carlota Joaquina morreu em 7 de janeiro de 1830, em Queluz, Portugal. Após sua morte, sua imagem foi consolidada como a de uma figura antagônica às transformações políticas que marcaram a transição do Antigo Regime para o constitucionalismo. Contudo, estudos recentes propõem uma leitura mais complexa de sua trajetória, reconhecendo-a como uma mulher que soube articular poder dentro das limitações de seu tempo.

Considerações Finais

Carlota Joaquina de Bourbon ultrapassou os limites tradicionais do papel feminino na monarquia, agindo como agente político em momentos decisivos da história luso-brasileira. Ao reavaliar sua atuação sem os preconceitos consolidados pela historiografia tradicional, podemos compreender melhor as dinâmicas de poder na corte portuguesa e as relações entre Portugal, Espanha e Brasil no início do século XIX.

 

Referências

  • ARRUDA, José Jobson de Andrade. O Brasil no Contexto da América Latina: Século XIX. São Paulo: Ática, 1993.
  • BARMAN, Roderick J. Brazil: The Forging of a Nation, 1798–1852. Stanford: Stanford University Press, 1988.
  • COSTA, Fernando Dores. Carlota Joaquina e o Carlostismo: Ambições e Limites. Revista Brasileira de História, v. 24, n. 47, p. 11-38, 2004.
  • LYRA, Maria de Lourdes Viana. A utopia do poderoso império: Portugal e Brasil: 1798-1822. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1994.
  • SARAIVA, José Hermano. História Concisa de Portugal. Lisboa: Publicações Europa-América, 1993.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Emburrecimento Programado: A Crítica de John Taylor Gatto ao Sistema Escolar

Emburrecimento Programado é um livro escrito por John Taylor Gatto, um renomado professor com mais de trinta anos de experiência em sala de aula em Nova York. Publicado originalmente em 1992 e traduzido por Leonardo Araújo, o livro revela o que está por trás do currículo escolar e como ele treina as crianças para o "emburrecimento". Gatto faz uma distinção importante entre escolarização e educação, argumentando que as crianças são escolarizadas, mas não educadas.

A Escola como ferramenta de controle

Uma das principais críticas de Gatto é que a escolarização obrigatória afasta as crianças do ambiente familiar e da comunidade em que vivem. De forma sutil, elas aprendem a valorizar mais as instituições do que suas próprias famílias, pois são ensinadas a acreditar que as instituições sabem o que é melhor para cada indivíduo. No entanto, a família é a instituição mais antiga da sociedade e, segundo o autor, deveria ser a base da formação de qualquer ser humano.

A escola, ao invés de incentivar a autonomia intelectual, molda os estudantes para serem obedientes e submissos a sistemas burocráticos. Gatto argumenta que esse modelo educacional não se baseia no desenvolvimento do pensamento crítico, mas sim na padronização do comportamento e na aceitação de hierarquias sociais impostas.

Dependência intelectual e assistencialismo educacional

Outro tema interessante abordado pelo autor é a dependência intelectual que a escolarização cria. As crianças aprendem a esperar que o professor passe conteúdos previamente escolhidos por "planejadores centrais", muitas vezes anônimos e distantes da realidade dos alunos. Esse processo gera um assistencialismo intelectual, no qual os estudantes não desenvolvem a capacidade de buscar conhecimento por conta própria, tornando-se dependentes do sistema para interpretar o mundo ao seu redor.

Essa dependência se reflete na vida adulta, quando ex-alunos se tornam cidadãos que esperam que autoridades ou especialistas lhes digam o que pensar e como agir, em vez de buscar suas próprias soluções e caminhos. Segundo Gatto, essa mentalidade perpetua um ciclo de conformismo e passividade, limitando a inovação e a criatividade da sociedade.

A padronização e seus impactos

O modelo escolar tradicional padroniza o ensino sem considerar as diferenças individuais dos alunos. Em vez de estimular a criatividade e o talento pessoal, a escola impõe um currículo rígido que pouco dialoga com as necessidades específicas de cada estudante.

Para Gatto, essa estrutura não é acidental, mas sim uma estratégia deliberada para formar indivíduos previsíveis e fáceis de controlar. Ele destaca que a educação moderna segue um modelo herdado da Revolução Industrial, projetado para criar trabalhadores obedientes, e não cidadãos autônomos e críticos.

Alternativas ao sistema tradicional

Ao longo do livro, Gatto sugere alternativas para uma educação mais autêntica e libertadora. Ele defende modelos de aprendizado baseados na experiência, na curiosidade natural das crianças e na conexão com a vida real. Para ele, a verdadeira educação ocorre fora das paredes da escola, através da experimentação, da leitura independente, do contato com diversas culturas e do desenvolvimento de habilidades práticas.

O autor menciona exemplos de educações alternativas, como o ensino domiciliar (homeschooling), escolas democráticas e abordagens autodirigidas, que permitem maior liberdade e autonomia no processo de aprendizagem. Para Gatto, a chave para um ensino de qualidade é o estímulo ao pensamento independente e à construção de conhecimento baseada no interesse genuíno do aluno.

Conclusão

Emburrecimento Programado é um livro que desafia as concepções tradicionais de educação e convida o leitor a refletir sobre os verdadeiros objetivos da escolarização. A crítica de Gatto ao sistema educacional moderno levanta questões importantes sobre a liberdade intelectual, a autonomia dos indivíduos e a necessidade de reformularmos o modo como ensinamos nossas crianças.

Ao questionar o papel das escolas na formação da sociedade, o autor abre espaço para um debate fundamental: estamos educando para a liberdade ou para a obediência? Essa é uma reflexão que vale não apenas para pais e professores, mas para qualquer pessoa preocupada com o futuro da educação e da sociedade.

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domingo, 2 de março de 2025

O Período Pré-Dinástico do Egito: As Origens de uma Civilização Milenar

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O Egito Antigo é amplamente conhecido por suas grandiosas pirâmides, templos monumentais e governantes lendários. No entanto, antes da formação dos primeiros reinos e do surgimento dos faraós, o território do vale do Nilo já era habitado por comunidades que moldariam uma das civilizações mais icônicas da história. Esse período, conhecido como Pré-Dinástico, abrange aproximadamente de 6000 a 3100 a.C., sendo uma fase crucial para a estruturação da sociedade egípcia.

As Primeiras Comunidades Agrícolas

Durante o período Pré-Dinástico, o Egito passou por uma transformação significativa, deixando de ser uma terra de caçadores-coletores nômades para uma sociedade baseada na agricultura e na pecuária. A fertilidade do vale do Nilo, com suas cheias sazonais, permitiu o cultivo de cereais como trigo e cevada, além da domesticação de animais. Esses avanços garantiram a fixação de populações em aldeias permanentes e o desenvolvimento de estruturas sociais mais complexas.

Culturas de Nagada e Badariense

Os arqueólogos identificaram diferentes culturas que compuseram essa fase inicial da história egípcia. Entre as mais importantes, destacam-se:

  • Cultura Badariense (c. 4400 – 4000 a.C.): Caracterizada pela produção de cerâmica sofisticada e pelo uso do cobre, essa cultura estabeleceu as bases para o desenvolvimento social e econômico do Egito Antigo.
  • Culturas de Nagada I, II e III (c. 4000 – 3100 a.C.): Responsáveis pela crescente organização política e social, essas culturas demonstraram avanços na arquitetura, na arte e na consolidação das primeiras formas de escrita e simbologia religiosa. A fase Nagada III marca a transição para a unificação do Egito sob o primeiro faraó.

O Caminho para a Unificação

À medida que os assentamentos cresciam e as interações entre comunidades se intensificavam, a necessidade de uma administração centralizada se tornou evidente. Chefes locais passaram a expandir seus territórios, resultando na formação de dois grandes reinos: o Alto Egito (ao sul) e o Baixo Egito (ao norte). Esse processo culminaria com a unificação do Egito, por volta de 3100 a.C., sob o reinado de Narmer (ou Menés), considerado o primeiro faraó.

Legado do Período Pré-Dinástico

O período Pré-Dinástico foi essencial para estabelecer os fundamentos políticos, religiosos e culturais do Egito Antigo. Elementos que se tornariam característicos da civilização egípcia, como a crença na vida após a morte, a iconografia dos deuses e a organização estatal, já estavam sendo moldados nessa época.

Nos próximos artigos, exploraremos cada fase dessa fascinante jornada histórica, desde o Antigo Império até os tempos de Cleópatra. No próximo domingo, falaremos sobre a unificação do Egito e o início do Período Arcaico!

Fique atento e acompanhe essa série sobre o Egito Antigo. Até a próxima!

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Pharaohs. Blackwell Publishing, 2000.

 

sábado, 1 de março de 2025

Monarquias no mundo: conheça os países que ainda mantêm reis e rainhas

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Apesar da predominância de regimes republicanos no cenário político mundial, 43 países ainda mantêm monarquias, seja em sistemas constitucionais ou absolutos. Essas nações preservam reis e rainhas como chefes de Estado, com poderes variáveis conforme suas constituições.

Monarquias na Europa

A Europa abriga 12 monarquias, todas constitucionais. O Reino Unido é o mais influente, sendo também chefe de Estado de diversas ex-colônias. Além dele, há monarquias na Espanha, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Mônaco, Liechtenstein, Noruega, Suécia, Dinamarca e Andorra. O Vaticano também é uma monarquia teocrática, governada pelo Papa.

Monarquias na Ásia

O continente asiático possui 13 monarquias, sendo algumas constitucionais e outras absolutas. O Japão mantém uma monarquia cerimonial, enquanto países como Malásia, Tailândia, Camboja, Jordânia, Kuwait e Bahrein possuem monarquias constitucionais com algum poder político. Já Arábia Saudita, Catar, Omã, Emirados Árabes Unidos (federação de sete monarquias) e Brunei são monarquias absolutas, onde o rei ou sultão exerce controle quase total sobre o governo.

Monarquias na África

A África conta com três monarquias: Marrocos, com um rei que detém poderes significativos; Lesoto, onde o rei possui um papel mais simbólico; e Essuatíni (ex-Suazilândia), que ainda mantém uma monarquia absoluta.

Monarquias na Oceania

Na Oceania, quatro países são monarquias: Tonga, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão e Tuvalu. Os três últimos reconhecem o monarca britânico como chefe de Estado, enquanto Tonga mantém uma monarquia constitucional independente.

Monarquias nas Américas

Onze países das Américas continuam sendo monarquias, todos sob a liderança do Reino Unido. Entre eles estão Canadá, Austrália, Nova Zelândia e nações caribenhas como Jamaica, Bahamas, Antígua e Barbuda, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize e Granada. Esses países possuem autonomia política, mas mantêm o monarca britânico como chefe de Estado.

O papel da monarquia nos dias atuais

Embora a maioria dessas monarquias seja constitucional, onde o rei ou rainha tem função simbólica, algumas ainda exercem influência política considerável. Em países como Arábia Saudita e Essuatíni, os monarcas detêm poderes quase absolutos, enquanto em lugares como Reino Unido, Japão e Suécia, as famílias reais cumprem papéis representativos e culturais.

Mesmo em meio a debates sobre a modernização dos sistemas políticos, as monarquias continuam sendo parte da identidade nacional de diversos países, preservando tradições e influenciando a política global.

Referências

  • BAGEHOT, Walter. The English Constitution. Oxford University Press, 2001.
  • ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: Reflexões sobre a Origem e a Difusão do Nacionalismo. Companhia das Letras, 2008.
  • Organização das Nações Unidas (ONU). Relatórios sobre Governança Global. Disponível em: https://www.un.org.
  • Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA). Monarquias e Democracia. Disponível em: https://www.idea.int.
  • The Economist Intelligence Unit. Relatório Anual sobre Democracia Mundial, 2024.
  • BBC News. Monarquias no século XXI. Disponível em: https://www.bbc.com.

 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Dólar atinge R$ 5,91 após escolha de Gleisi e discussão na Casa Branca

Bolsa cai pela terceira vez na semana e fecha mês com queda de 2,17%

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Em um dia de turbulência no mercado doméstico e internacional, o dólar voltou a superar a barreira de R$ 5,90 e atingiu o maior nível em mais de 1 mês. A bolsa de valores caiu pela terceira vez na semana e fechou o mês com recuo de mais de 2%.

O dólar comercial encerrou a sexta-feira (28) vendido a R$ 5,916, com alta de R$ 0,088 (1,5%). A cotação chegou a operar próxima da estabilidade durante a manhã, mas aproximou-se de R$ 5,90 após a nomeação da deputada federal Gleisi Hoffman (PT-PR) para a Secretaria de Relações Institucionais

Após o desentendimento público entre os presidentes Donald Trump e Volodymyr Zelenky, a cotação superou os R$ 5,90.

Após a turbulência desta sexta-feira, a moeda norte-americana, que acumulava queda em fevereiro, fechou a semana com ganho de 3,25% e o mês com valorização de 1,39%. A cotação está no maior valor desde 24 de janeiro.

Ibovespa

O dia também foi tenso no mercado de ações. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 122.709 pontos, com recuo de 1,6%. O indicador refletiu tanto os fatores domésticos como a resiliência do núcleo da inflação ao consumidor nos Estados Unidos, que ficou em 0,3% em janeiro. 

A bolsa continuou a refletir a queda no lucro da Petrobras em 2024. A bolsa caiu 3,41% na semana e acumulou queda de 2,64% no mês.

A escolha de Gleisi Hoffman para coordenar a articulação política do governo foi recebida com preocupação por parte dos investidores. Isso porque a deputada federal criticou, por diversas vezes, a política monetária do Banco Central e os cortes no Orçamento do governo.

Em relação à discussão entre Trump e Zelensky, o dólar passou a subir em todo o planeta após a exibição do evento ao vivo no Salão Oval da Casa Branca. O índice que mede a cotação do dólar em relação às seis principais moedas internacionais subiu 0,22% após o incidente, revertendo a queda na maior parte da sessão.

* Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

Conta de energia elétrica permanecerá sem cobrança extra em março

Medida reflete condições favoráveis de geração de usinas hidrelétricas

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a bandeira tarifária verde em março, o que significa que não haverá cobrança adicional nas contas de energia. Segundo a agência, a medida reflete as condições favoráveis de geração de energia no país.

bandeira tarifária permanece verde desde dezembro de 2024. 

“Com o período chuvoso, os níveis dos reservatórios melhoraram, assim como as condições de geração das usinas hidrelétricas. Dessa forma, o acionamento de usinas termelétricas, que possuem energia mais cara, torna-se menos necessário”, explica a Aneel. 

Bandeiras tarifárias

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional gerar a energia usada nas casas, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias. 

Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Fonte: Agência Brasil

Anac autoriza nova companhia aérea a operar no Brasil

Avion Express Brasil é subsidiária de empresa do grupo Avia Solutions

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Uma nova companhia aérea promete começar a operar no Brasil até o fim de março próximo. A Avion Express Brasil, subsidiária da empresa de mesmo nome pertencente ao grupo irlandês Avia Solutions, recebeu, nesta sexta-feira (28), autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para oferecer um modelo operacional inédito no país: a prestação de serviços para outras companhias do setor.

O serviço que a controladora da Avion Express Brasil  oferece em outros países é conhecido pela sigla ACMI (do inglês, aeronave, tripulação, manutenção e seguro). Neste formato, a empresa contratada arrenda a outras companhias - por um período pré-determinado - não só aeronaves, mas também pilotos e comissários, além de responder pela manutenção dos aviões e pagamento de seguros. A contratante, por sua vez, se encarrega da comercialização das passagens e arca com os custos operacionais, como combustível, taxas aeroportuárias e outras tarifas.

“Esse modelo de negócio possibilita otimizar a capacidade das companhias aéreas, permitindo que [estas] ampliem suas operações temporariamente em períodos de alta demanda, como férias e eventos especiais, além de garantir a continuidade do serviço em casos de indisponibilidade de aeronaves”, explicou a Anac, em nota.

Também em nota, a Avion Express celebrou a obtenção do Certificado de Operador Aéreo (COA) - documento que comprova que, após se submeter ao processo de certificação da agência reguladora, a empresa recebeu autorização para operar em território brasileiro.

“Com a aprovação do certificado, já em vigor, a Avion Express Brasil está pronta para iniciar as operações comerciais no primeiro trimestre de 2025, implantando até dez aeronaves da família Airbus A320 até o final do ano”, informou a controladora da subsidiária brasileira, revelando ter planos para chegar a 25 aeronaves até 2028.

Operação

Ainda de acordo com a Avion Express, o início da operação brasileira “representa um passo significativo para as soluções de ACMI” na América Latina, região que o grupo reconhece como “um mercado chave em crescimento” e com muito potencial”. Razão pela qual, recentemente, a Avion Express estabeleceu parcerias no México e na Argentina.

“Com o setor de aviação experimentando mudanças cíclicas de demanda, nossas soluções [em ACMI] fornecerão às companhias aéreas brasileiras a flexibilidade de que precisam para otimizar suas operações. Estamos confiantes de que nossos serviços ajudarão a preencher as lacunas de capacidade, mantendo os mais altos padrões de eficiência e confiabilidade”, comentou, na mesma nota, o executivo-chefe Darius Kajokas.

Desde meados do ano passado, a subsidiária brasileira da Avion Express é comandada pelo engenheiro argentino Esteban Jauregui Lorda, que já atuou na colombiana Avianca; na brasileira Gol e na Aerolíneas Argentinas, onde começou sua carreira no setor. A sede da companhia fica em Indaiatuba, no estado de São Paulo.

Fonte: Agência Brasil

Governo publica medida provisória que autoriza saque do FGTS

Medida vale para quem aderiu ao saque-aniversário e foi demitido

O governo publicou nesta sexta-feira (28), em edição extra do Diário Oficial da União, a Medida Provisória 1.290, que autoriza a movimentação da conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelos trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa. 

De acordo com o governo, a medida beneficiará 12,1 milhões de trabalhadores dispensados desde janeiro de 2020 até hoje, data da publicação da MP, e injetará R$ 12 bilhões na economia. 

De acordo com a medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o pagamento será feito da seguinte forma: 

Saque de até R$ 3 mil do saldo disponível: 

  • em 6 de março, para os trabalhadores com conta bancária previamente cadastrada para recebimento de recursos do FGTS;
  • conforme calendário a ser divulgado pela Caixa Econômica Federal para os trabalhadores sem conta bancária previamente cadastrada para recebimento de recursos do FGTS;

Valores remanescentes do saldo disponível:

  • em 17 de junho para os trabalhadores com conta bancária previamente cadastrada para recebimento de recursos do FGTS
  • conforme calendário a ser divulgado pela Caixa Econômica Federal para os trabalhadores sem conta previamente cadastrada para recebimento de recursos do FGTS.

trabalhador demitido desde 2020 que aderiu ao saque-aniversário não terá de sair da modalidade para sacar o saldo retido no FGTS.

A partir de amanhã (1º de março), aqueles que aderirem ao saque-aniversário e forem demitidos terão seus saldos bloqueados novamente, podendo sacar apenas a multa rescisória.

Fonte: Agência Brasil

IBGE divulga rendimentos domiciliares per capita de 2024: Maranhão tem menor valor e DF o maior

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (28) os valores dos rendimentos domiciliares per capita referentes a 2024 para o Brasil e suas unidades da federação. O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, revelou que a média nacional do rendimento domiciliar per capita foi de R$ 2.069, com variações significativas entre os estados. O Maranhão registrou o menor valor, de R$ 1.077, enquanto o Distrito Federal apresentou o maior rendimento, de R$ 3.444.

A divulgação desses dados atende à Lei Complementar 143/2013, que define critérios para a distribuição do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). Além disso, os valores são utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o cálculo dos fatores de rateio baseados no inverso do rendimento domiciliar per capita.

Diferenças regionais marcam levantamento

Os dados demonstram disparidades regionais expressivas. No Nordeste, além do Maranhão, estados como Ceará (R$ 1.225), Piauí (R$ 1.350) e Alagoas (R$ 1.331) também registraram rendimentos abaixo da média nacional. Já no Sudeste, São Paulo (R$ 2.662) e Rio de Janeiro (R$ 2.490) tiveram valores mais elevados. No Sul, os estados mantiveram patamares semelhantes, com Santa Catarina (R$ 2.601) e Rio Grande do Sul (R$ 2.608) liderando na região.

Metodologia do cálculo

O rendimento domiciliar per capita foi calculado dividindo-se o total dos rendimentos domiciliares pelo total de moradores do domicílio. Foram considerados rendimentos do trabalho e de outras fontes, abrangendo inclusive pensionistas, empregados domésticos e seus parentes. Os valores foram obtidos a partir dos rendimentos brutos mensais efetivamente recebidos no período de referência da pesquisa, considerando as informações das primeiras visitas da PNAD Contínua ao longo dos quatro trimestres de 2024.

A PNAD Contínua, realizada pelo IBGE desde 2012, acompanha trimestralmente a evolução da força de trabalho e outros indicadores socioeconômicos. Durante a pandemia de COVID-19, entre 2020 e 2022, houve alterações na coleta de dados, impactando os cálculos do rendimento domiciliar per capita. No entanto, desde 2023, o instituto retomou sua metodologia tradicional, utilizando as informações da primeira visita aos domicílios.

Com essa divulgação, o IBGE reforça o papel dos dados estatísticos para formulação de políticas públicas e para a compreensão das desigualdades regionais no país. Os números também servirão de base para decisões governamentais e análise do desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Taxa de desocupação sobe para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, aponta IBGE

Aumento reflete crescimento da população desocupada em relação ao trimestre anterior, mas mantém queda na comparação anual

A taxa de desocupação no Brasil atingiu 6,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2025, registrando uma alta de 0,3 ponto percentual (p.p.) em relação ao período de agosto a outubro de 2024, quando estava em 6,2%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação anual, o índice apresentou queda de 1,1 p.p., já que no mesmo trimestre móvel de 2023-2024 a taxa era de 7,6%.

O levantamento do IBGE revelou que a população desocupada cresceu 5,3% no trimestre, passando de 6,8 milhões para 7,2 milhões de pessoas. No entanto, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve uma queda de 13,1%, o que representa 1,1 milhão de pessoas a menos na condição de desocupadas.

Ocupação e rendimento

A população ocupada totalizou 103 milhões de pessoas, registrando um recuo de 0,6% (641 mil pessoas) no trimestre. No entanto, em relação ao ano anterior, o contingente aumentou 2,4% (mais 2,4 milhões de pessoas). O nível da ocupação caiu para 58,2%, com queda trimestral de 0,5 p.p., mas alta anual de 0,9 p.p.

O rendimento médio real habitual cresceu 1,4% no trimestre e 3,7% no ano, atingindo R$ 3.343. Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 339,5 bilhões, permanecendo estável no trimestre, mas com um aumento anual de 6,2% (R$ 19,9 bilhões a mais).

Subutilização e informalidade

A taxa composta de subutilização ficou estável no trimestre, passando de 15,4% para 15,5%, mas apresentou queda de 2,0 p.p. no ano. O número de pessoas subutilizadas foi estimado em 18,1 milhões, sem variação significativa no trimestre, mas com uma redução de 11% no ano.

A informalidade atingiu 38,3% da população ocupada, o que representa 39,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre encerrado em outubro, a taxa era de 38,9% (40,3 milhões), e no mesmo período do ano anterior, era de 39% (39,2 milhões).

Setores e perspectivas

No setor privado, o número de empregados com carteira assinada permaneceu estável no trimestre, totalizando 39,3 milhões de pessoas. Já os empregados sem carteira assinada somaram 13,9 milhões, apresentando queda trimestral de 553 mil pessoas, mas crescimento de 3,2% no ano.

O setor público registrou redução de 2,8% no número de empregados no trimestre, mas alta de 2,9% no ano, totalizando 12,5 milhões de pessoas. O número de trabalhadores por conta própria permaneceu estável em ambas as comparações, enquanto o de trabalhadores domésticos caiu 2,4% no trimestre, sem variação anual.