Em 17 de outubro de 1956, uma pequena cidade no noroeste da
Inglaterra entrou para a história mundial. Sob os olhares atentos da Rainha
Elizabeth II, a usina de Calder Hall foi conectada à rede elétrica —
marcando o início oficial da era da energia nuclear comercial. O feito,
impulsionado pelo icônico Reator Magnox, prometia transformar a energia
atômica de arma de destruição em motor de progresso.
Hoje, quase 70 anos depois, o mundo volta a olhar para essa
tecnologia com outros olhos — e um senso renovado de urgência.
O Fogo Atômico: Da Teoria à Esperança
Antes de virar eletricidade, o átomo foi motivo de temor. A
equação de Einstein (E=mc²) em 1905 e a descoberta da fissão nuclear
em 1938 pelos alemães Otto Hahn e Friedrich Strassmann abriram portas para
avanços e tragédias.
Com Hiroshima e Nagasaki ainda frescos na memória e a Guerra
Fria se intensificando, o presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, lançou
em 1953 o discurso “Átomos pela Paz” — propondo que a ciência atômica
fosse usada para a vida, não para a morte. Nesse cenário tenso, o Reino Unido
apostou no projeto Magnox, unindo ambição científica e estratégia
política.
O Reator Magnox: Engenharia Simples, Propósito Duplo
Projetado pela Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido,
o Magnox se destacou por sua eficiência e simplicidade:
- Combustível:
Urânio natural, dispensando o enriquecimento.
- Resfriamento:
Dióxido de carbono ($CO_2$), transferindo calor do núcleo para gerar
vapor.
- Moderação:
Blocos de grafite controlando a velocidade dos nêutrons.
- Aplicação
dupla: Produzia eletricidade, mas também permitia a extração de Plutônio-239,
essencial para ogivas nucleares britânicas.
Apesar da fachada civil, o reator foi parte da estratégia
militar britânica durante a Guerra Fria.
Da Euforia ao Medo: Acidentes que Abalaram a Confiança
O entusiasmo inicial com a energia nuclear começou a ruir
nas décadas seguintes. Acidentes como Three Mile Island (1979), Chernobyl
(1986) e Fukushima (2011) colocaram a tecnologia sob escrutínio
global.
Países europeus e asiáticos interromperam ou desaceleraram
seus programas nucleares, optando por energias renováveis. O pânico
substituiu o progresso — e o mundo passou a temer mais do que confiar.
2025: O Átomo em Nova Luz
Mas o jogo virou novamente. Com o aumento dos preços dos
combustíveis fósseis, os impactos das mudanças climáticas e os limites das
fontes renováveis, potências globais voltaram a considerar a energia nuclear
como alternativa estratégica para descarbonização.
O Reator Calder Hall, desativado em 2003 após 46 anos
de operação segura, tornou-se símbolo de um tempo em que a ciência ainda
buscava equilíbrio entre inovação e risco. Hoje, seu legado inspira uma nova
geração de reatores — mais seguros, compactos e sustentáveis.
Conclusão
A história de Calder Hall e do Reator Magnox mostra que a
tecnologia, por mais polêmica que seja, pode renascer sob novas necessidades e
valores.
Em um mundo que precisa urgentemente de soluções energéticas
limpas e seguras, o "fogo atômico" volta a brilhar — agora com mais
consciência.
E você? Acredita que a energia nuclear pode ser parte do
futuro sustentável do planeta?
Participe nos comentários e compartilhe sua visão sobre o uso do átomo no
século XXI.
Referências Bibliográficas
CHALINE, Erich. 50 máquinas que mudaram o rumo da
história. Tradução de Fabiano Moraes. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.
HECHT, Gabrielle. The Radiance of France: Nuclear Power
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Londres: WNA, 2024. Disponível em: https://world-nuclear.org/information-library/current-and-future-generation/outline-history-of-nuclear-energy.aspx.
Acesso em: 27 dez. 2025.
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