Radio Evangélica

sábado, 29 de dezembro de 2012

Piero Corsi, pároco italiano misógino e homofóbico, não dá o braço a torcer



Le Monde
Philippe Ridet

Não sabemos se Piero Corsi, polêmico padre da paróquia de San Terenzo, em Ligúria, na Itália, ama ao próximo. Mas uma coisa é certa: ele ama menos à próxima.

Prova disso é o folheto que ele afixou na porta de sua igreja no Natal, no qual se podia ler: "as mulheres que provocam com suas roupas sumárias, que se afastam da vida virtuosa e da família e provocam os instintos, devem fazer um saudável exame de consciência e se perguntar: será que não estamos procurando?"
Pergunta puramente retórica. Para Piero Corsi, a resposta é inequívoca: as mulheres italianas merecem o que recebem. "Quantas relações adúlteras são mantidas", insiste Corsi, "no trabalho, no cinema, nas academias? É assim que se chega à violência e aos abusos sexuais."
Em 2012, segundo as contas macabras da imprensa, 108 mulheres foram assassinadas por seus maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros na Itália. O fenômeno se tornou tão corrente que foi preciso criar o substantivo "femminicidio", que pode ser traduzido por "femicídio", para caracterizá-lo. Por aí se vê que Corsi está por dentro do assunto.
O padre, de cabelos curtos e grisalhos, de estilo capelão militar, não se deixou abalar pelas primeiras críticas suscitadas por seu ataque. A um jornalista da RAI, o canal público de televisão, que lhe pediu para argumentar seu pensamento, ele respondeu, agregando homofobia à misoginia: "Mas se você não sente nada diante de uma mulher nua que passa na sua frente, isso quer dizer que você é um veado". Por aí também se vê que Corsi entende de nuances.

"Alguns dias de descanso"

O constrangimento da Igreja é real. O bispo de La Spezia, dom Ernesto Palletti, lhe ordenou que retirasse seu cartaz, o que o padre logo fez. Seu conteúdo fere o sentimento geral de condenação da violência contra as mulheres, avaliou o bispo local, acrescentando que ele havia encontrado ali "motivações inaceitáveis que vão de encontro ao sentimento comum da Igreja" sobre esses assuntos.
Só que não é fácil fazer um padre se calar. As autoridades eclesiásticas acreditavam ter conseguido, quando, na quinta-feira (27) pela manhã, um comunicado assinado por Corsi anunciava sua intenção de renunciar a seu sacerdócio, do qual ele agora se considerava "indigno".
Ele afirmava esperar "um dia reencontrar a serenidade", que visivelmente lhe havia faltado e reiterou suas desculpas "mais sinceras, não somente a todas as mulheres ofendidas por meu texto, mas também a todos aqueles que se sentem ofendidos por minhas palavras". Por aí se vê que Corsi entende de contrição.
Mas o belo conto de Natal do padre tomado pelo remorso terminou algumas horas mais tarde. Era um comunicado falso, como explicou o próprio padre a seu bispo, que já não sabe mais para que santo rezar. Ele não se demitirá de sua função. Em compensação, tirará "alguns dias de descanso" para se recuperar do "stress dessas últimas horas".
Tradutor: Lana Lim

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