Radio Evangélica

terça-feira, 13 de maio de 2014

Linchamentos e crise dos valores morais



As vítimas dos linchamentos, que se tornaram comuns em toda América Latina (o continente mais violento do planeta), são consideradas inimigas pelos seus algozes: mas nisso reside um erro crasso, porque os verdadeiros inimigos são os grandes responsáveis pela situação de injustiça profunda, que é a causadora da intolerância, da impaciência, do rancor, da raiva e do ódio. O menosprezo ao humano comum, em lugar de desencadear uma rebeldia vertical (contra os de cima, contra os donos do poder injusto), se volta (horizontalmente) contra os oprimidos, os fracos, os débeis. Emaranhados em nossos labirintos individualistas, não captamos o sentido exato das coisas (muito menos as lógicas das relações de poder).
Alexis de Tocqueville (um historiador e pensador político francês - 1805-1859), em 1831, durante sua viagem aos EUA, descreveu a multidão que viu da seguinte maneira: "uma imensa quantidade de homens semelhantes e de igual condição girando, sem descanso, à volta de si mesmos, em busca de prazeres insignificantes e vulgares com que preenchem as suas almas. Cada um deles, colocando-se à parte, é como um estranho face ao destino dos outros" (em Riemen: 2012, p. 16). Vivemos lado a lado com as pessoas e não mais as conhecemos (porque só temos visão para nós mesmos).
O problema: toda sociedade composta (em sua expressão média) de um conglomerado de gente cuja existência se exaure ou se explica apenas em torno do viver, ou do sobreviver, jamais do conviver humanamente (o que só acontece quando todos os humanos são pessoas dotadas de dignidade, que jamais podem ser tratadas como coisas, como afirma o imperativo categórico de Kant), não passa de umasociedade de massas, que se caracteriza pela ausência de limites, tal como escreveu o filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883-1955), na década de 30 do século XX: "Viver é não encontrar limitação alguma; praticamente nada é impossível; nada é perigoso, ninguém é superior a ninguém". Ele é o autor da célebre frase "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça".
De acordo com Riemen (2012, p. 17), a sociedade de massas (que nada tem a ver com as sociedades pensantes e comprometidas com os valores mais relevantes para a vida digna) é o resultado inevitável do que Nietzsche previra com lucidez: o declínio dos valores morais, que chegou ao niilismo (ao nada). No final do século XIX Nietzsche estava convencido de que o ideal de civilização baseado em valores superiores havia perdido seu fundamento. A sociedade trocou seus valores e tudo que existe não é senão uma projeção do indivíduo; qualquer coisa que possa ter algum significado não significa nada, porque perdeu a sua validade universal.
Nas sociedades mais extremamente injustas, como a nossa (em que ¾ da população não conseguiram superar ainda sequer o patamar do analfabetismo funcional), o declínio dos valores morais superiores parece muito mais acentuado, porque cada um adota como preocupação do viver somente aquilo que entende ser conveniente. Vive-se, portanto, como um escravo dos seus desejos, emoções, impulsos, medos e dos preconceitos. Nada mais é absoluto, salvo a liberdade que cada um concede a si mesmo, liberdade de viver desenfreadamente conforme os seus impulsos. Tudo, então, parece aberrantemente permitido (inclusive tirar a vida das outras pessoas como se fossem insetos). É nesse tipo de sociedade que grande parcela dos habitantes do planeta está vivendo em pleno século XXI (tudo recordando o bellum omnium contra omnes de Hobbes: "guerra de todos contra todos").

Por Luiz Flávio Gomes

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Eleição equilibrada


Por enquanto a corrida presidencial apresenta um equilíbrio entre o governo, representado pela presidente Dilma e as oposições, resultado do conjunto dos dois candidatos mais viáveis, Aécio Neves e Eduardo Campos. A avaliação foi feita pelo cientista político Leonardo Barreto, de Brasília, durante evento sobre o momento político na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil, em Curitiba.
Análise
Barreto, que trabalha para uma consultoria de risco político na capital federal, mostrou tabelas com a evolução das principais pesquisas de opinião que mostra a aceitação do Governo Dilma – e as chances de sua reeleição – ainda em piso superior ao dos seus oponentes competitivos. Mas coloca o desdobramento da próxima Copa do Mundo como um ponto em aberto: se o evento for conduzido com sucesso, mesmo sem vitória da seleção brasileira, a atual ocupante do Planalto passará incólume para um eventual segundo turno.
Quanto aos dois competidores, ele situa o candidato Aécio Neves como mais beneficiado pelo apoio do empresariado, enquanto o ex-governador Eduardo Campos - embora com menos acesso a doações de vulto - pode ter um reforço com a popularização do nome da ex-ministra Marina Silva como sua candidata a vice. Já Dilma Rousseff será naturalmente favorecida nesse aspecto (de recursos financeiros de campanha) pela condição de titular do mandato presidencial.

Fonte: API ( Associação Paranaense de Imprensa)

domingo, 4 de maio de 2014

Anatel garante para julho serviço online de cancelamento de linhas



O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista Rezende, garante que a partir de 8 de Julho termina o calvário virtual do consumidor que não consegue ser atendido pelos call-centers para reclamações ou cancelar seu contrato com as telefônicas.
É o dia em que entra em vigor, por força de Resolução da Anatel, o serviço de cancelamento automático obrigatório nos sites das operadoras – o cidadão digita a linha e seu contrato, e num clique o encerra caso queira.
Será o enterro do gerúndio tanto falado pelos atendentes, o ‘vamos estar resolvendo’..As teles também terão direito: dois dias para tentar reconquistar o assinante. Então prepare os ouvidos.
‘É evidente que é mais uma pressão do usuário’, explica Rezende, sobre a resolução, fruto de um trabalho de consultas da Anatel aos consumidores.
Não é segredo no país: as teles lideram as reclamações nos Procons, por maus serviços ou pior, não atendimentos. É aquele suplício da chamada em espera que vai acabar.
O call center da Anatel, que atua como um ‘canal recursal’ após tentativas frustradas de consumidores nas teles, tem 330 atendentes e recebe 22 mil ligações por dia.

Fonte: http://colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br/2014/05/04/anatel-garante-para-julho-servico-online-de-cancelamento-de-linhas/

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O risco de ser morto no Brasil na Copa do Mundo


Se você está na Gávea, no Rio de Janeiro, e caminha dez minutos, chega a uma grande favela (uma das maiores do mundo). Essa caminhada de dez minutos significa a perda de mais de 13 anos na expectativa de vida (veja Empoli). O local em você se encontra retira anos da sua expectativa de vida. Muitos estrangeiros virão para o Brasil para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Talvez não tenham consciência exata dos riscos que estarão correndo. Somos o 15º país mais violento do planeta (conforme os números da ONU de duas semanas atrás) e das 50 cidades mais violentas do mundo, 16 estão aqui. São mais de 53 mil assassinatos por ano.
Imagine um estrangeiro de um desses países econômica e socialmente “escandinavizados” (Dinamarca, Suécia, Suíça, Bélgica, Holanda, Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul, Japão, Alemanha etc.). Nos seus países eles têm (em média) apenas um homicídio para cada 100 mil pessoas (veja nossas estatísticas no Instituto Avante Brasil)? Os Estados Unidos têm 5 (embora seja um império capitalista)? O Brasil tem 27? Quando um “escandinavizado” colocar os pés no Brasil, seu risco de vida já aumenta 27 vezes. E conforme a capital em que ele estiver, sua expectativa de vida vai reduzir drasticamente.
O que os “escandinavizados” estão mostrando para o mundo? O seguinte: quanto mais igualdade material e social, menos violência (menos crime). Esses países possuem as seguintes médias: PIB per capita de USD 50.084, Gini de 0,301 (pouca desigualdade e, ao mesmo tempo, pouca concentração da riqueza nas mãos de pouquíssimas pessoas), 1,1 homicídios por 100 mil habitantes, 5,8 mortos no trânsito por 100 mil pessoas, 18.552 presos (na média) e 98 encarcerados para cada 100 mil pessoas.
Vamos comparar os números (não os países): O Brasil conta com renda per capita de USD 11.340, Gini de 0,519 (0,51: país exageradamente desigual), 27,1 assassinatos para 100 mil pessoas, 22 mortos no trânsito para cada 100 mil, quase 600 mil presos, 274 para cada 100 mil habitantes. Somos 27 vezes mais violentos que a média dos países mais civilizados do planeta. A palavra chave para explicar tudo isso se chama igualdade, porém, não a igualdade puramente formal, sim, material, social, cultural etc. E isso se consegue por meio de (a) educação de qualidade para todos e (b) aumento da renda per capita.
A única maneira de salvar o planeta das tragédias anunciadas (rebelião dos pobres, revolução dos indignados, sangue das guerras, mutilações decorrentes dos conflitos etc.) é melhorar a qualidade de vida de todo mundo. Os “escandinavizados” (Suécia, Noruega, Islândia, Holanda etc.) são os únicos que estão salvando o capitalismo desigualitário do seu desastre final. São dignos de ser copiados. Não temos, portanto, que nos comparar a eles, sim, copiar o que eles estão fazendo de certo (e deixar de fazer as coisas erradas).

Por Luiz Flávio Gomes

domingo, 27 de abril de 2014

Vale a pena ser honesto e trabalhador no Brasil?


Fazendo uma análise geral no Brasil não vale a pena ser honesto e trabalhador.
Se formos analisar bem, a maioria dos criminosos são beneficiários do governo, onde na verdade quem sustenta é o trabalhador. Além de ser sustentado pelo trabalhador acha pouco e ainda rouba/assalta o trabalhador que consegue tudo com muito esforço e dificuldade. E ao cometer o crime tem um negocio chamado de Direitos Humanos, que deveria mudar de nome para “Direitos dos Bandidos”, pois para eles só quem é humano é bandido, cidadão de bem não é, pois nunca defende um cidadão de bem.
Se ele for preso passa pouco tempo na cadeia e volta às ruas para roubar de novo e se ficar preso fica na cadeia sendo sustentado com o dinheiro do trabalhador e ao sair da cadeia voltar a roubar. A cadeia deve ser muito boa, pois já vi gente saindo num dia e no outro já cometendo crimes, sabendo que a chance de voltar para a cadeia é enorme.
Fica a pergunta: vale mesmo a pena ser honesto e trabalhador no Brasil?


Joabson João

sábado, 26 de abril de 2014

A morte do coronel, a morte do bailarino e a morte do jornalismo. Ou: Será que a ditadura não mandou prender uma legião de anjos que havia lido o manual de guerrilha do Marighella?


Tudo indica que o coronel Paulo Malhães, aquele que confessou ter torturado pessoas durante o regime militar, tenha morrido de ataque cardíaco. Falarei a respeito daqui a pouco. Mas tenho algumas considerações prévias. Obsessão emburrece. Sempre. Quando veio a público a notícia da morte do coronel, escrevi algo curtinho porque processei todas as coordenadas, e a hipótese óbvia me pareceu fantasiosa. Escrevi então:


Voltei ao assunto nesta manhã e, movido pela pena de um certo sarcasmo lógico, afirmei que mais sentido faria que remanescentes da extrema-esquerda o tivessem matado, não da extrema-direita. Razão óbvia: aqueles estão organizados — alguns de seus próceres ou descendentes ideológicos estão no poder, afinal. Já o mais jovem membro do um eventual esquadrão de torturadores vingadores deve andar pelos 80 anos — o coronel tinha 76. Mas, como está lá evidente, escrevi que não acreditava nem numa coisa nem noutra. Só em crime comum.
É claro que tive de aguentar a malta de cretinos, afirmando que eu estaria tentando esconder alguma coisa. É mesmo? Por quê? Em nome de quê? Em defesa do regime que me perseguiu? Vão se catar!
Há muito tempo já, determinados temas não podem mais ser submetidos a um tratamento apenas jornalístico. Perca as esperanças de haver alguma serenidade e objetividade na cobertura da morte do dançarino Douglas Rafael da Silva, por exemplo. A hipótese — plausível, mas hipótese ainda — de que tenha sido morto por policiais serve para encobrir fatos óbvios, que compõem a equação: o narcotráfico preparou um happening durante o seu enterro, pedindo o fim das UPPs no morro; ele próprio, há três meses, expressou, em termos muito característicos, o seu lamento pela morte do traficante “Cachorrão”; o confronto com a polícia no dia do enterro contou com a ativa participação de black blocs, dos “militantes de sempre” e de agentes do tráfico.
Se foi mesmo a polícia, isso muda as responsabilidades ou as culpas? Não! Cadeia para os assassinos, uniformizados ou não, depois da devida apuração. Mas são fatos. Por que são omitidos dos telespectadores, dos leitores, dos ouvintes, dos internautas? Eles não têm o direito de saber e formar seu próprio juízo? Está em curso um processo de seleção de notícias para não provocar a fúria dos milicianos das redes sociais — aqueles asquerosos, muitos a soldo, que ficam patrulhando os meios de comunicação.
O mesmo se deu no caso de Paulo Malhães. Nem mesmo nos ocupamos de perguntar quem, afinal, havia atestado a morte por sufocamento. Alguém o encontrou de bruços, parece, com o rosto posto num travesseiro, e concluiu: “Foi asfixiado”. Agora, o guia de sepultamento traz como provável causa da morte um ataque cardíaco: edema pulmonar, isquemia de miocárdio e miocardiopatia hipertrófica.

Vejam bem: um guia de sepultamento não vale por uma autópsia. Mas um médico — a menos que fizesse parte, também, da quadrilha de assassinos, né? — não atestaria doenças degenerativas como causa da morte se fosse evidente a hipótese de assassinato por asfixia, o que deixa marcas. Mas fazer o quê?
Vivemos dias em que a mãe do bailarino assassinado ganha o status de perita criminal, o mesmo acontecendo com familiares de possíveis vítimas do coronel Paulo Malhães. Vivemos dias em que se buscam menos os fatos do que reconstruir uma narrativa do passado que esteja adequada aos valores influentes. Ainda voltarei a esse tema: Maria Rita Kehl, da Comissão da Verdade, por exemplo, parece não se conformar com o fato de que os mortos da ditadura sejam menos de 500. Para que a “narrativa ideológica” faça sentido, é preciso falar em milhares. Como não há fatos que justifiquem a sua tese ideológica, ela decidiu agora investir na hipótese de que sete mil índios tenham sido massacrados pela ditadura. Com base em quê? Ora, em relatos de alguns deles, escolhidos a dedo — jamais atestados por ninguém. A julgar pela fala de alguns deles, fica parecendo que os militares brasileiros jogaram napalm na selva. Mas deixo isso para outro post.
NÃO! NÃO ESTOU DESCARTANDO QUE O CORONEL POSSA TER SIDO ASSASSINADO. NÃO SOU LEGISTA. MAS O DOUTOR QUE ASSINA O GUIA DE SEPULTAMENTO É. Sim, nas redes sociais já começou a conversa mole de que também isso está sendo falsificado.
Se, amanhã, algum lunático afirmar que os militares, durante a ditadura, mandaram prender uma legião de anjos militantes, vinda do céu, para organizar no Brasil a luta de libertação do povo, com base do Minimanual da Guerrilha, de Carlos Marighella, muita gente vai acreditar. Afinal de contas, não há idiotas que sustentam até hoje que o próprio Marighella era um anjo? Ou, então, o outro Carlos, o Lamarca? Até de “poetas” eles já foram chamados. Malhães, porque torturava pessoas, era um bandido. E, para mim, essa designação lhe cai bem. Quanto aos outros dois, seja esmagando crânios de pessoas já rendidas, seja explodindo pessoas, viraram santos.
Mentir em pequenas ou em grandes proporções e criar marolas ideológicas são tarefas próprias da militância política. O jornalismo não tem o direito de fazer nem uma coisa nem outra. Ou passa a ser, também, militância política.


Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Quanto mais igualdade, menos crimes violentos


O processo de degeneração das políticas públicas de “combate” ao crime violento no Brasil está mais do que evidente. Enxugamos gelo com toalha quente e giramos sempre em torno do mesmo ponto (mais policiais, mais viaturas, mais presídios etc.). As explicações das autoridades, quando cobradas, são sempre as mesmas (não mudam de clichê). Sempre mais do mesmo (sem nunca alterar a realidade da criminalidade). Já não bastam reformas, necessitamos de revoluções. Somente uma maior igualdade entre todos pode mudar o panorama trágico do nosso país no campo da criminalidade violenta (ou mesmo convencional ou clássica). Temos que desconfiar das ideologias consumistas, que entronizam uma vontade superior concentradora das rendas que se coloca diante das vontades inferiores, de um povo subjugado e desarmado moral e politicamente.
A política criminal que mais êxito vem alcançando no mundo todo não é a vinculada com o capitalismo selvagem e/ou extremamente desigual (Brasil e EUA, por exemplo), sim, a realizada pelos países em processo de “escandinavização”, ou seja, de capitalismo evoluído, distributivo e tendencialmente civilizado (Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Islândia etc.). O que eles estão fazendo? Estão levando a sério a premissa de que sem liberdade econômica não existe liberdade política. E que condição essencial da liberdade econômica é que o humano disponha de trabalho estável, com salário digno (aumento da renda per capita), depois de ter se preparado para o mercado competitivo por meio de um ensino de qualidade.
Esses países estão revelando uma pista extraordinariamente clara no sentido de quequanto mais igualdade, menos delitos violentos. A ótica correta de enfocar o tema é a da igualdade, não a do seu oposto, da desigualdade. Porque nem sempre a desigualdade gera mais delitos. Sempre, no entanto, a igualdade produz menos crimes violentos. Os números de alguns países são impressionantes, especialmente no que diz respeito aos homicídios e roubos: [ veja a tabela aqui ]
Como os 18 países “escandinavizados” ou em processo de “escandinavização” vem conseguindo tanto triunfo na redução da criminalidade violenta? A principal tática não se resume na criação de estratégias endógenas de política criminal, sim, na conjugação da política criminal com a política econômica, que fixa uma relação saudável e sustentável entre o capital e o trabalho, que não pode nunca ser regida pela escravização (ou neoescravização) (tal como ocorre nos países de capitalismo selvagem e/ou extremamente desigual). O capital altamente civilizado nunca é uma potência opressiva e desavergonhadamente concentradora, além de alienante do trabalho, ao contrário, é a base da liberação econômica e, em consequência, política, do trabalhador.
Quanto menos igualdade, mais crimes violentos. Essa regra vale, por exemplo, para os EUA e para o Brasil (guardadas as devidas proporções entre eles). Os primeiros possuem índice Gini de 0,45 (país bastante desigual). A média do indicador Gini dos 18 países acima selecionados é de 0,31. A falta de igualdade nos EUA explicaria sua maior taxa de homicídios (quase 5 vezes mais que a média dos demais países listados) assim como a incidência maior do delito de roubo (quase o dobro dos países elencados). O Brasil é mais desigual ainda que os EUA: 85º no IDH, tem renda per capita de USD 11.340, Gini de 0,519 (0,51: país exageradamente desigual, o que significa uma altíssima concentração de renda). Resultado: 27,1 assassinatos para 100 mil pessoas, 22 mortos no trânsito para cada 100 mil, quase 600 mil presos, 274 detentos para cada 100 mil habitantes; para além de uma percepção exacerbada de corrupção (72º), é o 16º país mais violento do planeta e conta com 16 das 50 cidades mais sanguinárias do universo.
Por que o Brasil se tornou tão violento? Porque nunca soube domar o monstro do capitalismo selvagem (que aqui é fantasticamente centopéico e hecatônquiro), apresentando, em consequência, uma das políticas criminais mais desastradas e erradas do planeta (posto que alimenta continuamente a espiral da violência, da tragédia). [ Eis os nossos números aqui ]
Nossas taxas de violência desenfreada refletem um país que não cumpre nem sequer as regras mais elementares de uma nação civilizada e não alienada. Não levamos a sério até hoje que somente quando o humano alcança sua liberdade econômica é que ele pode realizar seus fins morais, de desempenhar com qualidade um bom trabalho, de se educar continuamente, de desfrutar da libre informação, da liberdade de reunião, da liberdade de autodeterminação etc. Numa democracia direta digital, onde o povo majoritário desbarbarizado é o corresponsável pelas principais decisões do país (país onde ele vive, onde ele cresce junto com sua família), torna-se prescindível a mediação onerosa e oprobriosa das classes dominantes. Marx imaginou que a luta de classes seria o caminho para a liberação e autonomia do humano. O processo de “escandinavização” está evidenciando que é o fim das distâncias enormes entre as classes que promove essa liberação e autonomia (eis um número invejável: na Islândia, 1,1 da população é muito rica, 1,5 está insatisfeita e 97% é classe média com alta renda per capita e excelente escolaridade). Sempre aprendemos que as utopias é que ampliavam nossos horizontes. Agora é o inverso: o horizonte já está aí, é ele que deve mover as nossas utopias.
Não faremos melhoras enquanto não nos conscientizarmos que a redução da criminalidade violenta está diretamente ligada à igualdade do país (escolarização de todos, aumento da renda per capita etc.) bem como ao modelo de política criminal que ele desenvolve (que deve priorizar a prevenção, em detrimento da repressão). O erro no Brasil começa que não temos políticas públicas socioeconómicas e educacionais eficazes nem sequer por aqui existe o império generalizado da lei repressiva (sempre preferimos o caminho errado da “severidade da pena” em lugar do rumo certo da “certeza do castigo”; sempre priorizamos a repressão à prevenção). Diante dessas gritantes deficiências, o poder público (com o apoio da própria população e da mídia) (a) incentiva o clima de guerra e de medo no país, (b) predispõe o cidadão para a sociedade hobbesiana (cessão de todos os direitos ao Estado), (c) edita leis penais alopradamente, (d) promove o encarceramento massivo sem critério, (e) mantém largo afrouxamento no controle dos órgãos repressivos, (f) dissemina a cultura das violações massivas dos direitos humanos e (g) desrespeita o devido processo legal e proporcional. Esse modelo fracassado de política criminal está saturado e, neste momento, apresentando nítidos e preocupantes sinais de degeneração, podendo gerar graves consequências de desagregação social.

Por: Luiz Flávio Gomes (http://professorlfg.jusbrasil.com.br/)

domingo, 20 de abril de 2014

Perseguição e reavivamento nos países da Bíblia

Cristãos que sofrem perseguição por sua fé em Jesus agradecem pelo apoio. Eles se mantêm firmes em Cristo nos países mais restritivos no Oriente Médio, onde a perseguição não é novidade

Em toda a Bíblia, o povo de Deus enfrentou opressão e oposição, especialmente durante a época da Páscoa. No Egito, os israelitas ficaram centenas de anos sob a escravidão. No Irã, o povo de Deus foi submetido ao genocídio nas mãos de um líder com uma imensa fome pelo poder, até que Deus usou Ester para salvar o seu povo. E em Israel, extremistas religiosos em coalisão com o poderoso Império Romano, assassinaram aquele que foi enviado para salvá-los!

Hoje o povo de Deus continua sofrendo ameaças nesses países bíblicos, já que houve um agravamento na perseguição aos cristãos. No entanto, através das orações e suporte de seus parceiros, a Portas Abertas tem conseguido equipar e dar apoio aos cristãos perseguidos, fazendo com que eles vejam o Reino de Deus em primeiro lugar, ao invés da crescente oposição.

Egito: a igreja cresce à medida que as ameaças se intensificam
Cristãos egípcios têm vivenciado crescente oposição e ameaça desde que a Primavera Árabe teve início. Para muitos deles, a incerteza política trouxe uma nova dependência de Deus – e as oportunidades para testemunhar de Cristo têm crescido apesar das dificuldades. De fato, nos últimos meses, houve múltiplos eventos de evangelização, com mais de 15 mil pessoas se comprometendo com Cristo!

"Eu estava impressionado com o espírito de amor que se espalhou em todos os lugares, vindo de pessoas que vêm sofrendo severas ondas de ataques por muçulmanos fanáticos", compartilhou um dos presentes.

Irã: jovens têm fome de Cristo enquanto as autoridades reprimem De acordo com o regime iraniano, aqueles que se convertem ao cristianismo são considerados apóstatas, um crime que é punido com morte. Quase toda e qualquer atividade cristã é ilegal.

Mesmo assim, Deus está trabalhando no Irã. Rafin e Nader, dois jovens cristãos convertidos do islamismo, são prova disso. E eles não estão sozinhos. "Muitos persas estão vindo para Cristo", afirma Nader. "Muitos são jovens estudantes universitários e até mesmo alguns dos seus professores estão pedindo Bíblias!".

Israel e o território palestino: a união brilha enquanto a escuridão espiritual se aprofunda
Israel e os territórios palestinos se encontram aparentemente definidos por uma profunda divisão e por um ódio feroz. E, em meio a tudo isso, muitos cristãos estão enfrentando perseguição por causa de sua fé. Apesar de tudo isso, a luz do evangelho está brilhando fortemente: cristãos israelenses e palestinos têm encontrado a verdadeira união em Jesus.

Nos últimos meses, um grupo de adolescentes cristãos do Território Palestino e Israel têm feito exatamente isso, formando um grupo de dança para compartilhar o evangelho na região. "Sem Deus, nós não poderíamos fazer isso juntos", explica o adolescente Achi-Noam, 16 anos, de Jerusalém. "Nós vamos contra a correnteza ao escolher não participar da disputa entre judeus e árabes".

Em todas as terras bíblicas, o povo de Deus está vivenciando ameaças intensas e pressões – assim como eles sempre tiveram. Mas, juntamente com as dificuldades, vêm também as oportunidades de crescimento da igreja e de evangelização, expandido o Reino de Deus, onde a fé tem o mais alto preço. O apoio de parceiros engajados com a causa da Igreja Perseguida permite que a Portas Abertas envie colaboradores para continuar apoiando e fortalecendo a igreja. Suas orações e doações fazem a diferença. Obrigado por apoiar a Igreja a crescer nesses países!

Fonte: Portas Abertas Internacional

Tradução: Cecília Padilha



terça-feira, 15 de abril de 2014

Direitos humanos ou direito dos infratores?


Sempre que acontece um crime e um suspeito pelo crime e até mesmo um réu confesso é preso sempre aparecem  os direitos humanos para defender os acusados.
A alegação sempre é que os infratores são vítimas do sistema. E como ficam as vitimas desse infrator? Pois os direitos humanos nunca estão do lado das vítimas.
Um amigo me falou que realmente os direitos humanos realmente surgiram para defender os infratores e não as vítimas dos mesmos. Então esse nome tem que mudar no lugar de “humanos” colocam “infratores”. Se tem esse título a ideia é para defender todos. Pois por acaso a vítima deixa de ser humana e o infrator passa a ser humano quando comete um crime?
Esse tal de direitos humanos só teria credibilidade de também defendesse vítimas e apoiasse familiares das vítimas, mas só defende infratores. Então mude o nome para direito dos infratores.

Joabson João


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cuba usou Porto de Mariel, financiado pelo Brasil, para vender armas à Coreia do Norte


Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto no próximo post.
A construção do Porto de Mariel, em Cuba, ganhou o noticiário nos últimos meses porque o governo brasileiro concedeu, via BNDES, um empréstimo de 682 milhões de dólares à ditadura cubana para assegurar a obra – dois terços do valor total estimado para o porto. Além disso, os detalhes da transação foram estranhamente mantidos em sigilo. Em janeiro deste ano, a presidente Dilma Rousseff esteve na ilha dos irmãos Castro para a inauguração oficial do terminal portuário.
Mas a história não acaba aí: um relatório elaborado por um painel de especialistas do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que Cuba utilizou o Porto de Mariel para abastecer com 240 toneladas de armamento um navio norte-coreano, em descumprimento a sanções internacionais contra o regime autoritário da Coreia do Norte. A operação, realizada há menos de um ano, fracassou porque a carga secreta foi descoberta por autoridades do Panamá, já no caminho de volta à Ásia.
Por causa do flagrante, foi possível encontrar os registros de navegação e reconstituir a rota do navio: em 4 de junho, o cargueiro Chong Chon Gang parou em Havana, onde descarregou rodas automotivas e outros produtos industriais. Em 20 de junho, o navio aportou secretamente em Mariel. Lá, o material bélico foi embarcado. Em 22 de junho, o Chong Chon Gang chegou a Puerto Padre, onde recebeu a carga de açúcar que seria usada na tentativa de esconder o armamento.
A maior parte da carga era formada por componentes que seriam usados em mísseis terra-ar, dos modelos C-75 Volga e C-125 Pechora. Dois caças MiG-21, desmontados, estavam no carregamento. Muita munição foi encontrada. Também havia lançadores de mísseis, peças de radares, antenas, transmissores e geradores de energia. Para diminuir os riscos, parte do material enviado recebeu uma nova mão de tinta: os containers perderam a cor verde, indicativa da carga militar, e foram pintados de azul.
Entre os fatos que chamaram a atenção dos investigadores, aparece justamente a escolha pelo Porto de Mariel: o relatório cita que a opção, em detrimento de Havana e Puerto Padre, é mais uma prova das más intenções de cubanos e norte-coreanos. “A carga foi aceita pelo navio sem os documentos básicos de envio, recibos de carregamento, relatórios de carregamento e relatórios de inspeção de carga”, diz o texto da ONU. O navio Chon Chong Gang trazia uma declaração falsa de que carregava apenas açúcar-mascavo. E, na lista de portos pelos quais a embarcação passou, não há referência a Mariel.
Os dois governos admitem que Cuba estava enviando as armas para a Coreia do Norte, mas alegam que o material passaria por reparos e seria devolvido à ilha dos irmãos Castro. O painel da ONU não se convenceu: o fato de a carga estar escondida se soma a orientações por escrito, encontradas a bordo, orientando a tripulação a preparar uma declaração falsa e enganar as autoridades do Panamá. O relatório fala em “clara e consciente intenção de burlar as resoluções”.
As sanções que proíbem a venda de armas para a Coreia do Norte são consequência da insistência do regime comunista em manter seu projeto nuclear, inclusive para fins militares.


Por Reinaldo Azevedo