Radio Evangélica

domingo, 9 de março de 2025

O Tear de Jacquard: A Máquina que Revolucionou a Indústria Têxtil

Wikimedia Commons
Entre as invenções que transformaram a história da humanidade, poucas tiveram um impacto tão significativo na indústria têxtil quanto o Tear de Jacquard. Criado no início do século XIX, esse equipamento não apenas revolucionou a forma de tecer padrões complexos, como também foi um dos precursores da automação moderna, influenciando até mesmo o desenvolvimento dos primeiros computadores.

A Revolução do Tear

O tear tradicional exigia extrema habilidade manual para a produção de tecidos com padrões elaborados, como brocados, damascos e tapeçarias. Cada desenho precisava ser criado manualmente, tornando o processo lento e caro. Foi então que Joseph-Marie Jacquard, em 1804, apresentou ao mundo uma inovação surpreendente: um tear controlado por cartões perfurados, que automatizava a repetição dos padrões sem a necessidade de intervenção constante do tecelão.

Baseando-se em ideias anteriores, como os sistemas de cartões perfurados de Basile Bouchon e Jean-Baptiste Falcon, Jacquard aperfeiçoou o mecanismo e tornou a produção têxtil mais eficiente, precisa e acessível.

Impacto Histórico e Cultural

O Tear de Jacquard foi um divisor de águas para a indústria têxtil, permitindo a produção em massa de tecidos decorativos e tornando-os disponíveis para uma parcela maior da população. Além disso, a tecnologia dos cartões perfurados inspirou diretamente os primeiros sistemas computacionais, como a máquina analítica de Charles Babbage, sendo considerado um marco no caminho rumo à informática moderna.

Curiosidade: O Início da Programação

Os cartões perfurados usados no Tear de Jacquard traziam instruções codificadas que determinavam o padrão do tecido. Esse conceito de comando sequencial influenciou a lógica da programação de máquinas, um legado que atravessou os séculos e chegou até os computadores que usamos hoje.

 

Referências Bibliográficas:

  • Long, Eric. 50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História. Editora Sextante, 2014.
  • Cardwell, Donald S. L. Turning Points in Western Technology: A Study of Technology, Science and History. Neale Watson Academic Publications, 1972.
  • Swade, Doron. The Difference Engine: Charles Babbage and the Quest to Build the First Computer. Penguin Books, 2001.
  • Smithsonian Institution. Jacquard Loom. Disponível em: https://www.si.edu/

A Unificação do Egito e o Início do Período Arcaico

PixaBay
O Egito Antigo, antes de se tornar um reino unificado, era uma região fragmentada, composta por diversas comunidades organizadas ao longo do vale do Nilo. O processo de unificação, que culminou na formação do primeiro Estado centralizado, marcou o início de uma das civilizações mais notáveis da história. Esse período, conhecido como Período Arcaico ou Tinita (c. 3100 - 2686 a.C.), representou a consolidação da autoridade real e o nascimento do conceito de faraó.

O Processo de Unificação

No final do Período Pré-Dinástico, as regiões do Alto Egito (ao sul) e do Baixo Egito (ao norte) estavam divididas e governadas por líderes locais conhecidos como "nomarcas". Com o tempo, conflitos emergiram entre essas regiões, e o rei Narmer (ou Menés) é tradicionalmente creditado como o responsável pela unificação do Egito por volta de 3100 a.C.

A famosa Paleta de Narmer, um artefato de grande importância arqueológica, retrata o rei usando a coroa branca do Alto Egito em um lado e a coroa vermelha do Baixo Egito no outro, simbolizando a unificação das duas regiões sob um único governo.

O Período Arcaico: A Consolidação do Poder

Com a unificação, Menés estabeleceu a primeira dinastia e fundou a cidade de Mênfis, que se tornaria a capital do Egito Antigo. Esse período foi marcado por avanços na administração estatal, na escrita hierogífica e no desenvolvimento de uma identidade nacional.

Os primeiros reis das Dinastias I e II expandiram o poder centralizado, estabeleceram templos para os deuses e consolidaram o culto ao faraó, que passou a ser visto como uma divindade viva, o intermediário entre os homens e os deuses.

O Legado da Unificação

A formação do primeiro Estado egípcio permitiu um desenvolvimento cultural, econômico e político sem precedentes. A administração centralizada facilitou a construção de monumentos, a organização agrária e a expansão das trocas comerciais.

O Período Arcaico preparou o caminho para a era seguinte, o Antigo Império, conhecido por sua estabilidade e pela construção das grandes pirâmides.

No próximo artigo, exploraremos o Antigo Império e a era dos grandes faraós construtores!

Fique atento e continue acompanhando nossa série sobre o Egito Antigo.

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Pharaohs. Blackwell Publishing, 2000.

sábado, 8 de março de 2025

O Reino Unido: História, Monarquia, Religião e Transformações Contemporâneas

Palácio de Buckinghan / PixaBay
O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte é um dos países mais emblemáticos e influentes da história mundial. Formado por quatro nações – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte –, o Reino Unido foi o centro de um império global e ainda mantém fortes laços históricos e culturais com diversas nações, especialmente aquelas que integram a Commonwealth.

Ao longo dos séculos, muitos territórios optaram por se desvincular da monarquia britânica, buscando autonomia e identidade própria. Um exemplo recente foi Barbados, que, em 30 de novembro de 2021, se tornou oficialmente uma república, rompendo os últimos laços com a Coroa britânica. Apesar disso, a monarquia do Reino Unido segue com grande prestígio e influência ao redor do mundo.

A monarca de maior tempo de reinado

Ao falar do Reino Unido, é impossível não destacar a figura da Rainha Elizabeth II, que foi a monarca com o mais longo período de reinado da história britânica. Durante 70 anos, Elizabeth II esteve no trono, atravessando gerações e sendo testemunha de importantes transformações globais e nacionais. Sua morte ocorreu no dia 8 de setembro de 2022, no Castelo de Balmoral, na Escócia.

Com o falecimento da Rainha, seu filho mais velho, Charles III, foi proclamado rei, dando continuidade à dinastia Windsor e inaugurando um novo capítulo na história da monarquia britânica.

Quem pode ser rei ou rainha no Reino Unido?

Segundo as tradições e normas que regem a sucessão ao trono britânico, apenas pessoas nascidas no Reino Unido, especificamente descendentes da linha sucessória legítima, podem ocupar o cargo de monarca. Além disso, há um requisito fundamental: o monarca precisa ser obrigatoriamente de religião protestante, seguindo a fé estabelecida pelo Act of Settlement de 1701.

Religião oficial no Reino Unido

A religião oficial do Reino Unido varia conforme cada uma das nações que o compõem:

  • Inglaterra: A religião oficial é o Anglicanismo, com a Igreja Anglicana, e o monarca atua como seu governador supremo.
  • Escócia: A Igreja Presbiteriana é a principal e detém status oficial, embora com autonomia e sem intervenção direta do monarca, que apenas garante sua preservação.
  • País de Gales e Irlanda do Norte: Não possuem uma igreja oficial. No entanto, há predominância de tradições anglicanas, metodistas e presbiterianas.

O papel político do rei

Embora o Reino Unido seja uma monarquia constitucional, em que o poder de governo está nas mãos do Parlamento e do Primeiro-Ministro, o rei ainda exerce funções importantes dentro do protocolo político. Entre suas principais atribuições, estão:

  • Abertura oficial e dissolução do Parlamento.
  • Nomeação formal do Primeiro-Ministro.
  • Sancionamento de leis aprovadas, através do chamado Royal Assent.

Na prática, esses poderes são mais simbólicos do que interventivos, já que as decisões políticas são tomadas pelo governo eleito. O monarca atua como chefe de Estado, representando a unidade e continuidade da nação.

A abrangência do Reino Unido e a saída de países

Além de suas quatro nações constituintes, o Reino Unido mantém relações com várias nações por meio da Commonwealth, uma organização que reúne ex-colônias britânicas e países que compartilham laços históricos com a Coroa. No entanto, muitos países já optaram por romper esse vínculo. Um caso emblemático foi o de Barbados, que retirou a rainha Elizabeth II como chefe de Estado e passou a se autodeclarar república, encerrando um ciclo de mais de 400 anos de domínio britânico.

Ainda assim, outras nações, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, continuam reconhecendo o monarca britânico como seu chefe de Estado, embora possuam autonomia política plena.

Conclusão

Mesmo com as mudanças políticas globais, a monarquia britânica permanece como um dos maiores símbolos históricos e culturais do mundo. A morte da Rainha Elizabeth II e a ascensão de Charles III sinalizam uma nova era, mas que ainda se apoia em tradições centenárias. Ao mesmo tempo em que países buscam autonomia, como Barbados, outros mantêm o respeito e os vínculos com a realeza britânica, reafirmando a relevância histórica do Reino Unido no cenário internacional.

Referências

BBC News. Barbados se torna república e retira rainha Elizabeth II como chefe de Estado. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59465640. Acesso em: fev. 2025.

BOGUE, David. The British Monarchy: Past, Present, and Future. London: Routledge, 2021.

CANNADINE, David. Elizabeth II: A Life of a Queen. Oxford: Oxford University Press, 2022.

CROSS, Anthony R. The Church of England and Its Impact on British Society. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.

HEFFERNAN, Michael. The United Kingdom: Nation, State, and Empire. London: Palgrave Macmillan, 2020.

MACCULLOCH, Diarmaid. Christianity: The First Three Thousand Years. New York: Penguin Books, 2020.

STARKEY, David. Monarchy: The Royal Family at Work. London: HarperCollins, 2019.

THE ROYAL FAMILY. The Death of Her Majesty The Queen. Disponível em: https://www.royal.uk. Acesso em: fev. 2025.

Pix: Novas regras do Banco Central podem excluir milhões de chaves irregulares

Cerca de 8 milhões de CPFs com pendências na Receita Federal podem ter chaves Pix canceladas; veja como regularizar

As novas regras do Banco Central (BC) para uso do Pix devem afetar cerca de 8 milhões de chaves ligadas a CPFs em situação irregular na base de dados da Receita Federal. Estas chaves poderão ser excluídas. 

Anunciada nesta quinta-feira (6), a medida visa mais segurança aos usuários deste sistema de pagamento instantâneo.

Para saber se seu CPF está irregular e se sua chave está entre as que poderão ser canceladas, a Agência Brasil preparou um passo a passo para regularizar pendências e evitar essa exclusão.

Passo a passo

O primeiro deles é saber se o CPF está em alguma das seguintes situação cadastral: Suspensa, Cancelada, Titular Falecido ou Nula.

Para tanto, é necessário consultar o site da Receita Federal em aba específica de Comprovante de Situação Cadastral.

Se a situação estiver “suspensa”, é necessário fazer o pedido de regularização na aba específica do site da Receita.

Segundo o órgão, na maioria das vezes, a atualização do CPF pelo site corrige as informações na hora. Contudo, se ao final do procedimento for gerado um protocolo de atendimento, será necessário enviar alguns documentos à Receita Federal para concluir o serviço.

Nesses casos, o envio da documentação comprobatória da alteração pode ser encaminhada por e-mail. Clique aqui para saber o e-mail que atende cada unidade da federação. Também é possível agendar a entrega da documentação comprobatória, nesta aba específica do site.

Entre os documentos que podem ser solicitados estão a certidão de nascimento ou casamento, título de eleitor, comprovante de residência e um documento de identidade. Além disse, o solicitante terá que enviar uma selfie, segurando o documento de identidade.

Já no caso do CPF apresentar a situação de “titular falecido” ou “cancelado” é necessário agendar atendimento em uma unidade da Receita para realizar a correção. Para isso, clique aqui.

Em situações especiais, a exemplo de pessoa com deficiência maior de 18 anos, o pedido pode ser feito pelo cônjuge ou companheiro; ascendente, descendente ou parente colateral até o 3º ou curador. 

Nesse caso, será preciso enviar também laudo médico atestando a deficiência, documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove o parentesco ou curatelia.

No caso de menores de 16 anos tutelados ou sujeitos à guarda, a alteração no cadastro do CPF pode ser solicitada pelos pais, tutor ou responsável pela guarda, mediante o envio de documento de identificação com foto do solicitante e documento que comprove a tutela ou responsabilidade da guarda do incapaz.

Além disso, o atendimento presencial também pode ser prestado por unidades conveniadas, mas com o custo de R$ 7. As unidades que prestam o serviço são os cartórios de registro de pessoas naturais, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os Correios.

Residentes no exterior

Se a pessoa residir no exterior, a orientação é preencher o formulário disponível aquiApós o preenchimento, o formulário deve ser impresso e entregue em uma representação diplomática brasileira em até 15 dias, com os documentos listados.

Também é possível solicitar atendimento presencial junto às repartições consulares brasileiras no exterior. As informações sobre os consulados estão disponíveis no portal E-consular.

 

Fonte: Agência Brasil

Déficit na balança comercial em fevereiro é o pior para o mês desde 1989

Queda no preço de commodities e importação de plataformas de petróleo impactam resultado

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A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 323,7 milhões em fevereiro, marcando o primeiro saldo negativo mensal desde janeiro de 2022. Esse é o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989. No mesmo período do ano passado, o saldo havia sido positivo em US$ 5,13 bilhões.

A principal pressão sobre o resultado veio da queda no preço de commodities como ferro, petróleo, soja e açúcar, reduzindo o valor das exportações, que totalizaram US$ 22,929 bilhões, uma retração de 1,8% em relação a fevereiro de 2024. Paralelamente, as importações dispararam 27,6%, atingindo US$ 23,253 bilhões, impulsionadas pela compra de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 2,7 bilhões.

No acumulado de 2025, o superávit comercial soma US$ 1,934 bilhão, representando uma queda de 82,9% em comparação ao primeiro bimestre de 2024. O resultado é o mais baixo para o período desde 2021.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima um superávit entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões para o ano. Já o boletim Focus, do Banco Central, projeta um saldo positivo de US$ 76,8 bilhões para 2025.

Fonte: Agência Brasil

 

A verdade oculta sobre o 8 de março

O incêndio que nunca aconteceu e a criação da data por Stalin

Reprodução
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é, sem dúvida, uma das datas mais conhecidas e respeitadas no mundo. Porém, você já parou para questionar a origem dessa comemoração? E se eu te dissesse que a famosa história do incêndio de uma fábrica em Nova York, no qual centenas de operárias teriam morrido, simplesmente nunca aconteceu?

Neste artigo, vamos revelar as verdadeiras origens do 8 de março, mostrando como essa data foi construída politicamente e como a figura de Josef Stalin e a União Soviética desempenharam um papel crucial nessa narrativa.

O mito do incêndio de 8 de março

Durante décadas, foi amplamente divulgado que, em 8 de março de 1857, operárias têxteis de Nova York realizaram uma greve por melhores condições de trabalho e salários justos. Como resposta, donos da fábrica teriam trancado as portas e iniciado um incêndio criminoso, matando dezenas de mulheres carbonizadas.

Por mais trágica e impactante que essa história seja, não há registros históricos que comprovem que esse evento tenha acontecido naquela data. Pesquisadores e historiadores que se debruçaram sobre jornais da época, documentos oficiais e arquivos históricos não encontraram evidências que sustentem essa versão.

O que realmente existiu foi o trágico incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, ocorrido em 25 de março de 1911, também em Nova York, que matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes. Contudo, esse episódio, apesar de real e marcante para a luta trabalhista, não foi a origem do Dia Internacional da Mulher, nem ocorreu em março de 1857, como tantas vezes se repete.

A verdadeira origem do Dia Internacional da Mulher

Para entender a escolha do 8 de março, precisamos viajar até a Rússia e observar o contexto político do início do século XX.

Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano, usado na época na Rússia), milhares de operárias saíram às ruas de Petrogrado exigindo "pão e paz", protestando contra as condições miseráveis de vida e o envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial. Essa manifestação foi um estopim que desencadeou a Revolução Russa, resultando na queda do czarismo.

Esse fato concreto motivou, anos depois, o movimento comunista a estabelecer o 8 de março como um dia simbólico da luta das mulheres trabalhadoras, principalmente nas nações socialistas.

Stalin e a propaganda soviética

Foi em 1921, durante a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Comunistas, em Moscou, que o 8 de março foi oficializado como a data para celebrar a luta das mulheres, reforçando sua importância na revolução e no movimento socialista.

Com o tempo, a máquina de propaganda soviética, sob o comando de Josef Stalin, ajudou a consolidar e exportar essa celebração para outros países. Como estratégia política, buscou-se uma narrativa universal, que pudesse sensibilizar não só os países comunistas, mas também o Ocidente. É justamente nesse cenário que a lenda do incêndio de 1857 começou a circular como uma justificativa emocional e trágica para reforçar a simbologia do 8 de março.

Mesmo sem fundamentos históricos, essa história pegou. Foi repetida em discursos, jornais, livros e até nos sistemas educacionais, transformando-se em um mito que muitos acreditam até hoje.

O 8 de março e sua consolidação global

Apesar do mito do incêndio, a data foi sendo adotada gradualmente ao redor do mundo. A ONU, em 1977, reconheceu oficialmente o Dia Internacional da Mulher, consolidando a celebração como um momento para refletir sobre as conquistas femininas e os desafios que ainda permanecem.

A partir daí, a data ganhou força não apenas entre movimentos comunistas, mas em todo o mundo, tornando-se símbolo das lutas femininas por igualdade, respeito e direitos trabalhistas e políticos.

Por que é importante conhecer essa história?

Saber que o famoso incêndio de 1857 não aconteceu não diminui a importância do Dia Internacional da Mulher. Pelo contrário: entender a verdadeira história permite reconhecer as reais lutas que deram origem à data e refletir sobre como narrativas podem ser criadas e perpetuadas para atender interesses políticos.

Além disso, valorizar eventos concretos, como as greves femininas, a participação das mulheres nas revoluções e as mobilizações trabalhistas, fortalece ainda mais a data como um símbolo autêntico da luta por direitos.

Conclusão

O 8 de março não nasceu de uma tragédia isolada, mas sim de décadas de mobilização feminina e da articulação política em torno da valorização das mulheres como agentes transformadoras da sociedade.

Embora o mito do incêndio tenha servido como ferramenta de sensibilização, a verdadeira força do Dia Internacional da Mulher está nas histórias reais de resistência, trabalho e coragem de mulheres em todo o mundo.

Referências

  • RAGO, Margareth. Do Cabaré ao Lar: A Utopia da Cidade Disciplinar. São Paulo: Paz e Terra, 1985.
  • SCOTT, Joan Wallach. Gênero e a Política da História. São Paulo: Ed. UNESP, 1995.
  • REIS, Daniel Aarão. A Revolução Russa: Os Fatos e as Interpretações. São Paulo: Brasiliense, 1992.
  • PINSKY, Carla Bassanezi. História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2012.
  • ONU Mulheres. “História do Dia Internacional da Mulher”. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br
  • COUTINHO, Afrânio. Enciclopédia de Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: MEC/INL, 1990.
  • VIEIRA, Evaldo. A Construção do Mito do 8 de Março e a Influência Soviética. Revista de História Social, 2015.
  • SEVCENKO, Nicolau. A Revolta dos Modernistas e a Nova Mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Empresas devem redobrar atenção com o Bloco H do SPED Fiscal em março

Empresas que possuem estoques devem informar seu inventário à Receita Federal por meio da EFD ICMS/IPI, com prazo de entrega previsto para março e risco de penalidades em caso de descumprimento

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Com a chegada de março, cresce a preocupação das empresas em relação ao Bloco H do SPED Fiscal, obrigação acessória fundamental para a escrituração do inventário de mercadorias. Integrado à Escrituração Fiscal Digital (EFD ICMS/IPI), o Bloco H é um dos registros exigidos pelo Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e possui prazos específicos para envio à Receita Federal.

O Bloco H corresponde ao Livro de Registro de Inventário, onde empresas que possuem estoques devem detalhar as mercadorias armazenadas, matérias-primas, produtos em elaboração e acabados, além de insumos e materiais de embalagem. Também é necessário declarar itens que estejam em posse de terceiros, com registros separados.

Instituído para modernizar e digitalizar a transmissão das obrigações fiscais, o SPED unifica informações e elimina o uso de documentos físicos. Dentro desse sistema, a EFD ICMS/IPI reúne dados relacionados à apuração do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), incluindo registros de operações e estoques.

As informações prestadas no Bloco H devem ser precisas, contemplando todos os itens presentes no inventário com seus respectivos valores e descrições técnicas. O prazo para entrega costuma ser em março, referente ao inventário realizado no encerramento do balanço contábil de dezembro, com envio previsto na escrituração de fevereiro.

Vale lembrar que empresas que adotam inventários trimestrais ou anuais devem seguir as regras estaduais e replicar as informações de acordo com o período correspondente.

Outro registro importante dentro do SPED Fiscal é o Bloco K, que, diferentemente do Bloco H, exige o acompanhamento contínuo da produção e movimentação de estoques. Ambos os blocos buscam garantir maior controle fiscal, prevenir irregularidades e assegurar a rastreabilidade das operações empresariais.

O cumprimento correto do Bloco H é indispensável para evitar penalidades fiscais e manter a regularidade tributária. Por isso, especialistas alertam para a importância de manter os registros contábeis organizados e atualizados, principalmente diante da fiscalização mais rigorosa proporcionada pelo ambiente digital.

Fonte: Portal Contábeis

Governo recua e descarta limitar isenção de Imposto de Renda para pessoas com doenças graves

Decisão foi tomada após pedido do presidente Lula; proposta enfrentava resistência e risco de judicialização no STF

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Fazenda desistiu de seguir com a proposta de criação de um teto para a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para contribuintes com doenças graves.

Em nota oficial, a pasta confirmou que a ideia foi avaliada, mas acabou sendo retirada das discussões por solicitação direta do presidente. "A Fazenda não enviou e não vai enviar proposta sobre teto de isenção para moléstia grave. A medida chegou a ser estudada, mas acabou sendo retirada das discussões a pedido do presidente Lula. Devido a esse e outros ajustes o projeto de lei ainda não foi encaminhado para a Câmara", informou o comunicado divulgado pela assessoria.

A ideia de limitar a isenção para pessoas com doenças graves surgiu como uma das alternativas para compensar o aumento da faixa de isenção do IRPF para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Em novembro, ao apresentar o pacote de medidas voltadas ao corte de gastos e ao reajuste da faixa de isenção, o Ministério da Fazenda chegou a anunciar a intenção de restringir a isenção para pacientes com doenças graves que tivessem rendimentos de até R$ 20 mil por mês.

Na ocasião, o governo informou que a possibilidade de deduzir integralmente os gastos com saúde no Imposto de Renda permaneceria inalterada.

A proposta, entretanto, enfrentou forte oposição da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), que chegou a sinalizar a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), caso a medida fosse levada adiante.

De acordo com a entidade, limitar a isenção do IRPF para pessoas com doenças graves seria inconstitucional, uma vez que, segundo a Unafisco, o benefício deve valer para todos os portadores dessas enfermidades, independentemente da faixa de renda.

Fonte: Agência Brasil

PIB do Brasil cresce 3,4% em 2024, com destaque para Indústria e Serviços

Agropecuária sofre retração de 3,2%, impactada por condições climáticas adversas

Divulgação/Bora Investir
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 3,4% em 2024 na comparação com o ano anterior, totalizando R$ 11,7 trilhões em valores correntes, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No mesmo período, o PIB per capita chegou a R$ 55.247,45, com crescimento real de 3,0%.

O crescimento econômico do país foi impulsionado, principalmente, pelo desempenho positivo da Indústria (3,3%) e dos Serviços (3,7%). Por outro lado, a Agropecuária apresentou retração de 3,2%, resultado atribuído aos impactos climáticos negativos que prejudicaram a produção de culturas importantes, como soja (-4,6%) e milho (-12,5%).

Entre os destaques do setor industrial, a Construção civil cresceu 4,3%, sustentada pelo aumento no crédito e na produção de insumos. As Indústrias de Transformação também tiveram desempenho expressivo, com alta de 3,8%, puxadas por setores como o automotivo e o de equipamentos elétricos.

Já o setor de Serviços, responsável por mais de 60% do PIB, apresentou crescimento em todas as suas atividades. Os maiores avanços ocorreram em Informação e comunicação (6,2%) e Outras atividades de serviços (5,3%), seguidos por Comércio (3,8%) e Atividades financeiras (3,7%).

Sob a ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 7,3%, refletindo a alta na produção interna e na importação de bens de capital, além da expansão da Construção e do desenvolvimento de softwares. O Consumo das Famílias cresceu 4,8%, favorecido pelo aumento do crédito, programas de transferência de renda e melhora no mercado de trabalho.

No setor externo, as Importações de Bens e Serviços dispararam 14,7% no ano, superando as Exportações, que cresceram apenas 2,9%, pressionando a balança comercial no cálculo do PIB.

A taxa de investimento atingiu 17,0% do PIB em 2024, superando os 16,4% registrados em 2023. Já a taxa de poupança recuou para 14,5%, ante 15,0% no ano anterior.

Os números reforçam a continuidade da recuperação econômica do país, embora com desafios em setores estratégicos como a Agropecuária. “Apesar das adversidades climáticas e da desaceleração em algumas áreas, o crescimento consistente da Indústria e dos Serviços sustentou o avanço do PIB”, aponta o IBGE no relatório.

A Grécia Antiga: Berço da Civilização Ocidental

 

PixaBay
A Grécia Antiga foi uma das civilizações mais influentes da história, sendo reconhecida como o berço da democracia, da filosofia e das artes que moldaram a cultura ocidental. Este artigo introdutório busca apresentar um panorama histórico e cultural da Grécia Antiga, destacando suas origens, períodos históricos e legado para a humanidade.

Introdução

Estudar a Grécia Antiga é revisitar as raízes do pensamento ocidental. Localizada no sudeste da Europa, a civilização grega floresceu entre aproximadamente 2000 a.C. e 146 a.C., deixando um legado que atravessa os séculos e se faz presente nas estruturas políticas, filosóficas e artísticas do mundo contemporâneo.

Mais do que relatos de mitos e batalhas, a história da Grécia Antiga é a história da busca pelo conhecimento, da valorização da razão e do desenvolvimento de ideais que fundamentam a sociedade moderna (FUNARI, 2001).

Formação e Contexto Histórico

A civilização grega teve início com a fusão de diversos povos que migraram para a região da península balcânica. As primeiras civilizações pré-gregas, como a Cretense (ou Minoica) e a Micênica, já apresentavam traços sofisticados em termos de arquitetura, navegação e organização social (GOMES, 2018).

Com o tempo, e após períodos de instabilidade conhecidos como "Idade das Trevas Grega", surgiram as famosas cidades-estado (pólis), como Atenas e Esparta, que passaram a dominar a paisagem política e cultural da região (OLIVEIRA, 2016).

 Períodos Históricos da Grécia Antiga

A história grega pode ser dividida em períodos distintos:

  • Período Pré-Homérico (2000 a.C. – 1100 a.C.): Formação das primeiras civilizações.
  • Período Homérico (1100 a.C. – 800 a.C.): Tempo de mitos e tradições orais.
  • Período Arcaico (800 a.C. – 500 a.C.): Consolidação das pólis e expansão cultural.
  • Período Clássico (500 a.C. – 338 a.C.): Auge cultural e político, com destaque para Atenas.
  • Período Helenístico (338 a.C. – 146 a.C.): Expansão da cultura grega após as conquistas de Alexandre, o Grande (POMER, 2011).

 Legado da Grécia Antiga

Os ideais políticos, filosóficos e artísticos desenvolvidos pelos gregos moldaram profundamente o Ocidente. A democracia ateniense, as reflexões filosóficas de Sócrates, Platão e Aristóteles, a tragédia teatral e a arquitetura monumental são apenas algumas das contribuições que permanecem como referências até os dias atuais (REZENDE, 2014).

Considerações Finais

Iniciar a compreensão da Grécia Antiga é compreender a própria essência da civilização ocidental. Este artigo abre uma série que buscará detalhar as múltiplas facetas deste povo fascinante, cujo legado ultrapassou fronteiras e épocas, perpetuando-se como um dos pilares do conhecimento humano.

Referências

FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2001.

GOMES, Pedro. História da Grécia Antiga: Sociedade e Cultura. Rio de Janeiro: Vozes, 2018.

OLIVEIRA, João Batista. Civilização Grega: Origem, Cultura e Legado. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.

POMER, Roy. O Mundo Grego Antigo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2011.

REZENDE, Flávio. A Herança Grega: Filosofia, Arte e Política. São Paulo: Saraiva, 2014.