Radio Evangélica

segunda-feira, 24 de março de 2025

Após nova alta de juros, mercado reduz previsão para o PIB e inflação

Expectativa para a expansão da economia cai de 1,99% para 1,98%

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Após a taxa básica de juros ser elevada para 14,25% ao ano, as previsões do mercado financeiro para a expansão da economia e o índice de inflação em 2025 foram reduzidas, de acordo com dados do Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira (24), em Brasília. A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para este ano, a estimativa para o crescimento da economia caiu de 1,99% para 1,98%. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país - foi mantida em 1,6%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,9% e 2%, respectivamente.

Expansão da economia

Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,95 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 6.

Inflação

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – caiu de 5,66% para 5,65% este ano. Para 2026, a projeção da inflação subiu de 4,48% para 4,5%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,78%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro a inflação oficial ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022 quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros em um ponto percentual na reunião da semana passada, o quinto aumento seguido da Selic, em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento. Segundo o colegiado, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

Próximas reuniões

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.

Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Até o fim deste ano, a estimativa do mercado financeiro é que a taxa básica suba para 15% ao ano. Para 2026, 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida para 12,5% ao ano, 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Fonte: Agência Brasil

Políticas públicas e incentivos para Energia Solar: Analisando subsídios, financiamentos e regulações que impulsionam o setor

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Nos últimos anos, a energia solar tem se destacado como uma solução sustentável para a diversificação da matriz energética e a redução de emissões de gases de efeito estufa. Para incentivar a adoção dessa fonte renovável, diversos países implementaram políticas públicas que incluem subsídios, programas de financiamento e regulamentações favoráveis. No Brasil, essas iniciativas têm ganhado força, beneficiando consumidores e estimulando o crescimento do setor fotovoltaico.

Neste artigo, exploraremos as principais políticas públicas voltadas para a energia solar, destacando os mecanismos de incentivo financeiro, as linhas de crédito disponíveis e as regulamentações que moldam o mercado.

Subsídios e incentivos fiscais

Um dos principais impulsionadores da energia solar são os subsídios e os incentivos fiscais oferecidos pelo governo. No Brasil, a legislação atual prevê diversos mecanismos para reduzir os custos de aquisição e instalação de sistemas fotovoltaicos. Entre eles, destacam-se:

  • Isenção de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços): A maioria dos estados brasileiros adota a isenção de ICMS sobre a energia gerada e injetada na rede, reduzindo significativamente os custos para consumidores que optam pela geração distribuída.
  • Isenção de PIS/COFINS: As micro e minigerações distribuídas de energia elétrica também estão isentas desses tributos em diversas regiões, o que reduz o custo da energia solar.
  • PROGDISTRIB (Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica): Criado para fomentar a geração distribuída, este programa oferece subsídios para a instalação de sistemas solares fotovoltaicos.

Programas de financiamento

O alto custo inicial de instalação de um sistema fotovoltaico pode ser um desafio para muitos consumidores. Para contornar esse obstáculo, existem linhas de financiamento específicas para projetos de energia solar. Algumas das principais opções incluem:

  • FINAME (Financiamento de Máquinas e Equipamentos do BNDES): Oferece condições especiais para financiamento de equipamentos de geração de energia solar, com taxas reduzidas e prazos mais longos para pagamento.
  • Pronaf Eco (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Linha Eco): Destinado a agricultores familiares que desejam investir em tecnologias sustentáveis, incluindo sistemas de energia solar.
  • FNE Sol (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste): Linha de crédito voltada para pessoas físicas e jurídicas no Nordeste que desejam implementar sistemas de energia renovável.
  • Linhas de Financiamento Privadas: Diversos bancos e cooperativas de crédito oferecem condições facilitadas para o financiamento de painéis solares, com taxas competitivas e parcelamento a longo prazo.

Regulações e marco legal

A segurança jurídica é fundamental para o desenvolvimento do setor de energia solar. No Brasil, o principal instrumento legal que regula a geração distribuída é a Lei nº 14.300/2022, que estabeleceu o Marco Legal da Geração Distribuída. Entre os principais pontos dessa legislação, destacam-se:

  • Regime de Compensação de Energia: Permite que consumidores gerem sua própria energia e injetem o excedente na rede elétrica, recebendo créditos que podem ser abatidos em contas futuras.
  • Transição Tarifária: A lei prevê um período de transição para as regras de compensação, garantindo a manutenção dos benefícios para consumidores que aderirem ao sistema até 2045.
  • Micro e Minigeração Distribuída: Define os limites de potência para a geração distribuída, com regras específicas para sistemas de pequeno porte.

Impactos e benefícios das políticas públicas

Os incentivos e regulamentações têm gerado impactos positivos no setor de energia solar no Brasil, incluindo:

  • Expansão da Energia Solar Residencial: Adoção crescente de sistemas fotovoltaicos em residências, com economia significativa nas contas de energia.
  • Geração de Empregos Verdes: O crescimento do setor impulsiona a criação de empregos em instalação, manutenção e fabricação de equipamentos.
  • Diversificação da Matriz Energética: Redução da dependência de fontes fósseis e maior segurança energética.
  • Sustentabilidade Ambiental: Diminuição das emissões de gases poluentes e dos impactos ambientais associados à geração de eletricidade convencional.

Conclusão

As políticas públicas de incentivo à energia solar são essenciais para o avanço da transição energética e para tornar essa tecnologia mais acessível à população. Com subsídios fiscais, programas de financiamento e um arcabouço regulatório favorável, o Brasil tem ampliado sua capacidade de geração solar, promovendo benefícios econômicos, sociais e ambientais a longo prazo. Para consumidores e investidores, compreender essas políticas é fundamental para aproveitar as oportunidades do setor fotovoltaico e contribuir para um futuro mais sustentável.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Lei nº 14.300, de 6 de janeiro de 2022. Dispõe sobre o marco legal da geração distribuída. Disponível em: https://www.planalto.gov.br.
  • BNDES. Programa FINAME: Financiamento para energia solar. Disponível em: https://www.bndes.gov.br.
  • ANEEL. Resolução Normativa nº 482/2012: Regras para micro e minigeração distribuída. Disponível em: https://www.aneel.gov.br.
  • Ministério de Minas e Energia. Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída. Disponível em: https://www.gov.br/mme.

 

Resenha do Livro Dom Casmurro, de Machado de Assis

Publicado em 1899, Dom Casmurro é uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira e um marco do Realismo no Brasil. Escrito por Machado de Assis, o romance explora temas como ciúme, memória, traição e as complexidades das relações humanas. O autor, que viveu em um período de transição entre o Romantismo e o Realismo, utiliza a narrativa em primeira pessoa para apresentar a história sob a perspectiva de Bento Santiago, o protagonista.

A obra é estruturada como uma espécie de memorial, em que Bentinho, já envelhecido e recluso, decide escrever suas memórias para reconstruir sua trajetória desde a juventude até a fase adulta. A narrativa gira em torno de sua relação com Capitu, uma mulher de personalidade forte, olhos descritos como "olhos de ressaca" ou "olhos de cigana oblíqua e dissimulada". O relacionamento entre eles, que começa na adolescência, é marcado por uma intensa paixão, mas também pelo ciúme doentio de Bentinho.

O grande ponto de tensão do romance é a dúvida em relação à fidelidade de Capitu. Bentinho, tomado pelo ciúme, passa a acreditar que seu filho Ezequiel não é seu, mas fruto de uma traição entre Capitu e seu melhor amigo, Escobar. Machado de Assis conduz a narrativa de forma ambígua, sem fornecer provas concretas da infidelidade, o que mantém o leitor em um estado de incerteza permanente.

Um dos aspectos mais notáveis do livro é a maneira como Machado de Assis desconstrói a confiança na memória e na verdade subjetiva. Por ser narrado por Bentinho, a história é apresentada sob seu ponto de vista, repleto de ressentimentos e inseguranças, o que levanta questionamentos sobre a confiabilidade do narrador. A dúvida central – Capitu traiu ou não traiu? – permanece sem resposta definitiva até o fim do romance, deixando ao leitor a tarefa de interpretar as pistas e tirar suas próprias conclusões.

O título Dom Casmurro faz referência ao apelido que o protagonista recebe em sua velhice, refletindo sua personalidade introspectiva e amarga. A obra, além de explorar o drama pessoal de Bentinho, também aborda críticas sutis à sociedade patriarcal da época, destacando o papel restritivo imposto às mulheres e a maneira como a obsessão masculina pelo controle pode destruir relações.

Em síntese, Dom Casmurro é uma obra-prima do Realismo brasileiro que transcende sua época e permanece atual por sua profundidade psicológica e estrutura narrativa inovadora. A genialidade de Machado de Assis reside na capacidade de criar um enigma emocional e moral que ecoa no leitor muito tempo após a leitura, reforçando a ideia de que a verdade, muitas vezes, é moldada pelas nossas percepções e sentimentos.

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domingo, 23 de março de 2025

A Revolução sobre Trilhos: A Locomotiva Rocket de Stephenson

William M. Connolley
Em 1829, uma inovação sobre trilhos mudou para sempre o curso da história dos transportes: a locomotiva Rocket, concebida por George Stephenson e seu filho Robert. Este engenho não foi a primeira locomotiva a vapor, mas destacou-se ao integrar diversas inovações que a tornaram a mais avançada de sua época.

O Desafio de Rainhill

Para selecionar a locomotiva que operaria na primeira ferrovia intermunicipal entre Liverpool e Manchester, foi organizada a competição Rainhill Trials. A Rocket superou seus concorrentes ao atingir velocidades médias de 21 km/h e picos de até 34,4 km/h, demonstrando eficiência e confiabilidade superiores. A vitória não apenas garantiu seu lugar na ferrovia, mas também consolidou o modelo como referência para futuras locomotivas.

Inovações Tecnológicas

A Rocket incorporou avanços significativos, como uma caldeira multitubular que aumentava a área de superfície para a troca de calor, resultando em maior eficiência térmica. Além disso, os cilindros inclinados permitiam um movimento mais suave e estável. Essas características inovadoras tornaram-se padrão em locomotivas subsequentes.

Legado Duradouro

O sucesso da Rocket não apenas comprovou a viabilidade das locomotivas a vapor para o transporte de passageiros e cargas, mas também impulsionou a expansão das ferrovias, catalisando a Revolução Industrial e transformando economias e sociedades ao redor do mundo. Hoje, a Rocket é considerada um marco da engenharia e um símbolo da revolução tecnológica do século XIX.

Referências Bibliográficas

  • CHALINE, Eric. 50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História. São Paulo: Publifolha, 2013.
  • SMILES, Samuel. The Life of George Stephenson and of His Son Robert Stephenson. London: John Murray, 1857.
  • World History Encyclopedia. "Stephenson's Rocket." Disponível em: https://www.worldhistory.org/Stephenson%27s_Rocket/. Acesso em: 22 mar. 2025.

O Primeiro período intermediário e o renascimento do médio império egípcio

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Dando continuidade à nossa série sobre o Egito Antigo, exploramos agora o Primeiro Período Intermediário (c. 2181 - 2055 a.C.), uma fase de fragmentação política e instabilidade, seguida pelo renascimento da civilização egípcia no Médio Império (c. 2055 - 1650 a.C.). Esse intervalo na história do Egito revela a resiliência da cultura egípcia diante de crises e mudanças estruturais.

O Primeiro período intermediário: instabilidade e conflitos

O fim do Antigo Império foi marcado pelo enfraquecimento da autoridade central do faraó. Os nomarcas, governantes locais das províncias (nomos), passaram a exercer maior autonomia, enfraquecendo o poder do governo central. A escassez de recursos, agravada por possíveis mudanças climáticas que afetaram a regularidade das cheias do Nilo, comprometeu a produção agrícola e levou a conflitos internos.

Esse período foi dominado pela disputa entre governantes de diferentes regiões. A cidade de Heracleópolis, no Baixo Egito, tornou-se um centro de poder, enquanto Tebas, no Alto Egito, emergiu como uma potência rival. Essa fragmentação política resultou em um período de descentralização econômica e cultural, mas também abriu espaço para novas expressões artísticas e religiosas, demonstrando a capacidade do Egito de se reinventar.

A ascensão do médio império: A reunificação sob os faraós tebanos

Por volta de 2055 a.C., Mentuhotep II, faraó de Tebas, conseguiu reunificar o Egito, dando início ao Médio Império. Esse novo período trouxe estabilidade política e fortalecimento da administração central. O poder do faraó foi restaurado, mas com maior reconhecimento do papel dos governadores regionais, garantindo um equilíbrio entre o governo central e as elites locais.

A economia egípcia foi revitalizada por meio da reorganização da agricultura e do comércio. Expedições foram realizadas para obter recursos valiosos, como ouro da Núbia e materiais exóticos do Levante. A construção de canais e sistemas de irrigação garantiu um melhor aproveitamento das terras férteis, assegurando a prosperidade do reino.

Avanços culturais e arquitetônicos

O Médio Império também foi uma era de avanços culturais e arquitetônicos. A literatura floresceu, com textos como "A História de Sinuhe", que refletiam valores como lealdade e identidade nacional. Na arquitetura, os faraós do Médio Império optaram por pirâmides menores e templos grandiosos, como o Templo de Karnak, que começou a ser expandido nesse período.

A religião tornou-se mais acessível à população, com o culto a Osíris ganhando popularidade entre as classes sociais menos favorecidas. A crença na vida após a morte deixou de ser um privilégio exclusivo da nobreza, permitindo que mais egípcios adotassem rituais funerários sofisticados.

Declínio e transição para o segundo período intermediário

Apesar do sucesso do Médio Império, desafios internos e externos começaram a surgir no final da XII Dinastia. Os hicsos, um povo de origem asiática, estabeleceram-se no Delta do Nilo e gradualmente conquistaram poder, desestabilizando a autoridade egípcia. Esse processo culminaria no Segundo Período Intermediário (c. 1650 - 1550 a.C.), um novo momento de fragmentação política que prepararia o caminho para o poderoso Novo Império.

Conclusão

O Primeiro Período Intermediário demonstrou a resiliência da civilização egípcia diante da instabilidade, enquanto o Médio Império marcou um renascimento da organização estatal, cultura e expansão econômica. Essa fase da história egípcia nos ensina que, mesmo após períodos de crise, as sociedades podem se reinventar e prosperar novamente.

No próximo artigo, exploraremos o Segundo Período Intermediário e a ascensão do Novo Império, a era dos grandes faraós conquistadores.

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Pharaohs. Blackwell Publishing, 2000.

sábado, 22 de março de 2025

A Fundação de Roma: Mito e Realidade

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A origem de Roma está envolta em uma mistura de mito e evidência histórica. A lenda de Rômulo e Remo, amplamente difundida pelos romanos, apresenta elementos simbólicos e ideológicos, enquanto pesquisas arqueológicas e históricas apontam para um desenvolvimento gradual da cidade. Este artigo explora ambas as perspectivas, analisando o impacto da mitologia na identidade romana e as descobertas científicas que esclarecem a verdadeira origem da cidade.

Introdução
A fundação de Roma é um dos eventos mais emblemáticos da história ocidental. A tradição romana fixou a data de sua origem em 21 de abril de 753 a.C., baseada na narrativa mitológica de Rômulo e Remo, conforme relatado por escritores antigos como Tito Lívio e Virgílio. No entanto, evidências arqueológicas sugerem um processo de ocupação e consolidação que remonta ao século X a.C. Este artigo examina o contraste entre mito e realidade histórica.

A lenda de Rômulo e Remo

Segundo a tradição, Rômulo e Remo eram filhos do deus Marte e da vestal Réia Sílvia. Abandonados no rio Tibre, foram salvos por uma loba, que os amamentou, e posteriormente criados por pastores. Quando adultos, decidiram fundar uma cidade, mas divergiram sobre a localização. Rômulo matou Remo e se tornou o primeiro rei de Roma. Esse mito serviu para legitimar o poder romano, atribuindo-lhe uma origem divina e heróica (LíVIO, 2014).

Evidências arqueológicas e históricas

Pesquisas arqueológicas indicam que a região onde Roma foi fundada era habitada desde o século X a.C. O Monte Palatino, tradicionalmente associado a Rômulo, apresenta vestígios de habitações primitivas e um crescimento gradual até a formação de um centro urbano (CORNELL, 1995). A cidade emergiu da união de várias aldeias latinas, etruscas e sabinas, formando uma comunidade com estruturas políticas e sociais em desenvolvimento.

O Impacto do mito na identidade romana

A lenda de Rômulo e Remo não apenas explicava a origem de Roma, mas também reforçava valores essenciais à identidade romana, como coragem, resiliência e direito à conquista. Os romanos se viam como descendentes de heróis divinos, justificando sua expansão territorial e supremacia no mundo antigo (GRUEN, 1990).

Conclusão

A fundação de Roma é um fenômeno complexo que mistura mito e realidade histórica. Enquanto a lenda de Rômulo e Remo desempenhou um papel fundamental na construção da identidade romana, as evidências arqueológicas apontam para um processo gradual de ocupação e crescimento urbano. A interseção entre mito e história continua sendo um tema fascinante para estudos clássicos e arqueológicos.

Referências Bibliográficas

CORNELL, T. J. The Beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars (c. 1000–264 BC). London: Routledge, 1995.
GRUEN, E. S. Studies in Greek Culture and Roman Policy. Berkeley: University of California Press, 1990.
LÍVIO, Tito. História de Roma desde a sua fundação. São Paulo: Edipro, 2014.

A Monarquia da Bélgica: Tradição, história e desafios ao longo do tempo

A origem da monarquia belga

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A monarquia da Bélgica foi estabelecida oficialmente em 1831, após a Revolução Belga de 1830, que levou à separação do país do Reino Unido dos Países Baixos. Antes disso, a região que hoje compõe a Bélgica passou por vários domínios, incluindo o Sacro Império Romano-Germânico, a Espanha e a França.

Com a independência, os belgas optaram por uma monarquia constitucional e parlamentar, e em 21 de julho de 1831, Leopoldo I da Casa de Saxe-Coburgo-Gota foi coroado como o primeiro rei da Bélgica. Desde então, a monarquia tem sido um dos principais símbolos da unidade nacional.

A Família real belga

A dinastia real belga pertence à Casa de Saxe-Coburgo-Gota, que posteriormente adotou o nome "Casa da Bélgica" para enfatizar sua identidade nacional. O atual monarca é o rei Filipe, que subiu ao trono em 21 de julho de 2013, após a abdicação de seu pai, o rei Alberto II.

A família real belga é composta por:

  • Rei Filipe: No trono desde 2013, casado com a rainha Mathilde.
  • Rainha Mathilde: Primeira rainha belga de nascimento nativo, conhecida por seu trabalho humanitário.
  • Princesa Elisabeth: Herdeira do trono, Duquesa de Brabante, que tem se preparado para futuras responsabilidades.
  • Príncipe Gabriel, Príncipe Emmanuel e Princesa Eléonore: Irmãos da herdeira do trono, filhos do casal real.

Casamentos reais e alianças políticas

Os casamentos reais na Bélgica sempre tiveram um papel importante na consolidação das alianças políticas e sociais. Um dos mais emblemáticos foi o casamento do rei Leopoldo III com a rainha Astrid da Suécia, que conquistou o coração dos belgas antes de sua trágica morte em um acidente de carro em 1935.

Outro casamento significativo foi o do rei Alberto II com a rainha Paola, de origem italiana, que trouxe uma dimensão internacional à monarquia. O casamento de Filipe e Mathilde reforçou o compromisso da monarquia com a unidade nacional, visto que Mathilde tem raízes tanto na região francófona quanto na flamenga.

Crises e desafios ao longo da história

A monarquia belga enfrentou diversos momentos de crise, tanto políticos quanto institucionais. Alguns dos mais notáveis incluem:

  • A Questão Real (1945-1951): Durante a Segunda Guerra Mundial, o rei Leopoldo III foi acusado de colaboração com os nazistas, o que gerou uma crise política que levou à sua abdicação em favor de seu filho, o rei Baudouin, em 1951.
  • A Abdicação do Rei Alberto II (2013): Enfrentando problemas de saúde e pressões políticas, Alberto II decidiu abdicar em favor de seu filho Filipe, em um momento em que a monarquia buscava manter sua relevância.
  • Tensões entre Flamengos e Valões: A Bélgica é marcada por divisões linguísticas e culturais entre flamengos (que falam holandês) e valões (que falam francês). A monarquia muitas vezes teve que atuar como um fator de equilíbrio para evitar crises políticas mais profundas.

A Monarquia nos dias atuais

Hoje, a monarquia belga desempenha um papel essencialmente simbólico e representativo. O rei não governa diretamente, mas tem funções protocolares importantes, como nomear o primeiro-ministro e mediar crises políticas. Além disso, a família real está envolvida em diversas causas sociais, incluindo educação, saúde e mudanças climáticas.

Com a modernização das monarquias europeias, a dinastia belga tem buscado se adaptar aos tempos atuais, aumentando sua transparência e participando ativamente da vida pública.

Considerações finais

A monarquia belga tem sido um elemento central da identidade nacional desde a independência do país. Ao longo do tempo, enfrentou desafios, crises e transformações, mas continua a desempenhar um papel relevante na política e na sociedade belga. O futuro da instituição depende de sua capacidade de se reinventar e manter seu apoio popular em uma era de mudanças constantes.

Referências Bibliográficas

  • VAN DEN WIJNGAERT, Mark. História da Bélgica. Bruxelas: Éditions Racine, 2018.
  • MEYER, Jürgen. Monarquias Europeias no Século XXI. Berlim: Springer, 2020.
  • SMITS, Gregory. The Role of the Belgian Monarchy. Londres: Oxford University Press, 2015.

sexta-feira, 21 de março de 2025

A Religião e a mitologia grega: O universo dos deuses e heróis

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Dando continuidade à nossa série sobre a Grécia Antiga, exploraremos um dos aspectos mais fascinantes da civilização helênica: sua religião e mitologia. Os gregos antigos possuíam um sistema religioso profundamente integrado à vida cotidiana, influenciando desde a organização social até a arte, a filosofia e a política. Suas crenças estavam baseadas em um panteão de deuses antropomórficos, cada um com atributos e domínios específicos, que interagiam diretamente com os mortais por meio de intervenções divinas e profecias.

O Panteão grego: Os deuses do Olimpo

Os gregos acreditavam que seus deuses habitavam o Monte Olimpo, a mais alta montanha da Grécia, de onde governavam o mundo e os assuntos humanos. O panteão grego era liderado por Zeus, o deus dos deuses, senhor dos céus e do trovão. Ao seu lado, estavam divindades como:

  • Hera: esposa de Zeus e deusa do casamento e da fidelidade conjugal;
  • Poseidon: deus dos mares, dos terremotos e dos cavalos;
  • Deméter: deusa da agricultura e das colheitas;
  • Atena: deusa da sabedoria, da estratégia militar e da justiça;
  • Apolo: deus da luz, da música, da poesia e da profecia;
  • Artemis: deusa da caça, da natureza selvagem e da lua;
  • Ares: deus da guerra e da carnificina;
  • Afrodite: deusa do amor, da beleza e da paixão;
  • Hermes: mensageiro dos deuses, protetor dos viajantes e do comércio;
  • Hefesto: deus do fogo, da metalurgia e da forja divina;
  • Hades: senhor do submundo, onde residiam as almas dos mortos.

A Mitologia grega e suas narrativas

As histórias mitológicas gregas desempenhavam um papel crucial na explicação do mundo natural, da moralidade e das tradições culturais. Esses mitos foram preservados por poetas como Homero e Hesíodo, cujas obras Ilíada e Odisséia são fundamentais para a compreensão da mentalidade grega.

Dentre os mitos mais emblemáticos, destacam-se:

  • A Criação do Mundo e os Titãs: No princípio, havia o Caos, de onde surgiram Gaia (Terra) e Urano (Céu). Dessa união nasceram os Titãs, que foram derrotados por Zeus e os demais deuses olímpicos na Titanomaquia.
  • Prometeu e o Dom do Fogo: Prometeu roubou o fogo dos deuses para entregá-lo aos humanos, permitindo o progresso da civilização. Como punição, foi acorrentado a uma rocha, onde uma águia devorava seu fígado diariamente.
  • As Aventuras de Heróis como Perseu, Teseu e Ulisses: Histórias de coragem e astúcia, nas quais heróis enfrentavam monstros como a Medusa e o Minotauro ou embarcavam em jornadas épicas como a de Ulisses de volta à sua terra natal.

A Religião na vida cotidiana

A religião grega não se baseava em doutrinas escritas ou livros sagrados, mas em práticas rituais e festivais que garantiam a proteção dos deuses. Os templos eram locais de culto e adoração, muitas vezes dedicados a uma divindade específica.

Os Jogos Olímpicos, por exemplo, eram realizados em honra a Zeus a cada quatro anos, reunindo atletas de diversas cidades-estado para competir em provas esportivas. Outro festival importante era as Dionísias, dedicadas a Dionísio, deus do vinho e do teatro, onde eram encenadas tragédias e comédias.

Oráculos e profecias

Os gregos acreditavam que os deuses se comunicavam com os mortais por meio de oráculos. O mais famoso deles era o Oráculo de Delfos, onde a pitonisa transmitia as mensagens de Apolo. Muitos líderes consultavam o oráculo antes de tomar decisões importantes, desde guerras até a fundação de colônias.

O Legado da religião e mitologia grega

O impacto da mitologia grega transcende o mundo antigo. Suas histórias inspiraram a literatura, o teatro e as artes ao longo dos séculos, influenciando desde as obras de Shakespeare até a cultura pop contemporânea. Termos como "complexo de Édipo", "calcanhar de Aquiles" e "trabalho de Sísifo" ainda são amplamente utilizados para descrever aspectos da psicologia humana e situações cotidianas.

A religião e a mitologia gregas moldaram a identidade cultural do Ocidente e continuam sendo estudadas e admiradas nos dias de hoje. No próximo artigo, abordaremos as artes e a filosofia na Grécia Antiga, explorando como essa civilização influenciou a forma como pensamos e criamos.

Referências Bibliográficas

HESÍODO. Teogonia. São Paulo: Editora X, 2003. HOMERO. Ilíada e Odisséia. Rio de Janeiro: Editora Y, 2010.

NAGY, Gregory. The Ancient Greek Hero in 24 Hours. Cambridge: Harvard University Press, 2013.

VERNANT, Jean-Pierre. O Universo, os Deuses, os Homens. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Inovação industrial no Brasil recua em 2023

A taxa de inovação industrial caiu para 64,6%, impactada pelo novo cenário econômico, mas investimentos em P&D superam R$ 38 bilhões

Tecpar/Agência Paraná de Notícias
A taxa de inovação das empresas industriais brasileiras com 100 ou mais pessoas ocupadas atingiu 64,6% em 2023, segundo dados divulgados hoje (20) pelo IBGE na Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2023: Indicadores Básicos. O percentual é 3,5 pontos percentuais menor do que o registrado em 2022 (68,1%) e 5,9 pontos percentuais inferior ao de 2021 (70,5%).

A pesquisa, realizada em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisou aspectos da inovação nas empresas, como dificuldades enfrentadas, arranjos cooperativos, dispêndios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e apoio público.

Segundo Flavio Peixoto, gerente da pesquisa, a taxa de 2021 foi elevada devido ao período pós-pandemia, quando houve uma recuperação econômica. "Os anos seguintes foram de ajustes dentro de um novo cenário macroeconômico, o que explica a queda na taxa de inovação", destaca. Outro fator apontado é a redução da taxa de investimento da economia, que passou de 17,9% em 2021 para 16,4% em 2023.

Setores mais inovadores

Os segmentos que mais se destacaram em inovação de produtos e processos de negócios foram:

  • Fabricação de produtos químicos (88,7%)
  • Fabricação de máquinas e equipamentos (88,0%)
  • Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (85,3%)
  • Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (82,4%)

Em contrapartida, os setores menos inovadores foram Fabricação de produtos do fumo (38,7%) e Fabricação de produtos de madeira (31,2%).

Predominância da inovação em processos

A maioria das inovações em 2023 foi relacionada a processos de negócios (51,0%), enquanto 48,0% das empresas inovaram em produtos. No entanto, a proporção de empresas que investiram em processos de negócios caiu em relação a 2022 (53,9%) e 2021 (57,9%). A única exceção foi na categoria "Produção de bens ou fornecimento de serviços", que subiu de 27,7% em 2022 para 29,4% em 2023.

As inovações em produto também sofreram oscilações: de 50,5% em 2021, caíram para 47,3% em 2022 e subiram levemente para 48,0% em 2023. O grau de novidade mostrou que 68,0% dos produtos inovadores eram novos apenas para a empresa, 27,6% eram novos para o mercado nacional e apenas 4,4% eram novidades no mercado mundial.

Investimentos em P&D superam R$ 38 bilhões

Em 2023, as empresas industriais de médio e grande porte investiram R$ 38,3 bilhões em atividades internas de P&D. A Indústria de Transformação foi responsável por 86,4% desse valor (R$ 33,0 bilhões), enquanto as Indústrias Extrativas representaram 13,6% (R$ 5,2 bilhões).

As grandes empresas (500 ou mais pessoas ocupadas) foram as que mais investiram (84,6%), embora tenham reduzido sua participação em relação a 2022 (86,3%). Em contrapartida, empresas de menor porte (100 a 249 pessoas ocupadas) aumentaram sua participação nos gastos, passando de 5,9% em 2022 para 7,9% em 2023.

Os setores que mais investiram em P&D foram:

  • Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (17,4%)
  • Indústrias extrativas (13,6%)
  • Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (10,7%)
  • Fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (10,5%)
  • Fabricação de produtos químicos (8,8%)

Apoio público diminui

A utilização de incentivos governamentais para inovação caiu em 2023: 36,3% das empresas inovadoras recorreram a algum tipo de apoio público, contra 39,0% em 2022. O mecanismo mais usado foi o Incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica, previsto na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), adotado por 26,4% das empresas.

O incentivo público foi mais utilizado por empresas de grande porte (48,6% das que têm 500 ou mais pessoas ocupadas). Entre as de 250 a 499 ocupados, o percentual foi de 27,6%, e entre as menores (100 a 249 ocupados), apenas 16,6% usaram o benefício.

Desafios e perspectivas

Cerca de 47,6% das empresas inovadoras relataram enfrentar obstáculos para inovar, sendo os principais desafios a instabilidade econômica (44,2%), a concorrência (41,4%) e a falta de recursos internos (42,1%).

Apesar disso, 49,1% das empresas indicaram que pretendem aumentar seus investimentos em P&D em 2025, enquanto 48,8% planejam manter os dispêndios atuais e apenas 2,1% preveem redução.

Copom eleva juros básicos da economia para 14,25% ao ano

Preço dos alimentos e incertezas globais influenciaram decisão

PixaBay
A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar mais uma vez os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano. 

Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas externas, principalmente pela política comercial do país, suscitam dúvidas sobre a postura do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano). Em relação ao Brasil, o texto informa que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento.

Segundo o Copom, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

“O comitê segue acompanhando com atenção como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue impactando, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes.”, destacou o comunicado.

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso.

“Para além da próxima reunião [a partir de junho], o Comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”, ressaltou.

Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Essa foi a quinta alta seguida da Selic. A taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.

Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e duas de 1 ponto percentual.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice.

Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta do ano passado. Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2025, a inflação desde abril de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em abril, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,66%, mais de 1 ponto acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 5,6%.

O comunicado do Copom trouxe as expectativas atualizadas do Banco Central sobre a inflação. A autoridade monetária prevê que o IPCA chegará a 5,1% em 2025 (acima do teto da meta) e 3,9% no acumulado em 12 meses no fim do terceiro trimestre em 2026. Isso porque o Banco Central trabalha com o que chama de “horizonte ampliado”, considerando o cenário para a inflação em até 18 meses.

O Banco Central aumentou as estimativas de inflação. Na reunião anterior, de janeiro, o Copom previa IPCA de 5,2% em 2025 e de 4% em 12 meses no fim do terceiro trimestre de 2026.

Crédito mais caro

O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.

No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,1% a projeção de crescimento para a economia em 2025.

O mercado projeta crescimento um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,99% do PIB em 2025.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Fonte: Agência Brasil