Radio Evangélica

sábado, 1 de novembro de 2025

A Queda do Império Romano do Ocidente: O Fim de uma Era

Poucos acontecimentos na história despertam tanta curiosidade quanto a queda de Roma. Em 476 d.C., o jovem imperador Rômulo Augusto foi deposto, e com ele desapareceu o último vestígio do antigo Império Romano do Ocidente. Mas, ao contrário do que muitos pensam, Roma não caiu de um dia para o outro — ela desmoronou aos poucos, corroída por dentro, em meio a crises que se acumularam ao longo dos séculos.

Um Império em Crise

Nos tempos de glória, Roma dominava territórios imensos, do norte da África à Bretanha. No entanto, essa grandiosidade tornou-se um peso difícil de sustentar. A economia dependia do trabalho escravo proveniente das conquistas — e, quando as guerras diminuíram, faltaram braços e riquezas novas.
A inflação cresceu, a moeda perdeu valor, e o povo, sobrecarregado por impostos, começou a abandonar os campos. Muitos agricultores tornaram-se servos nas grandes propriedades dos nobres, enquanto a distância entre ricos e pobres aumentava cada vez mais.

O Caos Político e a Corrupção

O poder em Roma já não era estável. Entre os séculos III e IV, o trono virou prêmio de guerra: generais eram proclamados imperadores pelos soldados e depostos meses depois. Essa sucessão de golpes e assassinatos minou a confiança do povo e a autoridade do Estado.
Enquanto isso, a corrupção corroía as instituições. Governadores e funcionários públicos enriqueciam às custas do povo, e a ideia de “cidadania romana” — orgulho de séculos — começava a perder seu sentido.

O Cerco dos Bárbaros

Mas o golpe mais visível veio de fora. Povos chamados de “bárbaros” — visigodos, vândalos, ostrogodos e outros — pressionavam constantemente as fronteiras. No século V, fugindo dos Hunos de Átila, muitos invadiram o território romano em busca de abrigo.
Sem soldados suficientes, Roma contratou esses mesmos bárbaros como mercenários. Ironia do destino: os protetores se voltaram contra quem os contratou. Em 410 d.C., os visigodos saquearam Roma. Em 455 d.C., foram os vândalos. A antiga capital do mundo já não inspirava temor, mas compaixão.

O Último Imperador

Em 476 d.C., o general germânico Odoacro depôs Rômulo Augusto. Em vez de nomear outro imperador, enviou as insígnias imperiais a Constantinopla, reconhecendo que só o imperador do Oriente bastava.
A partir daí, o Ocidente se fragmentou em diversos reinos bárbaros — as sementes do que viria a ser a Europa medieval. O Império Romano não desapareceu de imediato: ele se transformou. Suas leis, sua língua e sua cultura moldaram o futuro.

👉 Leitura relacionada: veja também Constantino, o Imperador que Transformou o Cristianismo em Pilar da Civilização Ocidental, que mostra como a fé cristã sobreviveu e se fortaleceu nesse mesmo período turbulento.

Conclusão: Um Fim que Foi um Recomeço

A queda do Império Romano do Ocidente foi, ao mesmo tempo, o fim de uma era e o nascimento de outra. O mundo antigo cedeu lugar à Idade Média, e as ruínas de Roma tornaram-se o alicerce sobre o qual a Europa se reconstruiu.
Ainda hoje, suas ideias de direito, arquitetura e organização política continuam vivas — prova de que, embora Roma tenha caído, nunca desapareceu por completo.

Referências Bibliográficas

GIBBON, Edward. The History of the Decline and Fall of the Roman Empire. London: Penguin Classics, 1994. 6 v.

GOLDSWORTHY, Adrian. The Fall of the West: The Death of the Roman Superpower. London: Phoenix, 2009.

HEATHER, Peter. The Fall of the Roman Empire: A New History of Rome and the Barbarians. Oxford: Oxford University Press, 2006.

WARD-PERKINS, Bryan. The Fall of Rome and the End of Civilization. Oxford: Oxford University Press, 2005.

BROWN, Peter. The World of Late Antiquity: AD 150–750. London: Thames and Hudson, 1971.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Brincadeiras e Cantigas de Roda: Heranças que Encantam a Infância Brasileira

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Poucas lembranças são tão doces quanto as das rodas de crianças cantando sob o sol, rindo e brincando de mãos dadas. As brincadeiras e cantigas de roda são um dos maiores tesouros da cultura brasileira — não apenas pela diversão que proporcionam, mas por preservarem a sabedoria e a afetividade que atravessam gerações.

Essas expressões populares são mais do que simples passatempos: são histórias cantadas que revelam o jeito de ser do povo, a criatividade coletiva e o poder da tradição oral em manter viva a memória da infância.

O Valor Educativo e Cultural

As cantigas de roda e brincadeiras tradicionais cumprem um papel essencial na formação emocional e cognitiva das crianças. Ao brincar e cantar juntas, elas aprendem a conviver, a compartilhar e a se expressar com liberdade.

Veja alguns dos principais benefícios:

  • Socialização e Cooperação: a roda ensina igualdade, escuta e empatia.
  • Desenvolvimento da Linguagem: as rimas e repetições fortalecem o vocabulário e o ritmo da fala.
  • Coordenação e Criatividade: os gestos, palmas e giros estimulam o corpo e a imaginação.
  • Memória e Expressão: lembrar letras e inventar novas rimas reforça o aprendizado e a autoconfiança.

Cantigas que Atravessam Gerações

Quem nunca cantou “Ciranda, Cirandinha”, “Atirei o Pau no Gato” ou “O Sapo Não Lava o Pé”? Essas canções resistem ao tempo porque trazem valores universais como amizade, alegria e respeito.

Cada cantiga guarda um fragmento da nossa história — dos quintais do interior às praças das grandes cidades — e reforça o papel do folclore como espelho da alma brasileira.

Brincadeiras que Inspiram Movimento

O corpo também aprende! Brincadeiras como pique-pega, esconde-esconde e lenço atrás continuam sendo favoritas porque unem diversão, convivência e aprendizado.
Essas atividades despertam nas crianças o prazer do movimento e o senso de coletividade — algo cada vez mais necessário em tempos de telas e isolamento.

Preservar para Pertencer

Resgatar essas tradições é resgatar a própria infância do Brasil. Cada roda cantada, cada brincadeira repetida é um gesto de amor à nossa cultura.
Em um mundo cada vez mais digital, incentivar o brincar coletivo é fortalecer os laços humanos e manter viva uma herança de afeto e simplicidade.

Referências Bibliográficas

45 CANTIGAS folclóricas para brincar de roda com as crianças. Lunetas, [S. l.], 2023. Disponível em: https://lunetas.com.br/45-cantigas-folcloricas-para-brincar-de-roda-com-as-criancas/. Acesso em: 29 out. 2025.

APRENDER brincando: o uso de cirandas e cantigas de roda para educar crianças e resgatar a cultura popular. Global Fund for Children, [S. l.], 2020. Disponível em: https://globalfundforchildren.org/story/aprender-brincando-o-uso-de-cirandas-e-cantigas-de-roda-para-educar-criancas-e-resgatar-a-cultura-popular/. Acesso em: 29 out. 2025.

AS CANTIGAS de roda e o desenvolvimento infantil. Blog Girassol Brasil, [S. l.], 2021. Disponível em: https://blog.girassolbrasil.com.br/cantigas-de-roda-e-o-desenvolvimento-infantil/. Acesso em: 29 out. 2025.

BRINCADEIRAS de roda: tradição, diversão e aprendizado para as crianças. Portal Conteúdo Aberto, [S. l.], 2023. Disponível em: https://portalconteudoaberto.com.br/educador/brincadeiras-de-roda/. Acesso em: 29 out. 2025.

BRINCADEIRAS e Cantigas de Roda. The Brasilians, [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.thebrasilians.com/portugues-do-brasil-brincadeiras-e-cantigas-de-roda/?lang=pb. Acesso em: 29 out. 2025.

PLANO de aula: Brincando com cantigas de rodas conhecidas. Nova Escola, [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://novaescola.org.br/planos-de-aula/educacao-infantil/creche/criancas-bem-pequenas/brincando-com-cantigas-de-rodas-conhecidas/4153. Acesso em: 29 out. 2025.

SILVA, C. R.; SOUZA, M. A. Cantigas de roda e brincadeiras cantadas: o lúdico e sua contribuição para a educação infantil. ResearchGate, [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331237874_Cantigas_de_roda_e_brincadeiras_cantadas_o_ludico_e_sua_contribuicao_para_educacao_infantil. Acesso em: 29 out. 2025.

A Arquitetura Grega: Estilo Dórico

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A ordem dórica é a mais antiga e, em muitos sentidos, a mais austera das ordens clássicas gregas. Desenvolvida no continente grego e no Peloponeso a partir do período arcaico, consolidou-se como a linguagem arquitetônica de templos monumentais que exprimiam solidez, medida e clareza estrutural. Ao longo dos séculos VI–V a.C., o dórico evoluiu de proporções mais pesadas para soluções mais esbeltas e refinadas, alcançando um ápice técnico e estético em obras como o Parthenon (BEARD, 2002; NEILS, 2005).

Contexto histórico e cultural

O dórico nasce em ambientes dorianos (Peloponeso, Grécia continental) e se expande para as colônias da Magna Grécia (Sicília e sul da Itália), onde ganha versões particularmente massivas (LAWRENCE, 1996).
Em contraste com a ordem jônica, mais delgada e ornamentada, o dórico foi historicamente associado a ideais de sobriedade, disciplina cívica e masculinidade arquitetônica, refletindo valores das pólis que o adotaram (VITRUVIUS, s.d.).

Características formais

Coluna sem base: diferentemente do jônico e do coríntio, a coluna dórica pousa diretamente sobre o estilóbata. O fuste é canelado (geralmente 20 caneluras) e apresenta leve entasis (suave abaulamento) para correção ótica e expressividade estrutural.
Capitel: composto por um equino convexo e um ábaco quadrado, de desenho sintético e proporções contidas.
Entablamento: a arquitrave é lisa; o friso alterna tríglifos e métopas com relevos figurativos; acima, a cornija projeta-se com mútulas e gútulas, reforçando o ritmo tectônico (DINSMOOR, 1973).
Frontão: tímpano triangular frequentemente decorado com escultura, coroado por cimácios e elementos de beiral.
Proporção e ritmo: as primeiras colunas dóricas tendem a ser mais robustas; ao longo do século V a.C., o módulo afina, sem perder legibilidade estrutural.

Técnica construtiva e refinamentos óticos

Materiais: calcário e mármore em blocos aparelhados; colunas montadas por tambores unidos por chavetas metálicas.
Ajustes óticos: obras-primas como o Parthenon introduzem curvaturas sutis no estilóbata e inclinações de colunas para corrigir ilusões visuais à distância (COULTON, 1977).
Problema do canto: o alinhamento entre tríglifos e eixos de colunas levou à “contração de canto”, uma solução engenhosa típica do dórico.

Tipologias e espaço

Planta: pronaos, naos (cella) e opistódomos organizam o programa religioso, com circulação entre colunas perimetrais.
Disposição: templos hexástilos (6 colunas) são comuns; casos octástilos (8 colunas) indicam prestígio (DINSMOOR, 1973).
Escultura arquitetônica: as métopas e frontões integram narrativa e culto, fazendo do templo um organismo visual e simbólico.

 

Variações regionais e evolução

Magna Grécia: colunas mais espessas e entablamentos altos (Paestum, Selinunte, Agrigento).
Ática e Peloponeso: progressiva esbeltez e precisão ótica.
Época romana: o dórico romano ganha base e proporções padronizadas (SUMMERSON, 1980).

Obras exemplares

  • Templo de Hera I, Paestum (séc. VI a.C.)
  • Templo de Apolo, Corinto (séc. VI a.C.)
  • Templo de Afaia, Égina (transição arcaico–clássico)
  • Templo de Zeus, Olímpia (séc. V a.C.)
  • Parthenon, Atenas (séc. V a.C.)
  • Hephaísteion (Teseion), Atenas (séc. V a.C.)

Legado

A ordem dórica cristalizou uma gramática em que estrutura, proporção e significado convergem.
Seu vocabulário — colunas caneladas sem base, capitel de equino e ábaco, friso de tríglifos e métopas — tornou-se referência duradoura para o classicismo e segue inspirando arquitetos contemporâneos.

Referências Bibliográfica

BEARD, Mary. The Parthenon. London: Profile Books, 2002.

COULTON, J. J. Ancient Greek Architects at Work: Problems of Structure and Design. Ithaca: Cornell University Press, 1977.

DINSMOOR, William Bell. The Architecture of Ancient Greece: An Account of Its Historic Development. New York: W. W. Norton, 1973.

LAWRENCE, A. W. Greek Architecture. Rev. R. A. Tomlinson. London: Penguin Books, 1996.
NEILS, Jenifer (ed.). The Parthenon: From Antiquity to the Present. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

SUMMERSON, John. The Classical Language of Architecture. London: Thames & Hudson, 1980.
VITRUVIUS. De Architectura. Traduções e edições diversas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Governo Central registra déficit primário de R$ 14,5 bilhões em setembro

O Governo Central encerrou setembro de 2025 com déficit primário de R$ 14,5 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). O resultado representa um aumento real de 166,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, já considerando a inflação medida pelo IPCA.

O valor ficou muito acima das projeções do mercado, que esperavam um déficit de cerca de R$ 6 bilhões, conforme o Prisma Fiscal, levantamento do Ministério da Fazenda.

Evolução das Receitas e Despesas

As receitas líquidas do Governo Central cresceram 5,8% em valores nominais no mês, mas, ao descontar a inflação, a alta real foi de apenas 0,6% (R$ 1,1 bilhão).
O destaque positivo veio da arrecadação previdenciária, que registrou elevação de 11,9% em termos reais (R$ 6,2 bilhões), impulsionada pela melhora do mercado de trabalho e pelo aumento do recolhimento do Simples Nacional previdenciário.

Por outro lado, as despesas totais avançaram 11,2% em termos nominais e 5,7% em termos reais (R$ 10,2 bilhões). O salto foi puxado principalmente pelas despesas discricionárias — aquelas de execução não obrigatória — que subiram 100,9% (R$ 10,6 bilhões).
Os maiores gastos concentraram-se em saúde (R$ 4,1 bilhões) e em investimentos públicos (R$ 2,9 bilhões), refletindo maior execução orçamentária no segundo semestre.

O Tesouro Nacional destacou ainda que o comparativo entre setembro de 2024 e setembro de 2025 foi influenciado pela antecipação de R$ 4,5 bilhões em precatórios federais no ano anterior, destinados ao Rio Grande do Sul por motivo de calamidade pública — o que reduziu artificialmente as despesas de 2024.

Acumulado do Ano e Metas Fiscais

De janeiro a setembro de 2025, o déficit primário acumulado soma R$ 100,4 bilhões, valor 9,1% menor que o do mesmo período de 2024, já descontada a inflação (R$ 103,6 bilhões).
Esse resultado decorre do superávit de R$ 185,9 bilhões do Tesouro Nacional e do Banco Central, compensado pelo déficit de R$ 286,3 bilhões da Previdência Social.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o novo arcabouço fiscal fixam como meta um déficit primário zero em 2025, com margem de tolerância de 0,25% do PIB — o que permite um déficit máximo de até R$ 31 bilhões.

Projeções e Perspectivas

O resultado de setembro acendeu o sinal de alerta quanto ao cumprimento das metas fiscais. O avanço expressivo das despesas discricionárias e a persistência do déficit previdenciário continuam sendo os principais desafios para o equilíbrio das contas públicas.
Embora a arrecadação previdenciária tenha reagido positivamente com o aquecimento do mercado de trabalho, o ritmo de crescimento das despesas ainda supera o das receitas, o que pressiona o resultado fiscal do Governo Central.

Especialistas apontam que, para alcançar a meta fiscal, será necessária uma forte contenção de gastos e avanço nas reformas tributárias e administrativas — temas que permanecem no centro das discussões econômicas de 2025.

Referência Bibliográfica

AGÊNCIA BRASIL. Governo Central tem déficit primário de R$ 14,5 bilhões em setembro. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/governo-central-tem-deficit-primario-de-r-145-bilhoes-em-setembro. Acesso em: 30 out. 2025.

O Legado de Pedra e Água: O Urbanismo Maia e sua Engenharia Sustentável

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Quando pensamos na civilização maia, é comum visualizarmos suas imponentes pirâmides elevando-se entre a selva tropical e seu sofisticado calendário astronômico. No entanto, por trás dessas façanhas visuais e científicas havia uma base igualmente admirável: um sistema complexo de urbanismo e engenharia que permitiu o florescimento de centenas de cidades-estado em meio a um ambiente desafiador.

Longe de construções aleatórias, os assentamentos maias representavam expressões de adaptação ecológica, planejamento social e inovação técnica — verdadeiras obras de harmonia entre homem e natureza.

Adaptação à Paisagem: Cidades Orgânicas e Regionais

O urbanismo maia se destacava pela integração com o terreno e pela diversidade regional. Diferente do traçado rígido e geométrico de civilizações como Roma ou Teotihuacan, as cidades maias surgiam em conformidade com a topografia e os recursos locais.

  • No norte da península de Yucatán, onde o solo é árido e o calcário aflora, cidades como Chichén Itzá e Uxmal desenvolveram engenhosos sistemas de captação e armazenamento de água em chultunes e cenotes.
  • Nas terras baixas do sul, em centros como Tikal e Palenque, o relevo acidentado e a abundância de chuvas inspiraram a criação de reservatórios e canais subterrâneos para o controle sazonal do fluxo hídrico.

O núcleo cerimonial — localizado em áreas elevadas — reunia praças, templos e palácios interligados por sacbeob (plural de sacbé, “caminho branco”), calçadas pavimentadas que conectavam bairros e até cidades inteiras. Um dos exemplos mais notáveis é a via de cerca de 100 quilômetros entre Cobá e Yaxuná, uma das maiores obras de engenharia viária do mundo antigo.
Essas rotas funcionavam como eixos sociais, religiosos e econômicos, reforçando a coesão política e cultural entre as cidades maias.

Leitura complementar: O Papel dos Cenotes nas Cidades Maias: Fontes de Água e Locais Sagrados — uma análise detalhada sobre a importância ritual e hídrica desses poços naturais na cosmologia maia.

Engenharia Hídrica e Inovação Tecnológica

A sobrevivência maia dependia de uma gestão precisa da água — um recurso escasso em algumas regiões e abundante em outras. Sua engenharia hidráulica combinava conhecimento empírico e sofisticação prática.

  • Cisternas e reservatórios subterrâneos: Em Tikal, grandes praças revestidas de cal funcionavam como superfícies coletoras que canalizavam a água da chuva para imensos chultunes, capazes de armazenar milhões de litros.
  • Canais e aquedutos subterrâneos: Em Palenque, riachos naturais foram canalizados sob as praças principais para evitar inundações e garantir distribuição equilibrada entre os setores urbanos e agrícolas.
  • Sistemas pressurizados: O famoso “canal de pressão” de Palenque, estudado por engenheiros modernos, revela um conhecimento avançado de hidráulica, possivelmente utilizado para criar fontes ornamentais ou fornecer água corrente a edifícios.

Leitura complementar: Quipus e Chasquis: A Genial Rede de Comunicação do Império Inca — conheça outro exemplo de engenharia e organização logística na América pré-colombiana.

Construção Monumental e Alinhamento Astronômico

Mesmo sem ferramentas metálicas ou animais de tração, os maias ergueram templos e pirâmides com precisão geométrica e orientação astronômica. O Templo de Kukulcán, em Chichén Itzá, é um exemplo notável: sua escadaria foi projetada para interagir com a luz solar durante os equinócios, criando o efeito visual da serpente sagrada descendo os degraus — um espetáculo que unia ciência, fé e arte.

Leitura complementar: Rá, o Deus Sol do Egito Antigo: Mito e Simbolismo — explore como outras civilizações também cultuaram o sol como símbolo de poder e ordem cósmica.

Legado e Inspiração para o Urbanismo Contemporâneo

Mais do que ruínas arqueológicas, as cidades maias representam um modelo ancestral de sustentabilidade. Sua integração entre ambiente natural, infraestrutura e simbolismo social antecipa princípios modernos do urbanismo ecológico:
a captação de águas pluviais, o uso de materiais locais, a adaptação ao relevo e a arquitetura bioclimática.

Os maias provaram que o desenvolvimento urbano pode coexistir com o equilíbrio ecológico. Hoje, diante das crises ambientais globais, esse legado ressurge como uma poderosa lição de que o verdadeiro progresso nasce da harmonia entre natureza, técnica e sociedade.

Referências Bibliográficas

FASH, William L. The Art of Urbanism: The Social Construction of Maya Cities. In: RENFREW, Colin; ZUBROW, Ezra B. W. (Orgs.). The Ancient Mind: Elements of Cognitive Archaeology. Cambridge: Cambridge University Press, 1994. p. 197–214.

FRENCH, Kirk D.; DUFFY, Christopher J.; BHATT, Gautam. The Hydro-Archeology of the Ancient Maya. Journal of Hydrologic Engineering, v. 18, n. 4, p. 434–445, abr. 2013.

LUCERO, Lisa J. Water and Ritual: The Rise and Fall of Classic Maya Rulers. Austin: University of Texas Press, 2006.

SCARBOROUGH, Vernon L. The Flow of Power: Ancient Water Systems and Landscapes. Santa Fe: School of American Research Press, 1993.

SHARER, Robert J.; TRAXLER, Loa P. The Ancient Maya. 6. ed. Stanford: Stanford University Press, 2006.

Reflexão Bíblica - Salmo 94:14

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"Pois o Senhor não rejeitará o seu povo; jamais abandonará a sua herança." (Salmo 94:14, NVI)

Contexto do Salmo

O Salmo 94 é um lamento nacional ou comunitário, onde o salmista clama a Deus por justiça diante da opressão e da iniquidade. O salmo começa com um pedido urgente para que Deus, o "Deus da vingança", se manifeste contra os ímpios que afligem o seu povo. Ele descreve a arrogância dos opressores que zombam da fé, agindo como se Deus não visse ou não se importasse com suas ações cruéis contra os aflitos, as viúvas e os órfãos.

A estrutura do Salmo 94 pode ser dividida em algumas partes:

  1. Apelo à Justiça Divina (v. 1-7): Um clamor por intervenção divina contra a maldade.
  2. Repreensão aos Ímpios e Afirmação da Onisciência de Deus (v. 8-11): O salmista lembra aos opressores que Deus é o Criador e conhece todos os pensamentos e atos.
  3. Bênção dos Disciplinados e Confiança na Justiça (v. 12-15): Uma transição para a confiança na bondade e fidelidade de Deus, mesmo em meio à disciplina.
  4. Súplica por Socorro e Testemunho da Proteção Divina (v. 16-19): O salmista expressa sua dependência de Deus como seu auxílio e consolo.
  5. Certeza da Punição dos Ímpios (v. 20-23): A reafirmação da justiça divina que alcançará os perversos.

Dentro desse contexto de opressão e súplica por justiça, o versículo 14 surge como um pilar de esperança e uma declaração inabalável da fidelidade de Deus para com o seu povo. É uma resposta à dúvida implícita ou explícita sobre se Deus realmente se importa ou agirá.

Análise do Versículo

O Salmo 94:14 declara uma das verdades mais reconfortantes da fé bíblica: "Pois o Senhor não rejeitará o seu povo; jamais abandonará a sua herança."

  1. O significado de "Deus não abandonará seu povo":
    • A palavra hebraica para "rejeitar" (נָטַשׁ - natash) implica largar, abandonar, deixar de lado, ou renunciar. O versículo afirma que Deus jamais fará isso com o seu povo. Isso contrasta diretamente com a experiência humana de abandono e desilusão.
    • "Seu povo" refere-se àqueles que foram escolhidos e estabeleceram uma aliança com Ele. No contexto do Antigo Testamento, era Israel, mas no Novo Testamento, essa promessa se estende a todos os crentes em Cristo, que são o "povo de Deus" por meio da fé.
    • Este trecho assegura que, não importa quão profunda seja a crise, ou quão intensa a perseguição, a relação de Deus com os seus eleitos não será rompida por Ele.
  2. A promessa de fidelidade divina:
    • A segunda parte da frase, "jamais abandonará a sua herança," reforça a primeira. A palavra hebraica para "abandonará" (עָזַב - 'azav) significa deixar, desamparar, soltar. É uma negação enfática de qualquer possibilidade de Deus negligenciar ou esquecer aqueles que são d'Ele.
    • "Sua herança" é outro termo para o povo de Deus, enfatizando que eles pertencem a Ele de forma especial e preciosa, como uma propriedade ou um legado valoroso. Deus não abandona aquilo que Ele valoriza e escolheu para si.
    • Essa promessa sublinha a imutável fidelidade de Deus. Ele não muda de ideia; Suas promessas são "sim" e "amém". Sua lealdade é um atributo intrínseco do Seu caráter.
  3. A segurança espiritual oferecida:
    • A certeza de que Deus não rejeita nem abandona seu povo proporciona uma profunda segurança espiritual. Em um mundo de incertezas, perdas e traições, saber que o Criador do universo sustenta Seus filhos é um fundamento inabalável.
    • Essa segurança não significa ausência de dificuldades ou sofrimentos, como o próprio Salmo 94 demonstra. Pelo contrário, é a garantia de que, mesmo nas dificuldades, Deus está presente, sustentando, consolando e, por fim, vindicando.
    • É a base para a confiança e a esperança em meio às provas, permitindo que os crentes enfrentem o futuro com serenidade, sabendo que sua identidade e seu destino estão seguros nas mãos de Deus.

Reflexão Teológica

  1. A natureza da fidelidade de Deus: A fidelidade (ou lealdade) de Deus é um de Seus atributos mais gloriosos. Ela não é condicionada pelas nossas falhas, fraquezas ou inconstâncias. Deus é fiel porque Ele é Deus. Ele é verdadeiro para com Sua própria natureza e para com Suas promessas. Ele permanece fiel mesmo quando nós somos infiéis (2 Timóteo 2:13). Sua fidelidade é a rocha sobre a qual toda a esperança cristã é construída. Ela se manifesta em Sua paciência, Sua provisão e, fundamentalmente, em Sua aliança e salvação através de Jesus Cristo.
  2. A confiança que podemos ter em Deus: O Salmo 94:14 nos convida a depositar toda a nossa confiança em Deus. Não somos abandonados à nossa própria sorte em um mundo caótico. Temos um Pai celestial que não nos deixa. Essa confiança nos liberta do medo paralisante, da ansiedade e do desespero. Permite-nos descansar na soberania de Deus, sabendo que Seus planos são bons e que Ele opera todas as coisas para o bem daqueles que O amam e são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8:28).
  3. Como essa promessa se aplica aos crentes modernos: Para os crentes modernos, essa promessa ecoa as palavras de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20) e "Não te deixarei, nem te desampararei" (Hebreus 13:5, citando Deuteronômio 31:6).
    • Em tempos de crise pessoal (doença, perda, desemprego), esta verdade é um bálsamo.
    • Diante de desafios globais ou da instabilidade política, ela nos lembra que Deus continua reinando soberano.
    • Quando nos sentimos inadequados, fracos ou pecadores, a promessa de que Deus não nos rejeita nos encoraja a buscar Sua graça e perdão.
    • Ela sustenta a nossa esperança na vida eterna e na certeza da ressurreição, pois se Ele não nos abandona nesta vida, muito menos o fará na transição para a eternidade.

Aplicação Prática

  1. Busque Refúgio em Deus na Dificuldade: Quando a vida apresentar desafios esmagadores, lembre-se ativamente de que Deus não o rejeitará. Em vez de se entregar ao desespero, volte-se para Ele em oração, depositando suas ansiedades e medos aos Seus pés.
  2. Aprofunde seu Conhecimento da Palavra: Estude as Escrituras para encontrar mais evidências da fidelidade de Deus. Quanto mais você conhece Seu caráter e Suas promessas, mais forte será sua fé e confiança.
  3. Compartilhe sua Esperança: Viva de uma maneira que reflita a segurança que você tem em Deus. Seja uma fonte de encorajamento para outros que estão passando por provações, lembrando-os da fidelidade inabalável do Senhor.
  4. Permita que a Paz de Deus Governe seu Coração: Consciente de que Deus está com você e não o abandonará, cultive um coração grato e uma mente pacífica, mesmo em meio à adversidade. A presença dEle é a sua paz.
  5. Persevere na Fé e no Serviço: A promessa de que Deus não nos abandonará nos dá a força para perseverar na nossa fé e no serviço a Ele, sabendo que nosso trabalho no Senhor não é vão e que Ele nos capacitará e sustentará até o fim.

Conclusão

O Salmo 94:14 é uma âncora para a alma. Em um mundo onde a rejeição e o abandono são experiências dolorosas e frequentes, a voz de Deus ecoa com uma promessa inquebrantável: "Pois o Senhor não rejeitará o seu povo; jamais abandonará a sua herança." Esta verdade nos lembra da fidelidade eterna de um Deus que não apenas nos criou, mas nos ama com um amor que nunca falha. Que esta promessa fortaleça nossa fé, acalme nossos medos e nos inspire a viver com uma confiança inabalável em Aquele que é, e sempre será, o nosso refúgio e fortaleza.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Câmara Aprova Atualização de Bens no Imposto de Renda e Regularização Patrimonial

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (29) o Projeto de Lei nº 458/2021, que autoriza a atualização do valor de veículos e imóveis declarados no Imposto de Renda, além de criar um programa de regularização de bens lícitos não declarados. O texto, originário do Senado, retorna àquela Casa para nova análise após modificações feitas pelos deputados.

A proposta busca corrigir distorções fiscais históricas, ampliar a arrecadação e oferecer uma alternativa de conformidade tributária voluntária para pessoas físicas e jurídicas.

Atualização de Bens no Imposto de Renda

O projeto permite que contribuintes atualizem o valor de seus bens — como imóveis e veículos — para o valor de mercado com base nas declarações de 2024.

Para pessoas físicas, o imposto será de 4% sobre a diferença apurada, substituindo a alíquota tradicional de 15% a 22,5% sobre o ganho de capital.
Já as pessoas jurídicas pagarão 4,8% de IRPJ e 3,2% de CSLL sobre o valor ajustado.

O relator, deputado Juscelino Filho (União-MA), afirmou que a medida “corrige a distorção provocada pela desconsideração da inflação, que leva à tributação de um ganho fictício e não de um lucro real”.

Segundo o parlamentar, o mecanismo estimula a adesão voluntária e contribui para uma arrecadação imediata sem aumento direto de alíquotas.

Regras para Venda e Regularização Patrimonial

Os contribuintes que aderirem à atualização deverão manter os bens por um período mínimo:

  • Imóveis: cinco anos;
  • Veículos: dois anos.

A venda antecipada exigirá o recolhimento do IR sobre o ganho de capital, descontando o imposto já pago na atualização.

O projeto também autoriza a regularização de bens de origem lícita não declarados ou declarados incorretamente. Nesse caso, haverá cobrança de:

  • 15% de Imposto de Renda;
  • 15% de multa, totalizando 30% do valor regularizado, com parcelamento em até 24 vezes corrigidas pela Selic.

Essa regularização dispensa multas de mora e exclui a possibilidade de ação penal tributária por omissão declaratória.

Incorporação de Trechos da MP 1303/25

O texto aprovado incorporou dispositivos da Medida Provisória nº 1303/2025, que tratava da compensação tributária por empresas.
O objetivo é restringir o uso abusivo de créditos fiscais e evitar fraudes, especialmente envolvendo PIS/Cofins.

Segundo a Agência Câmara, o impacto estimado das medidas é de R$ 10 bilhões em prejuízos fiscais evitados por ano, ao limitar compensações indevidas e reforçar o controle sobre créditos tributários.

Debate no Plenário e Impacto Fiscal

A votação dividiu opiniões.
Deputados da oposição classificaram a medida como uma “carona legislativa” usada pelo governo para reativar trechos da MP rejeitada, o que, segundo críticos, aumentaria indiretamente a carga fiscal e afetaria verbas de áreas sensíveis, como a educação.

Já os defensores argumentaram que o projeto reforça o compromisso com o equilíbrio fiscal e aumenta a previsibilidade das receitas públicas.
A expectativa do governo é que o programa gere até R$ 25 bilhões em arrecadação adicional, com estímulo à formalização patrimonial e atualização de ativos.

O texto segue agora para nova votação no Senado Federal, onde deve ser analisado antes de sua sanção presidencial.

Análise e Contexto

A atualização de bens representa um avanço em termos de justiça tributária e simplificação fiscal, permitindo ao contribuinte corrigir distorções históricas sem penalidades excessivas.
Por outro lado, o mecanismo de regularização deve ser acompanhado de transparência e controle, para evitar que se torne uma nova anistia a patrimônios não declarados.

Especialistas apontam que, se bem regulamentado, o PL 458/21 poderá ampliar a base de arrecadação e reduzir litígios tributários, especialmente em tempos de ajustes fiscais e desafios orçamentários para 2026.

Referências Bibliográficas

CÂMARA DOS DEPUTADOS (Brasil). Projeto de Lei nº 458/2021. Disponível em: https://www2.camara.gov.br/legin/fed/lei/2024/lei-14973-16-setembro-2024-796242-norma-pl.html. Acesso em: 29 out. 2025.

AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS. Câmara aprova projeto que permite atualização do valor de bens no Imposto de Renda. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/1209479-MP-SOBRE-TRIBUTACAO-DE-INVESTIMENTOS-E-RETIRADA-DE-PAUTA-E-PERDE-A-VALIDADE. Acesso em: 29 out. 2025.

Mercado Imobiliário Brasileiro em 2025: Inovação, Sustentabilidade e Novas Oportunidades

O setor imobiliário brasileiro vive em 2025 um momento de transformação intensa, marcado pela integração de novas tecnologias, pelo destaque à sustentabilidade, por mudanças regulatórias e pelas novas dinâmicas de consumo. Essas movimentações têm moldado oportunidades e desafios tanto para investidores e compradores quanto para incorporadoras e construtoras.[1][2][3][4][5]

Tendências e Novidades

Nos últimos anos, o mercado passou por uma forte aceleração da digitalização. O uso de inteligência artificial em processos de compra e venda, a automação de contratos e a integração de sistemas e portais de fornecedores tornaram-se práticas comuns, reduzindo custos e aumentando a eficiência do setor.
Ferramentas de Business Intelligence (BI) e analytics tornaram-se essenciais para decisões estratégicas, enquanto a experiência do consumidor se sofisticou com tours virtuais, atendimento automatizado e negociações totalmente online.[2][5]

Outro destaque é a sustentabilidade. Empreendimentos verdes deixaram de ser um diferencial e passaram a ser uma exigência do consumidor moderno, impulsionando a procura por imóveis energeticamente eficientes, com certificações ambientais e soluções que minimizam o impacto ecológico.
O interesse por smart homes, automação residencial e sistemas de segurança inteligentes cresceu rapidamente, tornando-se peça central nos novos projetos residenciais e comerciais.[3][6][5][1]

A reforma tributária de 2024 também trouxe mudanças significativas, exigindo ajustes fiscais por parte de incorporadoras, locadores e investidores. Em paralelo, a combinação de juros mais baixos e oferta limitada de imóveis novos resultou em valorização imobiliária acima da inflação, especialmente nas grandes metrópoles — um cenário favorável para investidores que buscam segurança e rentabilidade de longo prazo.[6][4][1]

Outro fator relevante é o impacto do trabalho remoto e dos modelos híbridos. Esses novos padrões de vida e trabalho impulsionaram a valorização de imóveis multifuncionais, projetados para atender tanto à moradia quanto ao home office.
Bairros de uso misto — que integram moradia, lazer e trabalho — estão em alta, refletindo o desejo por uma vida mais prática e equilibrada. As construtoras que investem em inovação, tecnologia e sustentabilidade vêm se destacando na preferência dos consumidores mais exigentes e conscientes.[5][3][6]

Conclusão

Essas tendências apontam para um mercado imobiliário cada vez mais tecnológico, sustentável e competitivo. A inovação digital e a consciência ambiental não são mais diferenciais, mas condições essenciais para prosperar em um setor em plena reconfiguração.
O futuro do mercado imobiliário brasileiro dependerá da capacidade das empresas e profissionais em adaptar-se rapidamente a esse novo ecossistema, que une eficiência, responsabilidade e experiência do cliente em um mesmo horizonte de crescimento.[4][1][2][3][5]

Referências

  1. LAGE; PORTILHO JARDIM. Tendências e temas “quentes” do mercado imobiliário para 2025. Disponível em: https://lageportilhojardim.com.br/blog/tendencias-mercado-imobiliario-2025/. Acesso em: 27 out. 2025.
  2. NR ADVOCACIA. 7 Tendências em Alta no Mercado Imobiliário em 2025. Disponível em: https://nradvocacia.com.br/tendencias-em-alta-mercado-imobiliario-em-2025/. Acesso em: 27 out. 2025.
  3. WIT. Tendências do Mercado Imobiliário para 2025. Disponível em: https://www.wit.com.br/tendencias-do-mercado-imobiliario-para-2025/. Acesso em: 27 out. 2025.
  4. GAIA GROUP. Mercado Imobiliário 2025: As 5 Tendências que Estão Redefinindo o Setor. Disponível em: https://gaiagroup.com.br/mercado-imobiliario-brasileiro-2025-tendencias-consorcio/. Acesso em: 27 out. 2025.
  5. ITEMIZE. Tendências do mercado imobiliário em 2025. Disponível em: https://www.itemize.com.br/blog/conteudo-1/tendencias-do-mercado-imobiliario-em-2025-46. Acesso em: 27 out. 2025.
  6. LAVVI. 5 Tendências para o Mercado Imobiliário em 2025. Disponível em: https://www.lavvi.com.br/blog/5-tendencias-para-o-mercado-imobiliario-em-2025. Acesso em: 27 out. 2025.

A Medicina Andina: Saberes Ancestrais e Harmonia com a Natureza

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A medicina andina fundamenta-se no vínculo ancestral entre saúde, natureza e saberes tradicionais, constituindo um sistema holístico que integra práticas fitoterápicas, ritos espirituais, intervenções cirúrgicas rudimentares e estratégias alimentares adaptadas às condições extremas das regiões montanhosas dos Andes. Mais do que um conjunto de técnicas, ela representa uma filosofia de vida baseada no equilíbrio entre corpo, espírito e ambiente.

Plantas Medicinais Andinas

A fitoterapia ocupa papel central na medicina andina, sendo as plantas nativas utilizadas tanto como alternativa quanto como complemento aos tratamentos convencionais. Entre as espécies mais emblemáticas destacam-se:

  • Coca (Erythroxylum coca), utilizada como estimulante, analgésico e aliada no combate aos efeitos da altitude;
  • Maca (Lepidium meyenii), reconhecida por aumentar a vitalidade e o equilíbrio hormonal;
  • Camu camu (Myrciaria dubia), fonte de vitamina C;
  • Kiwicha (amaranto) e quinoa, de alto valor proteico;
  • Boldo e calêndula, aplicados no tratamento de distúrbios digestivos e inflamatórios.

Pesquisas fitoquímicas revelam que alcaloides, flavonoides, óleos essenciais e saponinas estão presentes nessas plantas, justificando sua eficácia no tratamento de enfermidades respiratórias, gastrointestinais e inflamatórias. A combinação entre tradição empírica e conhecimento científico contemporâneo mostra o valor da medicina natural andina.

Técnica de Trepanação: A Cirurgia Ancestral

Entre as práticas médicas mais impressionantes das civilizações andinas está a trepanação, cirurgia que consistia na perfuração do crânio para aliviar pressões intracranianas e dores severas.
Vestígios arqueológicos revelam que muitos pacientes sobreviveram ao procedimento, o que demonstra domínio anatômico e uso de anestésicos vegetais como a coca. Essa técnica comprova o avanço do conhecimento médico na antiguidade americana, séculos antes da medicina moderna.

Dieta Tradicional Andina

A dieta andina é adaptada às altitudes e ao clima rigoroso da região. Alimentos como chuño (batata desidratada), quinoa, milho-roxo, oca, batata-doce e folhas silvestres (como atacco, lliccha e culis) garantem equilíbrio nutricional e resistência física.
O consumo cotidiano da folha de coca, em infusões ou mascada, auxilia o metabolismo energético e a oxigenação do sangue, sendo essencial para quem vive acima de 3.000 metros de altitude.

Práticas de Conservação dos Alimentos

As civilizações andinas desenvolveram métodos engenhosos de preservação alimentar, como:

  • Liofilização natural (chuño), que usa o frio noturno e o sol diurno para desidratar tubérculos;
  • Fermentação e desidratação de grãos;
  • Armazenamento em vasilhas de barro e pedra, que controlam temperatura e umidade.

Essas práticas garantiram segurança alimentar e sustentabilidade, permitindo o aproveitamento dos recursos locais de forma eficiente. Hoje, são vistas como modelos de conservação ecológica e cultural.

Conclusão

A medicina andina revela a sabedoria de um povo que aprendeu a viver em harmonia com os Andes. Seu legado combina botânica, nutrição e espiritualidade em um sistema integrado de saúde. Resgatar esses saberes é reconhecer que o conhecimento tradicional continua oferecendo respostas atuais para os desafios da vida moderna e da sustentabilidade planetária.

Referências Bibliográficas

ARGENTA, S. C. et al. Plantas medicinais: cultura popular versus ciência. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba – UFPB, 2019.

BORGES, J. T. Características físico-químicas, nutricionais e formas de apresentação da quinoa. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2018.

EMBRAPA. Agricultura de montanha. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2020. Disponível em: https://www.embrapa.br. Acesso em: 27 out. 2025.

EMBRAPA. Alimentos, conhecimentos e histórias do Brasil. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br. Acesso em: 27 out. 2025.

LEITE, M. J. H. et al. Levantamento das plantas medicinais utilizadas pela população de São José dos Cordeiros – PB. Patos: Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, 2019.

MENDEZ, A. V. B. A dieta diária das civilizações Incas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, 2017.

PEDROSO, R. S. et al. Plantas medicinais: uma abordagem sobre o uso seguro e eficácia. Physis – Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 31, n. 2, p. 1-15, 2021.

SALKANTAYTRILHA.COM. Superalimentos peruanos: energia natural para trekking e hiking. Cusco, 2022. Disponível em: https://www.salkantaytrilha.com. Acesso em: 27 out. 2025.

UGAS, R. 40 verduras andinas. Lima: Universidad Nacional Agraria La Molina – UNALM, 2016.

VEIGA JUNIOR, V. F. Plantas medicinais: cura segura? Química Nova, São Paulo, v. 28, n. 3, p. 519-528, 2005.

O Significado Profundo de Roraima: A Mãe dos Ventos

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O nome Roraima, que batiza o estado mais setentrional do Brasil, é de origem indígena, especificamente da língua pemon, falada por povos que habitam a região da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. A etimologia do nome está diretamente ligada à imponente formação rochosa que domina a paisagem local: o Monte Roraima.

A palavra “Roraima” é composta por dois termos do dialeto pemon: roroi (verde-azulado) e ma (grande ou mãe). Assim, uma das traduções mais aceitas e poéticas para Roraima é “Monte Verde-Azulado” ou “Grande Monte Verde-Azulado”, uma clara alusão à aparência majestosa da montanha, que frequentemente se encontra coberta por nuvens e apresenta tonalidades que variam entre o verde da vegetação e o azul do céu e da distância.

Outra interpretação, igualmente difundida, atribui ao nome o significado de “Mãe dos Ventos”. Essa versão simbólica deriva da observação de que os ventos úmidos que sopram do Oceano Atlântico, ao encontrarem a colossal barreira do Monte Roraima, são forçados a subir, condensando-se e formando as nuvens e chuvas que alimentam as nascentes de importantes rios da região, como o Amazonas, o Orinoco e o Essequibo. A montanha, portanto, atuaria como uma “mãe” que gera e distribui os ventos e as águas, desempenhando papel essencial no equilíbrio ecológico da região.

Independentemente da tradução exata, o nome Roraima carrega a força da natureza, a grandiosidade da paisagem e a profunda conexão com as culturas indígenas que há séculos habitam e reverenciam essa terra.

Referências

BARBOSA, A. Lemos. Dicionário Tupi (antigo): a língua do Brasil dos primeiros séculos. Rio de Janeiro: MEC/INL, 1951.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Povos Indígenas no Brasil: 2011-2021. São Paulo: ISA, 2021.