Radio Evangélica

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Chega a seis número de corpos resgatados de queda de ponte no Maranhão

 Buscas tinham sido interrompidas devido a risco de contaminação do rio

Mergulhadores da Marinha e dos Corpos de Bombeiros do Maranhão, Tocantins e Pará encontraram mais dois corpos, subindo para seis o número de vítimas da queda da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). O acidente foi no último domingo (22), e as buscas foram retomadas na tarde de ontem (25). Onze pessoas continuam desaparecidas.

Trabalham no resgate subaquático 29 mergulhadores. Segundo o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o corpo de uma das vítimas estava dentro de um caminhão, que caiu no rio no momento do acidente.

Os trabalhos foram retomados após confirmação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que emitiu parecer técnico afirmando não haver risco de contaminação nas águas do Tocantins. Havia o risco de que as águas do rio serem contaminadas com a queda de três caminhões que transportavam cerca de 25 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, produto químico corrosivo.

“Os mergulhadores enfrentam as características do rio, que dificultam a visibilidade e se somam à correnteza forte e à profundidade do local do acidente. Além disso, a presença de destroços da ponte e a carga perigosa dos caminhões (ácido sulfúrico e defensivos agrícolas), exige cuidado extra na segurança, uma vez que esses produtos representam risco para os mergulhadores”, disse a corporação.

Segundo os bombeiros, o uso de tecnologia de mapeamento e equipamentos específicos, como o SideScan Sonar, auxiliam na localização dos veículos que ficaram submersos. Em alguns pontos do rio, a profundidade chega a 40 metros.

Além disso, equipes de apoio psicológico estão presentes no local para oferecer suporte às famílias.

Nesta quinta-feira (26), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, decretou luto oficial de três dias em todo o estado. “Minha solidariedade aos que foram atingidos nessa tragédia. Reafirmo o nosso compromisso, junto às demais autoridades, em trabalhar para que as vítimas sejam resgatadas. Peço que Deus conforte o coração de todos!”, escreveu Brandão em uma rede social. 

Na segunda-feira (23), o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, já havia decretado luto oficial de três dias em todo o estado em memória às vítimas do desabamento da ponte. Em uma rede social, Barbosa disse que mantinha contato com o Ministério dos Transportes para encontrar soluções alternativas para o tráfego interrompido pela queda da ponte.

Uma das alternativas continua sendo a ponte que liga os dois estados, na cidade maranhense de Imperatriz. Ainda de acordo com Barbosa, a primeira balsa deve chegar até o fim de semana para fazer o transporte da população que precisa cruzar os estados do Tocantins e do Maranhão.

Imagem: Bombeiro Militar/Governo de Tocantins

Fonte: Agência Brasil

Destruição de drogas e protestos marcam dia tenso em Damasco

Um milhão de comprimidos de Captagon e quantidades significativas de canábis foram queimados pelas autoridades sírias, enquanto manifestantes tomaram as ruas pedindo maior inclusão e respeito aos cristãos no país


Canábis e aproximadamente um milhão de comprimidos de Captagon, conhecido como "droga jihadista" devido ao seu uso entre militantes, foram destruídos na última quarta-feira em Damasco. A operação foi conduzida por forças rebeldes sírias lideradas pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham, que havia apreendido os estoques em antigas bases militares e armazéns controlados pelo regime do ex-presidente Bashar al-Assad.

"Respondemos imediatamente ao relatório e encontramos o armazém. Foi revistado pelas unidades especiais de combate às drogas. Encontramos um armazém de Captagon com cerca de um milhão de comprimidos e cannabis. Destruímo-lo imediatamente na presença da administração geral de segurança do Ministério do Interior", afirmou Osama Al-Ayoubi, funcionário do departamento de segurança do Estado sírio.

Desde a queda do regime de Assad, instalações de produção de Captagon em escala industrial têm sido descobertas em várias partes da Síria, gerando um rendimento anual estimado de 9,5 mil milhões de euros. A guerra civil, que já dura quase 14 anos, devastou a economia do país e criou condições ideais para o crescimento dessa indústria ilícita, usada como fonte de financiamento tanto por milícias quanto por autoridades locais.

Paralelamente à destruição das drogas, centenas de manifestantes reuniram-se na capital para condenar a queima de uma árvore de Natal em uma cidade próxima de Hama. Gritando palavras de ordem como "Queremos proteger a nossa terra e as nossas casas! Queremos participar na governação do país", os manifestantes pediram maior tolerância e inclusão das minorias cristãs, que representam menos de 2% da população síria.

O episódio reflete as tensões persistentes na sociedade síria, que ainda luta para se reerguer dos danos causados por anos de conflito.

Fonte: EuroNews

Imagem: © Omar Sanadiki/Copyright 2024 The AP. All rights reserved

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Ásia relembra 20 anos do tsunami que devastou o oceano Índico

Cerimônias emocionam sobreviventes e homenageiam mais de 220 mil vítimas da tragédia

Uma sirene soou nesta quinta-feira (noite de quarta, 25, em Brasília) na cidade de Banda Aceh, na Indonésia, marcando o início das homenagens às mais de 220.000 vítimas do tsunami que varreu a costa do oceano Índico há 20 anos. Sobreviventes e familiares participaram das cerimônias na Grande Mesquita Baiturrahman, onde o toque da sirene por três minutos rememorou o momento exato em que um poderoso terremoto de magnitude 9,1 provocou ondas gigantescas em 26 de dezembro de 2004.

O desastre, que atingiu mais de uma dezena de países, da Indonésia à Somália, deixou um rastro de destruição e marcou profundamente a história da região. A Indonésia foi o país mais afetado, com cerca de 160.000 mortos em sua costa ocidental. Outros milhares de vidas foram perdidas no Sri Lanka, Índia, Tailândia e em outros países.

No Sri Lanka, onde mais de 35.000 pessoas morreram, estão previstas reuniões para relembrar eventos como o descarrilamento de um trem de passageiros que resultou na morte de cerca de 1.000 pessoas. Na Tailândia, onde o tsunami tirou a vida de mais de 5.000 pessoas, vigílias e uma cerimônia oficial organizada pelo governo prestarão homenagens às vítimas.

Imagem: © YASUYOSHI CHIBA

As informações são da Agência de Notícias AFP

PF vai investigar queda de ponte na divisa do MA e TO

 Parte da ponte desabou no domingo; são 4 mortes confirmadas até agora

Prefeitura de Estreito
 Prefeitura de Estreito
A Polícia Federal informou que começou a investigar a queda da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, entre o Tocantins e o Maranhão. Em nota divulgada na terça-feira (24), a corporação disse que o procedimento de investigação preliminar foi instaurado e que as ações serão conduzidas pelas superintendências regionais da Polícia Federal no Maranhão e no Tocantins. 

A estrutura, que fazia parte da BR-226 e ligava os estados do Tocantins e do Maranhão, desabou no domingo (22). Até o momento, as informações são de que quatro pessoas morreram e 13 estão desaparecidas.

“As diligências preliminares serão conduzidas pelas superintendências regionais da Polícia Federal no Maranhão (SR/PF/MA) e no Tocantins (SR/PF/TO). Além disso, um procedimento de investigação precedente foi instaurado e policiais federais já foram deslocados para coletar dados e evidências sobre o caso. As equipes também irão avaliar a multidisciplinariedade das perícias necessárias e identificar demandas de equipamentos técnicos para aprofundar as investigações”, informou a PF.

A PF disse ainda que deslocou uma equipe com cinco peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC/DITEC), sendo dois engenheiros civis, dois especialistas em local de crime e um especialista em meio ambiente, para a Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz. Os policiais vão reforçar os trabalhos periciais.

“A Polícia Federal destaca a importância de apurar as causas do acidente e os danos ambientais decorrentes, assegurando a responsabilidade dos envolvidos e contribuindo para a segurança e proteção da população e do meio ambiente”, diz a nota.

Além da PF, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) vai investigar as causas do acidente. O órgão informou que instaurou uma sindicância para apurar causas e responsabilidades sobre o desabamento da ponte.

Os trabalhos de apuração serão iniciados nesta quinta-feira (26), quando, segundo o diretor-geral do Dnit, Fabrício Galvão, “toda a comissão vai se deslocar para o local do desabamento e começará a fazer a coleta dos documentos necessários para as apurações. Inclusive pretendemos acionar órgãos externos ao DNIT para participarem dos trabalhos”.

Imagem: Prefeitura de Estreito refeitura de Estreito Prefeitura de Estreito Prefeitura de Estreito

Fonte: Agência Brasil

Trump promete retomar pena de morte para crimes graves nos EUA

 Ex-presidente critica decisão de Biden e promete ação enérgica ao assumir o cargo

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (24), por meio de sua plataforma de mídia social Truth Social, que instruirá o Departamento de Justiça a "buscar vigorosamente" a pena de morte para crimes cometidos por "estupradores violentos, assassinos e monstros". A declaração veio após o anúncio do presidente atual, Joe Biden, na segunda-feira, de que comutou as sentenças de 37 dos 40 presos federais no corredor da morte, convertendo-as em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

"Assim que eu for empossado, instruirei o Departamento de Justiça a buscar vigorosamente a pena de morte para proteger as famílias e crianças americanas", afirmou Trump, reforçando sua postura de endurecimento no combate a crimes graves.

Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump reiniciou as execuções federais, que estavam suspensas há quase 20 anos. Em contrapartida, Biden, que assumiu a presidência em janeiro de 2021, adotou uma política contrária à pena de morte, suspendendo execuções federais e agora convertendo sentenças.

A equipe de transição de Trump criticou duramente a decisão de Biden, classificando-a como "abominável" e alegando que favorece criminosos "entre os piores assassinos do mundo".

O debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos promete ser um tema central nos próximos meses, à medida que Trump se prepara para iniciar seu novo mandato em 20 de janeiro.

Imagem: Donald Trump em Phoenix 22/12/2024 REUTERS/Cheney Orr /© Thomson Reuters

Com informações da Reuters.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Ibovespa cai 1,09% e atinge menor nível desde junho

Pressão cambial e incertezas fiscais marcam reta final de 2024 para a Bolsa brasileira

O Ibovespa iniciou a semana em queda, recuando 1,09% nesta segunda-feira (23) e encerrando o dia aos 120.766,57 pontos, menor nível desde 20 de junho. O índice acumula perda de 3,90% no mês e de 10,00% no ano, aproximando-se de sua pior performance anual desde 2021, quando registrou queda de quase 12%.

A sessão foi marcada por incertezas no câmbio e na curva de juros doméstica, além de preocupações fiscais que seguem pressionando o mercado. O volume negociado na B3 alcançou R$ 20,6 bilhões, com o índice oscilando entre a mínima de 120.617,32 e a máxima de 122.104,68 pontos, registrada no início do dia.

No mercado cambial, o dólar à vista chegou a ser negociado a R$ 6,2010 na máxima do dia, fechando em alta de 1,86%, a R$ 6,1851.

Destaques da Bolsa

Entre as principais ações do Ibovespa, apenas Vale ON (+0,42%) e Petrobras ON (+0,76%; PN +0,03%) fecharam em alta. Por outro lado, grandes bancos, como Santander Unit (-3,09%) e Itaú PN (-1,94%), puxaram o índice para baixo.

Na ponta positiva, as maiores altas foram de Hypera (+3,32%), Suzano (+2,72%) e IRB (+2,42%). Já as maiores quedas ficaram com Automob (-19,05%), após forte valorização na semana passada, além de Azul (-9,34%) e Brava (-7,67%). Dos 87 papéis que compõem a carteira do Ibovespa, apenas 13 encerraram o dia em alta.

Perspectivas para o mercado

Felipe Moura, analista da Finacap, explica que o baixo volume negociado nesta reta final de ano, devido aos feriados de Natal e Ano Novo, tende a reduzir a volatilidade no curto prazo. “O mercado ainda reflete incertezas no cenário fiscal e econômico, o que mantém os investidores defensivos”, afirmou.

Já Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, destacou que, embora o avanço do pacote fiscal no Congresso tenha sido bem recebido, a desidratação das medidas reforça a cautela sobre o cumprimento de metas fiscais. “Essa falta de clareza fiscal aumenta a aversão ao risco, e é provável que o viés conservador persista até o início de 2025”, avaliou.

Expectativas para janeiro

Com o início de um novo ano, o mercado espera maior movimentação, à medida que gestores de carteira ajustam suas estratégias. “Janeiro será agitado, com investidores avaliando se é o momento de assumir mais riscos ou adotar uma postura ainda mais cautelosa”, concluiu Moura.

Fonte: InfoMoney

Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli

Confiança da Construção sobe em dezembro, mas setor enfrenta desafios na contratação de trabalhadores

Índice de Confiança da Construção alcança 96,6 pontos, com perspectivas otimistas para 2025

O Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pelo FGV IBRE, registrou alta de 0,9 ponto em dezembro, atingindo 96,6 pontos. Apesar da melhora, a média móvel trimestral apresentou queda de -0,2 ponto, marcando o segundo resultado negativo consecutivo.

De acordo com Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, o índice encerra 2024 ligeiramente acima do patamar de dezembro de 2023, refletindo um pessimismo moderado. "Embora o mercado de trabalho esteja aquecido e o setor tenha se beneficiado de investimentos em infraestrutura e mercado imobiliário, as dificuldades na contratação de trabalhadores impactaram os negócios. No entanto, a confiança em dezembro é positiva, com um número maior de empresas esperando crescimento na demanda em comparação às que preveem queda", avaliou.

Índice de Confiança da Construção alcança 96,6 pontos, com perspectivas otimistas para 2025

O Índice de Confiança da Construção (ICST), divulgado pelo FGV IBRE, registrou alta de 0,9 ponto em dezembro, atingindo 96,6 pontos. Apesar da melhora, a média móvel trimestral apresentou queda de -0,2 ponto, marcando o segundo resultado negativo consecutivo.

De acordo com Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, o índice encerra 2024 ligeiramente acima do patamar de dezembro de 2023, refletindo um pessimismo moderado. "Embora o mercado de trabalho esteja aquecido e o setor tenha se beneficiado de investimentos em infraestrutura e mercado imobiliário, as dificuldades na contratação de trabalhadores impactaram os negócios. No entanto, a confiança em dezembro é positiva, com um número maior de empresas esperando crescimento na demanda em comparação às que preveem queda", avaliou.

Percepção atual e expectativas

A alta do ICST foi impulsionada pela melhora tanto na avaliação do momento atual quanto nas expectativas futuras. O Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 0,3 ponto, alcançando 95,8 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST) avançou 1,5 ponto, atingindo 97,6 pontos.

Os componentes do ISA-CST apresentaram variações distintas:

  • O indicador de volume de carteira de contratos cresceu 2,8 pontos, chegando a 96,9 pontos.
  • Por outro lado, o indicador de situação atual dos negócios caiu 2,1 pontos, para 94,7 pontos.

No âmbito das expectativas, ambos os componentes do IE-CST avançaram:

  • O indicador de demanda prevista nos próximos três meses subiu 2,6 pontos, atingindo 100,7 pontos.
  • Já o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses avançou 0,4 ponto, alcançando 94,4 pontos.

Utilização da capacidade

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) da Construção registrou leve queda de -0,1 ponto percentual (p.p.), para 78,9%. O NUCI de Mão de Obra também variou negativamente em -0,1 p.p., ficando em 80,3%, enquanto o NUCI de Máquinas e Equipamentos avançou 0,4 p.p., alcançando 73,6%.

Com investimentos significativos no setor ao longo de 2024 e perspectivas de continuidade em 2025, o mercado da construção se mantém em um cenário desafiador, mas com sinais de otimismo no horizonte.

 

Projeto obriga rodovias brasileiras a adotarem gestão de segurança e qualidade

Medida visa alinhar normas nacionais às práticas internacionais de segurança rodoviária

O Projeto de Lei 710/24 propõe que a administração de rodovias federais, estaduais e municipais adote sistemas de gestão de qualidade e segurança em todas as etapas, desde a implantação até a restauração das vias. Aprovado no Senado, o texto agora segue em análise na Câmara dos Deputados.

A iniciativa altera o Sistema Nacional de Viação (Lei 12.379/11) e estabelece, entre outros pontos, a criação de canais de ouvidoria para facilitar o relato de problemas e irregularidades nas rodovias. Segundo o texto, a União será responsável pela certificação da segurança de todas as rodovias federais pavimentadas até 2050. Já os estados e o Distrito Federal terão prazo até 2060 para certificar a boa administração das vias sob sua responsabilidade.

De autoria do senador Marcos do Val (Pode-ES), o projeto busca aproximar o Brasil das práticas internacionais de segurança rodoviária. "A adoção dessas medidas é fundamental para garantir estradas mais seguras e modernas, além de reduzir acidentes e salvar vidas", afirma o parlamentar.

Tramitação

O projeto será avaliado em caráter conclusivo pelas comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para ser sancionado, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Relator adia análise da Lei Orçamentária de 2025 para o próximo ano

Angelo Coronel justifica decisão com necessidade de cálculos mais precisos e base normativa consolidada

O senador Angelo Coronel (PSD-BA), relator do Projeto da Lei Orçamentária Anual de 2025 (LOA – PLN 26/2024), informou que a apreciação de seu relatório ficará para o próximo ano. Em nota divulgada à imprensa na noite desta quinta-feira (19), Coronel destacou a importância de analisar o Orçamento com cuidado e tempo, deixando a apreciação para a Comissão Mista de Orçamento (CMO) e o Congresso Nacional somente após o recesso parlamentar.

O relator reconheceu a urgência em avançar na análise do Orçamento, mas ressaltou que ainda aguarda informações consolidadas. Ele citou como exemplo as alterações no salário mínimo, que afetam despesas previdenciárias, benefícios sociais e metas fiscais. "As mudanças exigem cálculos e projeções mais precisos", argumentou Coronel.

Impacto das emendas e cenário fiscal

Coronel também apontou a recente aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO – PLN 3/2024) no Congresso, que recebeu "centenas de emendas" e ainda depende da análise do Executivo, com possibilidade de vetos. Segundo ele, a ausência de uma base normativa consolidada pode gerar um Orçamento desconectado da realidade fiscal do país.

— Sem um cenário fiscal delineado por todos os elementos votados e sancionados, corremos o risco de produzir uma peça orçamentária desalinhada com as prioridades e metas nacionais — destacou o senador na nota.

Prioridades nacionais e equilíbrio fiscal

Para Angelo Coronel, a decisão de adiar a análise não significa retardar o processo, mas garantir que o documento final retrate com precisão as prioridades nacionais, o equilíbrio das contas públicas e o compromisso com metas de médio e longo prazo.

O adiamento da apreciação do relatório reforça a interdependência entre o Orçamento de 2025 e o pacote fiscal do governo federal, cuja aprovação no Congresso ocorreu nesta quinta-feira. O senador frisou que o alinhamento de todas as peças legislativas é essencial para uma gestão pública eficiente e responsável.

A análise da LOA deve ser retomada no início do próximo ano, após a consolidação das informações e a definição de um cenário fiscal mais claro.

Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Fonte: Agência Senado

Senado aprova lei que estabelece novos limites para gastos públicos em caso de déficit primário

Projeto integra pacote fiscal do governo e visa economizar R$ 70 bilhões em dois anos

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (19) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 210/2024, que estabelece novas regras para conter gastos públicos em situações de déficit primário. A proposta foi aprovada com ampla maioria: 72 votos favoráveis, um contrário e nenhuma abstenção. Agora, o texto segue para sanção presidencial.

Entre as principais medidas, o projeto proíbe a concessão, ampliação ou prorrogação de incentivos tributários enquanto houver déficit primário — situação em que as receitas arrecadadas pelo governo são menores que as despesas, desconsiderando os juros da dívida pública. Também foram incluídas travas para o aumento de despesas com pessoal e autorização para o bloqueio parcial de emendas parlamentares não impositivas em casos de resultado negativo na economia.

O relator do projeto, senador Jaques Wagner (PT-BA), defendeu que o texto aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira (18) fosse mantido integralmente para evitar atrasos na tramitação. Segundo ele, a aprovação da proposta é essencial para viabilizar o pacote fiscal do governo federal, que tem como meta estabilizar a dívida pública e garantir previsibilidade econômica.

Economia e ajustes fiscais

De acordo com o governo, o pacote pode gerar uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos. Wagner destacou que o texto aprovado cria gatilhos fiscais robustos para reduzir os gastos obrigatórios e melhorar a gestão fiscal.

— Esse projeto é um passo decisivo para consolidar o ajuste fiscal e estabilizar as finanças públicas do país. Ele foi construído com responsabilidade e busca preservar o equilíbrio macroeconômico — afirmou o relator.

Por outro lado, o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou a proposta, afirmando que as estimativas de economia apresentadas pelo governo são "infladas".

— O que falta é confiança na condução das finanças públicas. Os cálculos reais indicam que a economia será muito menor, em torno de R$ 41 bilhões a R$ 42 bilhões em dois anos. Precisamos de medidas mais abrangentes para cortar despesas de forma significativa — argumentou Marinho.

Impacto nas emendas parlamentares

Um dos pontos mais debatidos foi a autorização para o governo bloquear ou contingenciar emendas parlamentares não impositivas, como as de comissões e do relator do Orçamento. Segundo o texto, esse bloqueio seguirá a proporção aplicada a outras despesas discricionárias, respeitando um limite de até 15% das dotações.

As emendas individuais e de bancada, consideradas impositivas, ficaram de fora da regra, garantindo sua execução obrigatória até um percentual da Receita Corrente Líquida (RCL).

Incentivos tributários e salários

O projeto também determina que, em caso de déficit primário, a União estará proibida de conceder novos incentivos tributários até que o superávit seja restabelecido. Da mesma forma, o aumento real de salários do funcionalismo público será limitado a 0,6% ao ano, com vigência até 2030, exceto em casos de decisões judiciais.

Outros destaques do projeto

  • Uso de fundos públicos: Entre 2025 e 2030, o governo poderá usar o superávit de cinco fundos nacionais para abater a dívida pública, incluindo o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) e o Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset).
  • Impacto no esporte: Senadores alertaram para possíveis prejuízos à Lei de Incentivo ao Esporte, que depende de renúncias fiscais. Leila Barros (PDT-DF) e Carlos Portinho (PL-RJ) pediram uma solução permanente para garantir o financiamento ao setor.
  • INSS: O crescimento de despesas com novos benefícios da Seguridade Social será limitado a 2,5% acima da inflação, seguindo as regras do Novo Arcabouço Fiscal.

Próximos passos

Além do PLP 210/2024, o pacote de ajuste fiscal inclui outras duas propostas: a PEC 45/2024, que também foi analisada pelo Senado, e o Projeto de Lei 4.614/2024, ainda em tramitação na Câmara. Com a sanção do PLP, o governo espera dar um primeiro passo para cumprir a meta fiscal a partir de 2025, buscando zerar o déficit público e fortalecer a confiança na economia.

A aprovação do projeto foi um marco importante, mas as discussões revelaram a complexidade de equilibrar cortes de despesas e a manutenção de políticas públicas essenciais. O cenário para os próximos anos ainda dependerá da implementação e dos resultados concretos das medidas propostas.

Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado

Fonte: Agência Senado