Radio Evangélica

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Intenção de consumo entre as famílias cai 0,2% em fevereiro

Resultado teve impacto da redução de consumo de bens duráveis

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A intenção de consumo das famílias caiu 0,2% de janeiro para fevereiro, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a confederação, a queda foi impactada principalmente pela redução de consumo de bens duráveis – que são aqueles com vida útil longa, como automóveis, geladeiras, máquinas de lavar roupa, computadores, entre outros. O índice mostra ainda uma maior cautela principalmente entre as famílias de maior renda.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) foi divulgada nesta quinta-feira (20) pela CNC. O índice chegou aos 104,5 pontos, descontados os efeitos sazonais. Em comparação com fevereiro de 2024, a queda foi ainda maior, 1,1%. Este é o quinto mês consecutivo que há redução da intenção de consumo na análise anual, sendo esta, segundo a CNC, a mais intensa.

Ainda assim, o índice, que vai até 200 pontos, mantém-se acima dos 100 pontos, o que indica que os consumidores estão satisfeitos.

Os dados divulgados mostram que as famílias de maior renda estão mais cautelosas ao consumir, com uma queda de 0,5% no mês entre as famílias com renda maior que dez salários mínimos, ou seja, acima de R$ 15.180. Também houve queda, mas em menor intensidade, entre as famílias com renda inferior a esse valor, de 0,2%.

A pesquisa é feita com base em 18 mil questionários analisados mensalmente, com dados de consumidores coletados em todas as Unidades Federativas. O IFC é composto por sete indicadores: três sobre as condições atuais (emprego, renda e nível de consumo), dois sobre expectativas para três meses à frente (perspectiva de consumo e perspectiva profissional), além da avaliação do acesso ao crédito e momento atual para aquisição de bens duráveis.

A maioria dos componentes revelou movimento de alta, com exceção principalmente do momento para compra de duráveis. Esse item, de acordo com a divulgação, teve a maior redução da sua taxa, de 1,6%. Isso ocorre após resultados positivos de 0,9% tanto no final do ano passado quanto no início de 2025. O item atingiu, em fevereiro, a menor pontuação entre os analisados, 70 pontos, abaixo dos 100 pontos, o que indica insatisfação. Na análise da CNC, as famílias sentem maior impacto dos juros altos.

Em relação ao emprego, depois de quatro meses de baixas, os consumidores se mostraram mais otimistas em relação às oportunidades profissionais. O item emprego atual, que mede a satisfação com o trabalho, apresentou alta de 0,2%, enquanto o item perspectiva profissional, que mede a percepção do trabalhador sobre o cenário de oportunidades profissionais a médio prazo, teve o quinto crescimento seguido, de 0,4%.

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Inflação e juros elevados devem persistir em 2025, aponta IFI

Relatório destaca desafios econômicos e impacto sobre a política fiscal

Marcos Oliveira/Agência Senado
A mais recente análise da Instituição Fiscal Independente (IFI) traz um alerta para o cenário econômico brasileiro em 2025: a inflação e os juros devem continuar elevados, com reflexos diretos na atividade econômica e no planejamento fiscal do governo. O relatório, publicado nesta semana, avalia que, apesar da valorização do real frente ao dólar oferecer algum alívio nos preços ao consumidor, os desafios para o crescimento econômico permanecem.

Inflação e juros: um ciclo difícil de quebrar

A IFI ressalta que a recente apreciação do real pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias, desde que outros fatores que influenciam os preços se mantenham estáveis. No entanto, o relatório também alerta que um novo episódio de desvalorização cambial, impulsionado por incertezas no cenário global e doméstico, poderia levar o Banco Central a adotar uma postura ainda mais rígida na política monetária.

O efeito desse aperto seria um aumento no custo da desinflação, ou seja, um impacto ainda maior na atividade econômica e na capacidade de crescimento do país. A combinação de inflação resistente e juros elevados tem sido um entrave para a recuperação do consumo e dos investimentos produtivos, afetando diretamente o mercado de trabalho e a renda das famílias.

Meta fiscal: déficit dentro do esperado, mas com ajustes necessários

Outro ponto crucial do relatório da IFI é a projeção do déficit primário para 2025, estimado em R$ 71 bilhões, equivalente a 0,56% do PIB. Apesar do resultado negativo, o valor ainda está dentro do limite estabelecido pela meta fiscal do governo. Isso significa que, tecnicamente, não haveria necessidade de um contingenciamento mais rígido no orçamento.

No entanto, o cumprimento da meta dependerá de medidas como o bloqueio de R$ 18,6 bilhões e a retenção de R$ 15,7 bilhões em despesas não executadas. Além disso, a IFI destaca que programas como o Pé-de-Meia e o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais ou Financeiro-Fiscais (FCBF) serão executados fora do orçamento principal, o que ajuda a aliviar a pressão sobre as contas públicas.

Desafios para a política econômica em 2025

O cenário delineado pelo relatório reforça os desafios para a condução da política econômica no próximo ano. A necessidade de manter um equilíbrio entre o controle da inflação e a manutenção da atividade econômica será um dos maiores dilemas para o Banco Central e para o governo federal.

Caso a inflação não ceda conforme esperado, a autoridade monetária pode ser forçada a manter juros elevados por mais tempo, dificultando o crescimento econômico. Por outro lado, a política fiscal precisará de ajustes constantes para evitar o risco de descontrole nas contas públicas, especialmente diante de um ambiente global incerto.

Conclusão

O relatório da IFI evidencia que 2025 será um ano de desafios persistentes para a economia brasileira. A interação entre câmbio, inflação e política monetária continuará sendo um fator determinante para a trajetória econômica do país. Se, por um lado, há sinais de que o governo pode evitar um ajuste fiscal severo, por outro, o alto custo do crédito e a fragilidade do consumo ainda preocupam e exigem atenção constante dos formuladores de políticas públicas.

O caminho para um crescimento sustentável dependerá não apenas do controle da inflação, mas também da capacidade do governo de implementar reformas estruturais que estimulem a produtividade e a confiança no ambiente econômico.

 

Dólar cai para R$ 5,70 com possibilidade de acordo entre EUA e China

 Bolsa sobe 0,23% e tem primeira alta após duas quedas

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Em um dia de trégua no mercado internacional, o dólar caiu com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e China. A bolsa oscilou bastante ao longo do dia, mas teve a primeira alta após duas quedas seguidas.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (20) vendido a R$ 5,704, com recuo de R$ 0,022 (-0,38%). A cotação operou em baixa durante todo o dia. Na mínima da sessão, por volta das 14h45, chegou a R$ 5,68, mas um movimento de compra por investidores que se aproveitaram da cotação barata elevou a cotação para acima de R$ 5,70.

Com o desempenho desta quinta, a moeda norte-americana acumula queda de 2,28% em fevereiro. Em 2025, o recuo chega a 7,68%.

O mercado de ações teve um dia mais volátil. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 127.606 pontos, com alta de apenas 0,23%. O indicador alternou altas e baixas ao longo do dia, mas fechou em leve alta apoiado por ações de mineradoras.

Sem notícias econômicas no Brasil, as negociações foram dominadas pelo mercado externo. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou ser possível um novo acordo comercial com a China em entrevista a bordo do avião presidencial. Um acerto entre os dois países poderia significar atraso ou flexibilização do aumento de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos.

A declaração trouxe mais alívio que outra fala de Trump, que disse pretender instituir uma tarifa de 25% sobre madeira e produtos florestais a partir de abril.

*Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

 



Faturamento da Indústria de alimentos cresce 10% em 2024

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Resultado de R$ 1,277 trilhão representa 10,8% do PIB brasileiro

O faturamento da indústria brasileira de alimentos alcançou R$ 1,277 trilhão em 2024, um aumento de 9,98% em relação ao ano anterior. O resultado representa 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (20), são da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Segundo o levantamento, a maior parte do faturamento, 72%, ou R$ 918 bilhões, foi proveniente do mercado interno; 28% do comércio exterior (US$ 66,3 bilhões). Já as vendas em 2024 apresentaram expansão de 6,1% e a produção,  3,2%, alcançando 283 milhões de toneladas de alimentos. 

De acordo com a Abia, a indústria de alimentos investiu em 2024 aproximadamente R$ 40 bilhões. Do total, R$ 24,9 bilhões foram direcionados para inovações e R$ 13,80 bilhões, para fusões e aquisições. 

“A Abia reafirma o compromisso anunciado pela indústria de investir R$ 120 bilhões no período de 2023 a 2026. Só em 2023 e 2024, a indústria investiu R$ 74,7 bilhões, mais de 62% do projetado para o período. Com esses investimentos, o setor demonstra a força e a consistência desse movimento, essencial para garantir competitividade e abastecimento nos mercados interno e externo”, destacou o presidente executivo da entidade, João Dornellas, em nota.

Supermercado do mundo

Desde 2022, o Brasil ocupa a posição de líder mundial na exportação de alimentos industrializados, em volume. No ano passado, foram 80,3 milhões de toneladas, 10,4% acima do apurado em 2023. No acumulado de 2024, a receita com essas vendas alcançou o patamar recorde de US$ 66,3 bilhões, valor 6,6% acima do verificado no ano anterior, de US$ 62,2 bilhões. 

Os principais mercados de exportação dos produtos brasileiros em 2024 foram Ásia (38,7% das exportações, destaque para a China, com participação de 14,9%), seguida da Liga Árabe (18,9%) e da União Europeia (12,6%). Os itens que lideram a lista são carnes (US$ 26,2 bilhões); produtos do açúcar (US$ 18,9 bilhões); produtos de soja (US$ 10,7 bilhões); óleos e gorduras (US$ 2,3 bilhões); e sucos e preparações vegetais, (US$ 3,7 bilhões).

Fonte: Agencia Brasil

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Mistura de biodiesel no diesel é mantida em 14% para conter inflação

Governo desistiu de aumentar o percentual para 15% em março

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O percentual de biodiesel misturado ao óleo diesel ficará em 14% para conter a alta no preço dos alimentos, decidiu nesta terça-feira (18) o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O percentual subiria para 15% em 1º de março.

Embora a maior parte do biodiesel no país tenha origem na soja, produto majoritariamente exportado e pouco consumido pelos brasileiros, a decisão ajuda a segurar o preço dos alimentos. Isso porque a elevação da mistura para 15% encareceria o combustível, usado no transporte de cargas, com impacto no preço da comida. Atualmente, o óleo diesel representa 35% do valor do frete.

“O preço dos alimentos é a grande prioridade do nosso governo. Considerando a necessidade de buscarmos todos os mecanismos para que o preço seja mais barato na gôndola do supermercado, mantemos a mistura em B14 [teor de 14% de biodiesel] até que tenhamos resultados no preço dos alimentos da população, já que boa parte da produção do biodiesel vem da soja”, afirmou, em nota, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Apesar de ser menos poluente e renovável, o biodiesel é mais caro que o diesel, combustível fóssil. Quanto maior o teor de biodiesel no diesel, mais alto fica o preço na bomba.

Caso o percentual de mistura subisse, o diesel teria o segundo aumento em um mês. No fim de janeiro, a Petrobras elevou o preço do combustível para as distribuidoras em R$ 0,22 para diminuir a defasagem em relação ao preço internacional.

O biodiesel, que é adicionado ao diesel fóssil, esteve em trajetória de alta nas últimas semanas.

Sancionada em outubro de 2024, a Lei Combustível do Futuro estabelece que a parcela de biodiesel varie de 13% a 25%. No entanto, a adição é obrigatória desde 2008, como política nacional para reduzir o nível de poluição do transporte de cargas.

Fonte: Agência Brasil

Projeto beneficia pequenos negócios afetados por desastres naturais; texto segue para o Senado

Medida beneficia pequenos negócios afetados por desastres naturais e busca garantir a recuperação econômica local

Bruno Spada/Câmara dos deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (18) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 223/23, que prorroga por seis meses o vencimento de tributos do Simples Nacional para empresas localizadas em municípios atingidos por calamidade pública. A proposta, de autoria da deputada Julia Zanatta (PL-SC), agora será analisada pelo Senado.

O projeto prevê que empresas com matriz em cidades incluídas em decreto estadual de calamidade pública, reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, terão o pagamento dos tributos regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional.

A relatora, deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS), destacou que as recentes catástrofes naturais em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais reforçam a necessidade de apoio tributário emergencial para micro e pequenos negócios. Segundo Bayer, essas empresas são fundamentais para a economia local e precisam de suporte para sobreviver diante de crises.

A autora do projeto, deputada Julia Zanatta, enfatizou que os pequenos empresários são os mais afetados em momentos de calamidade. "Esses empreendedores, que representam 90% das empresas no Brasil, precisam de um fôlego financeiro para continuar operando", declarou.

O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado antes de entrar em vigor.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

CNPE autoriza participação brasileira em fórum da Opep+

Ministro diz que entrada não gera obrigação vinculante pelo país

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a entrada do Brasil em alguns organismos internacionais que, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, são fundamentais para o futuro das energias no mundo: a Agência Internacional de Energia (IEA); e a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).

Além disso, foi autorizada a participação brasileira em um fórum criado pela Opep+, visando cooperações entre países produtores de petróleo. “Autorizamos a adesão à carta de cooperação, mas isso não gera obrigação vinculante ao Brasil”, disse o ministro.

Silveira falou sobre o assunto após participar da reunião do CNPE em Brasília. Ele lembrou que o Brasil foi convidado para fazer parte da carta de cooperação dos países produtores de petróleo durante uma visita do presidente Lula aos Emirados Árabes, na COP28.

De acordo com o ministro, trata-se apenas de uma carta em um fórum de discussão de estratégias dos países produtores de petróleo, e que o país não pode se envergonhar de ser um grande produtor de petróleo.

Silveira ressaltou que o país precisa crescer, se desenvolver, gerar renda, emprego e oportunidades para seus cidadãos, e que os tributos obtidos nesse setor poderão ser aplicados em áreas como educação, saúde e segurança.

Transição energética

“O Brasil é o líder das energias limpas e renováveis e é líder da transição energética global. Ele não pode deixar de participar de um fórum, em especial nesse momento. É importante ressaltar: o Brasil tem, na figura do presidente Lula, o maior líder capaz de fortalecer uma governança global para transição energética. Em especial, quando as loucuras se sobrepõem à racionalidade”, disse o ministro, ao se referir às recentes mudanças no cenário político dos Estados Unidos (EUA).

O CNPE autorizou também o início do processo de adesão à Agência Internacional de Energia, bem como a participação na Agência Internacional de Energia Renovável. Para Silveira, estas agências fortalecem o país do ponto de vista da transição energética. "Em especial, nos fortalecem na agenda dos biocombustíveis. Queremos uma transição energética justa, inclusiva e equilibrada.”

Greenpeace

Especialista em política internacional do Greenpeace Brasil, Camila Jardim criticou a adesão brasileira ao fórum criado pela Opep+ .

“Em meio a mais uma onda brutal de calor e recordes sucessivos nas altas de temperatura, o Brasil vai na contramão ao buscar integrar a Opep+, um grupo que funciona como um cartel do petróleo e que trabalha para sustentar preços lucrativos por meio do controle da oferta”, disse a especialista.

Margem Equatorial

Alexandre Silveira falou também sobre o interesse brasileiro em ampliar os conhecimentos sobre supostas reservas petrolíferas que estariam no subsolo da Margem Equatorial, localizada no delta do Rio Amazonas, na Região Norte.

“Não explorar ou não conhecer a Margem Equatorial, e dar o direito aos brasileiros de conhecer as nossas potencialidades minerais, seria uma insanidade”, disse o ministro, ao classificar como “questão ideológica” opiniões divergentes. “Não tem racionalidade porque, primeiro, é estratégico conhecer os potenciais”, disse, em meio a argumentações de que o petróleo ainda é uma questão de demanda global.

Essa demanda seria suprida por grupos como o da Saudi Aramco, empresa estatal petrolífera da Arábia Saudita, considerada a maior do mundo em termos de produção e reservas de petróleo cru.

“Para se ter uma ideia, a Petrobras vale US$ 100 bilhões. Já a Saudi Aramco vale US$ 1,8 trilhão na bolsa. Ela equivale a 18 Petrobras”, argumentou o ministro.

Fonte: Agência Brasil

Crédito no Brasil deve crescer 8,5% em 2025, aponta Febraban

Pesquisa indica revisão para baixo nas expectativas de crescimento, refletindo maior cautela econômica

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O crédito no Brasil deverá crescer 8,5% em 2025, com a carteira de recursos livres tendo expansão de 8,1% e a carteira direcionada de 9,0%, revela a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O levantamento, realizado com 21 bancos entre os dias 5 e 10 de fevereiro, indica uma acomodação das expectativas em relação ao crescimento registrado em 2024, quando a expansão da carteira de crédito foi de 10,9%, segundo o Banco Central. Em dezembro, a projeção era de 9% para 2025, demonstrando uma leve revisão para baixo.

A redução das expectativas se deve a um contexto econômico mais desafiador, com previsão de juros mais altos e inflação pressionada. A carteira de crédito com recursos livres teve sua projeção reduzida de 8,3% para 8,1%, refletindo maior cautela dos bancos na concessão de empréstimos. Já a carteira de crédito direcionado teve queda de 0,7 ponto percentual na projeção de expansão, passando de 9,7% para 9,0%. O crédito direcionado às famílias caiu de 9,8% para 8,9%, enquanto o crédito para empresas teve revisão mínima, de 9,1% para 9,0%.

No geral, a projeção de crédito para empresas recuou de 7,8% para 7,1%, enquanto para as famílias, a expectativa de crescimento passou de 9,1% para 8,6%. A pesquisa da Febraban é realizada a cada 45 dias após a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), coletando projeções sobre diversas variáveis econômicas.

"Cenário fiscal e política monetária influenciarão crescimento do crédito", diz Febraban

Segundo Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, a revisão já era esperada devido à piora do cenário econômico. "Os números evoluem conforme a dinâmica da economia. O desempenho efetivo do crédito dependerá do cenário fiscal e de outras variáveis relevantes que podem alterar a perspectiva atual", explicou.

Para 2026, a pesquisa indica que o movimento de desaceleração do crédito deve continuar, com expansão projetada de 7,7%. O crédito com recursos livres deve crescer 7,1%, enquanto as linhas direcionadas devem apresentar alta de 8,6%. A inadimplência com recursos livres deve se manter estável em 4,6%.

Inadimplência e juros elevados impactam mercado

A projeção para a taxa de inadimplência da carteira livre caiu de 4,7% para 4,6%, ainda que permaneça acima do índice registrado no final de 2024 (4,1%). A tendência de estabilidade pode ser atribuída à maior seletividade na concessão de crédito.

Em relação à taxa Selic, 76,2% dos entrevistados esperam que os juros permaneçam elevados, acima de 14,25% ao ano em 2025, sem previsão de cortes. Na pesquisa anterior, apenas 47,4% tinham essa expectativa. A mediana das projeções aponta para uma Selic de 15,25% ao ano em junho, mantida neste patamar pelo menos até setembro.

Dólar e inflação também preocupam

A expectativa para a taxa de câmbio é de ligeira depreciação ao longo de 2025, com o dólar atingindo R$ 5,95 até setembro. Anteriormente, esperava-se que o câmbio ficasse próximo de R$ 6,00.

Com relação à inflação, 47,6% dos entrevistados acreditam que o índice ficará próximo de 5,5%, enquanto um terço espera que ultrapasse 6%.

PIB e projeções econômicas

A pesquisa aponta que 52,4% dos entrevistados projetam crescimento do PIB de 2,0% em 2025, um leve aumento em relação à pesquisa anterior (50%). Contudo, o viés é de baixa, com crescimento da parcela de analistas que preveem desaceleração maior, passando de 27,8% para 33,3%.

Expectativas para a política monetária nos EUA

No cenário internacional, 71,4% dos entrevistados acreditam que o Federal Reserve (Fed) fará cortes modestos nas taxas de juros em 2025, de 0,25 ponto percentual em uma ou duas oportunidades. Já 28,6% esperam que os juros permaneçam no patamar atual, sem descartar possíveis elevações ao longo do ano.

A Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban segue sendo uma das principais referências sobre as perspectivas econômicas do setor bancário, refletindo as expectativas para o crédito e outros indicadores fundamentais da economia brasileira.

A íntegra da pesquisa pode ser acessada neste link

José Bonifácio de Andrada e Silva: O arquiteto da Independência do Brasil

Este artigo aborda a vida e o legado de José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos principais articuladores da Independência do Brasil. Destaca sua participação na Revolução Francesa, sua influência sobre Dom Pedro I por meio de conselhos estratégicos, suas demissões e exílios, bem como seu papel fundamental na educação do futuro imperador Dom Pedro II. A partir de uma análise histórica, busca-se evidenciar a relevância de suas contribuições para a formação do Brasil como nação independente e para a consolidação de um governo estável.

Introdução
A Independência do Brasil foi um processo complexo que envolveu diversas lideranças políticas e intelectuais. Dentre essas figuras, destaca-se José Bonifácio de Andrada e Silva, considerado o "Patriarca da Independência". Sua formação acadêmica e experiência internacional conferiram-lhe uma visão ampla sobre os desafios que o Brasil enfrentaria ao se tornar independente. Seu papel como conselheiro de Dom Pedro I foi determinante para a ruptura com Portugal e para a organização do novo Estado.

Formação e participação na Revolução Francesa
José Bonifácio nasceu em 1763, em Santos, e formou-se em Direito e Filosofia na Universidade de Coimbra. Sua trajetória acadêmica o levou a estudar ciências naturais e mineralogia, permitindo-lhe uma visão pragmática sobre o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Durante sua permanência na Europa, envolveu-se com os ideais iluministas e participou ativamente da Revolução Francesa, adquirindo experiência em movimentos revolucionários e compreendendo a importância de uma transição ordenada para a independência política.

Conselhos a Dom Pedro I e a construção da Independência
José Bonifácio tornou-se uma das figuras mais próximas de Dom Pedro I durante o período que antecedeu a Independência. Entre seus principais conselhos, destacam-se:

  • A necessidade de uma ruptura pacífica com Portugal para evitar guerras prolongadas;
  • A urgência de uma política de unidade nacional, evitando fragmentações regionais;
  • A adoção de medidas para fortalecer a economia brasileira, como a promoção da indústria e da educação;
  • A abolição gradual da escravidão, visando um desenvolvimento sustentável e justo.

Foi fundamental na negociação que culminou no Grito do Ipiranga em 1822, assegurando que a transição do Brasil para a independência ocorresse sem grandes rupturas internas.

Demissões e exílios
Apesar de sua influência, José Bonifácio enfrentou momentos de afastamento político. Em 1823, foi exonerado do cargo de ministro devido a desentendimentos com Dom Pedro I, que preferiu adotar uma postura mais centralizadora. No mesmo ano, foi preso e exilado para a França, retornando apenas em 1829. Com a abdicação de Dom Pedro I em 1831, ele retomou influência, assumindo um papel essencial na educação do jovem Dom Pedro II, garantindo que o futuro imperador tivesse formação sólida e valores compatíveis com um governante esclarecido.

Contribuição para a educação de Dom Pedro II
Durante o Período Regencial, José Bonifácio foi nomeado tutor do príncipe Dom Pedro II. Em sua função, defendeu uma educação baseada nos ideais iluministas, incentivando o estudo das ciências, filosofia e história. Seu objetivo era formar um monarca preparado para governar de maneira justa e racional, afastando-se dos modelos absolutistas do passado. Seu legado nesse aspecto foi crucial para a consolidação do Segundo Reinado.

Conclusão
José Bonifácio de Andrada e Silva foi uma figura essencial na independência e na estruturação política do Brasil. Sua experiência internacional, visão estratégica e compromisso com a educação fizeram dele um dos personagens mais importantes da história nacional. Apesar das adversidades e exílios, sua influência perdurou, especialmente na formação de Dom Pedro II, garantindo a continuidade de um projeto de governo estável. Sua atuação reflete a importância do conhecimento e da diplomacia na construção de uma nação soberana.

Referências

  • FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EdUSP, 2013.
  • HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

A Revolução dos Bichos

Escrito por George Orwell em 1945, A Revolução dos Bichos é uma sátira política que critica o socialismo soviético e os mecanismos de dominação do poder. A história se passa na Granja do Solar, propriedade do Sr. Jones, onde um velho porco, chamado Major, faz um discurso inflamado incitando os animais à revolução. Poucos dias depois, Major morre, mas suas ideias inspiram os porcos, considerados os mais inteligentes da granja, a liderarem um levante contra os humanos. Após expulsarem o Sr. Jones e sua esposa, os animais rebatizam a fazenda como Granja dos Bichos e estabelecem os sete mandamentos, baseados na igualdade e na rejeição aos costumes humanos:

  1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimiga.
  2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas ou tenha asas é amiga.
  3. Nenhum animal usará roupas.
  4. Nenhum animal dormirá em cama.
  5. Nenhum animal beberá álcool.
  6. Nenhum animal matará outro animal.
  7. Todos os animais são iguais.

A princípio, os animais trabalham com entusiasmo, usufruindo do fruto de seu próprio esforço. No entanto, em qualquer sociedade, a necessidade de liderança acaba se impondo, e Napoleão, um dos porcos, começa a se destacar. Alegando que os porcos, por sua inteligência, precisam de mais recursos para “o bem da comunidade”, ele se apropria dos melhores alimentos, usando até argumentos “científicos” para justificar seus privilégios.

Com o tempo, a Granja dos Bichos desperta atenção externa, sendo admirada por uns e vista como uma oportunidade por outros. Enquanto o Sr. Jones tenta, sem sucesso, retomar a fazenda, Napoleão e Bola-de-Neve, outro porco, entram em conflito. Napoleão defende a militarização da granja, enquanto Bola-de-Neve acredita na disseminação da revolução para outras fazendas. Eventualmente, Napoleão expulsa Bola-de-Neve e assume o controle absoluto. A partir desse momento, ele passa a modificar os mandamentos e distorcer a realidade, sempre em benefício próprio. Os animais, que agora trabalham até aos domingos — teoricamente de forma opcional, mas com punições para quem se recusa —, são constantemente manipulados a acreditar que os problemas são culpa de Bola-de-Neve, que Napoleão pinta como um traidor.

Com o tempo, os porcos passam a se comportar exatamente como os humanos que tanto criticaram. Eles adotam seus costumes, fazem negócios com os antigos inimigos e, por fim, começam até a vestir roupas e a caminhar sobre duas patas. No desfecho da obra, os demais animais percebem, estarrecidos, que já não conseguem distinguir os porcos dos humanos. A Granja dos Bichos volta a ser chamada de Granja do Solar, e a promessa de liberdade não passou de uma ilusão.

A mensagem de Orwell é clara: o poder corrompe, e a substituição de um opressor por outro não significa libertação. Os animais acreditaram estar livres, mas apenas trocaram de “senhor”. Essa dinâmica se repete até hoje, onde líderes políticos surgem com discursos de mudança e promessas de justiça social, apenas para perpetuar as mesmas estruturas de dominação. O povo, usado como bandeira, torna-se apenas uma peça conveniente no jogo do poder. A crítica de Orwell segue atemporal, evidenciando que, na política, o verdadeiro objetivo muitas vezes não é servir à sociedade, mas sim garantir que os poderosos se mantenham no controle.

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