Radio Evangélica

terça-feira, 11 de março de 2025

Indústria nacional mantém estabilidade em janeiro

Produção industrial interrompe três meses de queda e apresenta crescimento no acumulado do ano

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A produção industrial brasileira manteve-se estável em janeiro de 2025, com variação nula (0,0%) em relação a dezembro de 2024, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe uma sequência de três meses de queda, período em que a indústria acumulou retração de 1,2%.

Na comparação com janeiro de 2024, o setor registrou crescimento de 1,4%, marcando o oitavo mês consecutivo de resultados positivos nessa base de comparação. No acumulado dos últimos doze meses, a indústria avançou 2,9%, embora tenha apresentado um ritmo de crescimento mais moderado.

Destaques setoriais

Entre as quatro grandes categorias econômicas, três registraram crescimento na passagem de dezembro de 2024 para janeiro de 2025. O setor de bens de capital teve o maior avanço, com alta de 4,5%, seguido por bens de consumo duráveis (4,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (3,1%). Em contrapartida, bens intermediários apresentaram queda de 1,4%.

Dentre os segmentos industriais, as maiores influências positivas vieram da produção de máquinas e equipamentos (6,9%) e de veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%). Outros setores que também se destacaram foram produtos de borracha e material plástico (3,7%), artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (9,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,8%).

Por outro lado, seis atividades registraram redução na produção, com destaque negativo para as indústrias extrativas (-2,4%), que interromperam dois meses consecutivos de crescimento. O setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,1%), celulose, papel e produtos de papel (-3,2%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,7%) também impactaram negativamente o índice geral.

Análise da média móvel trimestral

A média móvel trimestral da produção industrial apresentou variação negativa de 0,3% no trimestre encerrado em janeiro de 2025, sinalizando um desaquecimento da atividade industrial. Os setores de bens intermediários (-0,5%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,5%) foram os principais responsáveis por esse resultado, enquanto bens de capital (0,1%) foi a única categoria com resultado positivo.

Crescimento anual

Na comparação com janeiro de 2024, o crescimento de 1,4% da indústria foi impulsionado por três das quatro grandes categorias econômicas e por 17 dos 25 ramos industriais pesquisados. Destaque para os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (13,4%), máquinas e equipamentos (14,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (11,9%).

Os segmentos que registraram queda na produção em relação ao mesmo período do ano passado incluem indústrias extrativas (-5,2%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,8%).

Perspectivas

O avanço da produção industrial em janeiro de 2025 reforça uma tendência positiva observada nos últimos meses, embora o crescimento ainda seja moderado. O desempenho do setor dependerá de fatores como a demanda interna, políticas econômicas e o cenário internacional, que pode influenciar diretamente as exportações e o custo dos insumos industriais.

A indústria segue em um momento de recuperação gradual, mas ainda enfrenta desafios que podem impactar seu crescimento ao longo do ano.

Receita Federal lança App MEI para facilitar a rotina dos Microempreendedores Individuais

Novo aplicativo oferece serviços centralizados, mais segurança e evita atrasos no cumprimento de obrigações fiscais

A Receita Federal anunciou, na última segunda-feira (10), o lançamento do App MEI, uma ferramenta desenvolvida para tornar a rotina dos Microempreendedores Individuais (MEI) mais prática e segura. O aplicativo reúne diversos serviços essenciais em um só lugar, permitindo que os usuários consultem débitos, emitam guias de pagamento e transmitam a Declaração Anual Simplificada (DASN-Simei), reduzindo burocracias e evitando multas por atrasos.

Entre as principais funcionalidades do App MEI estão:

  • Consulta da situação dos períodos de apuração;
  • Emissão do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) para pagamento mensal;
  • Verificação de débitos no SIMEI e acompanhamento de parcelas em atraso;
  • Consulta e transmissão da DASN-Simei;
  • Solicitação e acompanhamento de restituições de pagamentos duplicados;
  • Consulta de informações do CNPJ e do SIMEI;
  • Emissão do Comprovante CCMEI;
  • Acesso ao “Perguntas e Respostas MEI e Simei”.

Além dessas funcionalidades, o aplicativo envia notificações importantes, como lembretes sobre vencimentos e alertas contra fraudes. Para garantir o recebimento dessas mensagens, é necessário manter as notificações ativadas no celular.

O acesso ao App MEI é realizado por meio da autenticação na plataforma gov.br, proporcionando maior segurança aos usuários. O aplicativo já está disponível gratuitamente para download na Google Play e na App Store.

O Marquês de Aguiar: Fernando José de Portugal e Castro e sua Influência na Administração do Brasil Joanino

Este artigo analisa a trajetória de Fernando José de Portugal e Castro, o Marquês de Aguiar, destacando sua atuação política e administrativa durante o período joanino no Brasil (1808-1821). Como Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Brasil, ele desempenhou um papel fundamental na organização governamental e na modernização do território colonial após a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro. Serão abordadas suas principais medidas administrativas, suas relações políticas e seu impacto na transição do Brasil para um modelo de gestão mais autônomo.

Introdução

Com a chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808, um novo aparato administrativo foi implementado para adaptar a colônia à presença da monarquia. Entre os nomes de destaque estava Fernando José de Portugal e Castro, que assumiu importantes funções na administração joanina. Sua experiência anterior como vice-rei da Índia Portuguesa contribuiu para a sua capacidade de gestão e implementação de políticas no Brasil.

Contexto Político e Administrativo

Fernando José de Portugal e Castro foi nomeado Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Brasil em um período de grande transformação. Dentre suas principais ações, destacam-se:

  • A estruturação do sistema burocrático para gerir o Brasil como sede do império português;
  • O fortalecimento da administração pública com a criação de instituições que garantiam maior controle sobre a colônia;
  • O incentivo ao desenvolvimento econômico e político do Brasil, facilitando a abertura dos portos e a implementação de medidas modernizadoras.

Medidas Administrativas e Reformas

A gestão do Marquês de Aguiar contribuiu significativamente para a organização do Brasil enquanto território de gestão direta da Coroa. Algumas de suas medidas mais importantes incluem:

  • Abertura dos Portos (1808): Apoio à decisão de Dom João VI de permitir o comércio direto do Brasil com outras nações;
  • Criação de Novas Instituições: Expansão da estrutura administrativa e estabelecimento de novos órgãos governamentais no Brasil;
  • Reformas Militares e de Segurança: Fortalecimento das forças militares locais e organização de uma administração mais eficiente da justiça colonial.

Impacto e Legado

A atuação de Fernando José de Portugal e Castro foi fundamental para a preparação do Brasil rumo à sua futura independência. Sua gestão permitiu uma maior autonomia administrativa e econômica, que foi essencial para o fortalecimento da identidade brasileira. Além disso, suas reformas ajudaram a consolidar a presença portuguesa no Brasil até a Independência em 1822.

Conclusão

O Marquês de Aguiar foi uma figura essencial na administração do Brasil joanino. Seu papel na modernização da gestão política e econômica da colônia teve impactos duradouros, preparando o Brasil para a sua emancipação. Seu legado demonstra a importância da gestão eficiente e da política administrativa na transição de um território colonial para um país independente.

Referências Bibliográficas

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

CARVALHO, José Murilo de. A Construção da Ordem: A Elite Política Imperial. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1980.

HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

LYRA, Maria de Lourdes Viana. A História da Corte no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1995.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um Monarca nos Trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SILVA, Alberto da Costa e. A História do Brasil Através de Seus Governantes. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2006.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Dólar sobe a R$ 5,85 com temor de recessão nos EUA

Bolsa acompanha mercado externo e cai 0,41%

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Num dia de turbulência no mercado global, o dólar teve forte alta e voltou a fechar acima de R$ 5,80 com temor de recessão nos Estados Unidos. A bolsa de valores acompanhou a movimentação global e caiu após três altas seguidas.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (10) vendido a R$ 5,852, com alta de R$ 0,061 (+1,06%). A cotação chegou a cair durante a manhã, chegando a R$ 5,77 na mínima do dia, por volta das 12h, mas inverteu a trajetória e passou a subir em reação a declarações do presidente Donald Trump.

Na máxima do dia, por volta das 16h10, chegou a R$ 5,87.

Apesar da alta desta segunda-feira, a moeda norte-americana cai 5,3% em 2025. Em março, a divisa registra queda de 1,08%.

Bolsa de Valores

No mercado de ações, o dia também foi marcado pela instabilidade. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 124.519 pontos, com recuo de 0,41%.

Mesmo com a queda, a bolsa brasileira saiu-se melhor que as bolsas norte-americanas. Em Nova York, o índice Dow Jones, das empresas industriais, caiu 2,08%. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, perdeu 4%. O S&P 500, das 500 maiores empresas, recuou 2,7%.

Apesar de alguns fatores domésticos, o cenário global pesou mais.

O receio de que os Estados Unidos, a maior economia do planeta, entre em recessão intensificou-se após Donald Trump afirmar no domingo (9), em entrevista à televisão, que os Estados Unidos podem passar por um “período de transição” por causa de medidas como a imposição de tarifas comerciais e a falta de mão de obra decorrente da menor imigração.

Outro fator que prejudicou os países emergentes foi a divulgação de dados de deflação na China, provocada pelo menor consumo interno e pela estagnação do mercado de trabalho. Como o país asiático é o maior consumidor de bens primários do planeta, a notícia fez cair o preço das commodities (bens agrícolas e minerais com cotação internacional).

No Brasil, o mercado aumentou a previsão de inflação para este ano. O boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, elevou para 5,68% a estimativa de inflação para 2025.

*Com informações da Reuters

Fonte: Agência Brasil

Mercado financeiro projeta inflação de 5,68% em 2025

Boletim Focus manteve projeção de crescimento do PIB em 2,01%

Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,68%, ante 5,65% na semana passada.

A pesquisa Focus é realizada com economistas do mercado financeiro e é divulgada semanalmente pelo BC. Para 2026, o Focus projeta um índice inflacionário de 4,4%, o mesmo da semana passada. Para 2027, o mercado financeiro prevê IPCA em 4% e para 2028, 3,75%.

No ano passado, o IPCA, que leva em conta a variação do custo de vida de famílias com rendimento de até 40 salários mínimos, fechou o ano passado em 4,83%, acima do teto da meta, que era de 4,5%.

PIB

O boletim manteve a projeção de crescimento de 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país, para este ano. Para 2026, os agentes do mercado financeiro projetam um crescimento de 1,7% , a mesma da semana anterior.

Já para 2027, a projeção é de que o PIB fique em 2%, a mesma para 2028.

Taxa de juros

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, o Focus manteve a projeção da semana passada (15%) para 2025. A mesma das últimas nove semanas. 

Para 2026, a projeção do mercado financeiro é de que a Selic fique em 12,5%, também a mesma projetada na semana passada. Para 2027 e 2028, as projeções são de que a taxa fique em 10,5% e 10%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

No final de janeiro, o colegiado aumentou a Selic em 1 ponto percentual, com a justificativa de que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o centro da meta. 

O Copom destacou que os preços dos alimentos aumentaram de forma significativa, em função, dentre outros fatores, da estiagem observada ao longo do ano passado e da alta de preços de carnes, também afetada pelo ciclo do boi.

Com relação aos bens industrializados, o comitê apontou que o movimento recente de aumento do dólar pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses, o que tornou o cenário inflacionário mais adverso, demandando uma política econômica contracionista.

Ainda de acordo com o Copom, o cenário mais adverso para a convergência da inflação para o centro da meta (3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%) pode demandar um novo aumento de 1 ponto percentual na Selic na próxima reunião do comitê nos dias 18 e 19 de março.

Câmbio

Em relação ao câmbio, a previsão de cotação do dólar ficou em R$ 5,99 para 2025. Nesta segunda-feira a cotação da moeda está em R$ 5,78. No fim de 2026, a previsão é de que a moeda norte-americana fique em R$ 6. Para 2027, o câmbio também deve ficar, segundo o Focus, em R$ 5,90, a mesma para 2028.

Fonte: Agência Brasil 

Energia Solar: Potencial, Aplicações e Sustentabilidade

PixaBay
A energia solar surge como uma das fontes renováveis mais relevantes para atender às demandas energéticas globais de maneira sustentável. Baseando-se no aproveitamento da radiação solar, essa tecnologia contribui de forma significativa para a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a diversificação da matriz energética mundial. Este artigo apresenta uma análise acerca do potencial da energia solar, suas principais aplicações, vantagens, desafios e perspectivas futuras no contexto da transição energética.

INTRODUÇÃO

O aumento da demanda por energia, somado aos impactos ambientais decorrentes do uso intensivo de fontes fósseis, impulsionou o desenvolvimento e a busca por alternativas energéticas sustentáveis. Nesse cenário, a energia solar ganhou destaque em virtude de sua abundância, baixo impacto ambiental e viabilidade técnica. Atualmente, a energia solar fotovoltaica é a fonte renovável que mais cresce no mundo, consolidando-se como elemento fundamental na matriz energética global.

POTENCIAL DA ENERGIA SOLAR

A radiação solar incidente sobre a Terra equivale a aproximadamente 173 mil terawatts (TW) de potência contínua, quantidade que supera em larga escala o consumo energético mundial. Regiões de clima tropical, como o Brasil, apresentam elevado potencial para o aproveitamento da energia solar, com índices de irradiação superiores à média global, o que favorece a instalação de sistemas fotovoltaicos e heliotérmicos.

APLICAÇÕES DA ENERGIA SOLAR

As principais tecnologias associadas ao aproveitamento da energia solar são:

- Energia solar fotovoltaica: responsável pela conversão direta da luz solar em eletricidade, por meio de células fotovoltaicas.
- Energia solar térmica: utilizada para o aquecimento de água e ambientes, comumente aplicada em residências e estabelecimentos comerciais.
- Energia heliotérmica: tecnologia que utiliza concentradores solares para gerar calor, posteriormente transformado em eletricidade por meio de turbinas a vapor.

Essas tecnologias podem ser aplicadas em projetos residenciais, comerciais, industriais e no agronegócio, além de contribuir para sistemas de geração distribuída.

VANTAGENS E DESAFIOS

A energia solar apresenta diversas vantagens, como:

- Redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa.
- Baixo custo operacional após a instalação dos sistemas.
- Contribuição para a diversificação e segurança da matriz energética.

Entretanto, desafios ainda persistem, incluindo o elevado custo inicial de implantação, a necessidade de grandes áreas para usinas de grande porte e a intermitência da geração, que depende das condições climáticas.

PERSPECTIVAS FUTURAS

Espera-se que, com o avanço tecnológico, ocorra uma contínua redução nos custos dos equipamentos e um aumento na eficiência das células fotovoltaicas. Ademais, a integração com sistemas de armazenamento energético, como baterias de íon-lítio, tende a minimizar os efeitos da intermitência e a ampliar a competitividade da energia solar frente a outras fontes.

CONCLUSÃO

A energia solar representa uma alternativa estratégica para a consolidação de um modelo energético sustentável. Seu vasto potencial, aliado ao aprimoramento tecnológico e à necessidade de mitigação das mudanças climáticas, confirma seu papel central na matriz energética do futuro.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, P. R.; SILVA, J. F.; MOURA, T. M. Desafios e oportunidades da energia solar no Brasil. Revista Brasileira de Energias Renováveis, v. 10, n. 2, p. 45-60, 2021.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Renewables 2022: Analysis and forecast to 2027. Paris: IEA, 2022.

OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. S.; SANTOS, P. H. Energia solar e sustentabilidade: uma análise do crescimento mundial. Revista de Energia Limpa, v. 5, n. 1, p. 12-29, 2019.

PEREIRA, E. B. et al. Atlas brasileiro de energia solar. São José dos Campos: INPE, 2017.

SOUZA, A. L.; FREITAS, M. C. Sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica: aspectos técnicos e regulatórios. Caderno de Energia Renovável, v. 8, n. 3, p. 101-120, 2020.

Resenha do Livro "A Vida Intelectual" – Antonin-Dalmace Sertillanges

Um guia atemporal para cultivar o conhecimento, despertar a curiosidade e transformar a existência

Publicado em 1920, "A Vida Intelectual" de Antonin-Dalmace Sertillanges é uma obra que exala sabedoria e inspiração. Trata-se de um verdadeiro manual para aqueles que desejam trilhar o caminho do conhecimento, oferecendo não apenas reflexões filosóficas, mas também orientações práticas para uma vida dedicada ao estudo e à contemplação.

O Espírito Intelectual

Sertillanges inicia sua obra enfatizando a importância de cultivar uma mentalidade aberta e receptiva ao aprendizado. Para ele, a vida intelectual não se restringe a uma mera acumulação de informações, mas requer um espírito de busca, curiosidade e discernimento. O autor incentiva o leitor a desenvolver uma postura investigativa, capaz de transcender os limites do conhecimento superficial e atingir um nível mais profundo de compreensão.

As Condições Essenciais

A jornada do intelecto exige disciplina, ordem e dedicação. Segundo Sertillanges, é fundamental criar um ambiente propício para o estudo, onde o silêncio e a concentração permitam um mergulho profundo nas questões intelectuais. Ele destaca ainda a necessidade de manter um equilíbrio entre trabalho e descanso, garantindo que a mente esteja sempre afiada e pronta para novos desafios.

Métodos e Organização

O autor oferece insights valiosos sobre como estruturar uma rotina de estudos eficaz. Ele sugere estratégias para selecionar leituras relevantes, administrar o tempo de forma produtiva e manter o foco nos objetivos intelectuais. Um dos conselhos mais práticos de Sertillanges é a ideia de que a leitura deve ser acompanhada de reflexão e anotações, transformando-se em um exercício ativo de assimilação e crítica.

A Busca pela Verdade e pelo Bem

Sertillanges enfatiza que a busca pelo conhecimento não deve ser um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a verdade e o bem. Ele alerta contra a vaidade intelectual e incentiva o leitor a aplicar o aprendizado de maneira ética e construtiva, tanto para seu próprio desenvolvimento quanto para a melhoria da sociedade.

Impacto na Vida do Leitor

"A Vida Intelectual" não é apenas um manual acadêmico; é um convite à transformação pessoal. Após a leitura, somos impelidos a reavaliar nossa abordagem ao estudo e à contemplação. Sertillanges nos encoraja a abandonar a superficialidade e a mergulhar profundamente no oceano do conhecimento.

Mais do que um guia para intelectuais, este livro é uma bússola para aqueles que desejam uma vida de significado, crescimento e autodescoberta. Ele nos lembra que a verdadeira riqueza não está apenas na quantidade de livros lidos ou na erudição conquistada, mas sim na maneira como cultivamos nossa mente e aplicamos nosso saber para fazer a diferença no mundo.

Se você busca inspiração para aprimorar sua vida intelectual, "A Vida Intelectual" é uma leitura essencial que permanecerá relevante independentemente do tempo.

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domingo, 9 de março de 2025

O Tear de Jacquard: A Máquina que Revolucionou a Indústria Têxtil

Wikimedia Commons
Entre as invenções que transformaram a história da humanidade, poucas tiveram um impacto tão significativo na indústria têxtil quanto o Tear de Jacquard. Criado no início do século XIX, esse equipamento não apenas revolucionou a forma de tecer padrões complexos, como também foi um dos precursores da automação moderna, influenciando até mesmo o desenvolvimento dos primeiros computadores.

A Revolução do Tear

O tear tradicional exigia extrema habilidade manual para a produção de tecidos com padrões elaborados, como brocados, damascos e tapeçarias. Cada desenho precisava ser criado manualmente, tornando o processo lento e caro. Foi então que Joseph-Marie Jacquard, em 1804, apresentou ao mundo uma inovação surpreendente: um tear controlado por cartões perfurados, que automatizava a repetição dos padrões sem a necessidade de intervenção constante do tecelão.

Baseando-se em ideias anteriores, como os sistemas de cartões perfurados de Basile Bouchon e Jean-Baptiste Falcon, Jacquard aperfeiçoou o mecanismo e tornou a produção têxtil mais eficiente, precisa e acessível.

Impacto Histórico e Cultural

O Tear de Jacquard foi um divisor de águas para a indústria têxtil, permitindo a produção em massa de tecidos decorativos e tornando-os disponíveis para uma parcela maior da população. Além disso, a tecnologia dos cartões perfurados inspirou diretamente os primeiros sistemas computacionais, como a máquina analítica de Charles Babbage, sendo considerado um marco no caminho rumo à informática moderna.

Curiosidade: O Início da Programação

Os cartões perfurados usados no Tear de Jacquard traziam instruções codificadas que determinavam o padrão do tecido. Esse conceito de comando sequencial influenciou a lógica da programação de máquinas, um legado que atravessou os séculos e chegou até os computadores que usamos hoje.

 

Referências Bibliográficas:

  • Long, Eric. 50 Máquinas que Mudaram o Rumo da História. Editora Sextante, 2014.
  • Cardwell, Donald S. L. Turning Points in Western Technology: A Study of Technology, Science and History. Neale Watson Academic Publications, 1972.
  • Swade, Doron. The Difference Engine: Charles Babbage and the Quest to Build the First Computer. Penguin Books, 2001.
  • Smithsonian Institution. Jacquard Loom. Disponível em: https://www.si.edu/

A Unificação do Egito e o Início do Período Arcaico

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O Egito Antigo, antes de se tornar um reino unificado, era uma região fragmentada, composta por diversas comunidades organizadas ao longo do vale do Nilo. O processo de unificação, que culminou na formação do primeiro Estado centralizado, marcou o início de uma das civilizações mais notáveis da história. Esse período, conhecido como Período Arcaico ou Tinita (c. 3100 - 2686 a.C.), representou a consolidação da autoridade real e o nascimento do conceito de faraó.

O Processo de Unificação

No final do Período Pré-Dinástico, as regiões do Alto Egito (ao sul) e do Baixo Egito (ao norte) estavam divididas e governadas por líderes locais conhecidos como "nomarcas". Com o tempo, conflitos emergiram entre essas regiões, e o rei Narmer (ou Menés) é tradicionalmente creditado como o responsável pela unificação do Egito por volta de 3100 a.C.

A famosa Paleta de Narmer, um artefato de grande importância arqueológica, retrata o rei usando a coroa branca do Alto Egito em um lado e a coroa vermelha do Baixo Egito no outro, simbolizando a unificação das duas regiões sob um único governo.

O Período Arcaico: A Consolidação do Poder

Com a unificação, Menés estabeleceu a primeira dinastia e fundou a cidade de Mênfis, que se tornaria a capital do Egito Antigo. Esse período foi marcado por avanços na administração estatal, na escrita hierogífica e no desenvolvimento de uma identidade nacional.

Os primeiros reis das Dinastias I e II expandiram o poder centralizado, estabeleceram templos para os deuses e consolidaram o culto ao faraó, que passou a ser visto como uma divindade viva, o intermediário entre os homens e os deuses.

O Legado da Unificação

A formação do primeiro Estado egípcio permitiu um desenvolvimento cultural, econômico e político sem precedentes. A administração centralizada facilitou a construção de monumentos, a organização agrária e a expansão das trocas comerciais.

O Período Arcaico preparou o caminho para a era seguinte, o Antigo Império, conhecido por sua estabilidade e pela construção das grandes pirâmides.

No próximo artigo, exploraremos o Antigo Império e a era dos grandes faraós construtores!

Fique atento e continue acompanhando nossa série sobre o Egito Antigo.

Referências Bibliográficas

  • Bard, Kathryn A. An Introduction to the Archaeology of Ancient Egypt. Blackwell Publishing, 2007.
  • Wilkinson, Toby. The Rise and Fall of Ancient Egypt. Random House, 2010.
  • Shaw, Ian (Ed.). The Oxford History of Ancient Egypt. Oxford University Press, 2000.
  • Midant-Reynes, Béatrix. The Prehistory of Egypt: From the First Egyptians to the First Pharaohs. Blackwell Publishing, 2000.

sábado, 8 de março de 2025

O Reino Unido: História, Monarquia, Religião e Transformações Contemporâneas

Palácio de Buckinghan / PixaBay
O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte é um dos países mais emblemáticos e influentes da história mundial. Formado por quatro nações – Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte –, o Reino Unido foi o centro de um império global e ainda mantém fortes laços históricos e culturais com diversas nações, especialmente aquelas que integram a Commonwealth.

Ao longo dos séculos, muitos territórios optaram por se desvincular da monarquia britânica, buscando autonomia e identidade própria. Um exemplo recente foi Barbados, que, em 30 de novembro de 2021, se tornou oficialmente uma república, rompendo os últimos laços com a Coroa britânica. Apesar disso, a monarquia do Reino Unido segue com grande prestígio e influência ao redor do mundo.

A monarca de maior tempo de reinado

Ao falar do Reino Unido, é impossível não destacar a figura da Rainha Elizabeth II, que foi a monarca com o mais longo período de reinado da história britânica. Durante 70 anos, Elizabeth II esteve no trono, atravessando gerações e sendo testemunha de importantes transformações globais e nacionais. Sua morte ocorreu no dia 8 de setembro de 2022, no Castelo de Balmoral, na Escócia.

Com o falecimento da Rainha, seu filho mais velho, Charles III, foi proclamado rei, dando continuidade à dinastia Windsor e inaugurando um novo capítulo na história da monarquia britânica.

Quem pode ser rei ou rainha no Reino Unido?

Segundo as tradições e normas que regem a sucessão ao trono britânico, apenas pessoas nascidas no Reino Unido, especificamente descendentes da linha sucessória legítima, podem ocupar o cargo de monarca. Além disso, há um requisito fundamental: o monarca precisa ser obrigatoriamente de religião protestante, seguindo a fé estabelecida pelo Act of Settlement de 1701.

Religião oficial no Reino Unido

A religião oficial do Reino Unido varia conforme cada uma das nações que o compõem:

  • Inglaterra: A religião oficial é o Anglicanismo, com a Igreja Anglicana, e o monarca atua como seu governador supremo.
  • Escócia: A Igreja Presbiteriana é a principal e detém status oficial, embora com autonomia e sem intervenção direta do monarca, que apenas garante sua preservação.
  • País de Gales e Irlanda do Norte: Não possuem uma igreja oficial. No entanto, há predominância de tradições anglicanas, metodistas e presbiterianas.

O papel político do rei

Embora o Reino Unido seja uma monarquia constitucional, em que o poder de governo está nas mãos do Parlamento e do Primeiro-Ministro, o rei ainda exerce funções importantes dentro do protocolo político. Entre suas principais atribuições, estão:

  • Abertura oficial e dissolução do Parlamento.
  • Nomeação formal do Primeiro-Ministro.
  • Sancionamento de leis aprovadas, através do chamado Royal Assent.

Na prática, esses poderes são mais simbólicos do que interventivos, já que as decisões políticas são tomadas pelo governo eleito. O monarca atua como chefe de Estado, representando a unidade e continuidade da nação.

A abrangência do Reino Unido e a saída de países

Além de suas quatro nações constituintes, o Reino Unido mantém relações com várias nações por meio da Commonwealth, uma organização que reúne ex-colônias britânicas e países que compartilham laços históricos com a Coroa. No entanto, muitos países já optaram por romper esse vínculo. Um caso emblemático foi o de Barbados, que retirou a rainha Elizabeth II como chefe de Estado e passou a se autodeclarar república, encerrando um ciclo de mais de 400 anos de domínio britânico.

Ainda assim, outras nações, como Canadá, Austrália e Nova Zelândia, continuam reconhecendo o monarca britânico como seu chefe de Estado, embora possuam autonomia política plena.

Conclusão

Mesmo com as mudanças políticas globais, a monarquia britânica permanece como um dos maiores símbolos históricos e culturais do mundo. A morte da Rainha Elizabeth II e a ascensão de Charles III sinalizam uma nova era, mas que ainda se apoia em tradições centenárias. Ao mesmo tempo em que países buscam autonomia, como Barbados, outros mantêm o respeito e os vínculos com a realeza britânica, reafirmando a relevância histórica do Reino Unido no cenário internacional.

Referências

BBC News. Barbados se torna república e retira rainha Elizabeth II como chefe de Estado. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59465640. Acesso em: fev. 2025.

BOGUE, David. The British Monarchy: Past, Present, and Future. London: Routledge, 2021.

CANNADINE, David. Elizabeth II: A Life of a Queen. Oxford: Oxford University Press, 2022.

CROSS, Anthony R. The Church of England and Its Impact on British Society. Cambridge: Cambridge University Press, 2019.

HEFFERNAN, Michael. The United Kingdom: Nation, State, and Empire. London: Palgrave Macmillan, 2020.

MACCULLOCH, Diarmaid. Christianity: The First Three Thousand Years. New York: Penguin Books, 2020.

STARKEY, David. Monarchy: The Royal Family at Work. London: HarperCollins, 2019.

THE ROYAL FAMILY. The Death of Her Majesty The Queen. Disponível em: https://www.royal.uk. Acesso em: fev. 2025.