Radio Evangélica

terça-feira, 18 de março de 2025

Produção pecuária no Brasil em 2024 bate recordes e impulsiona exportações

Abate de bovinos e frangos atinge números históricos; aquisição de leite também cresce e consolida tendência de recuperação do setor

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O setor pecuário brasileiro alcançou marcos históricos em 2024, impulsionado pelo crescimento no abate de bovinos e frangos, além do aumento expressivo na aquisição de leite e na produção de ovos. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou avanços significativos em diversas frentes, consolidando-se como um dos principais produtores mundiais de carne e laticínios.

Abate de bovinos cresce 15,2% e atinge maior volume da série histórica

Em 2024, foram abatidas 39,27 milhões de cabeças de bovinos sob inspeção sanitária, representando um aumento de 15,2% em relação ao ano anterior. Esse volume superou o recorde anterior, registrado em 2013, e manteve a tendência de crescimento iniciada em 2022.

O crescimento foi impulsionado, em parte, pelo aumento no abate de fêmeas, que cresceu 19% em relação a 2023. As exportações de carne bovina in natura também atingiram um recorde de 2,55 milhões de toneladas. O Mato Grosso manteve a liderança no abate de bovinos, com 18,1% da participação nacional, seguido por Goiás (10,2%) e São Paulo (10,2%).

Frangos registram recorde de abate e crescimento de 2,7%

O setor avícola também celebrou um ano histórico, com o abate de 6,46 bilhões de cabeças de frangos, um aumento de 2,7% em relação a 2023. Este é o maior volume já registrado desde o início da série histórica, em 1997.

O destaque foi para os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que lideraram o abate nacional. As exportações de carne de frango também atingiram recordes tanto em volume quanto em faturamento.

Abate de suínos cresce 1,2% e bate novo recorde

O abate de suínos também apresentou avanço em 2024, com 57,86 milhões de cabeças abatidas, um aumento de 1,2% (+684,24 mil cabeças) em relação ao ano anterior. Santa Catarina liderou o setor, com 29,1% da produção nacional, seguido pelo Paraná (21,5%) e Rio Grande do Sul (17,1%).

Aquisição de leite cresce 3,1% e retoma tendência de alta

A captação de leite também teve um desempenho positivo em 2024. Os laticínios sob inspeção sanitária adquiriram 25,38 bilhões de litros de leite, um crescimento de 3,1% em relação a 2023. Este é o segundo ano consecutivo de crescimento, após dois anos de queda na captação.

Produção de ovos cresce 10% e atinge novo recorde

O Brasil também registrou crescimento expressivo na produção de ovos, que alcançou 4,67 bilhões de dúzias, um aumento de 10% em relação a 2023. Este volume estabelece um novo recorde na série histórica da pesquisa.

Curtumes registram aumento de 16,8% na aquisição de couro cru

Os curtumes brasileiros receberam 40,08 milhões de peças inteiras de couro cru bovino, um crescimento de 16,8% em relação ao ano anterior. Este aumento reflete a maior disponibilidade de matéria-prima, impulsionada pelo crescimento no abate de bovinos.

Perspectivas para 2025

Com os recordes alcançados em 2024, o setor pecuário brasileiro se consolida como um dos mais dinâmicos do mundo. O crescimento das exportações e a retomada na produção de leite indicam um panorama otimista para 2025, com expectativas de novos avanços na produção e na conquista de mercados internacionais.

Estátua da Liberdade no centro de polêmica entre França e EUA

Parlamentar francês sugere devolução do monumento; Casa Branca reage com críticas

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A Estátua da Liberdade, um dos símbolos mais icônicos dos Estados Unidos, voltou ao centro do debate político internacional após declarações do eurodeputado francês Raphaël Glucksmann. O parlamentar sugeriu que os EUA deveriam devolver o monumento à França, argumentando que as políticas da administração de Donald Trump contradizem os valores que a estátua representa.

"Devolvam-nos a Estátua da Liberdade", disse Glucksmann durante um discurso em Paris, no domingo (16), direcionado aos apoiadores de seu partido, Place Public. Segundo ele, os EUA "escolheram passar para o lado dos tiranos", referindo-se às políticas de imigração e aos cortes de funcionários públicos promovidos pelo governo Trump.

A Casa Branca reagiu rapidamente às declarações. A assessora de imprensa Karoline Leavitt classificou Glucksmann como um político de "baixo nível" e relembrou o papel dos EUA na libertação da França durante a Segunda Guerra Mundial. "É apenas por causa dos Estados Unidos que os franceses não estão falando alemão neste momento. Eles deveriam ser gratos ao nosso grande país", afirmou.

A polêmica ocorre em um momento de crescente tensão entre os EUA e aliados europeus em relação a temas como imigração, democracia e governança.

A história da Estátua da Liberdade

A Estátua da Liberdade foi um presente da França aos Estados Unidos, inaugurado em 28 de outubro de 1886, para celebrar a independência americana e a amizade entre as duas nações. Projetada pelo escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi e com estrutura interna do engenheiro Gustave Eiffel, a estátua simboliza liberdade e democracia, sendo uma homenagem aos ideais republicanos.

A ideia de presentear os Estados Unidos surgiu em 1865, quando o jurista francês Édouard René de Laboulaye propôs a criação de um monumento para reforçar os laços entre os dois países. A estátua foi construída na França e enviada desmontada para Nova York, onde foi erguida na Ilha da Liberdade, na entrada do porto da cidade.

Desde então, a estátua se tornou um símbolo global da liberdade e do acolhimento a imigrantes, sendo a primeira visão dos milhares de europeus que chegavam aos EUA em busca de novas oportunidades. A inscrição em sua base traz um poema de Emma Lazarus, destacando a mensagem de esperança: "Dai-me os seus fatigados, os seus pobres, suas massas encurraladas ansiando por respirar livres".

A recente polêmica levantada por Glucksmann reacende o debate sobre a atual postura dos EUA em relação aos princípios que a estátua representa. Enquanto para alguns a liberdade e a acolhida de imigrantes permanecem intactas, para outros, as políticas do governo Trump estariam desvirtuando esses ideais, gerando críticas e atritos diplomáticos.

Referências Bibliográficas

  • BARTHOLDI, Frédéric Auguste. Lettres et Documents sur la Statue de la Liberté. Paris: Éditions Hachette, 1886.
  • LAZARUS, Emma. The New Colossus. 1883. Disponível em: https://www.poetryfoundation.org. Acesso em: 18 mar. 2025.
  • LABOULAYE, Édouard René de. Histoire des États-Unis. Paris: Charpentier, 1865.
  • PEARL, Susan. Liberty Enlightening the World: The Story of the Statue of Liberty. New York: Harper & Row, 1984.
  • TRACHTENBERG, Alan. The Incorporation of America: Culture and Society in the Gilded Age. New York: Hill and Wang, 1982.
  • U.S. NATIONAL PARK SERVICE. Statue of Liberty History. Disponível em: https://www.nps.gov/stli/learn/historyculture. Acesso em: 18 mar. 2025.
  • EURONEWS. Político francês sugere devolução da Estátua da Liberdade aos EUA. 2025. Disponível em: https://www.euronews.com. Acesso em: 18 mar. 2025.

Indústria nacional tem variação nula em janeiro, mas Ceará se destaca com crescimento de 7,9%

Pernambuco registra queda de 22,3%, a mais expressiva do período

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A produção industrial brasileira registrou variação nula (0,0%) em janeiro de 2025, na comparação com dezembro de 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da estabilidade no índice nacional, oito dos 15 locais analisados apresentaram crescimento no período, com destaque para o Ceará, que avançou 7,9%, reduzindo parte das perdas acumuladas nos dois meses anteriores.

São Paulo (2,4%), Rio de Janeiro (2,3%) e Bahia (2,0%) também registraram expansão na produção industrial. Em contrapartida, Pernambuco apresentou o maior recuo do mês, com uma retração de 22,3%, seguido pela Região Nordeste (-4,0%) e pelo Pará (-3,9%).

Na análise da média móvel trimestral, 10 dos 15 locais pesquisados mostraram desempenho negativo, com destaque para Pernambuco (-5,8%), Mato Grosso (-2,8%) e Espírito Santo (-2,4%). Já Amazonas (2,2%), Bahia (1,4%) e Rio de Janeiro (0,9%) tiveram os principais avanços.

No acumulado dos últimos 12 meses, o setor industrial apresentou crescimento de 2,9%, com alta em 16 dos 18 locais pesquisados. Entre os estados com melhor desempenho no período estão Santa Catarina (7,7%) e Ceará (6,5%). Já Espírito Santo foi o único com resultado negativo (-2,5%), evidenciando uma desaceleração na indústria local.

Os dados refletem um cenário de recuperação em algumas regiões, ao passo que outras ainda enfrentam desafios, especialmente no Nordeste, onde Pernambuco e Maranhão sofreram quedas expressivas. A expectativa do mercado agora se volta para os próximos meses, buscando sinais de retomada mais ampla na produção industrial do país.

Antônio de Araújo e Azevedo, Conde da Barca

Antônio de Araújo e Azevedo, conhecido como Conde da Barca, foi uma das figuras mais influentes da política e da cultura luso-brasileira no final do século XVIII e início do XIX. Ocupando cargos de grande relevância na administração portuguesa, destacou-se na diplomacia, na política econômica e no incentivo às artes e à ciência. Este artigo analisa sua trajetória política e suas contribuições para o Brasil durante o período joanino, enfatizando sua atuação na modernização administrativa e cultural do país.

Introdução

A transição entre os séculos XVIII e XIX foi marcada por profundas transformações na estrutura política e econômica do mundo ocidental. No contexto do Império Português, a chegada da Corte portuguesa ao Brasil em 1808 trouxe mudanças significativas na administração colonial, sendo o Conde da Barca um dos principais articuladores desse processo. Este estudo tem como objetivo explorar a influência de Araújo e Azevedo na formulação de políticas que impulsionaram o desenvolvimento econômico e cultural do Brasil.

Trajetória política e administrativa

Antônio de Araújo e Azevedo nasceu em 1754 e recebeu uma educação refinada, com forte influência do Iluminismo europeu. Ocupou diversos cargos na administração pública portuguesa, incluindo funções diplomáticas na Rússia e na França. Sua ascensão política ocorreu em um período de tensões internacionais, culminando na invasão napoleônica a Portugal e na subsequente transferência da Corte para o Brasil.

Em terras brasileiras, Araújo e Azevedo destacou-se na estruturação da política econômica e cultural. Como Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, teve papel fundamental na implantação de medidas que favoreceram a abertura dos portos brasileiros em 1808 e a criação de instituições voltadas para a modernização do país.

Contribuições para a cultura de ciência

O Conde da Barca foi um grande incentivador das artes e das ciências no Brasil. Com sua atuação, promoveu a criação da Imprensa Régia, que permitiu a publicação de livros e jornais em território brasileiro, e colaborou para a fundação da Real Biblioteca, embrião da atual Biblioteca Nacional.

Além disso, teve um papel relevante na vinda da Missão Artística Francesa, que auxiliou na introdução de técnicas artísticas europeias e na formação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, posteriormente conhecida como Academia Imperial de Belas Artes.

Legado e influência

O legado do Conde da Barca é percebido até os dias de hoje nas estruturas culturais e administrativas do Brasil. Sua visão modernizadora contribuiu significativamente para a transição do Brasil de colônia a centro administrativo do Império Português. Suas ações ajudaram a pavimentar o caminho para a independência brasileira em 1822, ao fomentar uma estrutura estatal mais autônoma e preparada para a gestão local.

Conclusão

Antônio de Araújo e Azevedo, o Conde da Barca, foi uma figura central na história luso-brasileira, promovendo mudanças essenciais no campo político, econômico e cultural. Sua influência na modernização do Brasil e no incentivo à cultura e à educação demonstra a importância de seu papel na história nacional. Seu legado perdura na forma de instituições e políticas que moldaram o Brasil contemporâneo.

Referências Bibliográficas

  • CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem: A Elite Política Imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
  • HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
  • SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos: Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
  • VERGARA, Moacyr. A Cultura no Brasil Joanino. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2005.
  • SILVA, Alberto da Costa e. A Enxada e a Lánça: A Africa Antes dos Portugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010.

segunda-feira, 17 de março de 2025

Tesouro paga R$ 1,33 bi em dívidas de estados e municípios

Em 2024, União quitou R$ 11,45 bilhões de dívidas garantidas

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A União pagou, em fevereiro, R$ 1,33 bilhão em dívidas atrasadas de estados e municípios, segundo o Relatório de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado nesta segunda-feira (17) pelo Tesouro Nacional. No acumulado do ano, já são R$ 1,88 bilhões de débitos honrados de entes federados.

Em 2024, o valor chegou a R$ 11,45 bilhões de dívidas garantidas pela União.

Do total pago no mês passado, R$ 854,03 milhões são débitos não quitados pelo estado de Minas Gerais; R$ 319,76 milhões do Rio de Janeiro; R$ 75,94 milhões de Goiás; R$ 72,95 milhões do Rio Grande do Sul; R$ 2,81 milhões do Rio Grande do Norte; e R$ 73,85 mil do município de Santanópolis (BA).

De R$ 1,88 bilhões de dívidas de entes federados honradas pela União em 2025, R$ 1,07 bilhão são de Minas Gerais; R$ 399,73 milhões do Rio de Janeiro; R$ 150,10 milhões de Goiás; R$ 149,76 milhões do Rio Grande do Sul; R$ 109,73 milhões do Rio Grande do Norte; e R$ 140 mil de Santanópolis (BA).

Desde 2016, a União pagou R$ 77,32 bilhões em dívidas garantidas. Além do relatório mensal, o Tesouro Nacional disponibiliza os dados no Painel de Garantias Honradas.

As garantias representam os ativos oferecidos pela União - representada pelo Tesouro Nacional - para cobrir eventuais calotes em empréstimos e financiamentos dos estados, municípios e outras entidades com bancos nacionais ou instituições estrangeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como garantidora das operações, a União é comunicada pelos credores de que não houve a quitação de determinada parcela do contrato.

Recuperação de garantias

Caso o ente não cumpra suas obrigações no prazo estipulado, o Tesouro compensa os calotes, mas desconta o valor coberto de repasses federais ordinários – como receitas dos fundos de participação e compartilhamento de impostos, além de impedir novos financiamentos. Sobre as obrigações em atraso incidem ainda juros, mora e outros encargos previstos nos contratos de empréstimo, também pagos pela União.

Há casos, entretanto, de bloqueio na execução das contragarantias pela adoção de regimes de recuperação fiscal, por meio de decisões judiciais que suspenderam a execução ou por legislações de compensação das dívidas. Dos R$ 77,32 bilhões honrados pela União, cerca de R$ 68,11 bilhões se enquadram nessas situações.

Desde 2016, a União recuperou R$ 5,68 bilhões em contragarantias. Os maiores valores são referentes a dívidas pagas pelos estados do Rio de Janeiro (R$ 2,77 bilhões) e de Minas Gerais (R$ 1,45 bilhão), além de outros estados e municípios. Em 2025, a União já recuperou R$ 116,13 milhões em contragarantias.

Fonte: Agência Brasil

Atividade econômica brasileira cresce 0,9% em janeiro

Em 12 meses, indicador é positivo em 3,8%

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Após recuo em dezembro de 2024, a atividade econômica brasileira cresceu no primeiro mês de 2025, de acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,9% em janeiro em relação ao mês anterior, considerando os dados dessazonalizados (ajustados para o período).

No mês, o IBC-Br atingiu 154,6 pontos. Na comparação com janeiro de 2024, houve crescimento de 3,6% (sem ajuste para o período, já que a comparação é entre meses iguais). No acumulado em 12 meses, o indicador também ficou positivo em 3,8%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica do país e ajuda o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 13,25% ao ano. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade de setores da economia – indústria, comércio e serviços e agropecuária –, além do volume de impostos.

A Selic é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas ajudam a redução da inflação, mas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Inflação

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro, a inflação oficial - medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado em 12 meses, o IPCA soma 5,06%, acima do teto da meta de 3%, que tem tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A alta do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global fizeram o BC aumentar mais uma vez os juros na reunião de janeiro, o quarto aumento seguido da Selic, que consolida um ciclo de contração na política monetária.

Em relação às próximas reuniões, o Copom já confirmou que elevará a Selic em um ponto percentual, para 14,25% ao ano, na reunião que ocorre esta semana, mas não informou se as altas continuarão na reunião de maio, apenas que observará a inflação.

Produto Interno Bruto

Divulgado mensalmente, o IBC-Br emprega uma metodologia diferente da utilizada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira divulgado pelo IBGE. Segundo o BC, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.”

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país. Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

Fonte: Agência Brasil

Mercado financeiro reduz projeções para economia e inflação em 2025

Boletim Focus aponta menor crescimento do PIB e expectativa de inflação acima da meta do Banco Central

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As previsões do mercado financeiro para a expansão da economia e o índice de inflação em 2025 foram reduzidas, de acordo com a edição desta segunda-feira (17) do Boletim Focus. A pesquisa, divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), reúne a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para este ano, a estimativa de crescimento da economia caiu de 2,01% para 1,99%. Para 2026, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) – soma dos bens e serviços produzidos no país – recuou de 1,7% para 1,6%. Já para 2027 e 2028, o mercado financeiro mantém a previsão de crescimento de 2% ao ano.

Em 2024, a economia brasileira registrou um avanço de 3,4%, representando o quarto ano consecutivo de crescimento. Esse resultado foi o melhor desde 2021, quando o PIB cresceu 4,8%.

A previsão para a cotação do dólar segue em R$ 5,98 para o fim deste ano, enquanto para 2026 estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 6.

Inflação e meta do Banco Central

A expectativa para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), recuou ligeiramente de 5,68% para 5,66% em 2025. Essa é a primeira redução na projeção após mais de 20 revisões para cima.

Para 2026, no entanto, a projeção da inflação subiu de 4,4% para 4,48%. Para os anos seguintes, as previsões são de 4% para 2027 e 3,78% para 2028.

A estimativa para 2025 segue acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior da meta é de 4,5%.

Em fevereiro, a inflação oficial avançou 1,31%, impulsionada pelo aumento na conta de energia elétrica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior resultado desde março de 2022 e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003. No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

Taxa de juros e impacto na economia

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 13,25% ao ano, é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a inflação. Em janeiro, diante da alta do dólar e das incertezas sobre a economia global, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu aumentar a taxa pela quarta vez consecutiva, consolidando um ciclo de aperto monetário.

Para a reunião desta semana, o Copom já confirmou que elevará a Selic para 14,25% ao ano, mas não informou se novas altas ocorrerão em maio. Até o final de 2025, o mercado financeiro estima que a taxa suba para 15% ao ano. Para os anos seguintes, a previsão é de redução gradual: 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

O aumento da taxa básica de juros visa frear a demanda aquecida, tornando o crédito mais caro e estimulando a poupança. No entanto, taxas elevadas podem dificultar o crescimento econômico ao encarecer o financiamento para empresas e consumidores.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito se torna mais acessível, incentivando o consumo e a produção. Esse movimento, porém, pode reduzir o controle sobre a inflação e gerar maior pressão sobre os preços.

Fonte: Agência Brasil

Receita começa a receber nesta segunda declarações do Imposto de Renda

Contribuintes devem organizar documentos para evitar multas e garantir restituição mais rápida

O prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2025, referente ao ano-calendário 2024, começou nesta segunda-feira (17), às 8h, e terminará em 30 de maio, às 23h59. O programa gerador da declaração já está disponível desde a última quinta-feira (13).

São obrigados a declarar aqueles que tiveram rendimentos tributáveis superiores a R$ 33.888 ou receita bruta da atividade rural acima de R$ 169.440. Já as pessoas que receberam até dois salários mínimos mensais durante 2024 estão dispensadas da obrigação, salvo se se enquadrarem em outros critérios.

A Receita Federal espera receber 46,2 milhões de declarações neste ano, um aumento de quase 7% em relação a 2024, quando foram entregues 43,2 milhões. O órgão recomenda que os contribuintes organizem seus documentos com antecedência para evitar problemas no envio da declaração. Quem perder o prazo estará sujeito a uma multa que varia de R$ 165,74 até 20% do imposto devido.

Declaração pré-preenchida e novidades

A declaração pré-preenchida, que facilita o preenchimento com importação automática de dados, estará disponível a partir de 1º de abril. Para acessá-la, é necessário possuir conta Gov.br nos níveis prata ou ouro.

A Receita espera que 57% dos contribuintes utilizem esse modelo, contra 41,2% no ano passado. Essa declaração conta com dados enviados por terceiros, como empresas e instituições financeiras, mas o contribuinte é responsável por revisar e corrigir eventuais informações erradas ou incompletas.

Entre as principais mudanças na declaração deste ano estão a atualização dos limites de obrigatoriedade e a inclusão de rendimentos de aplicações financeiras no exterior, lucros e dividendos, além da atualização de valores de mercado de imóveis.

Restituição e prioridade de pagamento

As restituições serão pagas em cinco lotes, entre 30 de maio e 30 de setembro. A prioridade de recebimento segue a seguinte ordem:

  1. Idosos com 80 anos ou mais;
  2. Idosos com 60 anos ou mais, pessoas com deficiência ou doença grave;
  3. Contribuintes cuja principal fonte de renda seja o magistério;
  4. Quem utilizou a declaração pré-preenchida e optou pela restituição via Pix;
  5. Quem utilizou a declaração pré-preenchida ou optou pela restituição via Pix;
  6. Demais contribuintes.

Aqueles que fizerem a declaração primeiro tendem a receber a restituição mais rapidamente. As consultas ao status do pagamento podem ser feitas pelo site da Receita Federal ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda.

Pagamento do imposto devido

Para quem tem imposto a pagar, a primeira cota ou a cota única vence em 30 de maio. As demais parcelas vencem no último dia útil de cada mês, até a oitava cota, em 30 de dezembro.

Mais informações sobre as regras do IRPF 2025 podem ser conferidas na Instrução Normativa nº 2.255, publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira.

Fonte: Agência Brasil


Armazenamento de Energia Solar: Tecnologias e Desafios

O armazenamento de energia solar desempenha um papel fundamental na ampliação do uso dessa fonte renovável, permitindo maior estabilidade na geração elétrica e reduzindo os impactos da intermitência. Tecnologias como baterias de íon-lítio, chumbo-ácido, baterias de fluxo e armazenamento térmico estão entre as principais soluções para garantir a disponibilidade da energia solar mesmo em períodos sem incidência direta de radiação solar. Este artigo apresenta uma análise das principais tecnologias de armazenamento, seus desafios e as perspectivas para o futuro.

Introdução

A energia solar tem se consolidado como uma alternativa viável para a diversificação da matriz energética global. No entanto, um dos principais desafios associados a essa fonte renovável é a sua intermitência, uma vez que a geração ocorre apenas durante o dia e varia conforme as condições climáticas. O desenvolvimento de sistemas eficientes de armazenamento energético é essencial para maximizar o aproveitamento da energia solar e garantir o fornecimento contínuo de eletricidade.

Tecnologia de armazenamento

Diversas tecnologias vêm sendo empregadas para o armazenamento de energia solar, permitindo seu uso mesmo durante a noite ou em períodos nublados. Entre as principais, destacam-se:

  • Baterias de Íon-Lítio: Amplamente utilizadas em sistemas fotovoltaicos, essas baterias apresentam alta densidade energética, longa vida útil e eficiência elevada. São comuns em aplicações residenciais, comerciais e industriais.
  • Baterias de Chumbo-Ácido: Embora mais baratas que as de íon-lítio, possuem menor vida útil e eficiência energética, sendo empregadas principalmente em sistemas off-grid.
  • Baterias de Fluxo: Utilizam eletrólitos líquidos para armazenar energia, oferecendo maior vida útil e escalabilidade, tornando-se uma opção promissora para aplicações de grande porte.
  • Armazenamento Térmico: Empregado em sistemas heliotérmicos, consiste na retenção do calor captado do sol em materiais como sais fundidos, permitindo a geração de eletricidade mesmo após o pôr do sol.

Desafios do armazenamento de energia solar 

Apesar dos avanços tecnológicos, o armazenamento de energia solar ainda enfrenta desafios, como:

  • Custo Elevado: As baterias de alta eficiência, como as de íon-lítio, ainda apresentam custos elevados, dificultando sua adoção em larga escala.
  • Degradação ao Longo do Tempo: A eficiência das baterias reduz-se com o uso contínuo, exigindo substituições periódicas.
  • Sustentabilidade e Reciclagem: A destinação de baterias descartadas e a extração de matérias-primas críticas, como lítio e cobalto, levantam questões ambientais e sociais.

Perspectivas Futuras

O avanço da pesquisa em novos materiais e tecnologias promete reduzir custos e aumentar a eficiência dos sistemas de armazenamento. O desenvolvimento de baterias de sódio-íon, soluções baseadas em hidrogênio e a integração de redes inteligentes são algumas das tendências que podem impulsionar a viabilidade do armazenamento de energia solar nos próximos anos.

Conclusão

O armazenamento de energia solar é essencial para a consolidação dessa fonte renovável como alternativa viável e sustentável. A evolução das tecnologias de armazenamento, aliada à redução de custos e a políticas de incentivo, permitirá maior estabilidade e segurança energética, favorecendo a transição para um sistema elétrico mais limpo e eficiente.

Referências Bibliográficas

  • INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Renewables 2023: Analysis and forecast to 2028. Paris: IEA, 2023.
  • LIMA, A. P.; CARVALHO, F. M.; SOUSA, R. P. Tecnologias de armazenamento de energia para sistemas solares fotovoltaicos. Revista Brasileira de Energia Sustentável, v. 12, n. 1, p. 45-61, 2022.
  • SANTOS, D. R.; OLIVEIRA, T. B.; COSTA, J. M. O futuro das baterias na geração distribuída. Caderno de Energias Renováveis, v. 9, n. 4, p. 88-102, 2021.
  • PEREIRA, E. B. et al. Atlas Brasileiro de Energia Solar. São José dos Campos: INPE, 2017.

Resenha: O Alienista, de Machado de Assis

Publicado pela primeira vez em 1882, "O Alienista" é uma das obras mais emblemáticas de Machado de Assis e um clássico incontestável da literatura brasileira. A novela satírica mergulha nos temas da loucura, da ciência e da busca pela sanidade, tecendo uma crítica mordaz à sociedade e à pretensão do saber absoluto. Além disso, reflete a influência do positivismo, corrente filosófica e científica dominante na época, que exaltava a racionalidade e o progresso.

A trama se desenrola na fictícia cidade de Itaguaí, onde o prestigiado médico Simão Bacamarte funda a Casa Verde, um hospício destinado a estudar e tratar a mente humana. Movido pelo desejo de compreender a loucura de forma científica e sistemática, Bacamarte adota uma abordagem rigorosamente positivista, confiando plenamente na observação e na experimentação como meios de separar os sãos dos insanos.

Inicialmente, a população local enxerga sua iniciativa como um avanço científico, um símbolo de modernidade e desenvolvimento. No entanto, conforme o médico amplia seus critérios de diagnóstico, cada vez mais habitantes de Itaguaí são internados – inclusive aqueles que, à primeira vista, não apresentam sinais evidentes de loucura. Aos poucos, a cidade se vê transformada em um grande hospício, e a própria noção de normalidade passa a ser questionada.

Machado de Assis utiliza a figura de Bacamarte para criticar os excessos da ciência e a arrogância do conhecimento absoluto. A busca obsessiva pela classificação da loucura gera contradições e absurdos, levando o protagonista a questionar seus próprios métodos. O médico, antes um símbolo de razão e progresso, acaba por se tornar ele mesmo uma figura insana, imerso em uma lógica que beira o delírio.

Com sua prosa irônica e refinada, o autor nos convida a refletir sobre os limites da razão e da obsessão pelo controle científico da sociedade. "O Alienista" levanta questionamentos profundos: até que ponto a ciência pode definir a normalidade? A loucura está nos indivíduos ou na própria estrutura social? Ao desconstruir a rigidez da abordagem positivista, Machado demonstra que a realidade humana é complexa demais para ser reduzida a fórmulas e diagnósticos.

Mais do que uma crítica ao cientificismo exacerbado, "O Alienista" é uma obra atemporal que discute o poder, a autoridade e os perigos do dogmatismo, seja ele científico, político ou social. Por meio do humor sutil e da ironia afiada, Machado de Assis nos presenteia com uma narrativa instigante e repleta de camadas, que continua a fascinar leitores e a provocar reflexões sobre os limites entre a razão e a loucura.

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